Edom
Edom foi um país da Transjordânia na Idade do Ferro. Fazia fronteira com Moabe a nordeste, Arava a oeste e o deserto da Arábia a sul e leste.
Edom é o nome que foi dado a Esaú, o primogênito de Isaque, que vendeu seu direito de primogenitura a seu irmão Jacó por um prato de sopa, cuja cor vermelha deu seu nome - "Adom". O país que mais tarde Esaú e seus descendentes habitaram se chamava "o campo de Edom" ou "a terra de Edom", com o topônimo também equivalendo a edomitas (citados uma única vez na Bíblia como "filhos de Edom"). Esse topônimo foi traduzido como Udumi (𒌑𒁺𒈪) ou Udumu (𒌑𒁺𒈬) em acadiano, Aduma em egípcio, dwm (ܐܕܘܡ) em siríaco, Idumeia em grego (Ἰδουμαία) e latim (Idumaea ou Idumea). Pensa-se que o nome, à parte de sua etimologia bíblica, tenha se originado do arenito avermelhado típico da região. O país já foi chamado de Monte Seir, homógrafo portanto ao monte que separada Edom de Judá. O topônimo Seir derivou, de acordo com a Bíblia, do progenitor dos horeus, que habitaram Edom antes dos edomitas. Segundo Flávio Josefo, o nome Seir se deve ao fato de que Esaú era peludo, mas segundo Gênesis XIV:6, se chamava Seir muito antes do nascimento de Esaú.
Origem e primeiros desenvolvimentos
A existência dos edomitas é confirmada pela arqueologia, eles são um povo semita, e é provável que tenham vindo para a região no século XIV a.C. Assim como os moabitas, os edomitas parecem corresponder aos beduínos sasus mencionados em documentos egípcios. Esses beduínos habitaram a Transjordânia e o Negueve a partir do século XV a.C. O papiro Anastasi VI datado do oitavo ano do reinado de Merneptá, por volta de 1 205 a.C., refere-se aos "Sasus de Edom". O faraó Merneptá permite que eles cruzem um forte para ficar no Egito com seus rebanhos: “Terminamos de permitir que as tribos sasus de Edom passem pela fortaleza de Merneptá-hotepe-her-Maate que fica em Tjecou […] para mantê-los vivos e manter seus rebanhos vivos” — Papiro Anastasi VI
Domínio israelita
A Bíblia diz que o rei Saul travou guerra contra os edomitas e que Davi ganhou supremacia sobre os edomitas. Uma insurreição pró-egípcia contra o filho e sucessor de Davi, Salomão, também é registrada, mas a partir da afirmação de que Salomão poderia enviar navios a um país chamado Ofir, podemos deduzir que ele recuperou o controle. É apenas durante o reinado de Jeorão (r. 848–842 a.C.) que Edom é mencionado como autônomo, mas os reis de Judá não aceitaram sua independência. Por exemplo, o rei Amazias (r. 796–782 a.C.) atacou e derrotou os edomitas, que também parecem ter sido derrotados pelos moabitas
Período assírio
Edom é mencionado nove vezes em inscrições assírias que datam dos reinados de Adadenirari III, Tiglate-Pileser III, Sargão II, Senaqueribe, Assaradão e Assurbanípal. Sete das ocorrências são inscrições reais. Edom também aparece em uma carta, em uma lista de províncias do reinado de Assurbanípal e na "Geografia de Sargão", um texto histórico-lendário sobre os limites do reino de Sargão da Acádia. Edom aparece ao lado de outros pequenos reinos vassalos do Império Neoassírio, como Moabe, Judá, Israel e as cidades fenícias de Tiro, Sidon, Arvade, Biblos e Asdode. O povoamento de Edom intensificou-se até o final do século VIII a.C. e as principais escavações até agora foram datadas entre os séculos VIII e VI a.C, durante do período do Império Neoassírio. Os assírios entraram em cena no século VIII a.C. Adadenirari III (r. 811–783 a.C.) recebeu homenagem. Três reis edomitas são conhecidos a partir das fontes assírias: nos textos reais de Tiglate-Pileser III (r. 745–727 a.C.) encontramos o nome do rei Caus-Meleque e os textos de Senaqueribe (r. 705–681 a.C.) mencionam Aiaramu. Assaradão (r. 680–669 a.C.) e Assurbanípal (r. 669–631 a.C.) eram os senhores supremos do rei Cosgabar. Um selo deste último foi escavado em Umel Biara, na Jordânia. Como é sabido, os assírios conquistaram Israel (724 ou 722 a.C.) e reduziu os outros reinos da região — Judá, Edom, Moabe, Amom — a estados vassalos. Um palácio assírio foi escavado na cidadela de Bozra, que pode ter sido a sede de uma guarnição.
Período babilônico
Como vassalo assírio, Edom manteve parte de sua independência, mas quando os assírios foram substituídos pelos babilônios como líderes do Oriente Próximo, as coisas começaram a mudar. O período babilônico dura cerca de 70 anos, a partir de 605 a.C. a 539 a.C. Os babilônios lideraram campanhas destrutivas na Judeia, Filisteia e Transjordânia. Edom foi amplamente afetado. Depois disso, a Babilônia negligência esses territórios recém-conquistados, causando seu declínio. A região só se recuperou sob a administração persa. O poder babilônico é muito centralizado e se preocupa principalmente com a prosperidade da Babilônia e seus arredores. O desinteresse dos babilônios pela região explica por que eles deixaram poucos vestígios arqueológicos ali.
O reino de Edom desfrutou de grande prosperidade no século VII a.C. com a chegada da assírios na região. Esta dominação estrangeira transformou a organização política e econômica de Edom e contribuiu para seu desenvolvimento. No território tradicional de Edom, na Transjordânia, do sul do Mar Morto até a borda do Golfo de Ácaba, as construções edomitas foram se multiplicando. Os templos e casas escovados seguem modelos assírios. O principal sítio edomita é Buseira, geralmente identificado com a capital edomita "Bozra" da Bíblia, embora nenhuma descoberta tenha confirmado isso. É a única cidade murada conhecida pelos edomitas. Está dividida entre uma cidade alta, com edifícios administrativos e um templo, e uma cidade baixa, onde estão localizadas as moradias. Os edifícios mais importantes são construídos após a captura da cidade pelos assírios e sob sua influência. Dois outros sítios não fortificados foram ocupados no século VII a.C.: Umel Biara, acima de Petra (às vezes identificado com o Selá bíblico) e Tavilã, ao norte de Petra (a bíblico Temã). Em Umel Biara, foram encontrados restos de casas e cisternas. Os edomitas fabricavam tecidos e cerâmicas de qualidade e possuíam certo domínio da metalurgia. Uma linha de fortificações militares instaladas no topo de promontórios rochosos garantem a defesa do território para o oeste. Este sistema de fortificações protege seu território contra as incursões de tribos nômades do deserto.
As fronteiras de Edom foram definidas concisamente. Se estendia ao longo rota seguida pelos israelitas da península do Sinai a Cades, isto é, ao longo do lado oriental do vale de Arava. Ao sul alcançou até Elate, que era porto de Edom. No norte de Edom estava o reino de Moabe. O limite entre Moabe e Edom era o ribeiro de Zerede. A antiga capital de Edom era Bozra, a partir dessa cidade, os reis de Edom governaram o país. No tempo de Amazias (838 a.C.), Selá era sua principal fortaleza, enquanto Elate e Eziom-Géber eram seus portos.
Idioma
A língua edomita estava intimamente relacionada com o hebraico bíblico, a ponto de ser considerada uma variedade de dialeto. A língua edomita é conhecida apenas por um pequeno corpus, composto principalmente de breves inscrições e óstracos. Foi escrito usando uma variante do alfabeto fenício até o século VI a.C., quando aconteceu de ser escrito com o alfabeto aramaico. Especula-se que o Livro de Jó, o mais antigo dos livros de sabedoria da Bíblia, foi escrito ou pelo menos originado na cultura edomita.
Religião
A natureza da religião edomita é amplamente desconhecida antes de sua conversão ao judaísmo pelos asmoneus. A evidência epigráfica sugere que o deus nacional de Edom era Cos (קוס), cujo nome aparece como um elemento teofórico nos nomes edomitas. Embora os edomitas tivessem um deus nacional, sua religião era politeísta e várias estatuetas de argila encontradas durante escavações indicam que as divindades edomitas eram predominantemente deuses da fertilidade. A cultura espiritual desenvolvida em Edom é confirmada pela apreciação da sabedoria edomita pelos profetas bíblicos. Assim, Jeremias pergunta: “Acaso, já não há sabedoria em Temã? Já pereceu o conselho dos sábios? A sabedoria deles acabou?” (Jer. 49:7). Assim como seus parentes próximos, eles podem ter adorado deuses como El, Baal e Aserá. As tradições bíblicas mais antigas colocam Javé como a divindade do sul de Edom, e pode ter se originado em "Edom/Seir/Temã/Sinai" antes de ser adotado em Israel e Judá. Há uma tradição judaica proveniente do Talmude, de que os descendentes de Esaú acabariam por se tornar romanos e em maior medida, todos os europeus.
Edom prosperou devido à sua localização estratégica na rota comercial entre a Arábia e o Mediterrâneo e sua indústria de cobre em Eziom-Géber. O Reino de Edom tirava muito de seu sustento do comércio de caravanas entre o Egito, o Levante, a Mesopotâmia e o sul da Arábia, ao longo da Rota do Incenso. Ao lado da Estrada do Rei, os edomitas eram um dos vários estados da região para os quais o comércio era vital devido à escassez de terras aráveis. Também é dito que as rotas marítimas eram comercializadas em lugares distantes como Índia, com navios saindo do porto de Eziom-Géber. A localização de Edom nas terras altas do sul o deixou com apenas uma pequena faixa de terra que recebeu chuva suficiente para a agricultura. Edom provavelmente exportou sal e bálsamo (usado para perfume e incenso de templo no mundo antigo) da região do Mar Morto. Quirbete Naas é um local de mineração de cobre em grande escala escavado pelo arqueólogo Thomas Levy no que hoje é o sul da Jordânia. A escala da mineração do século X a.C. no local é considerada evidência de um reino edomita forte e centralizado no século X a.C.


