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Império Sassânida

O Império Sassânida foi o último Império Persa pré-islâmico, governado pela dinastia sassânida (224–651). O Império Sassânida, que sucedeu ao Império Parta, foi reconhecido como uma das principais potências da Ásia Ocidental e Central, juntamente com o Império Romano/Bizantino, por um período de mais de 400 anos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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História

Origens e história inicial

A queda do Império Parta e a ascensão do Sassânida ainda é um mistério, sendo repleta de relatos contraditórios. O Império Sassânida foi estabelecido em Estacar por Artaxes I. Pabeco, o pai de Artaxes, era originalmente o governante de uma região chamada Quir. No entanto, no ano 200, conseguiu derrubar Gochir e nomear-se o novo governante dos basrânguidas. Sua mãe, Rodague, era filha do governador da província de Pérsis. Pabeco e seu filho mais velho, Sapor, conseguiram expandir seu poder sobre toda Pérsis. Os eventos subsequentes não são claramente conhecidos, devido à natureza elusiva das fontes. É certo, entretanto, que após a morte de Pabeco, Artaxes, que na época era o governador de Darabeguerde, se envolveu em uma luta pelo poder com seu irmão mais velho, Sapor. Fontes revelam que Sapor, saindo para uma reunião com seu irmão, foi morto quando o telhado de um prédio desabou sobre ele. No ano 208, apesar dos protestos de seus outros irmãos que foram condenados à morte, Artaxes declarou-se governante de Pérsis.

Primeira era dourada

Após a morte de Hormisda II, os árabes do norte começaram a devastar e saquear as cidades ocidentais do império, chegando a atacar a província de Pérsis, local de nascimento dos reis sassânidas. Enquanto isso, nobres persas mataram o filho mais velho de Hormisda II, cegaram o segundo e aprisionaram o terceiro (que mais tarde escapou para o território romano). O trono foi reservado para Sapor II, o filho não nascido de uma das esposas de Hormisda II que foi coroado no útero: a coroa foi colocada sobre o estômago de sua mãe. Durante sua juventude, o império foi controlado por sua mãe e pelos nobres. Ao atingir a maioridade, Sapor II assumiu o poder e rapidamente provou ser um governante ativo e eficaz.[carece de fontes?]

Era intermediária

Desde a morte de Sapor II até a primeira coroação de Cavades I, houve um período amplamente pacífico com os romanos (nesta época, o Império Romano ou Bizantino Oriental) envolvidos em apenas duas breves guerras com o Império Sassânida, a primeira em 421-422 e a segunda em 440. Ao longo dessa época, a política religiosa sassânida diferia dramaticamente de xá para xá. Apesar de uma série de líderes fracos, o sistema administrativo estabelecido durante o reinado de Sapor II permaneceu forte, e o império continuou a funcionar efetivamente. Depois que Sapor II morreu em 379, o império passou para seu meio-irmão Artaxes II (379-383; filho de Hormisda II) e seu filho Sapor III (383-388), nenhum dos quais demonstrou a habilidade de seu predecessor em governar. Artaxes, que foi criado como o "meio-irmão" do imperador, não conseguiu ocupar o lugar de seu irmão, e Sapor era muito melancólico para conseguir qualquer coisa. Vararanes IV (388-399), embora não tão inativo quanto seu pai, ainda não conseguiu realizar nada importante para o império. Durante este tempo, a Armênia foi dividida por um tratado entre os impérios romano e sassânida. Os sassânidas restabeleceram seu domínio sobre a Grande Armênia, enquanto o Império Bizantino controlava uma pequena parte da Armênia ocidental.[carece de fontes?]

Segunda era dourada

A segunda era dourada começou após o segundo reinado de Cavades I. Com o apoio dos heftalitas, Cavades lançou uma campanha contra os romanos. Em 502, ele conquistou Teodosiópolis na Armênia, mas a perdeu logo depois.[carece de fontes?] Em 503 ele conquistou Amida no rio Tigre. Em 504, uma invasão da Armênia pelos hunos ocidentais do Cáucaso levou a um armistício, ao retorno de Amida ao controle romano e a um tratado de paz em 506. Em 521/22 Cavades perdeu o controle da Lázica, cujos governantes mudaram sua aliança para o Império Romano; uma tentativa dos ibéricos em 524/525 de fazer o mesmo desencadeou uma guerra entre Roma e a Pérsia. Em 527, uma ofensiva romana contra Nísibis foi repelida e os esforços romanos para fortificar posições perto da fronteira foram frustrados. Em 530, Cavades enviou um exército sob o comando de Perozes para atacar a importante cidade fronteiriça romana de Dara. O exército foi recebido pelo general romano Belisário e, embora superior em número, foi derrotado na Batalha de Dara. No mesmo ano, um segundo exército persa sob Mermeroes foi derrotado em Satala pelas forças romanas sob Sitas e Doroteu, mas em 531 um exército persa acompanhado por um contingente lácmida sob Alamúndaro III derrotou Belisário na Batalha de Calínico, e em 532 foi concluída a chamada Paz Eterna. Embora não tenha conseguido se livrar do jugo dos heftalitas, Cavades conseguiu restaurar a ordem no interior e lutou com sucesso geral contra os romanos orientais, fundou várias cidades, algumas das quais foram nomeadas em sua homenagem, e começou a regulamentar a tributação e administração.[carece de fontes?]

Declínio e queda

Embora tenha sido bem-sucedida em seu primeiro estágio (de 602 a 622), a campanha de Cosroes II exauriu o exército e o tesouro persas. Na tentativa para restaurar o tesouro nacional, Cosroes acabou sobrecarregando a população com impostos. Desesperado após a queda de Alexandria aos persas, Heráclio (610-641) junto da Igreja, em uma tentativa de "salvar a cristandade", valeu-se de todos os recursos remanescentes de seu império reduzido e devastado, reorganizou o exército e realizou uma notável e arriscada contraofensiva. Entre 622 e 627, ele fez uma campanha contra os persas na Anatólia e no Cáucaso, com uma série de vitórias contra as forças persas, saqueando o grande templo zoroastrista de Ganzaca[carece de fontes?] e dando apoio aos cazares e o Grão-Canato Turco Ocidental.

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Religião

No Império Arsácida, os xás foram muito tolerantes com as diferentes comunidade religiosas que habitavam seus domínios, do mesmo modo que não havia uma religião de Estado na Pérsia. Sob Sapor I (r. 240–270), o segundo xá do Império Sassânida, ainda não havia uma preocupação em formalizar uma doutrina como a religião do Estado, e mesmo embora Sapor favorecesse o zoroastrismo também foi tolerante com as minorias religiosas que coabitaram na Pérsia (cristãos, judeus e maniqueístas). Seus sucessores imediatos Hormisda I (r. 270–271), Vararanes I (r. 271–274) e Vararanes II (r. 274–293) permitiram que os sacerdotes zoroastristas espalhassem os ensinamentos de sua religião e suprimissem as comunidades não zoroastristas. Com o aumentar da influência dos alto sacerdotes zoroastristas sobre a dinastia sassânida, a intolerância religiosa se intensificou. O alto sacerdote Cartir, que esteve ativo no século III, intensificou a supressão das comunidades cristã, judaica, hindu e budista e por sua influência o profeta Maniqueu foi interrogado e preso e os maniqueístas foram censurados e forçados ao exílio.

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Governo

Os sassânidas estabeleceram um império aproximadamente dentro das fronteiras do Império Parta, com a capital em Ctesifonte, na província de Assuristão. Ao administrar este império, os governantes sassânidas ganhavam o título de xainxá (rei de reis), tornando-se os senhores centrais e também assumiram a tutela do fogo sagrado, o símbolo da religião nacional. Este símbolo é explícito nas moedas sassânidas onde o monarca reinante, com sua coroa e outras regalias do seu ofício, aparece no verso da moeda, apoiado pelo fogo sagrado, o símbolo da religião nacional.[carece de fonte melhor] As rainhas sassânidas tinham o título de Banbishnan banbishn (rainha de rainhas). Em uma escala menor, o território também poderia ser governado por vários governantes mesquinhos de uma família nobre, conhecida como xardar, supervisionada diretamente pelo xainxá. Os distritos das províncias eram governados por um xarabe e um mobede (sacerdote principal). A função do mobede era lidar com propriedades e outras coisas relacionadas a questões jurídicas. O governo sassânida foi caracterizado por considerável centralização, planejamento urbano ambicioso, desenvolvimento agrícola e melhorias tecnológicas. Abaixo do rei, uma burocracia poderosa executava grande parte dos negócios do governo; o chefe da burocracia era o grão-framadar (vizir ou primeiro-ministro). Dentro dessa burocracia, o sacerdócio zoroastriano era imensamente poderoso. O chefe da classe sacerdotal dos magos, o grão-mobede (mowbedan mowbed), junto com o comandante-chefe, o aspabedes, o chefe dos comerciantes e do sindicato de mercadores Ho Tokhshan Bod e o ministro da agricultura (wastaryoshan-salar), que também era o chefe dos agricultores, foram, abaixo do imperador, os homens mais poderosos do estado sassânida.

Sistema de justiça

As cortes de justiça sassânida estavam presentes por todo o império em diversos níveis. Processos judiciais eram julgados por cortes regionais por meio do processo legal, ou pela jurisdição do mobede, contudo o último apenas excepcionalmente. Os litigantes escolhiam dois advogados e duas ou três testemunhas.

Exército sassânida

O exército ativo do Império Sassânida se originou durante o reinado de Artaxes I, o primeiro xainxá do império. Artaxes restaurou as organizações militares aquemênidas, manteve o modelo de cavalaria parta e empregou novos tipos de armadura e técnicas de cerco. A relação entre sacerdotes e guerreiros era importante, porque o conceito de Eranxar (Ērānshahr) havia sido revivido pelos sacerdotes. Sem esse relacionamento, o Império Sassânida não teria sobrevivido em seus estágios iniciais. Devido a essa relação entre os guerreiros e os sacerdotes, religião e estado eram considerados inseparáveis no zoroastrismo. No entanto, é essa mesma relação que causou o enfraquecimento do Império, quando cada grupo tentava impor seu poder ao outro. Desentendimentos entre os sacerdotes e os guerreiros levaram à fragmentação dentro do império, o que levou à sua queda.

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Relações com regimes vizinhos

Guerras com os romanos e outros regimes

Os sassânidas, como os partos, estavam em constante hostilidade com o Império Romano. Os sassânidas, que sucederam aos partas, foram reconhecidos como uma das principais potências mundiais ao lado de seu rival vizinho, o Império Bizantino, ou Império Romano do Oriente, por um período de mais de 400 anos. Após a divisão do Império Romano em 395, o Império Bizantino, com sua capital em Constantinopla, continuou como o principal inimigo ocidental da Pérsia e o principal inimigo em geral. As hostilidades entre os dois impérios tornaram-se mais frequentes. Os sassânidas, semelhantes ao Império Romano, estavam em constante estado de conflito com reinos vizinhos e hordas nômades. Embora a ameaça de incursões nômades nunca pudesse ser totalmente resolvida, os sassânidas geralmente lidavam com esses assuntos com muito mais sucesso do que os romanos, devido à sua política de fazer campanhas coordenadas contra os ameaçadores nômades.

Guerra com Axum

Em 522, antes do reinado de Cosroes, um grupo de monofisistas axumitas liderou um ataque aos himiaritas dominantes do sul da Arábia. O líder árabe local foi capaz de resistir ao ataque, mas apelou aos sassânidas por ajuda, enquanto os axumitas posteriormente se voltaram para os bizantinos em busca de ajuda. Os axumitas enviaram outra força através do Mar Vermelho e desta vez mataram com sucesso o líder árabe e o substituíram por um homem axumita para ser o rei da região. Em 531, Justiniano sugeriu que os axumitas deveriam cortar o acesso dos persas ao comércio marítimo indiano com o controle do Iêmem. Os axumitas nunca atenderam a este pedido porque um general axumita chamado Abramo assumiu o controle do trono iemenita e fez dali uma nação independente. Após a morte de Abramo, um de seus filhos, Made Caribe, foi para o exílio enquanto seu meio-irmão assumia o trono. Depois de ser negado por Justiniano, Made Caribe procurou a ajuda de Cosroes, que enviou uma pequena frota e um exército sob o comandante Uarizes para depor o novo rei do Iêmen. Depois de capturar a capital Saná, o filho de Made Caribe, Ceife, foi colocado no trono.

Relações com a China

Como seus predecessores, os partas, o Império Sassânida mantinha relações externas ativas com a China, e embaixadores da Pérsia frequentemente viajavam para a China. Documentos chineses relatam 16 embaixadas sassânidas na China de 455 a 555. Comercialmente, o comércio terrestre e marítimo com a China era importante para os impérios sassânida e chinês. Um grande número de moedas sassânidas foi encontrado no sul da China, confirmando o comércio marítimo.[carece de fontes?] Em diferentes ocasiões, os reis sassânidas enviaram seus músicos e dançarinos persas mais talentosos para a corte imperial chinesa em Luoyang durante as dinastias Jin e Wei do norte, e para Chang'an durante as dinastias Sui e Tang. Ambos os impérios se beneficiaram do comércio ao longo da Rota da Seda e compartilhavam um interesse comum em preservar e proteger esse comércio. Eles cooperaram na guarda das rotas comerciais através da Ásia Central e ambos construíram postos avançados nas áreas de fronteira para manter as caravanas protegidas de tribos nômades e bandidos.[carece de fontes?]

Relações com a Índia

Após a conquista do Irã e das regiões vizinhas, Sapor I estendeu sua autoridade ao noroeste do subcontinente indiano. Os Cuchanas anteriormente autônomos foram obrigados a aceitar sua suserania. Estes eram os Cuchanas ocidentais que controlavam o Afeganistão enquanto os Cuchanas orientais estavam ativos na Índia. Embora o Império Cuchano tenha declinado no final do século III para ser substituído pelo Império Gupta indiano no século IV, é claro que os sassânidas permaneceram relevantes no noroeste da Índia durante todo este período.[carece de fontes?] A Pérsia e o noroeste da Índia, este último que fazia parte dos Cuchanas, se envolveram em relações culturais e políticas durante esse período, à medida que certas práticas sassânidas se espalharam pelos territórios Cuchanas. Em particular, os Cuchanas foram influenciados pela concepção sassânida de realeza, que se espalhou pelo comércio de pratas e tecidos sassânidas representando imperadores caçando ou distribuindo justiça.[carece de fontes?]

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Sociedade

Urbanismo e nomadismo

Em contraste com a sociedade parta, os sassânidas renovaram a ênfase em um governo carismático e centralizado. Na teoria sassânida, a sociedade ideal poderia manter a estabilidade e a justiça, e o necessário para isso era um monarca forte. Assim, os sassânidas pretendiam ser um império urbano, no qual foram bastante bem-sucedidos. Durante o final do período sassânida, a Mesopotâmia tinha a maior densidade populacional do mundo medieval. Isso pode ser creditado, entre outras coisas, aos sassânidas fundando e re-fundando várias cidades, o que é mencionado no texto persa As Capitais Provinciais do Irã (Šahrestānīhā ī Ērānšahr. O próprio Artaxexes I construiu e reconstruiu muitas cidades, e assim deu seu nome a muitas, como Ve-Ardaxir no Assuristão, Ardaxir-Cuarra em Pérsis e Vamã-Ardaxir em Mesena. Durante o período sassânida, muitas cidades com o nome "Iran-khwarrah" foram estabelecidas.

Xainxá

O chefe do Império Sassânida era o xainxá (rei de reis), também conhecido simplesmente como xá (rei). Sua saúde e bem-estar eram de grande importância - portanto, a frase “Que você seja imortal” foi usada para responder a ele. As moedas sassânidas que apareceram a partir do século VI e depois retratam uma lua e um sol, que, nas palavras do historiador iraniano Touraj Daryaee, “sugerem que o rei estava no centro do mundo e o sol e a lua giravam em torno dele. Na verdade, ele era o “rei dos quatro cantos do mundo”, o que era uma velha ideia da Mesopotâmia. O rei via todos os outros governantes, como os romanos, os turcos e os chineses, como estando abaixo dele. o rei usava roupas coloridas, maquiagem, uma pesada coroa, enquanto sua barba era decorada com ouro. Os primeiros reis sassânidas se consideravam de descendência divina; eles se chamavam de "bai" (divino).

Divisão de classes

A sociedade sassânida era imensamente complexa, com sistemas separados de organização social governando vários grupos diferentes dentro do império. Os historiadores acreditam que a sociedade compreendia quatro[nota 3] classes sociais: No centro do sistema de castas sassânidas, o xainxá governava todos os nobres. Os príncipes reais, pequenos governantes, grandes proprietários e sacerdotes, juntos, constituíam um estrato privilegiado e eram identificados como bozorgã, ou grandees. Esse sistema social parece ter sido bastante rígido. O sistema de castas sassânidas sobreviveu ao império, continuando no início do período islâmico.

Escravidão

Em geral, a escravidão em massa nunca foi praticada pelos iranianos e, em muitos casos, a situação e a vida dos semiescravos (prisioneiros de guerra) eram, de fato, melhores do que as das pessoas comuns. Na Pérsia, o termo "escravo" também foi usado para devedores que tinham que usar parte de seu tempo para servir em um templo do fogo. Os escravos mais comuns no Império Sassânida eram os servos domésticos, que trabalhavam em propriedades privadas e nos templos do fogo. O uso de uma escrava em uma casa era comum, e seu mestre tinha total controle sobre ela e poderia até gerar filhos com ela, se quisesse. Os escravos também recebiam salários e podiam ter suas próprias famílias, fossem mulheres ou homens. Ferir um escravo era considerado crime e nem mesmo o próprio rei tinha permissão para fazê-lo.

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Cultura

Línguas

Pálavi, a língua oficial, báctrio, corásmio e saca eram algumas das línguas mais faladas do império, sendo todas essas registradas em documentos sobreviventes aos dias de hoje. Durante o começo da dinastia, o grego coiné, parta e o persa médio coexistiram em documentos escritos dos reis sassânidas. Entretanto, já no período em que Narses subiu ao poder, o grego havia saído de uso, talvez por causa dos esforços do clero zoroastrista anti-helênico de remover a língua. Isso também foi provavelmente causado pois nos rivais sassânidas, os bizantinos/romanos, a língua grega era abundante. A língua parta, do Império Parta, também desapareceu desses documentos no século III d.C., sobrevivendo como língua escrita e falada no leste do império, que é o local onde a língua se originou.

Educação

Havia uma importante escola, chamada "Grande Escola", na capital do império. No início, apenas 50 alunos tinham permissão para estudar na "Grande Escola". Contudo, em menos de 100 anos, a matrícula na escola chegaria a mais de 30 mil alunos.

Sociedade

Em um nível inferior, a sociedade sassânida foi dividida nos azatan (homens livres). Os azatan formaram uma grande aristocracia de baixo nível de administradores, a maioria vivendo em pequenas propriedades. Eles forneciam a espinha dorsal da cavalaria do exército sassânida.

Arte, ciência e literatura

Os reis sassânidas eram patronos em letras e filosofia. Cosroes I mandou traduzir as obras de Platão e Aristóteles para o pálavi, ensiná-las em Bendosabora e lê-las ele mesmo. Durante seu reinado, muitos anais históricos foram compilados, dos quais o único sobrevivente é o Karnamak-i Artaxshir-i Papakan (Livro dos Feitos de Artaxes, Filho de Pabeco), uma mistura de história e romance que serviu de base para o épico nacional iraniano, a Épica dos Reis. Quando Justiniano I fechou as escolas de Atenas, sete de seus professores foram para a Pérsia e encontraram refúgio na corte de Cosroes. Em seu tratado de 533 com Justiniano, o rei sassânida estipulou que os sábios gregos deveriam ter permissão para retornar e ficar livres da perseguição.

Literatura

Não existem escritos filosóficos o teológicos sobreviventes escritos no período sassânida. Contudo, a filosofia escrita nos séculos IX e X demonstra ser de influência de uma tradição anterior. Os persas são familiares com a filosofia grega desde o período aquemênida, e se tornaram ainda mais influenciados por ela durante o período sassânida. Algumas obras relevantes de filosofia e teologia são os livros três e quatro do Dencarde, o Škand gumānı̄k wizār (lit. "A explicação destruidora de dúvidas"), de Mardan-Farrukh, entre outras. Andarz (lit. "Sabedoria") se refere a um importante estilo literário pálavi. A maioria dos trabalhos desse estilo foram escritos por pessoas bem-educadas, mas algumas obras também podem ser atribuídas a certos monarcas ou personalidades religiosas. Os andarz poderiam dar conselhos religiosos ou serem sobre sabedoria pragmática. O sexto livro do Dencarde é a maior coletânea de obras andarz.

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Economia

Como a maioria dos habitantes era de origem camponesa, a economia sassânida dependia da agricultura, sendo o Cuzistão e o Iraque as províncias mais importantes. O Canal de Naravã é um dos maiores exemplos de sistemas de irrigação sassânida, e muitas dessas coisas ainda podem ser encontradas no Irã. As montanhas sassânidas foram usadas para o trabalho pesado dos nômades da região, e a natureza de centralização do estado sassânida permitiu-lhe impor impostos sobre os nômades e habitantes das montanhas. Durante o reinado de Cosroes I, outras terras foram colocadas sob administração centralizada. Duas rotas comerciais foram usadas durante o período sassânida: uma no norte, a famosa Rota da Seda, e uma rota menos proeminente na costa sul da sassânida. As fábricas de Susã, Bendosabora e Shushtar eram famosas por sua produção de seda e rivalizavam com as fábricas chinesas. Os sassânidas mostravam grande tolerância para com os habitantes do campo, o que permitiu que estes armazenassem em caso de fome.

Indústria e comércio

A indústria persa sob os sassânidas desenvolveu-se de formas domésticas para formas urbanas. As guildas eram numerosas. Haviam boas estradas e pontes, bem patrulhadas, permitiam que caravanas de correio e mercantes ligassem Ctesifonte a todas as províncias; e portos foram construídos no Golfo Pérsico para acelerar o comércio com a Índia. Os mercadores sassânidas se espalhavam por toda parte e gradualmente expulsaram os romanos das lucrativas rotas comerciais do Oceano Índico. Descobertas arqueológicas recentes mostraram que os sassânidas usavam rótulos especiais (rótulos comerciais) nas mercadorias como forma de promover seus produtos e distinguir diferentes qualidades.

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Corte

Desde Sapor, como indicado em suas inscrições, a corte era dividida hierarquicamente em 4 categorias que indicam precedência: os "reis" (štldl‘n [persa médio], ḥštrdryn [parta], ML‘K, basileos [grego]); "príncipes" (wspwtlk‘n [persa médio], BRBYT‘n, tou eg basiléos [grego]); "grandes" (wčlk‘n [persa médio], RB‘n; o megistanes do período parta); e "livres, nobres" (z‘tn; os liberi de Pompeu Trogo). Os primeiros eram formados por governantes de reinos e grandes províncias (xares) oriundos de dinastias semi-independentes ou príncipes do clã real a quem o rei de reis nomeou como governadores. Os segundos eram pessoas, de ambos os sexos, que estavam relacionada ao clã real e constituíam a mais alta categoria da nobreza, ou seja, os reis e talvez seus filhos de casamento "sem plenos direitos" como aqueles contraídos com uma pessoa em menoridade ou um casamento colateral.

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Legado

A influência do império sobreviveu por muito tempo depois de sua queda. O império conseguiu atingir uma renascença persa por causa do governo de vários imperadores habilidosos, tornando o Irã uma potência mesmo após a queda do império e o estabelecimento do islã. No Irã moderno e na iranosfera, o período sassânida é considerado ponto alto na história da civilização iraniana.

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Fontes consultadas

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