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Dogue brasileiro

Dogue brasileiro é uma raça de cães do tipo dogue criada no Brasil para a função de cão de guarda urbano familiar. Surgiu no fim da década de 1970 a partir do cruzamento entre bull terrier e boxer. Inicialmente nomeada como bull boxer, o seu criador, Pedro Ribeiro Dantas, deu novo nome à raça para explicitar que se trata de um descendente de molosso(subtipo dogue) e a sua nacionalidade é brasileira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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Etimologia

"Dogue" em português e francês é uma termo que tem seu equivalente grafado em inglês e alemão como "dogge", uma palavra que pode derivar do próprio inglês antigo "docga" que significa "cão poderoso, musculoso"; ou do Proto-germânico "dukkǭ" que significa "poder; força". A denominação "dogue" foi e é comumente utilizada para um tipo de cão de constituição física molossóide, porém atlética, com destreza para apresar grandes animais.

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História

Origem

Pedro Ribeiro Dantas, em 1978, era criador de bull terriers em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. Após insistência de um vizinho, que tinha uma cadela boxer, aceitou cruzar um de seus bull terriers com a boxer. Nascida a ninhada, Pedro gostou de uma filhote e resolveu criá-la, batizando-a com o nome de Tigresa por conta da sua marcação de pelos rajada. A medida que Tigresa crescia, demonstrava excepcionais qualidades. Era muito obediente, muito carinhosa, aprendia fácil e tinha excelente compleição física e vigor. Ao contrário dos bull terriers, que com o passar dos anos sua seleção privilegiou o desenvolvimento de hipertipias (características físicas exageradas) em detrimento da funcionalidade (parecido com o que aconteceu com o buldogue inglês), Tigresa era uma cadela muito funcional, ágil, forte e excelente na guarda. Seu vigor físico era superior aos dos bull terriers e boxers, não se cansava fácil, cheia de disposição e sem problemas de saúde ou estruturais músculo-esqueléticos. Também se notou que Tigresa era uma cadela muito mais tolerante em relação aos bull terriers. Quando estes a provocavam, ela costumava esquivar-se das agressões e se impor a eles sem usar da agressividade, usando apenas o seu potencial físico superior e seu equilíbrio.[carece de fontes?]

Desenvolvimento

Após a primeira geração de cruzamentos entre bull boxers, Pedro Dantas foi cruzando ao longo da década de 80 os cães e seus descendentes. Sem intenção de fazer números, fazia ele cruzas esporádicas e planejadas doando os filhotes a conhecidos para criar. Com o nascimento das ninhadas, de maneira cuidadosa, anotavam-se as informações da árvore genealógica de cada cão. Também se percebiam as características dos cães, tais como comportamento em relação à família e outros animais, seus instintos de guarda, doenças e porte físico. Constatou-se que, de maneira praticamente uniforme, os bull boxers tinham as seguintes características A esta altura, o criador da raça não estava totalmente convencido de que o bull boxer era um cão com características físicas e de temperamento únicas para formar uma outra raça. Sendo assim, adquiriu alguns exemplares de raças similares para comparar. Adquiriu o American Staffordshire Terrier.

Bull Boxer Club

Bull Boxer Club é a entidade responsável pela manutenção da raça e definição do padrão. Seu presidente é Pedro Ribeiro Dantas, criador da raça.. Ela foi criada em 1986 quando começou a crescer o interesse pela raça em Caxias do Sul, emitindo um Pedigree do clube a partir de então para os cães nascidos e registrados. Como já se tinha o registro genealógico dos cães usados anteriormente para fins de experiência, foi relativamente fácil organizá-los na entidade criada. Nos dias atuais a entidade conta com um banco de dados com registro superior a 2000 exemplares. O número atual não reflete o número de cães vivos, visto que os mais antigos certamente já morreram.

Estado Atual

Durante a década de 90, a raça cresceu de maneira consistente na região Sul do Brasil, mas obteve grande exposição ao sair na revista canina Cães & Cia em 1999 onde ficou conhecida nacionalmente no meio cinófilo. Diversos interessados no Brasil entraram em contato com o criador da raça para saber mais da nova raça e muitos acabaram adquirindo exemplares. Posteriormente, apareceu outras vezes na mesma revista e em outras publicações se tornando mais conhecida. Atualmente, existem plantéis em boa parte dos estados brasileiros e a raça tem crescido de maneira consistente e sem pressa. Pedro Ribeiro Dantas já declarou que: "Prefiro ver a raça crescer devagar com um trabalho bem planejado e consistente sendo criada por pessoas responsáveis. Não quero que aconteça com o dogue brasileiro o que aconteceu com o pit bull, dobermann, rottweiler e várias outras raças que cresceram de maneira explosiva e acabaram em mãos erradas causando muitos acidentes, tanto por culpa de criadores inescrupulosos que somente queriam saber de ganhar dinheiro por venda em massa de filhotes assim como por donos irresponsáveis e sem capacidade pra educar um cão de maneira correta."

Filosofia de criação da raça

Nas palavras de Pedro Ribeiro Dantas: "A base filosófica da criação do dogue brasileiro é a busca de um cão que morfologicamente seja desprovido de hipertipia, embora com tipo bem definido. No aspecto temperamental, busca-se um animal que resgate para os nossos tempos o verdadeiro cão de guarda perdido pela decorativização cinológica. O dogue almeja aprimorar-se cada vez mais em sua eficiência e efetividade como cão exclusivo de guarda, enquanto muitos outros cães perdem, dia a dia, tal paradigma. Um cão saudável, morfologicamente perfeito para as características que busca de um guardião possante e relativamente compacto, ágil e forte, dono de uma mordida poderosa e praticamente insensível ao castigo. Equilibrado, sem nunca perder seu foco de ataque, obstinado, com uma coragem que não deve conhecer limites e, por outro lado, meigo, dócil e amigo.

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Comportamento

Possui boa convivência com outros animais domésticos, mas deve ser educado desde filhote a aceitá-los a fim de evitar acidentes. Se é um cão já crescido, deverá ser acostumado pelo dono ao novo "amigo". Há relatos de alguns poucos dogues brasileiro que vivem em fazendas, já que seu desenvolvimento foi feito com vistas à vida urbana e à guarda. Seus proprietários relatam que o mesmo tem boa convivência com os animais do local. Há, inclusive, casos de dogue brasileiro que já foi utilizado como cão de pastoreio e até à caça de javali.

Temperamento

O temperamento do dogue brasileiro é de um cão equilibrado e vivo. É um cão que não costuma ser desconfiado ao extremo como na maior parte das raças de guarda, só vindo a agir quando realmente necessário. É um cão corajoso, tenaz e com grande resistência a dor. É um cão cheio de alegria e energias para gastar, portanto necessita de um certo espaço físico para sua saúde física e mental.

Inteligência

A inteligência da raça é notável, não costuma oferecer resistência para aprender e aprende rápido. Muito obediente, faz tudo que pode para agradar ao dono.

Agressividade

O dogue brasileiro deve agir com agressividade somente quando necessário. A seleção por parte dos criadores, orientados pelo Bull Boxer Club, tem sido direcionada à guarda da casa, à proteção da pessoa e à propriedade em geral. Isto não quer dizer que o dogue brasileiro não tenha que se defender ou defender seu dono e sua família por agressão de outros animais quando necessário, inclusive cães. É um cão de porte físico potente e temperamento equilibrado, portanto não deve dar demonstrações de agressividade sem motivo.

Convivência familiar

A raça é reconhecida por ser um cão com grande doçura e ternura com os membros da família. Uma das características mais marcantes da raça são seus olhos, expressivos e meigos. Ele é dependente de carinho e atenção, podendo ficar triste se não tiver. Não apresenta muita dominância para com os membros humanos da família. Ele tem o seu "dono", mas ainda assim tolera e obedece os outros membros da família. É um cão que tem grande paciência com crianças da família e as protege como protegeria o próprio dono.

Convivência com terceiros

O cão aceita estranhos que estejam acompanhados por membros da família - até que seja demonstrado que este estranho à convivência não é desejável, ou que este demonstre agressão para com membros da família. Já com conhecidos da família que estejam acompanhados costuma ser menos desconfiado e, dependendo do caso, amistoso.

Convivência com outros cães

A raça, por ser descendente de bull terrier, possui um pouco de intolerância à convivência com outros cães do mesmo sexo, mas é mais tolerante que o mesmo. O dogue brasileiro, assim como a maioria das raças de guarda, tem tendência a querer ser cão do tipo "alfa" do grupo. Os criadores são orientados pelo Bull Boxer Club a fazer cruzamentos com objetivo de atenuar este comportamento propiciando melhor convivência com outros cães de mesmo sexo ou de sexo diferente. O foco no temperamento do dogue é aceitar a "condição" de cão "beta" de um grupo. O recomendável se for ter 2 ou mais cães é que os cães de mesmo sexo do dogue brasileiro aceitem a condição de dominante que ele costuma ser impor no grupo.

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Aparência

Aspecto Geral

Segundo o padrão pela CBKC, sobre o aspecto geral: "cão de aspecto sólido, maciço e não esgalgado, sem parecer, no entanto, atarracado ou desproporcionalmente pesado. Deve dar impressão de agilidade e força, com músculos muito fortes, longos e marcados, dando a impressão de grande potência e impulsão. Ossos fortes." Deve pesar entre 29 e 43 kg para os machos (preferencialmente 39 kg) e de 23 a 39 kg (preferencialmente 33 kg) para as fêmeas. Sua altura na cernelha está compreendida entre 54 a 60 cm (preferencialmente 58 cm) para os machos e de 50 a 58 cm (preferencialmente 56 cm) para as fêmeas. A trufa (área do nariz) deve ser preta e bem pigmentada. Quanto à pelagem, são aceitas todas as cores.

Orelhas

De acordo com o padrão: "de inserção ligeiramente acima da linha dos olhos. Operadas, opcionalmente, semicurtas, em triângulos isósceles. Caso íntegras, deverão ser semicaídas com caimento frontolateral." O Conselho Federal de Medicina Veterinária, por meio da portaria 877 de 15 de fevereiro de 2008, estabeleceu as seguintes regras para os veterinários no Brasil: CAPÍTULO IV - CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS ANIMAIS Art. 7.º - Ficam proibidas as cirurgias consideradas desnecessárias ou que possam impedir a capacidade de expressão do comportamento natural da espécie, sendo permitidas apenas as cirurgias que atendam as indicações clínicas.

Cauda

De acordo com o padrão: "grossa. De inserção média, devendo ser portada acima da linha do dorso, quando o cão se movimenta; com postura muito levemente côncava, nessa mesma condição, se vista de frente. Opcionalmente operada, permanecendo o comprimento, neste caso, em, aproximadamente, vinte por cento a mais do que o da cabeça do cão. Se íntegra, oitenta por cento mais longa." O Conselho Federal de Medicina Veterinária, na mesma portaria 877, estabeleceu as seguintes regras para os veterinários no Brasil: CAPÍTULO IV - CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS ANIMAIS Art. 7.º - Ficam proibidas as cirurgias consideradas desnecessárias ou que possam impedir a capacidade de expressão do comportamento natural da espécie, sendo permitidas apenas as cirurgias que atendam as indicações clínicas.

Pêlo

De acordo com o padrão: "curta (até 2,5cm na cernelha) ou média; densa; luzidia e áspera. É aceita, sem restrições, a variedade de pêlo médio, não devendo, no entanto o comprimento do pêlo, na altura da cernelha, ultrapassar 4,7cm.". Após várias gerações de Dogue Brasileiro, percebeu-se que nasciam exemplares de pêlo mais comprido em 3% dos casos. Após verificação genealógica, a conclusão que se chegou é que provavelmente algum boxer usado no cruzamento não fosse puro. Como não se considerou razoável desclassificar um cão com estrutura física e temperamento em conformidade com o padrão por conta de um pêlo maior, foi aceito no padrão aqueles que possuem pêlo de até 4,7 cm na cernelha.

Mordedura

A mordedura do dogue brasileiro é em tesoura ou em torquês.

Patas

O padrão do dogue brasileiro diz que ele deve ter "pés de gato". Isto quer dizer que os dedos devem ficar próximos um do outro. Mas se percebeu que este tipo de estrutura nos pés é exceção, são poucos os cães que tem pés assim. Os pés mais comuns são aqueles cujos dedos dos pés estão um pouco afastados dos outros, o chamado "pés de lebre". Está prevista uma revisão no padrão da raça para retirar o "pés de gato" já que são poucos os exemplares que realmente possuem pés desta maneira.

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Saúde

Não foram relatadas doenças específicas da raça ou doenças genéticas em larga escala. É relativamente longeva, sendo que houve vários indivíduos que ultrapassaram os 13 anos de idade. São indicadas as medidas profiláticas como contra parasitas externos e internos e doenças infecto-contagiosas como parvovirose e cinomose. O Bull Boxer Club pretende, futuramente, fazer um banco de dados relativos aos óbitos de dogue brasileiro objetivando coleta de dados da causa morte por doenças, a fim de ter um controle mais apurado dos problemas de saúde que acometem a raça levando à morte e dar diretrizes aos criadores para se reduzir a incidência delas.

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Títulos e testes

A fim de manter a raça sempre apta ao trabalho na medida do possível, foi priorizada a seleção de cães aptos à sua função. Isto significa que o dogue brasileiro, para a participação em campeonatos de conformação, deve ser atestado na prova de apreciação de caráter. São estes os títulos que um dogue brasileiro pode vir a obter: APRECIAÇÃO DE CARÁTER PARA APTIDÃO AO TÍTULO DE CAMPEÃO EM OBEDIÊNCIA – BBC (*O* ou *OO*) 1. O condutor caminhará com o cão a seu lado, com uma guia, de no máximo 2,5 metros, e o cão deverá caminhar normalmente a seu lado sem exercer qualquer tensão na guia, por 40 segundos. 2. O condutor, num ato contínuo, caminhará com mais velocidade, obrigando o animal a trotar e mudará várias vezes de trajeto, por mais quarenta segundos, sem que o cão deixe de acompanhá-lo ou tencione a guia. 3. O condutor, verbalmente ou por mímica - em só um comando, comandará para que o cão permaneça imóvel, sentado e/ou deitado, e se afastara até, no mínimo, 10 metros, mantando-se nessa posição por um minuto, sem que o animal se desloque. Durante esse tempo, pessoas estranhas deverão, a distancia chamar o cão, que deverá manter a posição. Após decorrido o tempo de um minuto, sob autorização, o condutor chamará o cão que deverá ir a seu encontro.

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Fontes consultadas

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