Expulsão dos jesuítas de Portugal
A expulsão dos jesuítas de Portugal foi um evento marcante no Império Português em 1759, durante o reinado de D. José I, sob a forte influência do Secretário de Estado dos Negócios Interiores, o futuro Marquês de Pombal. Portugal foi o pioneiro entre os países europeus a tomar essa medida drástica. A decisão foi formalizada por um decreto real que declarava os jesuítas como "rebeldes, traidores, adversários e agressores" contra a pessoa do rei, a paz pública e o bem comum dos súditos, ordenando sua expulsão de todos os reinos e domínios portugueses.
Pontos-chave
- A expulsão dos jesuítas ocorreu em 1759, durante o reinado de D. José I, sob a liderança do Marquês de Pombal.
- Portugal foi o primeiro país europeu a expulsar a Companhia de Jesus.
- O decreto real acusava os jesuítas de serem rebeldes e traidores contra a coroa e o bem público.
- A ação refletiu o absolutismo e o regalismo da época, com o Estado intervindo em assuntos religiosos.
- Conflitos no Brasil, como a Guerra Guaranítica, e o incidente com o Padre Malagrida, contribuíram para a decisão.
A expulsão dos jesuítas de Portugal foi o ápice de um complexo cenário político e ideológico na Europa e nas colônias portuguesas, marcado pelo absolutismo, iluminismo e tensões entre o poder régio e a Igreja.
Antecedentes Políticos e Ideológicos
O período foi caracterizado por regimes monárquicos absolutistas na Europa, que enfrentavam contestações das ideias iluministas. Nesse contexto, surgiu o despotismo esclarecido, exemplificado em Portugal pela figura do Marquês de Pombal. Práticas como o Regalismo, que envolvia a intervenção direta do Estado em questões religiosas e a diminuição do poder papal, eram comuns. A influência das ideias jansenistas e anglicanas, trazidas pelo absolutismo francês e tendências anti-romanas em setores do clero, era notória. O Beneplácito Régio, uma manifestação do Regalismo, demonstrava a supremacia da Secretaria de Estado sobre tribunais e instituições papais, exigindo que documentos como bulas e breves fossem submetidos à aprovação régia para serem executados em Portugal.
Conflitos Jesuítas no Brasil
Na América Portuguesa, os missionários da Companhia de Jesus tiveram um papel crucial na expansão territorial, mas também geraram conflitos com os colonos. Esses desentendimentos eram mais intensos no Estado do Maranhão, resultando em episódios como a oposição às manifestações do Padre António Vieira (1608-1697) e a Revolta de Beckman (1684). No século XVIII, novos conflitos surgiram no sul do Estado do Brasil, destacando-se a questão dos Sete Povos das Missões e a Guerra Guaranítica (1753-1756), que envolveram disputas territoriais e a defesa dos povos indígenas pelos jesuítas.
O Caminho para a Expulsão
Após o Sismo de Lisboa de 1755, o padre jesuíta Gabriel Malagrida interpretou o evento como uma oportunidade para a reforma moral e escreveu um opúsculo, oferecendo cópias a D. José I e ao Marquês de Pombal. Pombal, contudo, viu as exortações moralistas como uma acusação velada e desterrou o religioso para Setúbal. Pouco tempo depois, Pombal acusou os jesuítas de instigarem motins contra ele, especialmente contra a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (Porto, 1757). Essa acusação, entre outros fatores, permitiu-lhe extinguir as missões jesuíticas no Brasil e transferir suas vastas propriedades imobiliárias e empresariais para o controle do Estado, consolidando o poder régio e enfraquecendo a influência da Companhia de Jesus.


