Segunda Guerra Civil da Costa do Marfim
A Segunda Guerra Civil na Costa do Marfim eclodiu em fevereiro de 2011 quando começaram os combates entre as forças leais ao presidente eleito e o governo de facto no oeste do país.
Durante o mês de fevereiro, as forças leais a Ouattara iniciaram uma ofensiva no oeste do país na qual conseguiriam conquistar cinco localidades que, até aquele momento, estavam sob o controle do lado oposto. No entanto, em março de 2011 começam os combates diretos entre os rebeldes de Ouattara e as forças do governo, nas principais cidades do país, resultando em cerca de mil civis mortos no oeste marfinense, além de aproximadamente de 450 mil refugiados, chegando a luta às ruas da maior cidade do país, Abidjã em abril de 2011, com combates e fogo de artilharia em torno do palácio presidencial e da televisão estatal.
Em Abidjã
A partir de 22 de fevereiro e durante todo o mês de março de 2011, houve confrontos na principal cidade do país, Abidjã, entre o chamado "Commando Invisible", liderado por Ibrahim Coulibaly, dito "IB", e tropas leais a Laurent Gbagbo. Não é claro, porém, que esse grupo armado seja favorável a Ouattara. Esses confrontos ocorreram principalmente em Abobo (cuja população votou majoritariamente em Ouattara), mas também em Adjamé, no norte de Abidjã, Yopougon, Koumassi e Treichville. A Missão da ONU na Costa do Marfim (ONUCI) acusa os partidários de Laurent Gbagbo de atirar em civis, fazendo uma dezena de mortos em Abobo.
No oeste do país
No início de março de 2011, explode um conflito em Moyen-Cavally, no oeste da Costa do Marfim. Em 18 de fevereiro de 2011, a ONUCI se retira de Toulépleu. Em 6 de março, após os combates, as Forces nouvelles, pró-Ouattara, tomam Toulépleu a milicianos e mercenários liberianos. Em 13 de março, Doké é controlada pelas Forces Nouvelles. Em 21 de março, é a vez de Bloléquin, após a criação das Forças Republicanas da Costa do Marfim (Forces républicaines de Côte d'Ivoire, FRCI). Em 28 de março, é a cidade de Duékoué que cai. Isto permite às FRCI ter acesso às estradas que levam ao porto de San-Pédro, situado a pouco mais de 300 km, na região do Bas-Sassandra, e à capital política, Iamussucro.
Generalização do conflito
Em 28 de março, paralelamente à ofensiva contra Duékoué, as FRCI atacam Daloa, no centro-oeste, e Bondoukou, no leste, da qual assumem o controle em 29 de março. Em 30 de março, as tropas pró-Ouattara tomam Soubré, Tiébissou, Gagnoa, Guibéroua, Bocanda, San-Pédro, e finalmente entram na capital, Iamussucro. Em 31 de março, a capital econômica do país, Abidjã, foi totalmente cercada pelas forças pró-Ouattara. Em algumas horas, muitos membros do exército e da polícia desertam, tal como o próprio chefe do estado-maior, general Philippe Mangou, que busca refúgio na embaixada da África do Sul, juntamente com sua família. As tropas ainda fiéis a Gbagbo se reagruparam em torno do palácio presidencial. Gbagbo teve que solicitar auxílio angolano, que enviou a tropa Unidade da Guarda Presidencial, que foi utilizada para defender a residência presidencial.
Os conflitos na Costa do Marfim provocaram o deslocamento de quase um milhão de pessoas, sobretudo provenientes do oeste do país e da comuna de Abobo. Essas pessoas se dirigem em primeiro lugar a outras áreas da Costa do Marfim, onde existem 735.000 refugiados, mas também à Libéria, onde há 120.000 refugiados, e a vários outros países vizinhos: Gana, Guiné, Togo, Mali, Nigéria, Níger, Benim e Burquina Fasso.


