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Doença de Parkinson

A doença de Parkinson (DP) é uma doença degenerativa crónica do sistema nervoso central que afeta principalmente a coordenação motora. Os sintomas vão-se manifestando de forma lenta e gradual ao longo do tempo. Na fase inicial da doença, os sintomas mais óbvios são tremores, rigidez, lentidão de movimentos e dificuldade em caminhar. Podem também ocorrer problemas de raciocínio e comportamentais. Nos estádios avançados da doença é comum a presença de demência. Cerca de 30% das pessoas manifestam depressão e ansiedade. Entre outros possíveis sintomas estão problemas sensoriais, emocionais e perturbações do sono. O conjunto dos principais sintomas a nível motor denominam-se "Parkinsonismo", ou "síndrome de Parkinson".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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Sinais e sintomas

Imagem: Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) · PDM · Openverse

A Doença de Parkinson é caracterizada clinicamente pela combinação de três sinais clássicos: tremor de repouso, bradicinesia e rigidez muscular. Além disso, o paciente pode apresentar também: acinesia, micrografia, expressões como máscara, instabilidade postural, alterações na marcha e postura encurvada para a frente. O sintoma mais importante a ser observado é a bradicinesia. Além das alterações motoras, atualmente, a Doença de Parkinson também é caracterizada por alterações não-motoras, como alterações nos padrões de sono, prisão de ventre, depressão, ansiedade, hiposmia, sono diurno excessivo, cansaço, disfunções urinárias, hipotensão ortostática e a disfunção baroreflexa. Os sintomas normalmente começam nas extremidades superiores e são normalmente unilaterais devido à assimetria da degeneração inicial no cérebro. A clínica é dominada pelos tremores musculares. Estes iniciam-se geralmente em uma mão, depois na perna do mesmo lado e depois nos outros membros. Tende a ser mais forte em membros em descanso, como ao segurar objetos, e durante períodos estressantes e é menos notável em movimentos mais amplos. Há na maioria dos casos mas nem sempre outros sintomas como rigidez dos músculos, lentidão de movimentos, e instabilidade postural (dificuldade em manter-se em pé). Há dificuldade em iniciar e parar a marcha e as mudanças de direção são custosas com numerosos pequenos passos.

Mal funcionamento gastrointestinal

A α-sinucleína agregada em pacientes com DP mostra um acúmulo patológico no cérebro e também em quase toda a extensão do trato digestivo. A prisão de ventre é um dos sintomas que demonstrou aumentar o risco de desenvolver DP, no entanto, a vagotomia troncular mostra a diminuição do risco de desenvolver DP, com base em estudos observacionais. Um possível gatilho para iniciar a DP pode ser a exposição frequente da mucosa intestinal a toxinas ambientais, metabólitos microbianos tóxicos que criam altas dificuldades para a barreira epitelial e causam problemas gastrointestinais (GI). Problemas gastrointestinais, como prisão de ventre, esvaziamento estomacal prejudicado (dismotilidade gástrica), produção excessiva de saliva podem ser graves o suficiente para causar desconforto e até colocar em risco a saúde. A inflamação no intestino é muito comum em pacientes com DP e contribui para o processo neurodegenerativo, a expressão de níveis aumentados de citocinas pró-inflamatórias pode ser observada nas biópsias colônicas de pacientes com DP. Estes são sintomas mostrados na manifestação precoce da patologia da α-sinucleína.

Estágios

A evolução da doença de Parkinson se apresenta em diferentes intensidades para cada paciente, mas segue alguns padrões de progressão que permite avaliar seus principais estádios. A Escala de Hoehn e Lahr, que se baseia principalmente nos sintomas motores da doença, uniformiza o exame neurológico com critérios objetivos e divide a evolução dos sintomas em cinco estádios do Parkinson. Para classificar os sintomas cognitivos é utilizada a Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (Unified Parkinson's Disease Rating Scale) .

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Causas

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A doença de Parkinson é idiopática, ou seja é uma doença primária de causa obscura. Há degeneração e morte celular dos neurônios produtores de dopamina. É portanto uma doença degenerativa do sistema nervoso central, com início geralmente após os 50 anos de idade. É uma das doenças neurológicas mais frequentes visto que sua prevalência situa-se entre 80 e 160 casos por cem mil habitantes, acometendo, aproximadamente, 1% dos indivíduos acima de 65 anos de idade. A Doença de Parkinson hereditária está tradicionalmente relacionada à mutações no gene da alfa-sinucleína (SNCA), proteína sináptica envolvida em processos de reciclagem vesicular. A alfa-sinucleína mutada adquire uma conformação tóxica, levando à formação de oligômeros e posterior acumulação de inclusões proteicas ao longo da vida (sob a forma dos corpos de Lewy visiveis ao microscópico). A dispersão das espécies tóxicas da proteína ao longo dos gânglios da base resulta na morte seletiva de neurônios dopaminérgicos, concentrados na substância negra. Mutações nas proteínas mitocondriais LRRK2 e Parkina resultam em ampla disfunção mitocondrial e produção de espécies reativas de oxigênio, sendo também fatores que influenciam a morte neuronal.

Agrotóxicos

São crescentes as indicações de correlação entre o uso de agrotóxicos e o aumento no risco de desenvolvimento da doença da Parkinson. Nos Estados Unidos a doença de Parkinson é mais comum entre homens do meio rural do que em outros grupos demográficos, o que pode ser explicado pela maior possibilidade de exposição aos agrotóxicos. Estudo realizado por pesquisadores do University of Texas Southwestern Medical Center e publicado pela revista Archives of Neurology, sugere que pessoas com doença de Parkinson possuem níveis mais elevados do inseticida ß-hexaclorociclohexano (ß-HCH) no sangue do que as pessoas saudáveis. O inseticida foi encontrado em 76% das pessoas com Parkinson (contra m 40% das pessoas saudáveis do grupo de controle e 30% das pessoas com doença de Alzheimer).

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Diagnóstico

O diagnóstico é feito principalmente pela clínica e testes musculares e de reflexos. Normalmente não há alterações nas Tomografia computadorizada cerebral, eletroencefalograma ou na composição do líquido cefalorraquidiano, mas podem ser feitos para descartar outras causas. Técnicas da medicina nuclear como SPECTs e PETs podem ser úteis para avaliar o metabolismo dos neurónios dos núcleos basais. Se pode testar a resposta ao tratamento com carbidopa e levodopa, uma melhora significativa confirma o diagnóstico.

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Tratamento

Psicológico

Cerca de 90% das pessoas com Parkinson sofrem também com algum outro transtorno psiquiátrico em algum momento. Dependendo do caso esses transtornos podem tanto ter colaborado para o desenvolvimento quanto serem consequência da doença ou mesmo não terem relação direta, essas três possibilidades tem embasamento científico. Mas independente de serem causa, consequência ou coincidentes, os distúrbios cognitivos, transtornos de humor e transtornos de ansiedade frequentes causam grandes prejuízos na qualidade de vida dos pacientes e seus familiares. O transtorno mais comum foi a depressão nervosa, identificada em 32% dos casos, e responsável por agravar os problemas motores, de sono, alimentares e de dores.

Fisioterapêutico

O tratamento fisioterapêutico atua em todas as fases do Parkinson, para melhorar as forças musculares, coordenação motora e equilíbrio. O paciente com Parkinson, geralmente está sujeito a infecções respiratórias, que ocorrem mais com os pacientes acamados. Nestes casos a fisioterapia atua na manutenção da higiene brônquica, estímulo a tosse, exercícios respiratórios reexpansivos. Em casos mais graves, em que há comprometimento da musculatura respiratória, é indicado o tratamento com aparelhos de ventilação mecânica e respiradores mecânicos não invasivos, visando a otimização da ventilação pulmonar, com consequente melhora do desconforto respiratório.

Nutricional

Conforme referido anteriormente, a doença de Parkinson é caracterizada por degeneração de neurônios pigmentados da substância negra, localizados nos gânglios da base cerebral, e os sintomas resultantes refletem a depleção do neurotransmissor dopamina. Se o processo é desencadeado por algo no meio ambiente, por uma falha genética ou pela combinação de ambos não está claro, embora um defeito no cromossomo 4 tenha sido recentemente apontado como uma causa em alguns casos. De evolução lenta e quase sempre progressiva, a doença de Parkinson apresenta, nos indivíduos, sintomas clínicos que incluem tremor, rigidez, acinesia, lentidão de movimentos (bradicinesia) e alteração da postura. Sintomas não motores podem aparecer também. Estes incluem sudorese excessiva ou outros distúrbios do sistema nervoso involuntário e problemas psíquicos como depressão e, em estágios mais avançados, demência. Segundo COHEN (1994), 15 a 25% dos idosos, em geral, que apresentam depressão, desenvolvem sintomas psiquiátricos que podem comprometer o estado nutricional.

Cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda

Estimulação cerebral profunda ou ECP (do inglês Deep Brain Stimulation (DBS)) é um tratamento neurocirúrgico para transtornos neurológicos usando um marcapasso cerebral que envia impulsos elétricos a determinada parte do encéfalo. É usado no tratamento de doenças neurológicas, inclusive Doença de Parkinson, em que a medicação não foi eficiente e que causa amplos prejuízos ao paciente. O procedimento não é uma cura e não impede a progressão das doenças, mas tem se mostrado eficiente no controle dos sintomas motores e pode devolver aos pacientes autonomia e qualidade de vida. Recentemente um grupo de pesquisadores brasileiros liderado pelo neurocirurgião Erich Fonoff descreveu uma nova técnica de implante simultâneo de eletrodos para estimulação cerebral profunda bilateral (ECP Bilateral Simultanea) fazendo possível que o procedimento se tornasse mais rápido e preciso. A precisão do implante faz toda a diferença pois a ECP tem seu efeito extremamente localizado.[carece de fontes?]

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Prognóstico

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O curso é progressivo e é feito durante de 10 a 25 anos após o surgimento dos sintomas. O agravamento contínuo dos sintomas, para além da importância da dopamina para o humor, levam a alterações radicais na vida do doente, e à depressão profunda frequentemente. A síndrome de Parkinson não é fatal mas fragiliza e predispõe o doente a outras patologias, como pneumonia de aspiração (o fraco controle muscular leva a deglutição da comida para os pulmões) e outras infecções devido à imobilidade.

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Epidemiologia

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A incidência de demência na DP é seis vezes maior do que na população geral, e a prevalência varia entre 10% a 50%. Caracteriza-se por redução ou falta de iniciativa para atividades espontâneas; incapacidade de desenvolver estratégias eficientes para a resolução de problemas; lentificação dos processos mnemônicos e de processamento global da informação; prejuízo da percepção visuoespacial; dificuldades de conceitualização e dificuldade na geração de listas de palavras. O reconhecimento precoce desses sintomas e seu tratamento são fatores cruciais para uma melhor abordagem clínica da DP. Em vários estudos clínicos foi observada ligeira predominância do sexo masculino, porém existem algumas questões sobre a forma de seleção dos pacientes. Em trabalhos que calcularam a prevalência e incidência da doença de Parkinson , não foi demonstrada diferença significativa em relação ao sexo quanto ao risco de contrair a doença. O aumento da esperança de vida não modificada de forma importante o número de parkinsonianos, permanecendo a prevalência da doença bastante estável desde o início do século.

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História

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O nome "Parkinson" é uma homenagem do médico francês Jean-Martin Charcot ao neurologista James Parkinson, que estudou os sintomas da doença e foi o primeiro a descrevê-la em seu tratado "An Essay on the Shaking Palsy" em 1817 com base em observações de pacientes.

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