Da Cor do Pecado
Da Cor do Pecado é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 26 de janeiro a 27 de agosto de 2004, em 185 capítulos. Substituiu Kubanacan e foi substituída por Começar de Novo, sendo a 66ª "novela das sete" exibida pela emissora.
No final da década de 1960, o empresário Afonso Lambertini tem um romance com uma copeira da sua mansão, Edilásia Sardinha, que engravida. Afonso é marido de Sílvia, mulher de saúde frágil a quem ama, e abre o jogo para a esposa. Esta aceita criar o filho do marido. Porém Edilásia esconde de Afonso que está grávida de gêmeos, dois meninos. Germana, a governanta da casa e grande amiga de Afonso e Sílvia, ajuda Edilásia a fugir, deixando um menino com Afonso e levando o outro. Pouco tempo depois, Sílvia morre, mergulhando Afonso em depressão e o destinando a viver sua vida dentro de sua enorme mansão, saindo apenas para administrar suas empresas do Grupo Lambertini, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo. Afonso, no entanto, vai se tornando, igual à evolução de sua fortuna, cada vez mais amargurado e solitário. 27 anos se passam, e Paco, filho de Afonso, é um botânico bastante dedicado à sua profissão e que não concorda nem um pouco com os atos do pai, que desmata e queima para realizar seus multimilionários empreendimentos. Paco nem suspeita que possui um irmão gêmeo e não conhece sua mãe biológica, Edilásia, achando que é filho único de Sílvia. Numa viagem para o Maranhão, Paco conhece Preta, linda moça negra da capital São Luís, que vende ervas na barraca junto com sua mãe, Lita. Paco a conhece numa roda de dança de tambor de crioula, em que Preta dança provocante e sensual, olhando para ele. É amor à primeira vista e eles trocam juras de paixão eterna, porém Preta está desconfiada de que um homem branco e rico a ame de verdade, por ser negra e pobre. Paco é noivo de Bárbara, mulher ardilosa e manipuladora, que fará de tudo para que o romance dos dois acabe e ela fique com a herança de Afonso, saindo assim da decadência financeira em que vive. Costuma referir-se a Preta de modo pejorativo, tratando-a por "neguinha" e a acusando de ser interesseira.
A trama marcou a estreia de João Emanuel Carneiro como autor, e foi a maior audiência do horário dos anos 2000. Em maio de 2003, o autor recebeu carta branca da Globo e entrou na fila do horário das 19h. A primeira fase da trama teve vinte capítulos e foi exibida até 17 de fevereiro de 2004. A segunda fase iniciou no capítulo 21, exibido em 18 de fevereiro de 2004. A telenovela seria ambientada na Bahia, mas devido a dificuldades nas negociações, a equipe escolheu o Maranhão como locação dos capítulos iniciais. As gravações da novela começaram em 20 de outubro de 2003 nas cidades de São Luís, Alcântara, Barreirinhas, além do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. A primeira parte das gravações no estado duraram pouco mais de um mês. Uma das cenas mais emblemáticas da trama é quando o vilão Tony (Guilherme Weber) obriga Bárbara (Giovanna Antonelli) a se vestir de noiva e depois a abandona num lixão. As cenas foram exibidas no capítulo 73, em 19 de abril de 2004 e foram gravadas num lixão público real.
Escolha do elenco
A cantora Kelly Key foi convidada para interpretar a fogosa Tina, porém recusou para focar em sua carreira musical. Karina Bacchi foi originalmente escolhida para interpretar Moa e chegou a realizar aulas de surf para compor a personagem, porém, com a desistência de Kelly, a direção decidiu remaneja-la para o papel de Tina e escalar Alinne Moraes para interpretar a surfista Moa. Para dar vida aos seus personagens, os atores Reynaldo Gianecchini, Leonardo Brício, Caio Blat, Cauã Reymond, Pedro Neschling, Rosi Campos e Karina Bacchi tiveram aulas de artes marciais, em diversas modalidades. A telenovela marcou a estreia de Guilherme Weber na TV, ator vindo do cinema e do teatro. Ele interpretou Tony, o grande vilão da trama. As primeiras cenas do personagem foram ao ar no capítulo 23, exibido em 20 de fevereiro de 2004. Também foi a estreia do ator Matheus Nachtergaele em novelas. O ator aceitou fazer a novela, porque o convite partiu do próprio autor João Emanuel Carneiro. Leonardo Brício passou vários dias afastado da trama. A justificativa encontrada para a ausência do ator foi de que seu personagem Ulisses estava viajando, em busca do seu irmão Apolo. O ator voltou à trama no último capítulo, junto com Apolo.
Participações especiais
Da Cor do Pecado foi marcada por participações especiais. Solange Couto e Jonathan Haagensen atuaram na primeira fase da trama, como Lita e Dodô, mãe e namorado da protagonista Preta, respectivamente. Ainda na primeira fase, Glória Menezes fez uma participação como a milionária Kiki, uma das vítimas dos golpes do casal Edu e Verinha. O ator Francisco Cuoco participou de diversos capítulos da trama, interpretando Pai Gaudêncio, um pai de santo famoso e mentor de Helinho. Já o cantor Sidney Magal entrou na trama interpretando Comandante Frazão, um surfista veterano que dominava as artes marciais, e que se envolvia com Mamuska. A atriz Carolina Dieckmann fez uma participação especial como Júlia, uma bióloga que envolve-se com Paco. Já Flávia Alessandra atuou como Lena, mulher com Sal tem um breve namoro.
Audiência
O primeiro capítulo obteve 42 pontos de média e 61% de participação, sendo considerada a melhor estreia desde 1996. Sua menor audiência foi de 31 pontos, alcançada em 4 de fevereiro de 2004. A trama bateu recorde de audiência no dia 20 de julho de 2004, segundo dados consolidados, foram alcançados 51 pontos de média. Neste dia foram ao ar as cenas que Afonso desmascara Bárbara. Seu último capítulo teve média de 51 pontos e 55 de pico em São Paulo, com 69% de share. Teve média geral de 43 pontos, sendo a maior audiência do horário das 19 horas nos anos 2000. A primeira reprise, em 2007, teve média geral de 19 pontos, satisfatório para a faixa vespertina.
Controvérsia
A expressão "da cor do pecado" é considerada racista por ser associada a sexualização de mulheres negras, remetendo ao período de escravidão no Brasil, quando a cor negra representava uma espécie de "castigo divino". Na época da exibição da novela, o uso da expressão como título da obra, além da associação da adaptação de samba homônimo composto por Bororó como tema de abertura, receberam críticas negativas. Vinicius Torres Freire, para a Folha de S.Paulo, fez questionamentos sobre os motivos que teriam levado a adotarem a expressão para a trama e associou com "a tolerância com a estupidez, a convivência naturalizada com miríades de preconceitos ou a indiferença estupidificada das pessoas que vivem diante da televisão", que naturaliza "um chavão racista suave e cordial, sem que pareça fazê-lo". Outras críticas também associam o estereótipo da expressão com a abordagem da trama principal.
Exibição Internacional
Da Cor do Pecado já foi vendida para mais de 100 países e é a segunda novela mais exportada pela Globo. Avenida Brasil, também de João Emanuel Carneiro, é a mais vendida, com 130 países. A Vida da Gente praticamente empata com Da Cor do Pecado, tendo sido vendida para 98 países.
Reprises
Foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo de 7 de maio a 16 de novembro de 2007, substituindo Era uma vez... e sendo substituída por Coração de Estudante. Durante a exibição desta reprise, o capítulo de número 78, que seria exibido em 22 de agosto de 2007, uma quarta-feira, não foi ao ar devido à transmissão do amistoso de futebol entre Brasil e Argélia. Com isso, a reprise, que teria 140 capítulos, fechou com 139. Foi reapresentada novamente no Vale a Pena Ver de Novo de 24 de setembro de 2012 a 22 de fevereiro de 2013, em 110 capítulos, substituindo Chocolate com Pimenta e sendo substituída por O Profeta. Foi exibida na íntegra pelo Canal Viva de 19 de abril a 19 de novembro de 2021, substituindo Mulheres Apaixonadas e sendo substituída por Páginas da Vida no horário das 23h, com reprise às 13h30 e maratona aos domingos (das 19h às 23h45).
Outras Mídias
Em 3 de janeiro de 2022, foi disponibilizada na íntegra pelo Globoplay, como parte do Projeto Resgate da plataforma.
Nacional
A primeira trilha sonora da telenovela foi lançada em 12 de fevereiro de 2004 pela Som Livre, trazendo o repertório nacional. Taís Araújo estampou a capa do álbum.
Internacional
A segunda trilha sonora da telenovela foi lançada em 25 de março de 2004 pela Som Livre, trazendo o repertório internacional. Alinne Moraes estampou a capa do álbum.


