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Esquerda (política)

No espectro político, a esquerda caracteriza-se pela defesa de uma maior igualdade social. Normalmente, envolve uma preocupação com os cidadãos que são considerados em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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História

Na política, o termo "esquerda" deriva da Revolução Francesa: quando, a 28 de Agosto de 1789, se discutiu na Assembleia Nacional Constituinte a questão do direito de veto do rei, os deputados que se opunham à proposta sentaram-se à esquerda do assento do presidente, iniciando-se o costume dos deputados radicais do Terceiro Estado se identificarem com essa posição. Ao longo do século XIX na França, a principal linha divisória de Esquerda e Direita foi entre partidários da República e partidários da Monarquia. A partir da segunda metade do século XIX, a esquerda ideológica iria se referir cada vez mais a diferentes correntes do socialismo e do comunismo. Particularmente influente foi a publicação do Manifesto Comunista por Marx e Friedrich Engels em 1848, que afirmava que a história de todas as sociedades humanas existentes até então era a história da luta de classes. Ele previa que uma revolução proletária acabaria por derrubar a sociedade burguesa e, através da abolição da propriedade privada, criaria uma sociedade sem classes, sem Estado, e pós-monetária. A Associação Internacional dos Trabalhadores (1864–76), às vezes chamada de Primeira Internacional, reuniu representantes de diversos países, e de diferentes grupos de esquerda e organizações sindicais. Alguns contemporâneos de Marx defendiam ideias semelhantes, mas não concordavam com sua visão de como chegar a uma sociedade sem classes e sem Estado. Após a cisão entre os grupos ligados a Marx e Mikhail Bakunin na Primeira Internacional, os anarquistas formaram a Associação Internacional dos Trabalhadores.

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Posições

Imagem: Sivanildo.alves · BY-SA · Openverse

Economia

Ao longo da sua história, a esquerda tem estado associada a distintos sistemas económicos: Com os limites acima referidos, pode-se dizer que desde o início do século XX, a esquerda foi associada a políticas que defendiam a intervenção do governo extensa na economia. Entretanto, tal definição ignora posições flagrantemente antiestatistas sustentadas por algumas correntes da esquerda política, como é o caso do Anarquismo — bem como o fato de que os estágios finais do comunismo preveem a abolição do próprio estado proletário. Parte da esquerda acredita na economia marxista, que é baseada nas teorias econômicas de Karl Marx. Alguns distinguem as teorias econômicas de Marx a partir de sua filosofia política, argumentando que a abordagem de Marx para a compreensão da economia é independente de sua defesa do socialismo revolucionário ou sua crença na inevitabilidade da revolução proletária.

Ambientalismo

Tanto Karl Marx quanto o socialista William Morris tiveram uma preocupação com as questões ambientais. Após a Revolução Russa, os cientistas ambientais, como Alexander Bogdanov e a organização Proletkult, se esforçaram para incorporar o ambientalismo ao bolchevismo, e "integrar a produção às leis e limites naturais" na primeira década soviética. Antes de Joseph Stalin atacar os ecologistas e a ciência da ecologia, ele expurgou ambientalistas e promoveu a pseudociência de Trofim Lysenko. Da mesma forma, Mao Zedong rejeitou o ambientalismo e acreditava que, com base nas leis do materialismo histórico, toda a natureza deve ser colocada a serviço da revolução.

Nacionalismo e antinacionalismo

A questão da nacionalidade e do nacionalismo têm sido uma característica central do debate político da esquerda. Durante a Revolução Francesa, o nacionalismo foi uma política da Esquerda Republicana. A esquerda republicana defendia o nacionalismo cívico, e argumentou que a nação é um "plebiscito diário" formado pela subjetiva "vontade de viver juntos". Relacionado ao "revanchismo francês", a vontade beligerante de se vingar contra do Império Alemão e retomar o controle de Alsácia-Lorena, o nacionalismo foi, por vezes, contra o imperialismo. Na década de 1880, houve um debate entre aqueles que, como Georges Clemenceau (Radical), Jean Jaurès (socialista) e Maurice Barrès (nacionalista), argumentaram que o colonialismo desviou a França da "linha azul do Vosges" (referindo-se a Alsácia-Lorena), e o " lobby colonial", como Jules Ferry (moderado republicano), Léon Gambetta (republicano) e Eugène Etienne, o presidente do grupo parlamentar colonial. Após o Caso Dreyfus no entanto o nacionalismo tornou-se cada vez mais associado à extrema-direita.

Religião

A Esquerda francesa original é anticlero, opondo-se à influência da Igreja Católica e apoiando a separação Igreja-Estado. As crenças religiosas também foram associadas a alguns movimentos de esquerda, como o movimento pelos direitos civis e o movimento anti-pena de morte. Os primeiros pensadores socialistas, como Robert Owen, Charles Fourier e o Conde de Saint-Simon, basearam suas teorias do socialismo nos princípios cristãos. De De Civitate Dei de Santo Agostinho de Hipona até Utopia de São Tomás Moro, os principais escritores cristãos defendiam ideias que os socialistas consideravam agradáveis. Outras preocupações esquerdistas comuns como o pacifismo, a justiça social, a igualdade racial, os direitos humanos e a rejeição da riqueza excessiva podem ser encontradas na Bíblia.

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Fontes consultadas

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