Diocese
Em algumas formas de Cristianismo, uma diocese é uma unidade territorial administrada por um bispo. É também referida como um bispado, área episcopal ou sede episcopal. A diocese é a unidade geográfica mais importante da organização territorial da Igreja. Na Igreja Católica Romana e Comunhão Anglicana, uma importante diocese é chamada de uma arquidiocese, que é governada por um arcebispo, que pode ter autoridade metropolitana sobre outras dioceses. No catolicismo, o Papa cria as dioceses em todo o mundo e escolhe os seus bispos.
Império Romano
Originalmente o termo diocese (em grego: dioikesis) era um termo usado no direito romano para designar o território e a jurisdição de uma cidade (civitas). Esse nome também foi dado à subdivisão administrativa de algumas províncias governadas por legados (legati), sob a autoridade do governador da província. Diocleciano designava de "diocese" as doze grandes divisões no Império.
Cristianismo
O bispo cristão geralmente residia na civitas, assim o território administrado por ele, normalmente coincidia com o território da cidade, que passou a ser conhecido eclesiasticamente por seu termo civil usual, "diocese". Inicialmente o termo usado para os grupos locais de cristãos sujeitos a um bispo era ekklesia (igreja no sentido local), e em uma data posterior, Paroikia, que significa "vizinhança", o Concílio de Niceia em 325 aplicou este termo para o território sujeito a um bispo. Esta expressão foi mantida no Oriente, onde a Concílio de Constantinopla (381) reservou a palavra diocese para o território sujeito a um patriarca. No Ocidente nos séculos XI e XII, o termo paróquia ainda era usualmente empregado para designar o território sob a jurisdição de um bispo. Por outro lado, o significado atual da palavra diocese já era empregado na África no final do século IV e depois na Espanha, no século XIII este uso finalmente tornou-se geral no Ocidente e "paróquia" passou a designar exclusivamente os setores de uma diocese administradas por um padre ou presbítero.
A diocese de São Tomé e Príncipe foi criada em 3 de novembro de 1534. Até 1842 o seu território abrangia toda a costa do golfo da Guiné. Designou-se diocese de São Tomé até 1957. Presentemente, a Igreja está presente em Timor-Leste através de três circunscrições eclesiásticas (dioceses), directamente dependentes da Santa Sé. A diocese de Díli é a mais antiga diocese do país, erigida a 4 de setembro de 1940. A diocese de Baucau é a segunda diocese timorense, sendo erigida a 30 de novembro de 1996 e a diocese de Maliana é a terceira diocese, erigida em 30 de janeiro de 2010.
Em Angola
A primeira diocese angolana foi a Diocese de Angola e Congo, criada em 1596 e com sede na cidade de Luanda, sufragânea da Arquidiocese de Lisboa. O seu território abrangeu todo o país até 1940, quando foram criadas as dioceses de Nova Lisboa e Silva Porto, actuais Huambo e Cuíto. Nessa data a Diocese de Angola e Congo foi elevada a arquidiocese e passou a designar-se Arquidiocese de Luanda. Durante os últimos anos de administração portuguesa, foram ainda criadas as seguintes dioceses: Em 1977 as dioceses de Huambo, Lubango e foram elevadas a arquidioceses. Após a independência foram criadas as seguintes dioceses: Angola conta actualmente com 17 dioceses.
No Brasil
O Brasil tem atualmente 41 arquidioceses e 210 dioceses. Veja o artigo principal sobre Circunscrições eclesiásticas católicas do Brasil.
Em Cabo Verde
Existem duas dioceses em Cabo Verde: a Diocese da Praia ou Santiago de Cabo Verde, criada em 1533, e a Diocese do Mindelo, criada em 2003.
Em Guiné-Bissau
Em Guiné-Bissau existem actualmente duas dioceses: a Diocese de Bissau, criada em 1977, e a Diocese de Bafatá, criada em 2001. Durante a administração portuguesa, a Guiné-Bissau até 1940 dependia da Diocese da Praia, também conhecida como Santiago de Cabo Verde. Em Guiné-Bissau, a propagação do cristianismo tem sido lento. Mais de 50% da população adere a crenças indígenas. 45% do povo, sobretudo no interior, professa o Islão, sendo o cristianismo 5% da população, com a maioria da concentração zona litoral e centro do país. A 4 de setembro de 1940 foi finalmente criada a Missão sui iuris da Guiné Lusitana. A 29 de abril de 1955 foi elevada a Prefeitura Apostólica sob o mesmo nome. No dia 1 de janeiro de 1975 a Prefeitura Apostólica mudou o nome para Guiné-Bissau, sendo posteriormente elevada a Diocese de Guiné-Bissau no dia 21 de março de 1977, imediatamente sujeita à Santa Sé. No 13 de março de 2001, a diocese é subdividida para formar a Diocese de Bafatá. Ambas dioceses são isentas e dependem diretamente da Santa Sé.
Em Moçambique
A primeira unidade religiosa autónoma em Moçambique foi a Prelazia de Moçambique, criada em 1612, sufragânea da Arquidiocese de Goa, com sede em Sena e depois de 1780 na Ilha de Moçambique. O seu território abrangia todo o país até 1940 quando foram criadas 3 dioceses com sede nas cidades de Lourenço Marques, Beira e Nampula. Durante os últimos anos de administração portuguesa, foram ainda criadas as seguintes dioceses: Em 1984 as dioceses da Beira, e Nampula eram elevadas à dignidade de Arquidiocese da Beira, Arquidiocese de Nampula. Após a independência foram criadas as seguintes dioceses: Moçambique conta actualmente com 12 dioceses.
Em Portugal
No ano 300 há conhecimento de duas dioceses em Portugal: Évora e Ossónoba. Do ano 400 já existem referências às dioceses de Braga e de Lisboa. O cronista Idácio era bispo de Chaves (Aquae Flaviae), segundo ele próprio declara, ao narrar a sua prisão pelos visigodos, como refém, em 462, mas não se fala mais nessa diocese. A pedido do rei suevo Teodomiro, no Concílio de Lugo, no ano de 569, criaram-se as dioceses de Idanha, que se desmembrou da de Coimbra; Lamego, desmembrada da de Viseu; Porto e Tui, desmembradas da Diocese de Braga. Em 589, a sede da diocese foi transferida de Conímbriga para Emínio. Caliábrica, que, em 580, era paróquia da diocese de Viseu, foi depois elevada a diocese, e o seu primeiro bispo esteve no IV Concílio de Toledo. Com a invasão árabe, a vida religiosa foi afectada pois a maior parte dos cristãos e o clero tiveram de se refugiar no Norte.


