Enciclopédia
Enciclopédia é uma obra de referência ou compêndio que fornece resumos de conhecimento, geral ou especial, em um campo ou disciplina específica. As enciclopédias são divididas em verbetes que são organizados em ordem alfabética pelo nome ou por categorias temáticas, ou então são hiperlinkadas e pesquisáveis.
A palavra enciclopédia vem do grego koiné ἐγκύκλιος παιδεία, transliterado enkúklios paideía, sendo enkúklios "regular, recorrente ou que requer regularidade", enquanto paideía significa "educação ou criação de uma criança"; juntas, a frase se traduz literalmente como "instrução completa ou conhecimento completo". No entanto, as duas palavras separadas foram reduzidas a uma única palavra devido a um erro de escriba por copistas de uma edição manuscrita latina de Quintiliano em 1470. Os copistas consideraram esta frase como uma única palavra grega, enkuklopaideía, com o mesmo significado, e esta palavra grega espúria tornou-se a palavra neolatina encyclopaedia, que por sua vez foi emprestado para o inglês. Por causa dessa palavra composta, os leitores desde o século XV frequentemente, e incorretamente, pensaram que os autores romanos Quintiliano e Plínio descreveram um gênero antigo.
A enciclopédia moderna evoluiu do dicionário no século XVIII; essa linhagem pode ser vista na ordem alfabética das enciclopédias impressas. Historicamente, tanto as enciclopédias quanto os dicionários foram compilados por autores bem-educados, mas são significativamente diferentes em estrutura. Um dicionário é um trabalho linguístico que se concentra principalmente em uma lista alfabética de palavras e suas definições. Palavras sinônimas e aquelas relacionadas ao assunto podem ser encontradas espalhadas pelo dicionário, não dando lugar óbvio para tratamento aprofundado. Assim, um dicionário normalmente fornece informações, análises ou antecedentes limitados para a palavra definida. Embora possa oferecer uma definição, pode deixar o leitor sem entender o significado, a importância ou as limitações de um termo e como o termo se relaciona com um campo de conhecimento mais amplo. Para atender a essas necessidades, um artigo enciclopédico normalmente não se limita a definições simples e não se limita a definir uma palavra individual, mas fornece um significado mais amplo para um assunto ou disciplina. A definição de enciclopédia do Merriam-Webster afirma que é "uma obra que contém informações sobre todos os ramos do conhecimento ou trata de forma abrangente um ramo específico do conhecimento, geralmente em artigos organizados em ordem alfabética, muitas vezes por assunto". Além de definir e listar termos sinônimos para o tópico, o artigo pode tratar o significado mais amplo do tópico com mais profundidade e transmitir o conhecimento acumulado mais relevante sobre esse assunto. Um verbete enciclopédico também geralmente inclui muitos mapas e ilustrações, bem como bibliografia e estatísticas.
Quatro elementos principais
Quatro elementos principais definem uma enciclopédia: seu assunto, seu escopo, seu método de organização e seu método de produção:
Diferenças entre enciclopédias e dicionários
Algumas obras intituladas "dicionários" são semelhantes a enciclopédias, especialmente aquelas que abordam um campo específico (como o Dicionário da Idade Média e o Dicionário de Navios de Combate Navais Americanos). O Dicionário Macquarie, o dicionário nacional da Austrália, tornou-se um dicionário enciclopédico após sua primeira edição, em reconhecimento ao uso de nomes próprios na comunicação comum e às palavras derivadas desses nomes próprios. No entanto, existem algumas diferenças amplas entre enciclopédias e dicionários. Mais notavelmente, os artigos de enciclopédia são mais longos, mais completosdo que as entradas na maioria dos dicionários de uso geral. Existem diferenças no conteúdo também. De modo geral, os dicionários fornecem informações linguísticas sobre as próprias palavras, enquanto as enciclopédias se concentram mais nas coisas que essas palavras representam. Assim, embora as entradas do dicionário sejam inextricavelmente fixadas à palavra descrita, os artigos da enciclopédia podem receber um nome de entrada diferente. Como tal, as entradas do dicionário não são totalmente traduzíveis para outras línguas, mas os artigos da enciclopédia podem ser.
Antiguidade
Grande parte dos escritos que procuravam englobar o conhecimento humano na Antiguidade eram de estilo específico, ou especializado (geralmente relacionados à natureza ou à filosofia). Alguns dos grandes filósofos da Antiguidade já haviam tentado escrever sobre todos os campos de conhecimento estudados. Na China antiga, no século III AEC, foi escrita a enciclopédia chinesa mais antiga conhecida, o Erya. O autor (ou autora?) do livro é desconhecido, embora seja tradicionalmente atribuída ao Duque de Zhou, Confúcio ou os seus discípulos.[carece de fontes?] Aristóteles escreveu um conjunto de obras sobre os seres vivos, que foram preservadas: De anima, Parva naturalia, Historia animalium, De partibus animalium, De motu animalium, De incessu animalium e De generatione animalium. Muitas delas tratam de assuntos bastante teóricos, discutindo os motivos dos fenômenos da vida; outras são mais descritivas, compreendendo um vasto volume de fatos. Em Historia animalium, o filósofo grego apresentou uma descrição muito detalhada de aproximadamente 550 espécies, incluindo vertebrados e invertebrados. Também tratou de descrever as aparências externa e interna, os costumes dos animais, redigiu uma comparação detalhada entre as espécies e tentou descrever suas principais características e diferenças.
Idade Média
No século X, em Constantinopla, apareceu uma obra coletiva greco-bizantina de grande interesse para o conhecimento da Antiguidade Grega. Trata-se de uma compilação de obras e personagens classificadas de forma inovadora por ordem alfabética que se apresenta, portanto, como a primeira enciclopédia: a Suda. Apesar de várias imprecisões e erros, a Suda contém informações inestimáveis, uma vez que seus autores tiveram acesso a obras agora perdidas. Esse cobiçado livro, nos dias atuais, é conhecido como a primeira enciclopédia de que se tem notícia, pela amplidão de conhecimento atingido (porém, não se extinguem possibilidades de terem existidas outras obras, talvez mais completas, de não tanto sucesso).
Idade Moderna
Hoje em dia, é creditada a criação da primeira enciclopédia moderna à Encyclopédie, de 28 volumes, 71 818 artigos, e 2 885 ilustrações, editada por Jean le Rond d’Alembert e Denis Diderot em 1772, tendo como colaboradores Rousseau, Voltaire, Montesquieu e outros ensaístas ilustres. Porém, antes destes respeitáveis iluministas terem atingido um grau de amplitude muito superior, John Harris havia escrito anteriormente, em 1704, a Lexicon technicum, e a ele é creditado o estabelecer do formato moderno de uma enciclopédia, tal como a conhecemos hoje. No século seguinte, George Wilhem Hegel publicou a sua Enciclopédia das Ciências Filosóficas, em que se cristaliza a ideia de enciclopédia como apresentação sistemática de uma ciência ou de um conjunto de ciências.[carece de fontes?]
Formatos contemporâneos
O formato hierárquico e sua natureza em permanente evolução tornam obras enciclopédicas alvos perfeitos para publicação em formato digital. Praticamente todas as grandes enciclopédias tiveram uma versão em CD-ROM no final do século XX. A versão em CD-ROM conta com a vantagem de ser portátil e de produção extremamente econômica. Além disso, uma enciclopédia em formato digital pode ter conteúdos como animações e áudio, impossíveis de serem inseridos numa tradicional publicação escrita. A inclusão de hyperlinks ligando artigos relacionados também é uma enorme vantagem do formato digital.[carece de fontes?] Por fim, o advento da internet possibilitou a criação das enciclopédias livres, sendo atualmente as mais conhecidas: a Everything2, a Encarta, a h2g2 e a Wikipédia. Nestas, pela primeira vez na história da humanidade, qualquer pessoa pode fazer contribuições e corrigir e/ou ampliar as entradas já existentes, o que resulta num banco de dados universal (?) que é continuamente aperfeiçoado. Embora qualquer um possa editar essas enciclopédias, atualmente, apenas 15% das edições realizadas na Wikipedia em língua portuguesa, por exemplo, são de mulheres. Algumas iniciativas tentam mudar esse cenário, como a organização Art + Feminism, a coletiva curatorial Na Pupila e a cientista inglesa Jessica Wade Este tipo de enciclopédia permite ainda que o significado de um determinado verbete seja consultado em vários idiomas, expandindo os resultados da pesquisa. As enciclopédias impressas modernas do século XX realmente perderam muito valor. Os negociantes de livros em segunda mão possuem dificuldades para vendê-los, e até mesmo algumas associações de caridade as recusam como doações.


