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Eduardo VIII do Reino Unido

Eduardo VIII (em inglês: Edward VIII), nascido Eduardo Alberto Cristiano Jorge André Patrício Davi (em inglês: Edward Albert Christian George Andrew Patrick David);, mais tarde conhecido como Duque de Windsor, foi o Rei do Reino Unido e dos Domínios Britânicos e Imperador da Índia de 20 de janeiro de 1936 até sua abdicação em dezembro do mesmo ano. Filho mais velho do Rei Jorge V e da Rainha Maria de Teck. Como membro da família real britânica, ele pertencia a Casa de Windsor fundada por seu pai.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/09/2026
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Primeiros anos

Eduardo nasceu em 23 de junho de 1894, em White Lodge, Richmond Park, nos arredores de Londres, durante o reinado de sua bisavó, a rainha Vitória. Era o filho mais velho do duque e duquesa de Iorque (futuros rei Jorge V e rainha Maria) e neto dos príncipe e princesa de Gales (futuros rei Eduardo VII e rainha Alexandra) pelo lado paterno e do duque e duquesa de Teck (Francisco e Maria Adelaide) pelo lado materno. Como bisneto da monarca pela linha masculina, ele foi nomeado Sua Alteza o Príncipe Eduardo de Iorque no nascimento. Foi batizado como Eduardo Alberto Cristiano Jorge André Patrício Davi, no salão verde de White Lodge, em 16 de julho 1894, por Edward White Benson, arcebispo da Cantuária.[nota 1] Os nomes foram escolhidos em homenagem ao seu falecido tio Alberto, chamado familiarmente de "Eddy" ou Eduardo, e seu bisavô, o rei Cristiano IX da Dinamarca. O nome Alberto foi incluído a pedido da rainha Vitória e os seus últimos quatro nomes - Jorge, André, Patrício e Davi - são os dos santos padroeiros da Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales. Entre familiares e amigos próximos, o príncipe sempre foi chamado pelo seu último nome, Davi.

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Educação

Inicialmente, Eduardo teve aulas em casa com sua tutora, Helen Bricka. Após a morte da rainha Vitória, em 1901, seus pais viajaram pelo Império Britânico por quase nove meses, mas Eduardo e seus irmãos permaneceram na Inglaterra sob os cuidados de seus avós, o rei Eduardo VII e a rainha Alexandra. Com o retorno dos príncipes de Gales, Eduardo foi colocado sob a tutoria de dois homens, Frederick Finch e Henry Hansell, que praticamente criaram os pequenos príncipes no restante de sua primeira infância. Eduardo teve o rigoroso Hansell como seu preceptor até próximo dos 13 anos de idade,[nota 2] quando prestou os exames para ingresso na Osborne Naval College, iniciando seus estudos em 1907. Dois anos depois, transferiu-se para o Royal Naval College, em Dartmouth, para um curso de dois anos, seguidos de sua entrada na Marinha Real. Entretanto, com a morte de Eduardo VII e a ascensão ao trono de seu pai, em 6 de maio de 1910, Eduardo tornou-se automaticamente Duque da Cornualha e de Rothesay e nomeado príncipe de Gales um mês após, em seu 16º aniversário. Como sua nova situação exigia uma preparação mais efetiva às suas futuras responsabilidades como rei, ele foi retirado do curso naval antes da formatura oficial e serviu por três meses como guarda-marinha a bordo do couraçado Hindustan. Em seguida, entrou para o Magdalen College, em Oxford, para o qual, na opinião de seus biógrafos, estava despreparado intelectualmente. Após a conclusão de oito trimestres, Eduardo saiu de Oxford sem quaisquer qualificações acadêmicas.

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Príncipe de Gales

Eduardo foi oficialmente investido como príncipe de Gales, numa cerimônia especial no Castelo de Caernarfon, em 13 de julho de 1911. A posse ocorreu no País de Gales por incentivo do político galês David Lloyd George, condestável do castelo e ministro do tesouro no governo liberal. Lloyd George criou uma cerimônia no estilo de um desfile de galês e ensinou Eduardo a falar algumas palavras naquela língua. Quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Eduardo havia atingido a idade mínima para o serviço ativo e fez questão de alistar-se. Ele se juntou aos Grenadier Guards em junho de 1914 e, apesar de sua disposição em servir na linha de frente, não obteve permissão do secretário de Estado da Guerra, lord Kitchener, que alegou o imenso dano que haveria se o herdeiro do trono fosse capturado pelo inimigo. Apesar disso, Eduardo testemunhou a guerra das trincheiras e visitava a linha de frente sempre que podia, o que rendeu-lhe a Military Cross em 1916. Seu papel na guerra, embora limitado, tornou-o popular entre os veteranos do conflito. Ele realizou seu primeiro voo militar em 1918 e ganhou mais tarde um brevê de piloto.

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Noivas em potencial

Havia discussões antes da Primeira Guerra Mundial de um casamento entre o príncipe de Gales e uma das filhas do czar russo Nicolau II, mais especificamente Olga ou Tatiana. A princesa Vitória Luísa da Prússia, única filha do cáiser Guilherme II da Alemanha, também foi apontada como possível pretendente. Nesse ínterim, Eduardo declarou que gostaria de se casar com Carolina Matilde de Schleswig-Holstein, que, segundo ele, era "a única princesa moderadamente atraente da Europa". De qualquer forma, com a eclosão da Grande Guerra, a Revolução Russa e a ascensão do sentimento anti-alemão na Grã-Bretanha, quaisquer destas possibilidades foram descartadas. Em 1918, os jornais publicaram relatos de um possível noivado entre Eduardo - que na altura servia na Itália - e a filha mais velha do rei italiano Vítor Emanuel III, a princesa Iolanda de Saboia. Não havia base para esses rumores, mas eles ressuscitaram em 1919 quando Iolanda se juntou a sua mãe Helena de Montenegro, sua irmã Mafalda e a duquesa de Aosta em uma visita a Paris, onde o príncipe estava ao mesmo tempo. Ainda durante a guerra, Eduardo propôs casamento a lady Rosemary Leveson-Gower, filha mais nova duque de Sutherland. Ela parecia uma canditada adequada, mas o rei Jorge e a rainha Maria expressaram sua desaprovação ao enlace devido ao fato dela ser sobrinha da condessa de Warwick. A condessa tinha sido amante do avô do Eduardo, Eduardo VII, e quando da morte deste tentou extorquir a família real britânica ameaçando-a divulgar cartas românticas trocadas entre ela e o defunto rei, tornando um romance entre o Eduardo e Rose indesejável.

Romances

Eduardo era um mulherengo compulsivo e seu comportamento imprudente nos anos 1920 e 1930 preocupavam o primeiro-ministro Baldwin, o rei Jorge V e as pessoas próximas ao príncipe. Alan Lascelles, secretário particular de Eduardo por oito anos, acreditava nesse período que "por alguma razão hereditária ou fisiológica seu desenvolvimento mental normal parou quando ele chegou à adolescência". Jorge V estava decepcionado com o fracasso de Eduardo em estabelecer-se na vida, desgostoso com seus casos com mulheres casadas e relutante em vê-lo herdar a coroa. "Depois que eu morrer", disse o rei, "o menino vai arruinar-se em 12 meses". Em 1929, a revista Time afirmou que Eduardo provocava sua cunhada Elizabeth, esposa de seu irmão mais novo Alberto, chamando-a "Rainha Elizabeth". A revista questionava se "ela não se perguntaria às vezes o quanto de verdade havia na anedota que ele contava sobre renunciar aos seus direitos após a morte de Jorge V - o que transformaria seu apelido em realidade". Eduardo cresceu e permaneceu solteiro, mas seu irmão e sua cunhada tiveram duas filhas, incluindo a princesa Isabel. Jorge V protegia seu filho Alberto ("Bertie") e sua neta ("Lilibet") e chegou a comentar com um cortesão: "Rezo a Deus para que meu filho mais velho [Eduardo] nunca se case nem tenha filhos e nada ficará entre Bertie e Lilibet e o trono ".

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Reinado

Com a morte de Jorge V, em 20 de janeiro de 1936, Eduardo subiu ao trono com o título de Eduardo VIII. No dia seguinte, ele quebrou o protocolo real ao assistir à proclamação da sua própria ascensão de uma janela, na companhia da ainda casada Wallis Simpson. Eduardo tornou-se o primeiro monarca do Império Britânico a viajar em um avião, quando voou de Sandringham para Londres para seu Conselho de Ascensão. Eduardo causou mal-estar nos círculos governamentais com ações que foram interpretadas como interferência em assuntos políticos. O comentário de que "algo deve ser feito", dito durante uma visita às aldeias "deprimidas" e aos mineiros desempregados de Gales do Sul, foi visto como uma crítica direta ao governo, embora nunca tenha ficado claro se Eduardo tinha alguma intenção específica quanto a isso. Os ministros do governo relutavam em enviar relatórios confidenciais e documentos de Estado ao Fort Belvedere, porque estava claro que Eduardo dedicava pouca atenção a eles e que sua discrição com relação aos assuntos constitucionais e políticos não era confiável. Temia-se que Wallis Simpson e outros convidados da residência tivessem acesso aos documentos de Estado e que as informações confidenciais neles contidas pudessem ser indevidamente ou inadvertidamente divulgadas, prejudicando os interesses nacionais.

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Abdicação

Em 16 de novembro de 1936, Eduardo convidou o primeiro-ministro Stanley Baldwin ao Palácio de Buckingham e expressou seu desejo de se casar com Wallis Simpson tão logo ela estivesse livre para casar-se novamente. Baldwin informou-lhe que seus súditos considerariam o casamento moralmente inaceitável, principalmente porque uma nova união após o divórcio era rejeitada pela Igreja da Inglaterra e o povo não toleraria Wallis como rainha. Como rei, Eduardo ocupava o posto de Governador Supremo da Igreja da Inglaterra e o clero esperava que ele apoiasse seus ensinamentos. Eduardo propôs uma solução alternativa com um casamento morganático, no qual ele permaneceria rei, mas Wallis não se tornaria rainha. Em vez disso, ela desfrutaria de algum título menor e os filhos que pudessem ter não herdariam o trono. Isso também foi rejeitado pelo Gabinete Britânico, bem como pelos governos dos Domínios, cujas opiniões foram solicitadas nos termos do Estatuto de Westminster de 1931, que previa, em parte, que "qualquer alteração na lei no tocante à Sucessão do Trono, ao Tratamento Real e Títulos deverá requerer o consentimento dos parlamentos de todos os domínios, bem como o do Parlamento do Reino Unido". Os primeiros-ministros da Austrália, Canadá e África do Sul deixaram clara sua oposição ao rei se casar com uma divorciada; o primeiro-ministro irlandês manifestou indiferença e distanciamento, enquanto o primeiro-ministro da Nova Zelândia, sem nunca ter ouvido falar anteriormente de Wallis Simpson, declarou que apoiaria a decisão de Londres. Confrontado com essa oposição, Eduardo inicialmente alegou que "não havia muitas pessoas na Austrália" e que a opinião deles não importava.

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Ducado de Windsor

Em 12 de dezembro de 1936, na reunião de ascensão do Conselho Privado, Jorge VI anunciou que fez de seu irmão "Sua Alteza Real, o Duque de Windsor". Ele queria que este fosse o primeiro ato de seu reinado, embora os documentos formais tenham sido assinados somente em 8 de março do ano seguinte. Nesse ínterim, Eduardo era universalmente conhecido como Duque de Windsor. A decisão de Jorge VI de criar um ducado real para Eduardo assegurava que este não poderia concorrer às eleições para a Câmara dos Comuns nem tratar de assuntos políticos na Câmara dos Lordes. Carta-patente datada de 27 de maio de 1937 conferiu novamente o "título, estilo ou atributo de Alteza Real" ao Duque de Windsor, mas determinava explicitamente que "sua mulher e seus descendentes, se houverem, não portarão esse título ou atributo". Para alguns ministros britânicos a reconfirmação era desnecessária, uma vez que Eduardo havia mantido o estilo quando abdicou e que Wallis Simpson obteria automaticamente o status de esposa de um príncipe com o estilo de "Sua Alteza Real"; outros sustentavam que ele havia perdido toda a classificação real e, como rei que abdicou, não deveria mais carregar qualquer título real ou estilo, sendo designado simplesmente como "Sr. Edward Windsor". Em 14 de abril de 1937, o procurador-geral sir Donald Somervell submeteu ao secretário para assuntos internos, sir John Simon, um memorando resumindo os pontos de vista do lord advogado T.M. Cooper, do conselheiro parlamentar sir Granville Ram e dele próprio:

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Segunda Guerra Mundial

Em outubro de 1937, contra o conselho do governo britânico, o duque e a duquesa visitaram a Alemanha, onde encontraram Adolf Hitler, em seu retiro de Obersalzberg. Durante a visita, que foi bastante divulgada pelos meios de comunicação alemães, Eduardo fazia saudações nazistas. O ex-embaixador austríaco, conde Albert von Mensdorff-Pouilly-Dietrichstein, que também era um primo de segundo grau e amigo de Jorge V, acreditava que Eduardo defendia o nazismo alemão como um baluarte contra o comunismo e mesmo que defendera uma aliança com a Alemanha. A experiência de Eduardo com "as cenas de horror sem fim" durante a Primeira Guerra Mundial levou-o a apoiar a política de apaziguamento. Hitler considerava o duque amigável com a Alemanha Nazi e acreditava que as relações anglo-germânicas teriam melhorado com ele, se não tivesse abdicado. Segundo o "bom nazista" Albert Speer, Hitler teria declarado: "... Estou certo de que, através dele, teríamos alcançado relações amistosas permanentes. Se ele tivesse ficado, tudo teria sido diferente. Sua abdicação foi uma grave perda para nós".

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Últimos anos

Eduardo e Wallis voltaram para a França, onde passaram o resto de suas vidas, essencialmente retirados da corte britânica.[nota 5] O subsídio do duque foi complementado pelo governo e pelo comércio ilegal de divisas. A cidade de Paris ofereceu ao duque uma casa na 4 Route du Champ d'Entraînement, em Neuilly-sur-Seine, ao lado do Bois de Boulogne, por um aluguel simbólico. O governo francês o isentou de pagar o imposto de renda, e o casal podia comprar produtos livres de impostos através da embaixada britânica e do comissariado militar. Em 1951, Eduardo publicou um livro de memórias (A King's Story), escrito por um ghost-writer, no qual ele expressava seu desacordo com a política liberal. Os royalties do livro foram somados à sua renda. Nove anos depois, ele escreveu um livro relativamente desconhecido, A Family Album, que trata principalmente sobre a moda e os hábitos da família real ao longo de sua vida, desde o tempo da rainha Vitória ao de seu avô e seu pai, e os seus próprios gostos.

Morte

Em 28 de maio de 1972, o duque morreu em sua casa, em Paris, menos de um mês antes de seu aniversário de 78 anos. Seu corpo retornou à Grã-Bretanha e foi velado na Capela de São Jorge, Castelo de Windsor. O funeral foi realizado na capela em 5 de junho, com a presença da rainha, da família real e da Duquesa de Windsor, que se hospedou no Palácio de Buckingham durante sua visita. Eduardo foi enterrado no Cemitério Real, atrás do mausoléu real da rainha Vitória e do príncipe Alberto, em Frogmore. Até um acordo de 1965 com a rainha Isabel II, o duque e a duquesa haviam planejado ser enterrados num lote comprado no Green Mount Cemetery, em Baltimore, onde o pai de Wallis foi enterrado.

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Títulos, honras e armas

Títulos

Como monarca do Reino Unido, recebeu o título formal de Sua Majestade, Eduardo Oitavo, pela Graça de Deus, da Grã-Bretanha, Irlanda e dos Domínios Britânicos de além-mar, Rei, Defensor da Fé, Imperador da Índia. No quotidiano, enquanto rei, era chamado de Sua Majestade, o Rei Eduardo ou simplesmente O Rei. Ao longo da sua vida, os seus títulos foram:

Armas

Como príncipe de Gales, as armas de Eduardo as do brasão real do Reino Unido, diferenciado por um lambel de argent de três pés com um escudo representando Gales encimado por uma coroa (idêntico ao de Carlos, o atual príncipe de Gales). Como Soberano, ele portava as armas reais sem diferenciação. Após sua abdicação, ele voltou a usar as armas diferenciadas por um lambel de argent de três pés, mas dessa vez com uma coroa imperial no pé central.

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Fontes consultadas

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