Enzo Francescoli
Enzo Francescoli Uriarte é um ex-futebolista uruguaio que atuava como meia ofensivo. Destacou-se como um dos maiores jogadores do Uruguai, sendo talvez o maior deles que jamais jogou pelos dois maiores clubes de seu país: o Nacional e o Peñarol. Era conhecido, por seu estilo clássico e elegante, como El Príncipe, em referência a Aníbal Ciocca, antigo craque uruguaio dos anos 1930 e 40. Foi o único uruguaio incluído por Pelé no FIFA 100, e foi escolhido pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol o sexto maior jogador de seu país e o 24º da América do Sul no Século XX.[carece de fontes?]
Montevideo Wanderers
Torcedor do Peñarol, Francescoli poderia ter começado a carreira na equipe aurinegra, onde chegou a ser bem cotado após um teste. Todavia, desencantou-se com a condução das peneiras carboneras, onde passava mais tempo observando os outros do que jogando, e desistiu do clube. Ele, futuramente uma das maiores figuras do River Plate, poderia curiosamente também ter começado no River Plate uruguaio, onde foi aprovado, mas optou por seguir na equipe de futebol do Colégio Salesiano em que estudava, pela qual fora campeão por cinco anos seguidos em competições colegiais. No último ano do colegial, então, recebeu oferta do Montevideo Wanderers (curiosamente, rival do River Plate que ele recusara), após ser observado por olheiros deste clube em partida de bairro onde atuou ao lado de colega que já estava nas categorias de base da equipe. Angariou respeito logo, a ponto da equipe juvenil iniciar jogando com dez em campo quando ele, por conta de compromissos escolares, se atrasava alguns minutos. Em 1980, ele estreou na equipe principal e os bohemios conseguiram seu melhor resultado desde seu quarto e último título nacional, em 1931 (ainda na fase amadora do futebol local): o vice-campeonato, atrás apenas do grande time do Nacional, campeão também da Libertadores e da Copa Intercontinental daquele ano.[carece de fontes?] Além da elegância, que o faria ser conhecido como El Príncipe (alcunha herdada de Aníbal Ciocca, ex-jogador do Wanderers), outro hábito que já demonstrava ali era o de mascar chicletes durante os jogos; o exercício lhe estimulava a salivar, o que evitava ressecamentos na boca. Afirmou que tornou-se tão dependente do hábito que não se sentia bem quando não dispunha de algum chiclete antes das partidas.
Primeira passagem pelo River Plate
Em 1983, o River Plate, após vê-lo brilhar na Copa América daquele ano, o contratou por 310 mil dólares, no que seria um de seus melhores negócios. Seu início ali, porém, seria irregular. A equipe terminou o Campeonato Metropolitano (o campeonato argentino era desde 1969 dividido em dois torneios, Nacional e Metropolitano, que, apesar do nome, era mais valorizado) em penúltimo[carece de fontes?] e só não terminou rebaixada por manobra política criada dois anos antes por conta da comoção gerada pelo rebaixamento de outro dos cinco grandes times argentinos, o San Lorenzo, mas que só se tornaria válida justamente naquele campeonato: a partir dele, as equipes a sofrerem o descenso seriam as que ficassem nas duas últimas colocações em uma tabela de pontuação das médias de cada clube no campeonato disputado juntamente com os dois anteriores. Por este método, aplicado até os dias atuais, o time de Francescoli ficou duas posições acima dos rebaixados; ironicamente, a medida, criada para proteger os grandes times, fez com que outro deles (o Racing) caísse no lugar do River.
Em França
A nova equipe de Francescoli era o clube mais tradicional de Paris, mas enfrentava decadência desde a década de 1950 e passara a recentemente rivalizar com a crescente ascensão do novato vizinho Paris Saint-Germain (fundado em 1970), que, por sinal, havia conquistado na temporada anterior o seu primeiro título francês.[carece de fontes?] Mesmo assim, a Matra resolveu patrocinar o time, que passou inclusive a chamar-se Matra Racing em 1987. Buscando formar um grande elenco que vencesse também a Ligue 1 e, até 1993, a Copa dos Campeões da UEFA, a empresa automobilística do magnata Jean-Luc Lagardère forneceu uma injeção financeira que permitiu as contratações também de Luis Fernández (ídolo do próprio rival PSG), Maxime Bossis, Thierry Tusseau, Pierre Littbarski, David Ginola, Sonny Silooy, Eugène Ekéké e até de outro uruguaio, Rubén Paz. Mas, na primeira temporada, o clube da capital francesa brigou contra o rebaixamento, conseguindo terminar em 13º em boa parte devido aos 14 gols de Francescoli, artilheiro do elenco e com o dobro de gols do vice.
Na Itália
Após a Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, em que chegou a enfrentar os próprios anfitriões no torneio, Francescoli foi finalmente jogar neste país. Juntamente com os compatriotas José Óscar Herrera e Daniel Fonseca, transferiu-se para o pequeno Cagliari, onde voltou a conviver com lutas contra o rebaixamento em suas duas primeiras temporadas no novo clube, nas quais ele somou apenas quatro (1990/91) e seis gols (1991/92) no campeonato italiano. Nelas, a equipe da Sardenha também não se saiu bem na Copa da Itália, sendo eliminada logo no primeiro confronto em ambas.[carece de fontes?] Após duas temporadas sem aparentar tanto seu brilho por ter sido usado de modo mais recuado, atuando como responsável mais por iniciar jogadas do que por oferecer o último passe ou concluir, Enzo realizou uma grande terceira temporada pelos rossoblù, o suficiente para ser considerado um dos maiores jogadores do clube e um dos maiores uruguaios do futebol italiano: na Copa, ele marcaria seus únicos gols (três) no torneio, com a eliminação só vindo nas quartas-de-final, contra o Milan. Na Serie A, a equipe conseguiu uma surpreendente sexta colocação, com vaga na Copa da UEFA seguinte e com ele marcando sete vezes, seus melhores números em uma única temporada no calcio. Desta vez, Francescoli não recusou as ofertas que vinham de Turim e desembarcou na cidade. Não na Juventus, que lhe quisera anos antes, mas no rival Torino, recém-campeão da Copa da Itália,[carece de fontes?] e que tinha uma pequena colônia uruguaia com Marcelo Saralegui e Carlos Alberto Aguilera.
A consagração no River
Já com 33 anos e mal visto em seu país por atuar na Europa, resolveu voltar ao River Plate da Argentina. Apesar da idade, demonstrou grande fôlego no time campeão do Apertura naquele ano (a temporada argentina voltara a ser dividida em dois campeonatos distintos, agora chamados Apertura e Clausura, a partir de 1990/91), sendo ele, pela terceira vez, seu artilheiro,[carece de fontes?] além de um espelho para os mais jovens. Ali, o River foi também campeão nacional invicto pela primeira vez. O time teve um ano menos empolgante em 1995: terminou em décimo no Clausura e em sétimo no Apertura,[carece de fontes?] caindo nos pênaltis em pleno Monumental nas semifinais da Taça Libertadores da América contra os colombianos do Atlético Nacional. Também nos pênaltis em semifinais, os millonarios foram eliminados pelo futuro campeão Independiente na Supercopa Libertadores, na qual Francescoli foi artilheiro." Os troféus dele naquele ano vieram com o Uruguai, sendo eleito o futebolista sul-americano do ano. A falta de conquistas clubísticas naquele 1995 não o impediu de ser eleito também o melhor jogador do futebol argentino, dez anos após ter recebido a mesma premiação.[carece de fontes?]
Em 1981, um ano após o debute profissional, integrou a Seleção Uruguaia que venceu o Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20, sendo eleito inclusive o melhor da competição. Participou também do mundial da categoria naquele ano, onde o Uruguai caiu nas quartas-de-final. Estreou pela seleção principal em 1982, em um torneio amistoso que o país disputou na Índia.[carece de fontes?] No ano seguinte, já integrava o plantel charrúa na Copa América de 1983, onde foi decisivo: ele fez o primeiro gol na vitória por 2–0 sobre o Brasil, no jogo de ida da decisão (então em duas partidas), gol este tido por ele como um de seus mais bonitos; acertou as redes de Leão em cobrança de falta, no que foi o primeiro gol dele pela seleção principal e a primeira vez em que atuava por ela dentro de seu país, em Montevidéu, depois de seis partidas iniciais jogadas todas no exterior.[carece de fontes?] O Uruguai se classificou para a Copa do Mundo de 1986 depois de uma acirrada disputa contra o Chile no grupo formado também com o Peru (a vaga veio após vitória em confronto direto com os chilenos, que tinham a vantagem do empate, na última rodada, em Montevidéu).[carece de fontes?] Francescoli foi tido por críticos com potencial para ser o artista máximo da competição, opinião seguida pelo próprio treinador uruguaio, Omar Borrás: "Todo mundo fala de Platini, de Maradona, de Elkjær... mas nosso Francescoli tem tudo para ser o grande destaque da Copa".
Jogos
A tabela abaixo resume as aparições de Enzo Francescoli pela Seleção Uruguaia.[carece de fontes?]
Francescoli é casado com Mariela Yern desde 1984 e com ela teve dois filhos, Bruno e Marco. Sua esposa é psicóloga, no que teria sido de grande valia para o casal: a profissão a teria feito ser compreensiva com as emoções do marido, a quem chegou a entrevistar em um programa televisivo em 2000. Bruno escolheu a advocacia, enquanto Marco tentou seguir os passos do pai, chegando a integrar os juvenis do Cagliari, onde Francescoli atuou por três anos, e do Estudiantes La Plata, mas não obteve muita projeção. A vontade de acompanhar o crescimento dos filhos, que estavam entrando na adolescência quando ele estava prestes a se aposentar, foi outro fator para que ele optasse por parar de jogar. Filho de Ernesto Francescoli e Olga Uriarte, seu prenome deveria ter sido Vincenzo, mas os pais optaram por batizá-lo com uma versão reduzida por conta do sobrenome já longo. Enzo tem ainda dois irmãos, Luis Ernesto, dois anos mais velho, e Pablo, treze anos mais moço.


