Formação profissional
A educação profissional abrange todas as atividades teóricas e práticas que visam desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes essenciais para o exercício de uma profissão. Ela atua como uma ferramenta estratégica de gestão, facilitando a adaptação dos recursos humanos às novas demandas do mercado, através da qualificação e, quando necessário, da reconversão profissional. Isso confere maior flexibilidade às organizações para enfrentar um futuro cada vez mais imprevisível.
Pontos-chave
- A educação profissional qualifica indivíduos para o mercado de trabalho, abrangendo conhecimentos teóricos e práticos.
- É uma ferramenta estratégica que adapta recursos humanos às novas tecnologias e demandas, aumentando a flexibilidade organizacional.
- O processo de aprendizagem e conhecimento é fundamental para a qualificação de funcionários e a atualização das organizações.
- A gestão de competências foca no desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes, essenciais para o desempenho profissional.
- No Brasil, a educação profissional é regulamentada por lei e oferece cursos de formação inicial, técnica e tecnológica.
A aprendizagem e o conhecimento são pilares interligados da educação profissional. Um processo de aprendizagem eficaz capacita os indivíduos, gerando conhecimento que os qualifica para diversas funções. A experiência profissional acumulada nas organizações é reconhecida como um aprendizado organizacional, que aprimora as ações por meio de melhor compreensão. Este é um processo de mão dupla, onde tanto os colaboradores quanto as organizações aprendem e se aperfeiçoam continuamente, criando e transferindo conhecimentos para se manterem atualizadas no mercado.
Competência refere-se ao conjunto de capacidades humanas ou ao estoque de recursos internos de cada indivíduo, englobando conhecimentos, habilidades e atitudes. Aprofundando o conceito, competência implica a capacidade de tomar iniciativas, ir além das tarefas prescritas, compreender e dominar novas situações de trabalho, e ser reconhecido por isso. Assim, a competência está diretamente ligada à aptidão do indivíduo para assumir um cargo e desempenhar suas funções. As organizações têm o papel de desenvolver as habilidades dos funcionários, potencializar competências preexistentes e moldar aqueles que precisam de qualificação adicional para a excelência.
Desenvolver-se significa qualificar-se, e este tema explora o desenvolvimento pessoal no ambiente organizacional. A Gestão de Pessoas e a educação corporativa são cruciais nesse processo. Modelos de universidades corporativas, inspirados em empresas norte-americanas, surgiram para suprir lacunas na formação dos funcionários em relação ao ensino tradicional. As empresas oferecem treinamentos e programas internos para capacitar seus colaboradores, integrar o conhecimento universitário à cultura empresarial e, assim, obter vantagem competitiva. Para o sucesso, gestores devem estimular o comprometimento, desenvolver lideranças e valorizar competências para reter talentos. A gestão do conhecimento, por sua vez, orienta a produção e disseminação de informações valiosas, utilizando a tecnologia para fortalecer o relacionamento interno e a socialização organizacional. Parcerias com universidades, com programas de graduação personalizados, também contribuem para a formação e crescimento profissional dos funcionários.
A avaliação de desempenho é um processo periódico entre gestor e subordinado, focado em ajudar o funcionário a compreender seu papel, objetivos, expectativas e o sucesso de seu desempenho. A gestão de desempenho, por sua vez, cria um ambiente onde as pessoas podem otimizar suas habilidades. As avaliações têm dois segmentos: Objetivos Administrativos, que servem de base para remunerações ou demissões; e Objetivos de Desenvolvimento, que fornecem feedback, identificam pontos fortes e fracos, e visam aprimorar o desempenho individual dos funcionários.
O Departamento de Recursos Humanos (RH) é responsável por estruturar o programa de avaliação, com a participação ativa dos gerentes operacionais. É crucial envolver os funcionários na elaboração para garantir maior aceitação do processo. Durante a criação, devem-se definir padrões de desempenho claros, que reflitam as metas e objetivos organizacionais para cada cargo, indicando os níveis aceitáveis e inaceitáveis de desempenho.
Os métodos de avaliação de desempenho podem ser classificados como medidores de traços/características de personalidade, comportamentos ou resultados. Os métodos baseados em traços buscam mensurar características como confiabilidade, criatividade, iniciativa e liderança. Os métodos comportamentais descrevem ações apropriadas no ambiente de trabalho. Já os métodos de avaliação de resultados focam nas realizações do funcionário e nos resultados provenientes de seu trabalho na empresa.
Em janeiro de 2008, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil foi de 8%, segundo o IBGE, com um aumento de 0,6 ponto percentual em relação a dezembro de 2007, mas menor que os 9,3% de janeiro do ano anterior. A relação entre emprego e qualificação profissional, embora não seja nova, ganhou relevância. No primeiro trimestre de 2016, a taxa de desemprego subiu para 10,9%, impulsionada por crises política e fiscal. Isso levou as pessoas a buscar novas qualificações para se destacar em um mercado de trabalho retraído e com menos vagas, onde um currículo com atribuições adicionais se torna um diferencial. Muitos também optaram por empreender, apesar da queda de 3,9% na rentabilidade dos empreendedores em 2016 comparado a 2015.
As empresas investem em cursos de formação para garantir que seus funcionários estejam bem preparados para os desafios profissionais. O objetivo é aprimorar as habilidades dos colaboradores em diversas competências, seguindo o 'triângulo dos saberes': competências psicossociais/socioafetivas (atitudes comunicacionais e comportamentais), cognitivas (desenvolvimento intelectual) e psicomotoras (capacidades manuais e saber-fazer). Em muitos países, a legislação trabalhista exige que as empresas ofereçam formação inicial e continuada aos seus colaboradores anualmente, através de entidades certificadas. O não cumprimento do plano de formação pode resultar em penalidades para as empresas.
No Brasil, a educação profissional é regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), complementada atualmente pelo Decreto 5154/2004. Seu principal objetivo é formar para o exercício de uma profissão, ensinando saberes relacionados ao trabalho, tanto para estudantes quanto para profissionais que buscam aprimorar suas qualificações. A legislação brasileira organiza a educação profissional em: I – cursos de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; II – cursos de educação profissional técnica de nível médio; III – cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação. Dados da CNI mostram que apenas 6% dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos estão matriculados em cursos de educação profissional, número bem abaixo da média de 35% nos 34 países mais desenvolvidos (OCDE). Apenas 11% dos adolescentes entre 15 e 17 anos combinam educação profissional com a educação regular, enquanto a média nos países desenvolvidos é superior a 50%. Uma pesquisa do SENAI revelou que mais de 70% dos jovens brasileiros consideram os cursos de educação profissional importantes para conseguir o primeiro emprego.
Processo Histórico da Educação Profissional
A expansão industrial no Brasil na década de 1940 gerou uma demanda por trabalhadores qualificados, especialmente na região Sudeste, que recebeu maiores investimentos. Migrantes do campo precisaram se adaptar ao ambiente industrial e comercial. Nesse período, foram criadas as instituições do Sistema S, que ofereciam capacitação para esses setores. Contudo, essa formação era restrita a atividades específicas, sem focar na formação continuada. Apesar disso, atendeu às necessidades das empresas por mão de obra capacitada para tarefas padronizadas, seguindo o modelo taylorista.


