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Doutrina da Igreja Católica

A doutrina da Igreja Católica, ou apenas doutrina católica, é o conjunto de todas as doutrinas que a Igreja Católica professa como verdades de fé. Segundo o Catecismo de São Pio X, a doutrina católica foi ensinada por Jesus Cristo para mostrar aos homens o caminho da salvação e da vida eterna. As suas partes mais importantes e necessárias são: o Credo, o Pai Nosso, os Dez Mandamentos e os sete sacramentos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
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Revelação divina e Tradição

Segundo a fé católica, Deus revelou-se ao homem, através de palavras e acontecimentos, para que o homem possa conhecer o seu desígnio de benevolência. Esse desígnio "consiste em fazer participar, pela graça do Espírito Santo, todos os homens na vida divina, como seus filhos adotivos no seu único Filho", que é Jesus Cristo. Essa infalível Revelação divina, manifestada ao longo dos séculos que correspondem ao Antigo Testamento, é plenamente realizada e completada em Jesus Cristo. A partir da ressurreição de Cristo, não será revelado mais nada aos homens até à Parusia. Mas, "apesar de a Revelação já estar completa, ainda não está plenamente explicitada. E está reservado à fé cristã apreender gradualmente todo o seu alcance, no decorrer dos séculos." A partir daí, com a assistência sobrenatural do Espírito Santo, a Revelação imutável (ou o depósito de fé) é conservada e transmitida ininterrupta e integralmente pela Igreja através de uma dupla e indissociável Tradição apostólica (em latim, tradição significa entrega ou ato de confiar), que pode ser oral ou escrita (2 Tessalonicenses 2,15; 2 Timóteo 1,13-14; 2,2):

Magistério da Igreja e desenvolvimento da doutrina

A Tradição, seja ela oral ou escrita, é interpretada e aprofundada progressivamente pelo Magistério da Igreja Católica, que deve ser obedecido e seguido pelos católicos. Isto porque a função do Magistério é de guardar, interpretar, transmitir e ensinar a Tradição, que é própria da autoridade da Igreja, mas mais concretamente do Papa e dos bispos unidos ao Papa. Ao acreditar que as Tradições oral e escrita "devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência", a Igreja defende que as suas verdades de fé não estão só contidas na Bíblia e que a própria Bíblia só pode ser verdadeiramente interpretada e vivida no seio da Igreja Católica. Aliás, foi com base na sua interpretação que a Igreja escolheu os livros pertencentes ao cânon bíblico.

Dogmas, verdades de fé e hipóteses

Existe uma hierarquia que divide e classifica as várias verdades de fé professadas pela Igreja Católica, já que a sua relação com o "fundamento da fé cristã" é diferente. Esta hierarquia diz respeito apenas à importância e interligação das verdades de fé, já que todas elas devem ser acreditadas pelos católicos. Desse modo, existem os dogmas, que são as verdades de fé infalíveis e imutáveis que constituem a base da doutrina católica. Os dogmas são definidos e proclamados solenemente pelo Supremo Magistério (Papa ou Concílio Ecuménico com o Papa) como sendo verdades definitivas, porque eles estão contidos na Revelação divina ou têm com ela uma conexão necessária. Uma vez proclamado solenemente, nenhum dogma pode ser alterado ou negado, nem mesmo pelo Papa ou por decisão conciliar. Por isso, o católico é obrigado a aderir, aceitar e acreditar nos dogmas de uma maneira irrevogável.

Ortodoxia, heterodoxia e heresia

Além da doutrina oficial ou ortodoxa proposta pelo Magistério da Igreja Católica ordinariamente através do munus docendi (dever de ensinar) do bispo em comunhão com o Papa e extraordinariamente através dos Concílios Ecumênicos e definições pontifícias solenes, apareceram ao longo da história várias versões teológicas heterodoxas. Esses desvios do ensino normativo da Igreja podem ser combatidos através da catequese e discussões ou condenados solenemente pela Igreja. Um dos exemplos mais paradigmáticos de versão teológica heterodoxa é a teologia da libertação, de forte inspiração marxista, que foi corrigida pela Instrução Libertatis Nuntius. As heresias são doutrinas heterodoxas desenvolvidas por baptizados cristãos que negam e duvidam explicitamente de um dogma ou verdade fundamental católica. Qualquer herege, excepto os nascidos e baptizados em comunidades não católicas ou aqueles que caíram em heresia ou cisma antes dos 16 anos, é condenado com a excomunhão latae sen­tentiae e com outras penas canónicas, como a demissão do estado clerical, no caso do herege ser um clérigo. Algumas das principais heresias condenadas pela Igreja foram o gnosticismo (século II), o maniqueísmo (século III), o arianismo (século IV), o pelagianismo (século V), a iconoclastia (século VIII), o catarismo (século XII-XIII), o protestantismo (século XVI), o anglicanismo (século XVI), o jansenismo (séculos XVII-XVIII) e o modernismo (séculos XIX-XX). Hoje, a Igreja considera o relativismo moral e doutrinal como a grande heresia actual.

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História

As clarificações e novas formulações verificadas na doutrina católica no decorrer do tempo são chamadas pela Igreja Católica de desenvolvimento da doutrina e justificadas pelo fato de que, "apesar de a Revelação já estar completa, ainda não está plenamente explicitada" e, por isso, ao longo da história, a doutrina católica foi sendo enriquecida por novas explicações teológicas, novas definições de dogmas e novos pronunciamentos papais ou conciliares.

Os sete primeiros concílios

O Primeiro Concílio de Niceia (325) formulou o Credo Niceno original, que reconhecia as três Pessoas da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) e ensinava que Jesus, Filho de Deus, era consubstancial a Deus Pai. Ao definir a divindade de Jesus, esse concílio condenou o arianismo. Aliás, um dos dogmas centrais do catolicismo, a Trindade, já era amplamente discutido, reflectido e aceite por muitos cristãos antes do Concílio de Niceia: já em 180 d.C., a palavra Trindade era usada por Teófilo de Antioquia. Mas, antes disso, esta doutrina peculiar já aparecia com grande frequência no âmbito da práxis baptismal (veja-se "Didaquê" 7, 1; e Justino, "Apologia" 1, 61, 13) e eucarística (veja-se Justino, "Apologia" 1, 65-67; e Hipólito, "Tradição Apostólica" 4-13). A fórmula trinitária (Pai, Filho e Espírito Santo) já aparecia também em várias cartas e escritos cristãos (veja-se Inácio de Antioquia, "Carta aos Efésios", 9, 1; 18, 2; e na "Primeira Carta de Clemente Romano" 42; 46, 6). No século III, Tertuliano, Orígenes e Gregório Taumaturgo reflectiram com grande profundidade sobre este dogma católico.

Idade Média

O Quarto Concílio de Latrão (1215) oficializou uma antiga tradição em que cada católico tinha que receber, pelo menos uma vez por ano, na Páscoa, a confissão e a Eucaristia (ver os cinco mandamentos ou preceitos da Igreja Católica). Esse concílio defendeu também o celibato clerical, a doutrina da transubstanciação e condenou ainda os albigenses. No século XIII, São Tomás de Aquino, doutor da Igreja e autor da Suma Teológica, adaptou a filosofia de Aristóteles ao pensamento cristão da época. Ele é considerado o mais alto representante da escolástica, que é um sistema, movimento e método que procurou reafirmar que a fé supera mas não contradiz a razão. Aliando sempre a filosofia e a teologia, as reflexões e debates escolásticos baseavam-se na leitura da Bíblia e dos escritos dos Padres da Igreja e de vários filósofos.

Do Concílio de Trento até agora

No século XVI, devido à Reforma Protestante, o Concílio de Trento (1545-1563) foi convocado para reformar a disciplina eclesiástica e consolidar as principais verdades de fé católicas. Esse concílio reafirmou, clarificou e definiu a presença real de Cristo na Eucaristia, a doutrina dos sete sacramentos (sendo cada um deles amplamente debatido e definido), a doutrina da graça e do pecado original, a justificação, o celibato clerical, a hierarquia católica, a Tradição, o cânon bíblico (reafirmou como autêntica a Vulgata), as indulgências, a natureza da Igreja, o valor e a importância da missa, a liturgia (a missa tridentina) e o culto dos santos, das relíquias e das imagens. O concílio promoveu também a publicação do Index Librorum Prohibitorum. O Concílio de Trento foi o concílio ecuménico que durou mais tempo, emitiu o maior número de decretos dogmáticos e reformas e produziu os resultados mais duradouros sobre a fé e a disciplina da Igreja.

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Doutrina e o conhecimento científico

O Magistério da Igreja Católica defende que a Bíblia deve ser interpretada de acordo com a "intenção dos autores sagrados", os costumes, os géneros literários e os conhecimentos científicos da época. Esse modo de interpretar não é algo de novo: já Santo Agostinho afirmava no século V que a Bíblia deveria ser interpretada de modo a harmonizá-la com os conhecimentos científicos disponíveis em cada época. Nesse caso, a Bíblia e a Tradição seriam portadoras de verdade teológica, mas que não possuiriam necessariamente verdade histórica ou científica. A Igreja identificou quatro sentidos da Bíblia: "o sentido literal e o sentido espiritual, subdividindo-se este último em sentido alegórico, moral e anagógico". Logo, as interpretações exclusivamente literais (ou literalistas) são oficialmente abandonadas, muito embora ainda permaneçam certos setores mais fundamentalistas que não o aceitam por inteiro.

O caso de Galileu

Um célebre caso que pode ser considerado um conflito entre a ciência e a Igreja Católica foi a questão de Galileu Galilei, mas historiadores e cientistas modernos [nota 1] vêem o caso como algo mais complexo do que apenas um confronto entre ciência e religião. Apesar das suas provas experimentais e teóricas não serem totalmente conclusivas, Galileu nunca abandonou as suas ideias e chegou mesmo a reinterpretar e usar várias passagens bíblicas para defender a veracidade do heliocentrismo. Num período histórico marcado pela Reforma Protestante, o fato de ele ter reinterpretado a Bíblia tornou-o ainda mais suspeito. Em 1633, Galileu acabou por ser julgado pela Inquisição e sentenciado a prisão domiciliária.

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Deus e a Trindade

A Igreja Católica, como parte do Cristianismo, acredita no monoteísmo, que é a crença na existência de um único Deus. Para os católicos, Deus é o criador de todas as coisas e consegue intervir na História, sendo alguns dos seus atributos divinos mais importantes a onipotência, a onipresença e onisciência. Além desses atributos, Deus também é fortemente referido no Novo Testamento como sendo a própria Verdade e o próprio Amor: Deus ama, perdoa e quer salvar todas as pessoas e estas podem estabelecer uma relação pessoal e filial com ele através da oração. Mas os católicos acreditam também na Trindade, isto é, que Deus é um ser uno mas simultaneamente trino, constituído por três pessoas indivisíveis: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que estabelecem entre si uma comunhão perfeita de amor. Para a Igreja, esse dogma central não viola o monoteísmo. Essas três pessoas eternas, apesar de possuirem a mesma natureza, "são realmente distintas, pelas relações que as referenciam umas às outras: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho; porém todos sempre existiram, não existindo assim uma hierarquia" entre os três.

Deus Pai: criador do mundo

Deus Pai, a primeira pessoa da Trindade, é considerado pela Igreja o pai perfeito porque, segundo ela, Ele amou e nunca abandonou os homens, os seus filhos adotivos, querendo sempre salvá-los e perdoando-os infinitamente, desde que eles se arrependam de um modo sincero. Ele não foi criado nem gerado e é considerado "o princípio e o fim, princípio sem princípio" da vida, estando por isso mais associado à criação do mundo. Mas isso não quer dizer que as outras duas pessoas da Trindade não participassem também nesse importante ato divino. O Credo niceno-constantinopolitano faz referência a Deus Pai: A Igreja afirma que o mundo, ordenado e amado por Deus, é bom e foi criado a partir do nada, para que Deus possa manifestar e comunicar a sua bondade, beleza, verdade e amor. A obra da criação culmina na obra ainda maior da salvação, por isso o fim último da criação, nomeadamente da humanidade, é que Deus, em Cristo, "seja tudo em todos" (1 Cor 15,28), no seu eterno reino.

Deus Filho: Jesus Cristo, o Salvador

Jesus Cristo é a figura central do Cristianismo, porque, por vontade de Deus Pai, ele encarnou-se (veio à Terra) para anunciar a salvação e as bem-aventuranças à humanidade inteira, "ou seja: para reconciliar a nós pecadores com Deus; para nos fazer conhecer o seu amor infinito; para ser o nosso modelo de santidade; para nos tornar participantes da natureza divina (2 Ped 1, 4);" e para anunciar o Reino de Deus. Santo Atanásio, um famoso Padre da Igreja e Doutor da Igreja, afirmou que Jesus, "o Filho de Deus, se fez homem para nos fazer Deus", ou seja, para nos tornarmos santos como Deus. Jesus (do hebraico, Yeshua), que significa "Deus salva", é o Messias ou o Cristo. Mais especificamente, ele é consagrado por Deus Pai e ungido pelo Espírito Santo para a sua missão salvífica: ele, "descido do céu" (Jo 3,13), foi crucificado e depois ressuscitado, e é o servo sofredor que "dá a sua vida em resgate pela multidão" (Mateus 20:28). O Credo niceno-constantinopolitano faz referência a Jesus Cristo:

Deus Espírito Santo: o guardião da Igreja

O Espírito Santo procede do Pai e do Filho e, apesar de invisível, personaliza o amor íntimo e infinito de Deus sobre os homens. Manifestou-se primeiramente no batismo de Jesus e plenamente revelado no dia de Pentecostes, cinquenta dias após a ressurreição de Cristo. Ele foi comunicado e enviado aos corações dos fiéis, por meio dos sacramentos, para eles receberem a vida nova de filhos de Deus e estarem intimamente unidos com Jesus num só Corpo Místico. O Espírito Santo, que é o mestre da oração, foi enviado por Jesus para guiar, edificar, animar e santificar a Igreja e para que ela sempre testemunhe e interprete bem a Revelação divina. Em relação à Virgem Maria, o Espírito Santo encheu-a de graça e concebeu Jesus Cristo no seio dessa mulher virgem, por isso o Espírito faz dela a Mãe de Cristo e, como Cristo é o próprio Deus encarnado, também a Mãe de Deus. Ele inspirou também os profetas do Antigo Testamento para falarem em nome de Deus, sendo essas profecias plenamente realizadas em Cristo, que revelou a existência do Espírito Santo, a pessoa divina que o ungiu e o consagrou Messias. Resumindo, atribuiu-se ao Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, a santificação da Igreja e do mundo com a graça divina e os seus dons. O Credo niceno-constantinopolitano faz referência ao Espírito Santo:

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Oração

A oração, ou simplesmente o acto de falar com Deus, é uma graça de Deus que permite o estabelecimento de uma relação pessoal, amorosa e filial dos homens com Deus, que vem ao encontro dos homens e habita nos seus corações. Na oração, o crente eleva a alma a Deus para o louvar e/ou pede a Deus bens conformes à sua vontade. A Igreja Católica acredita que "a fé e a oração são forças que podem influir na história" e que podem mudar assim o destino da humanidade. Uns dos pré-requisitos da oração é acreditar num Deus pessoal e na possibilidade de contatar diretamente com ele, sendo por isso a expressão mais espontânea da nossa procura incessante de Deus, que simultaneamente nos atrai e nos chama. Logo, a oração é "o encontro da sede de Deus com a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede d'Ele."

Oração no Antigo e Novo Testamentos

No Antigo Testamento, a oração já estava presente, como por exemplo, nos vários episódios importantes de personagens bíblicos (nomeadamente de Abraão, Moisés, David, Isaías, etc.) e do próprio povo de Deus, sendo os Salmos um exemplo da sua expressão. Já no Novo Testamento, Jesus, apesar de estar em íntima comunhão com Deus Pai, é considerado o perfeito modelo e mestre de oração, rezando muito ao Pai, principalmente nos momentos mais importantes da sua vida, desde o seu batismo no Jordão à morte no Calvário. Jesus, para além de ensinar o Pai Nosso, ensinou também aos seus discípulos a rezar com devoção e persistência, transmitindo-lhes as disposições necessárias para uma verdadeira oração. Jesus garantiu-lhes também que seriam ouvidos sempre que rezassem bem, porque a oração humana "está unida à de Jesus mediante a fé. N’Ele, a oração cristã torna-se comunhão de amor com o Pai". Aliás, é o próprio Jesus que manda rezar: "Pedi e recebereis, assim a vossa alegria será completa" (Jo 16,24).

Oração na vida da Igreja

O Espírito Santo é o "mestre interior da oração cristã", porque faz com que a Igreja reze muito e entre em contemplação e união com o insondável mistério de Cristo. Por isso, a oração é indispensável ao progresso espiritual da Igreja e de cada católico. Logo, pouco a pouco, a liturgia foi-se desenvolvendo e tornou-se na oração oficial da Igreja, com particular destaque para a Liturgia das Horas e a missa. Por sua vez, a lituriga centra-se na Eucaristia, que é um sacramento que exprime todas as formas de oração Além da liturgia, desenvolveu-se também a piedade popular, praticada em comunidade ou individualmente. Apesar de toda a oração ter como destino final a Trindade, isso não impede os crentes de prestarem devoção e de rezarem a Nossa Senhora, aos anjos e aos santos como intercessores junto de Deus. Aliás, a Igreja gosta de orar à Virgem Maria, porque ela é considerada a orante perfeita e a melhor indicadora do caminho para o seu filho Jesus, o único mediador entre os homens e Deus. Orações como a Avé Maria e o Santo Rosário são exemplos disso.

Pai Nosso: a síntese do Evangelho

De acordo com a Bíblia, no Sermão da Montanha, Jesus ensinou o Pai Nosso, que é considerada "a síntese de todo o Evangelho" (Tertuliano) e "a oração perfeitíssima" (São Tomás de Aquino). No Pai Nosso, os católicos pedem as sete petições a Deus Pai, que são a santificação do nome de Deus, a vinda do Reino de Deus, a realização da vontade divina, o alimento quotidiano, o perdão divino dos pecados e a possibilidade de livrarem-se das tentações e do Maligno. Os católicos acreditam que essas sete petições serão plenamente realizadas na Parusia. Para além destas petições, o Pai Nosso, que faz parte da liturgia, revela também à humanidade a sua relação especial e filial com Deus Pai. A partir de então, os homens podem invocar a Deus como Pai, "porque ele nos foi revelado por seu filho feito homem e porque o seu Espírito no-lo faz conhecer. […] Ao rezarmos a oração do Senhor, estamos conscientes e absolutamente confiantes de sermos filhos de Deus" e de sermos amados e atendidos por Deus Pai.

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Igreja: Corpo de Cristo e semente do Reino de Deus

A Igreja é uma assembleia constituída pelo povo de Deus, que são todos aqueles que, pela fé e pelo Batismo, se tornaram em filhos de Deus, membros de Cristo e templos do Espírito Santo. Os católicos acreditam que a única Igreja fundada e encabeçada por Jesus Cristo, "como sociedade constituída e organizada no mundo, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele." Segundo a Tradição, a Igreja está alicerçada sobre o Apóstolo Pedro, a quem Cristo prometeu o primado, ao afirmar que «sobre esta pedra edificarei a minha Igreja ... dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus» (Mateus 16:17–20). A Igreja de Cristo é a detentora na plenitude dos sete sacramentos e dos outros meios necessários para a salvação, dados por Jesus à Igreja. Tudo isso para reunir, santificar, purificar e salvar toda a humanidade e para antecipar a realização do Reino de Deus, cuja semente é necessariamente a Igreja. Por essa razão, a Igreja, guiada e protegida pelo Espírito Santo, insiste na sua missão de anunciar o Evangelho a todo o mundo, sendo aliás ordenada pelo próprio Cristo: "Ide e ensinai todas as nações, batizando-as no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19). A Igreja, mediante os sacramentos do batismo e da reconciliação, tem também a missão e o poder de perdoar os pecados.

Organização hierárquica e regional

A Igreja Católica, regida por um sistema jurídico interno próprio (Direito Canónico), é constituída por 24 Igrejas particulares autónomas sui iuris (a Igreja Latina e as 23 Igrejas orientais católicas), que, por sua vez, são constituídas por uma ou mais circunscrições eclesiásticas. A Igreja Católica é formada pelo clero e por leigos, podendo esses dois grupos terem também como membros as pessoas consagradas, que normalmente agrupam-se em ordens religiosas ou em institutos seculares. A Igreja dispõe de uma hierarquia ascendente, baseado nos três graus do Sacramento da Ordem (o Episcopado, o Presbiterado e o Diaconado), que vai desde o simples diácono até chegar ao cargo supremo de Papa, que é o chefe e pastor da Igreja. Considerado o Vigário de Cristo na Terra e o "perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja", o Papa é eleito pelo Colégio dos Cardeais. A Igreja defende que todos os seus bispos (que são coadjuvados pelos presbíteros e diáconos), devido ao sacramento da Ordem, são os sucessores dos Doze Apóstolos, sendo o Papa o sucessor direto do Apóstolo Pedro. Daí a autoridade e primazia de que o Papa goza.

Culto católico

Na Igreja Católica, para além do culto de adoração a Deus (latria), existe também o culto de veneração aos santos (dulia) e à Virgem Maria (hiperdulia). Esses dois cultos, sendo a latria mais importante, são ambos expressos através da liturgia, que é o culto oficial da Igreja, e também através da piedade popular, que é o culto privado dos fiéis Dentro da piedade popular, destacam-se predominantemente as devoções e as orações quotidianas; enquanto que na liturgia destacam-se a missa (de frequência obrigatória aos domingos e festas de guarda) e a Liturgia das Horas. A Igreja permite também a veneração de imagens e de relíquias sagradas. Apesar de a piedade popular ser de certo modo facultativa, ela é muito importante para o crescimento espiritual dos católicos.

Sacramentos

A Igreja Católica acredita que os sete sacramentos foram instituídos por Jesus Cristo e confiados à Igreja, durante o seu ministério, como sinais sensíveis e eficazes mediante os quais é concedida a vida e a graça divinas a todos aqueles que os recebem. A administração dos sacramentos é independente da santidade pessoal do ministro, embora os frutos dos sacramentos dependam das disposições de quem os recebe. Sobre os sacramentos, São Leão Magno diz: "o que era visível no nosso Salvador passou para os seus sacramentos". Ao celebrá-los, a Igreja Católica alimenta, exprime e fortifica a sua fé, sendo por isso os sacramentos uma parte integrante e inalienável da vida de cada católico e fundamentais para a sua salvação. Isso porque eles conferem aos crentes a graça divina, os dons do Espírito Santo, o perdão dos pecados, a conformação a Cristo e a pertença à Igreja, que os torna capazes de viverem como filhos de Deus em Cristo. Daí a grande importância dos sacramentos na liturgia católica.

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Salvação e santidade

Segundo a soteriologia católica, a salvação, que é oferecida por Deus a todos aqueles que quiserem, permite e conduz o homem à santidade, à felicidade e à vida eterna. Essa salvação deve ser obtida através da fé em Jesus Cristo e da pertença à Igreja fundada e encabeçada por Ele. Mas, esta crença não nega a salvação para os não católicos. Segundo a fé católica, todos são ajudados e chamados por Deus para serem santos, ou seja, para lutarem espiritualmente com o fim de crescerem em santidade, que é "a plenitude da vida cristã e a perfeição da caridade". Essa luta espiritual, ou caminho de santificação, começa no momento do batismo, quando se recebe a graça santificante, e deve progredir com a ajuda da oração, dos sacramentos e de outros meios de salvação dispostos pela Igreja. Essa progressão deve ser sempre motivada pela esperança da salvação e animada pela caridade. A caridade traduz-se na realização dos ensinamentos cristãos (que se resumem nos mandamentos de amor) e na prática das boas obras, que exprimem a fé em Cristo e eliminam as penas temporais causadas pelo pecado. Essa postura e ação do católico contribuiria também para a construção de um mundo melhor e para a aceleração da realização definitiva do Reino de Deus. O fim do caminho de santificação é obter a plenitude da felicidade e a vida eterna, que é gozada após a morte pelos santos (ou salvos) no Céu, em íntima união com a Trindade.

Justificação, graça, misericórdia, mérito e liberdade

A Igreja Católica acredita que devido ao pecado original, todos os homens têm que morrer. Porém, Deus quis reconciliar-se com os homens e salvá-los, enviando por isso o seu Filho para que Ele morresse pelos pecadores. Com a sua morte, todos os pecados dos homens, cometidos quer no passado, quer no futuro, serão perdoados por Deus, desde que os homens se arrependam de um modo livre e sincero. Assim, de acordo com o ensino da Igreja, os homens obtêm a salvação, que se deve à justificação, que é a iniciativa misericordiosa e gratuita de Deus de conceder a salvação à humanidade. Essa ação sobrenatural cancela os pecados, por meio da graça santificante do Espírito Santo, que foi merecida pela paixão de Cristo e dada no batismo aos homens. Com a graça santificante, os batizados recebem o perdão do pecado original, passam a ser filhos de Deus e participantes da natureza e vida divinas. Para além da graça santificante, que justifica e salva os homens, existe ainda as graças atuais, as graças sacramentais e as graças especiais (ou carismas).

Salvação para os não católicos

A Igreja Católica acredita que é o instrumento da redenção de todos os homens e o sacramento universal da salvação. Por isso, a Igreja Católica ensina que fora da Igreja não há salvação. Esse ensinamento remonta aos primeiros séculos do Cristianismo, sendo já refletido por vários Padres da Igreja, como Santo Agostinho e São Cipriano. O Papa Pio IX (1846-1878) salientou também que: Essa ignorância invencível pode ser causada pela precariedade dos meios de comunicação, pela ineficiência da evangelização e por ambientes de restrição e barreiras contextuais, intelectuais, psicológicas, culturais, sociais e religiosas, muitas vezes insuperáveis. Isso significa que os não católicos (mesmo os não cristãos) também podem ser salvos, desde que, sem culpa própria, ignoram a Revelação divina e a Igreja, mas que "procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade". Em relação aos bebés e crianças mortas sem batismo, a Igreja tem esperança de que eles possam ser salvos, por isso, na sua liturgia, confia-as à infinita bondade de Deus. Apesar de historicamente alguns Padres latinos acreditavam na ideia do Limbo das crianças, idealizada por Santo Agostinho de Hipona, o que nunca chegou a ser dogma, sendo até mesmo rejeitado pelo Concílio de Cartago ainda na época de Santo Agostinho, com a presença do próprio.

Sofrimento

Segundo a perspectiva católica, o sofrimento, que é uma consequência do mal e que está associado à morte e às limitações humanas, nunca foi desejado por Deus. Mas, contra a vontade divina, o sofrimento passou a ser uma realidade intrínseca ao homem, por consequência do pecado original e, posteriormente, de todos os pecados cometidos pelos homens. Isso significa que o sofrimento está enredado à liberdade humana e ao conflito entre o bem e o mal no mundo. Mas, por causa do sacrifício redentor de Cristo, o sofrimento passou a ter um "sentido verdadeiramente sobrenatural e […] humano, […] porque se radica no mistério divino da redenção do mundo e […] porque nele o homem se aceita a si mesmo, com a sua própria humanidade, com a própria dignidade e a própria missão." Logo, o sofrimento passou a estar presente no mundo para desencadear o amor e para permitir a conversão e a reconstrução do bem.

Comunhão dos Santos

A comunhão dos Santos tem dois significados intimamente relacionados: "«comunhão nas coisas santas, sancta», e «comunhão entre as pessoas santas, sancti»". O primeiro significa a participação de todos os membros da Igreja nas coisas santas: a fé, os sacramentos (nomeadamente a Eucaristia), os carismas e os outros dons espirituais. O segundo significa a união viva e espiritual de todos os fiéis cristãos e membros da Igreja que, "pela graça, estão unidos a Cristo", formando um único Corpo Místico de Cristo e sendo por isso "pessoas santas (sancti) em Cristo". Logo, esta comunhão de santos forma "uma só família, a Igreja", que está organizada em três estados espirituais diferentes:

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Virgem Maria: Mãe de Deus

De acordo com a mariologia católica, Deus escolheu gratuitamente Maria como a mãe de seu Filho: para cumprir tal missão, foi preservada do pecado original e de todos os pecados. O arcanjo Gabriel anunciou à Virgem Maria que Deus faria com que ela concebesse Jesus do Espírito Santo, ou seja, em virgindade e sem participação de homem algum. Logo, o Espírito Santo fez dela a Mãe de Cristo e, como Cristo é o próprio Deus encarnado, também a Mãe de Deus. Maria aceitou obedientemente essa missão divina tão necessária à Salvação, tornando-se assim na corredentora dos homens. Casou com São José, que assumiu a paternidade terrena de Jesus, mas, mesmo assim, ela conseguiu conservar a sua virgindade por toda a vida. Devido ao fato de ter concebido Jesus, que é o único Redentor dos homens e a Cabeça da Igreja, ela torna-se também na Mãe da Igreja e de todos os homens que Jesus veio salvar. Ela "coopera com amor de mãe no nascimento e na formação na ordem da graça" de qualquer ser humano. Após a sua assunção de corpo e alma ao Céu, ela, como Rainha do Céu, continua a interceder pelos seus filhos e a ser um modelo de santidade para todos. Os católicos "veem nela uma imagem e uma antecipação da ressurreição que os espera", sendo por isso o ícone escatológico da Igreja (ou a realização mais perfeita da Igreja).

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A mulher

Independentemente de possíveis interpretações positivas ou negativas de determinados versículos da Bíblia sobre a figura da mulher (ex: I Timóteo 2:9-14), a Igreja Católica considera que a mulher e o homem são iguais em dignidade, porque foram ambos criados à imagem e semelhança de Deus. Porém, o homem e a mulher são diferentes entre si e, por isso, eles devem viver numa "complementaridade recíproca enquanto masculino e feminino". Baseado nesta complementariedade, a Igreja apenas admite homens como clérigos, e justifica-o porque os doze Apóstolos foram todos homens e Jesus, na sua forma humana, também é homem. Em 1988, o Papa João Paulo II escreveu a carta "Mulieris Dignitatem", onde ele enalteceu o papel da mulher (incluindo o papel especial da Virgem Maria na salvação da humanidade), pediu desculpas às acções machistas cometidas por membros da Igreja ao longo da história, agradeceu as mulheres por tudo aquilo que elas fizeram ao mundo e apelou à defesa da dignidade da mulher.

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Morte e vida eterna

Segundo a escatologia católica, após a morte de cada pessoa, a sua alma separa-se do seu corpo mortal e corruptível, iniciando assim a sua vida eterna, que não terá fim e que é precedida para cada um por um juízo particular e que será confirmada pelo juízo final. Esse juízo final realizar-se-á nos últimos momentos antes do fim do mundo.

Juízo particular

Basicamente, o juízo particular é o julgamento de retribuição imediata que cada homem, após a sua morte, recebe de Deus, tendo em conta a sua fé e as suas obras realizadas durante o seu caminho de santificação terrestre (veja a seção Salvação e Santidade). Após essa epifania particular, a alma será destinada a estar: Essa doutrina escatológica, que trata sobre o destino individual das almas, está sintetizada nos chamados novíssimos, que são quatro: morte, juízo, inferno e paraíso. O purgatório não entra porque é só um estado espiritual transitório e temporário.

Fim do mundo, Juízo Final, Ressurreição e Reino de Deus

Acerca do destino coletivo do homem no fim do mundo, a Igreja ensina que ocorrerá um Juízo Final mesmo antes do fim do mundo, mas nem ela sabe exactamente qual é a data para tal acontecimento. Momentos antes do Juízo final, Jesus Cristo, que também ressuscitou dos mortos e vive para sempre, ressuscitará toda a humanidade, dando uma nova vida, mas desta vez imortal, para todos os corpos que pereceram. Nesse momento, todas as almas, quer estejam no Céu, no Purgatório ou no Inferno, regressarão definitivamente aos seus novos corpos. Na visão católica, toda a humanidade reunir-se-á diante de Deus, mais concretamente de Jesus, que irá regressar triunfalmente à terra como juiz dos vivos e dos mortos. Ele confirmará os inúmeros juízos particulares e permitirá consequentemente que o corpo ressuscitado possa "participar na retribuição que a alma teve no juízo particular". Esta retribuição consiste na vida eterna (para os que estão no Céu ou no Purgatório) ou na condenação eterna (para os que estão no Inferno).

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Fontes consultadas

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