Ilha do Faial
A ilha do Faial é uma ilha portuguesa situada no extremo ocidental do Grupo Central do arquipélago dos Açores. Está separada da ilha do Pico por um estreito braço de mar com de 8,3 km de largura, conhecido por canal do Faial.
Com uma forma quase pentagonal, a ilha emergiu de uma fratura tectónica de orientação ONO-ESE – a mesma que deu origem à Ilha do Pico –, denominada Fratura Faial-Pico, uma estrutura do tipo falha transformante leaky que se desenvolve ao longo de 350 km, desde a Crista Média do Atlântico (CMA) até uma área de fundos aplanados sita a sul da Fossa Hirondelle. Constituída integralmente por materiais vulcânicos, a ilha do Faial estrutura-se em torno de um grande vulcão central, em cujo centro se situa uma profunda caldeira, com relevos muito jovens, pouco trabalhados pela erosão e pelo tectonismo. A presença dessa grande formação central, denominada Maciço da Caldeira (ou Serra da Feteira, nome em geral aplicado apenas ao seu bordo sul) faz com que as elevações da ilha convirjam, de um modo geral, para o centro da ilha, culminando no Cabeço Gordo, uma elevação sita no bordo sul da Caldeira com 1043 metros de altitude acima do nível médio do mar, a altura máxima na ilha.
História geológica
A história geológica da ilha do Faial compreende três grandes períodos: Pertence ao período pré-caldeira, o complexo vulcânico da Ribeirinha, datado em 800 mil anos, a parte mais antiga da ilha, sita na sua região nordeste. Imediatamente a noroeste daquele, surge o complexo vulcânico dos Cedros, com cerca de 580 mil anos de idade. Para oeste e sudoeste desta região, seguindo a tendência comum nas ilhas sitas a leste da Crista Média do Atlântico de crescer para oeste, entre há cerca de 400 mil anos e até há cerca de 10 mil anos, foi-se desenvolvendo um gigantesco cone vulcânico de tipo escudiforme, essencialmente constituído por derrames lávicos resultantes de uma actividade eruptiva predominantemente efusiva. Em resultado dessa massa e da presença da fratura Faial-Pico, há cerca de 50 mil anos instalou-se no flanco leste da ilha uma importante atividade tectónica e vulcânica fissural, que deu origem ao denominado Relevo Falhado da Costa Este. Esta formação constitui um relevo falhado, com levantamento (horst) e afundamento (graben) de grandes blocos separados por falésias quase verticais, pontuado por cones secundários instalados sobre as zonas de fractura.
Descoberta e povoamento
Na cartografia do século XIV, a ilha aparece pela primeira vez individualizada no Atlas Catalão (1375-1377) identificada como "Ilha da Ventura". Gonçalo Velho Cabral, em 1432, terá achado as ilhas do Grupo Central. Diogo de Teive passa ao largo da Ilha do Faial na sua primeira viagem de exploração para ocidente dos Açores, em 1451. Em 1460, no testamento do Infante D. Henrique, encontra-se referida como "ilha de São Luís [de França]". O seu atual nome deve-se à abundância das chamadas faia-das-ilhas (Myrica faya) aquando do seu povoamento. O historiador padre Gaspar Frutuoso afirma que o primeiro povoador da ilha terá sido um eremita vindo do Reino. Este vivia só apenas com algum gado miúdo que na ilha deitaram os primeiros povoadores (em 1432?), e mais tarde, os moradores da ilha Terceira. "Somente no Verão iam pessoas da Terceira a suas fazendas e visitar seus gados e comunicavam com este ermitão". Ele acabaria por desaparecer ao fazer a travessia do canal do Faial para ir até à ilha do Pico, numa pequena embarcação revestida de couro.
Do século XVI aos nossos dias
No contexto da Dinastia Filipina, na sequência da queda da Terceira após o Desembarque da Baía das Mós (1583), D. Álvaro de Bazán enviou para o Faial, último território português que ainda recusava, de armas em punho, obediência a Filipe I de Portugal, uma expedição sob o comando de D. Pedro de Toledo. Repelida pelo fogo do Forte de Santa Cruz da Horta, um corpo de homens de armas desembarcou no sítio do Pasteleiro. Após escaramuças, as forças portuguesas, reforçadas por mercenários franceses, foram derrotadas. O Capitão-mor do Faial, António Guedes de Sousa, foi executado às portas do forte. Subjugada a ilha, aqui foi deixada uma guarnição composta por uma companhia de soldados predominantemente espanhóis, sob o comando de D. António de Portugal. No ano seguinte (1584), incapaz de controlar a insubordinação dos seus soldados, causada principalmente pela falta de pagamento dos soldos este oficial foi substituído no comando pelo capitão Diego Suarez de Salazar. (FRUTUOSO, 1998:109-110)
A ilha do Faial é a mais frequentemente associada à mítica ilha paradisíaca das viagens de São Brandão conforme relatado nas diversas Navigatio Sancti Brendani de cariz lendário atribuídas a este, derivadas da sua biografia. Festa do Sr. Santo Cristo da Praia do Almoxarife (1 de fevereiro); Festa de São João Baptista, padroeiro da nobreza da ilha (24 de Junho), Festas do Culto do Divino Espírito Santo; Festa de Nossa Senhora das Angústias, Semana do Mar; Festa de Nossa Senhora da Graça, na Praia do Almoxarife; Festa de Nossa Senhora de Lourdes, na Feteira, Festa de Santa Cecília, na Matriz, padroeira dos músicos (25 de Novembro), Festa de Santa Catarina de Alexandria de Castelo Branco, Festa de Nossa Senhora da Conceição (8 de Dezembro); A nível de artesanato destacam-se as miniaturas em miolo de figueira que retratam cenas do dia a dia, edifícios, flores, animais e pequenos navios, sendo Euclides Silveira da Rosa, o mestre mais conhecido desta arte. A arte popular também engloba esculturas em osso de cachalote, objectos em vime, os bordados de crivo, bordados em ponto de cruz, bordados a palha de trigo sobre tule; as flores de escama de peixe, as toalhas de papel recortado e chapéus e bolsas de palha. Não deixe de conhecer no Capelo, a Escola de Artesanato, pelo trabalho desenvolvido na divulgação do artesanato local e regional, bem como na formação de novos artesãos.
De entre as personalidades ligadas à ilha que mais se distinguiram destacam-se:
A ilha do Faial tem um setor primário forte na área da agropecuária e em que a área agrícola ocupa 28% da área total da ilha. O cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, a horta familiar, as culturas de citrinos, bananas, trigo e milho. Na pecuária, destaca-se a criação de gado suíno e bovino. A atividade piscatória, nomeadamente a pesca do atum, é outro pilar importante na sua subsistência. Outrora, a indústria baleeira (caça à Baleia) foi outra fonte da sua subsistência. Apresenta uma baixa densidade florestal, de 14,1%, que corresponde a uma área florestal de 645 ha, salientando-se a faia-das-ilhas, para além de cedros-do-mato, zimbros e fetos. Quanto ao sector secundário, é de referir uma moderna indústria – de laticínios, de carnes de muita boa qualidade e de panificação. No sector terciário, o turismo é a atividade económica de maior importância na ilha, que resulta fundamentalmente do movimento gerado pela passagem dos veleiros e cruzeiros que atravessam o Atlântico Norte e do turismo sazonal às ilhas. Dispõe de várias e excelentes instalações hoteleiras com pessoal qualificado, e regista-se o grande interesse no desenvolvimento do turismo rural e do ecoturismo.


