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Espécie indicadora

Espécies indicadoras são aquelas capazes de fornecer informações sobre os ambientes que ocupam, desde dados sobre as condições ambientais até mudanças causadas por algum tipo de desequilíbrio. Um grupo é considerado indicador biológico quando apresenta sua taxonomia, ciclo de vida e biologia bem conhecidos e possuir características de ocorrência em diferentes condições ambientais ou serem restritos a certas áreas. Além disso, deve apresentar sensibilidade a determinados atributos do habitat. Logo, a bioindicação trata-se do reconhecimento do efeito de um fator ambiental, que é visível através da reação das espécies indicadoras. Ou seja, estas espécies são avaliadas por meio da sua presença/ausência, condição relativa de abundância, sucesso reprodutivo, entre outros fatores.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/09/2026
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Categorias de espécies indicadoras

Imagem: Cleitondiasteixeira · BY-SA · Openverse

As espécies indicadoras podem ser agrupadas em categorias:

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Espécies indicadoras em ambientes aquáticos

Dulciaquícolas

Espécies indicadoras de vários grupos distintos são utilizadas para indicar distúrbios ambientais em cursos d’água. Um bom exemplo são as briófitas, que em ecossistemas aquáticos, possuem um alto potencial para a bioindicação, principalmente em casos de contaminação por metais pesados. As briófitas, especialmente os musgos (devido a ausência de cutícula) apresentam uma alta capacidade de acumular estes compostos. A análise do teor de metais pesados neste grupo tem baixo custo e ao mesmo tempo proporciona uma uma grande precisão nos resultados e exige menos tempo do que uma análise direta da água. É comum ocorrer contaminação de rios próximos a áreas utilizadas para agricultura, visto que em muitos casos, os agrotóxicos são carreados para os rios através da água da chuva. Peixes podem servir como indicadores da presença de contaminantes nos cursos d’água. Foram testados os efeitos causados pelo Endosulfan, um inseticida já banido na Europa e nos Estados Unidos, sobre órgãos do Piaractus mesopotamicus, o Pacu. Mesmo em pequenas concentrações, este pesticida causou lesões nos órgãos dos peixes. Sendo assim, sua análise torna possível a constatação ao menos da presença deste contaminante, o que os torna bioindicadores de contaminação.

Marinhas

Em praias com costões rochosos, as espécies indicadoras mais comuns são moluscos bivalves, como o mexilhão Mytella falcata (sururu) e a ostra Cassostrea rhizophorae. Estes organismos se alimentam através da filtração de matéria orgânica e de plâncton, o que os torna úteis como bioindicadores no monitoramento de poluição por metais pesados, devido à capacidade de acumulação destes metais em seus tecidos. Nas praias arenosas, destaca-se a presença do molusco bivalve Donax sp. e do caranguejo Ocypode quadrata, sendo que este último apresenta reduções populacionais geradas por impactos antropogênicos em praias arenosas.

Estuarinas

Nos ecossistemas estuarinos, as espécies vegetais dos gêneros Rhizophora, Avicennia e Laguncularia, podem também, a princípio, apresentar a função de bioindicadoras de poluição por metais pesados. A ausência ou a redução na densidade de larvas planctônicas ( poliquetas e larvas véliger de moluscos ) durante o recrutamento larval pode indicar a ação de extressores tanto no bentos como na coluna d’agua. Se houver alterações nas condições do estuário, a produção, sobrevivência e posteriormente o recrutamento das larvas ficam comprometidos.

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Espécies indicadoras em ambientes terrestres

Existem vários grupos biológicos capazes de nos fornecer informações sobre a qualidade dos ambientes terrestres: insetos, aves, mamíferos, etc. Eles podem ser indicadores ecológicos para mudanças climáticas, alterações no habitat, fragmentação, poluição entre outros fatores. Dentro da classe dos insetos por exemplo, alguns taxa são evidentemente bons bioindicadores. Na ordem Diptera, a família Syrphidae é considerada como um bom bioindicador, pois possuem uma ampla distribuição em ecossistemas terrestres e são facilmente identificadas. A sua população pode ser reduzida pelo uso de agrotóxicos na agricultura e outros tipos de poluição. Dentre os besouros destacam-se as famílias Carabidae, Elateridae, Cerambycidae, Chrysomelidae, Scarabaeidae, Staphylinidae e Curculionidae, todas com alto potencial com base nos critérios propostos para esta categoria. Os besouros da família Carabidae, são bons indicadores de temperatura e umidade, além de serem indicadores da ecologia de campos aráveis ). Os besouros desta família também são considerados indicadores do impacto de cultivos, sendo afetados pela agricultura intensiva, controle mecanizado de ervas daninhas e pelo fogo. Através da análise do tamanho de adultos de Poecilus cupreus (Carabidae) por exemplo, é possível indicar inclusive a presença de metais pesados como Zinco e Cádmio no ambiente, visto que nestas condições, ocorre redução do seu tamanho corporal.

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Espécies indicadoras da qualidade do ar

Dos grupos de organismos indicadores de qualidade do ar, os líquens são os mais conhecidos. Eles são uma associação (simbiose) entre um fungo e uma micro alga, e que são muito sensíveis aos efeitos dos poluentes, uma vez que absorvem eficientemente todos os nutrientes que necessitam diretamente da atmosfera. Esta eficiência tornou-se um problema para algumas espécies, pois em locais poluídos, também absorvem e bioacumulam poluentes que provocam sua morte. Deste modo, as espécies mais sensíveis desaparecem dos locais mais poluídos. Por este motivo o mapeamento da biodiversidade dos líquens permite determinar a qualidade geral do ar numa região. As plantas também são muito utilizadas como indicadores de poluição atmosférica, pois em decorrência de perturbações ambientais sofrem alterações. As alterações mais comuns são: o aumento ou a diminuição na produção de algumas enzimas, alterações genéticas, alterações quantitativas e qualitativas de metabólitos, aumento na concentração de hormônios vegetais relacionados ao estresse, aumento ou diminuição da respiração, distúrbios na fotossíntese, alterações na abertura e no fechamento estomático. Consequentemente estas alterações levam à sintomas como clorose e necrose em tecidos e órgãos, que podem evoluir, levando o indivíduo à morte. As plantas indicadoras são classificadas em quatro grandes grupos: Bioindicadoras – plantas que apresentam sintomas visíveis como necroses, cloroses e distúrbios fisiológicos, tais como redução no crescimento, redução no número e diâmetro das flores (ex: Nicotiana tabacum e Ipomea tricolor apresentam sintomas visíveis e são consideradas bioindicadoras de O3). Biosensoras – plantas que reagem aos efeitos dos poluentes aéreos com efeitos não visíveis, apresentando alterações moleculares, celulares, fisiológicas e bioquímicas (ex: Tradescantia pallida Purpurea apresentam quebras cromossômicas nas células-mãe de grãos de pólen). Bioacumuladoras – plantas que também não apresentam sintomas visíveis, e são menos sensíveis aos poluentes aéreos, porém acumulam partículas de poeira e gases dentro dos seus tecidos (ex: Brassica oleracea acephala acumula em seus tecidos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. Lolium multiflorum ssp italicum acumula metais pesados e enxofre ). Biointegradoras – aquelas que indicam o impacto da poluição por intermédio do aparecimento, desaparecimento ou mudança na densidade da população ou até de comunidades apresentando sintomas foliares nas folhas da superfície superior (ex: Em florestas de regiões temperadas Rumex sp são consideradas sensíveis ao ozônio).

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