Duarte de Meneses
D. Duarte de Meneses, o Gordo. Capitão de Tânger, governador da Índia.
Imagem: Manuel de Faria e Sousa · CC0 · Openverse
D. Duarte de Meneses, era filho primogênito de D. João de Meneses, 1.º conde de Tarouca e prior do Crato, e de sua mulher D. Joana de Vilhena, e neto paterno de D. Duarte de Meneses, 1º cap. de Alcácer-Ceguer. Também seria o avô do 14.º vice-rei da Índia e homónimo, Duarte de Meneses. Sucedeu a seu pai no cargo de capitão de Tânger, que capitaneava já pelo menos desde 1508 em nome de seu pai, cargo que ocupou até 1521. "Gozava de uma formidável reputação enquanto chefe guerreiro ". Foi ferido no rosto num ataque que se fez no campo de Alcácer Quibir ; Em 1508, participou no ataque a Azamor ; Assim descreve Pedro de Mariz, em seus Dialogos de varia história, uns dos feitos de D. Duarte enquanto capitão de Tânger : "O anno (…) de mil,& quinhentos,& doze [4 de Abril de 1512 ] , os Alcaides Barráxa (Ali ibne Raxide Alálame), alcaide de Xexuão), & Almandarim (Cide Almandri, alcaide de Tetuão), com oitocentos de cavallo, & dous mil de pé, sahirão furiosos, a destruir os Mouros nossos confederados,& vassallos: & andando senhores do campo fazendo grande mal, & destruição naquelles povos, chegarão ao campo de Tanger, onde lhe sahio Dom Duarte de Menezes, Capitão daquella cidade, com duzentos de cavallo, & duzentos de pé. Tanto que os Mouros houvérão vista delles, logo se poserão em som de batalha, & se vierão pera elles muy crespos, com grandes alaridos, & algazàtas. Mas Barráxa, como mais versado, e destro naquellas occasioens, disse aos que estavam junto delle que não era aquella a gente, que se havia de vencer com gritas, senão cõ armas, & muito esforço, que elle lhes pedia tivesem todos naquella hora, porque lhe certificava o havião de haver bem mister, & em dizendo isto,logo se começou a batalha bem pelejada, & muito furiosa, em que ao principio os nossos levavão a pior. Mas sobrevindo a pessoa de Dom Duarte de Menezes, de tal maneira se houverão com sua presença, & companhia, que depois de pelejarem húa hora em peso, sem se conhecer melhoria, ficàrão os Mouros vencidos, & desbaratados, fugindo Almandarim com cento de cavallo: & Barràxa correndo muito perigo de ser morto, porque ao fugir, cahio o cavallo com elle, & por sua grande destreza se salvou em outro, indo lhe os nossos no alcance. Morrérão dos nossos seis, ou sete, & feridos vinte, & três. E dos Mouros ficarão mortos no campo seiscentos, & cativos duzentos, & quarenta, e entre elles muitos, muito nobres, & especiaes cavalleiros. Tomarão 160. azemelas, 40. cavallos, 20. egoas, vinte camellos, & outro muito despojo."
Imagem: Manuelvbotelho · BY-SA · Openverse
Nomeado governador da Índia, partiu em 5 de Abril de 1522 com uma Armada de doze naus, acompanhado do seu irmão D. Luís de Meneses. "Ao longo do triénio do governador, o sudeste asiático ( e as Molucas), mesmo que constituindo questões prementes, foram alvo de uma atenção muito inferior à atenção dada ao Golfo Pérsico, onde o controlo de Ormuz rapidamente se tornara numa questão capital ". Goa foi em grande parte deixada ao cuidado do seu capitão, Francisco Pereira Pestana, associado próximo de D. Duarte, que entrou em conflito com uma boa parte da sua população de casados.
Ormuz
Apenas chegado, soube que a aduana de Ormuz estava sitiada, e mandou-lhe seu irmão em socorro. Entretanto alcançou uma vitória contra Dabul (hoje Dabhol), "tomando duas galeras de "rumes" (turcos), e fazendo-a tributaria. Com isso e com a recém chegada de D. Luís, temeroso Melique Az do moderno sucessor, de cujas cavalerias em África tinha noticia, mandou cessar a opressão que suas fustas davam a Chaul". A revolta do "rei" de Ormuz (Turã Xá) para com os portugueses, planeada com seu conselheiro e vizir (alguazil), Ra'is Sharafuddin Fali, começou uma noite de Novembro de 1521 em que foram assaltados de maneira concertada, "com ferro, e fogo no mar e na terra", a Fortaleza de Ormuz, mas também Barém, Mascate, Curiate, e Soar. Era então capitão da Fortaleza D. Garcia Coutinho, que logo mandou a noticia ao novo governador, D. Duarte. De Mascate vieram Tristão Vaz da Veiga, que passou a Ormuz por entre 160 navios que "torneavam por aquela parte", e dois dias mais tarde Manuel de Sousa. O navio deste último, via-se a duas léguas, impedido de avançar, "Acudi-lo era perigo para a fortaleza, e não o acudir era perigo para todos. Tristão Vaz em seu navio aventurou-se a socorrê-lo por a metade dos cento e sessenta inimigos. Correm atrás dele os oitenta, e chovendo as balas, e flechas, não lhe impedem a carreira : mas quis impedi-la Manuel de Sousa porque, suspeitando sêr inimigo, desde de lá começou a apontar-lhe a artilharia, com que fez algum dano, até que conhecido pela grandeza de sua estatura, cessou os tiros, e chegando ao navio do Sousa, foi recolhido nele. Está bramando El-rei de Ormuz contra seus oitenta barcos que não ousaram investir um só; e tem razão ". Conseguiram depois os dois navios chegar à fortaleza.
Imagem: Agostinho Manuel de Vasconcelos · CC0 · Openverse
Em 4 de Outubro de 1536 tomou pela segunda vez possessão do governo de Tânger. Vinha com sua família, e D. João, seu filho maior. "O primeiro feito que dele encontramos, foi pouco venturoso. Soube que alguns almogavares introduziram-se no campo, e mandou Ayres de Sousa, em 9 de Fevereiro de 1537, que lhes fizesse frente com quarenta de cavalo. Sahiram os mouros de Benamaqueda, Ayres de Sousa o envestio, fugiram os mouros e seguiram-lhe os nossos até a praça de Nofiza, distante duas léguas, sem considerar os inconvenientes (…). Esperavam os alcaides com muita gente, e sahindo com bríos, encontraram os nossos disseminados e os cavalos sem alento. Ainda que estes procuraram resistir, foram facilmente desfeitos. Morreram os mais pelejando como valerosos cavaleiro, entre eles Ayres de Sousa, Luís de Ataíde, Lourenço Correia e outros. Ficaram cativos Lopo de Sequeira, António de Sequeira, Gaspar Antunes, Juan de Guevara e Jorge da Silveira(...).
Casou com Filipa de Noronha, filha de Simão Gonçalves de Câmara de Lobo, 3° capitão da Ilha da Madeira da parte do Funchal ; com quem teve D. João de Meneses, & D. Pedro de Meneses, que a seu tempo também governaram Tânger. Com mulher desconhecida teve também D. Fernando de Menezes, que também chegou a governar Tânger, e (com a mesma ou com outra, D. Joana, mulher de Damião Dias, escrivão da fazenda. E com Clara Morena de Bivar, teve duas filhas : D. Inácia e D. Brites de Meneses.
Imagem: albTotxo · BY-NC-SA · Openverse
O nome de Duarte de Menezes foi colocado numa rua da cidade de Lagos.


