Lista de faraós
Faraó é um título de nobreza, dado aos reis com estatuto de deuses no Antigo Egito, proveniente da versão grega da Bíblia que aparece sob a forma pharâo, que derivou da expressão egípcia per-aá que se referia ao palácio real, sede do poder. Os antigos egípcios não usaram per-aá para se referirem ao soberano durante a maior parte da sua história, usando em vez disso termos como nesu ou neb. Contudo, a tradição consagrou o uso da palavra faraó para se referir aos reis do Antigo Egito.
Baixo Egito
O Reino do Baixo Egito se localizava no norte, na região do Delta do Nilo. Tinha por capital o nome de Buto e seu soberano cingia a Coroa Vermelha. Menés - Menés, personagem lendário e apontado como unificador do Egito, se tornou o primeiro faraó. A capital era, segundo alguns autores, Mênfis, e segundo outros, Tinis, nas proximidades de Abidos. Menés é identificado com Narmer, representado, num relevo de Hieracômpolis, com as duas coroas dos reinos unificados. As primeiras dinastias eram denominadas tinitas por terem a capital em Tinis. Esta dinastia é composta pelos soberanos que governaram a região do Delta do Nilo antes da unificação. Ela não existe na Lista Real de Manetão, apenas na Pedra de Palermo, e possuí alguns vestígios arqueológicos. A seguinte lista pode não estar completa:
Alto Egito
O Alto Egito localizava-se ao sul do Delta e tinha por capital o nomo de Nequém. Seu soberano cingia a Coroa Branca.
Dinastia 0
Provavelmente incompleto, este grupo de faraós, que antecede a I Dinastia, costuma designar-se de Dinastia 0.
Dinastia I
(Nota: A tradução das listas de faraós pelo grego Manetão levou a que vários dos nomes fossem modificados por este autor para uma forma mais legível para os gregos, listada abaixo sob o nome original. As datas mencionadas correspondem a períodos dentro dos quais podem ter governado.)
Dinastia II
(Nota: A tradução das listas de faraós pelo grego Manetão levou a que vários dos nomes fossem modificados por este autor para uma forma mais legível para os gregos, listada abaixo sob o nome original. As datas mencionadas correspondem a períodos dentro dos quais podem ter governado.)
O Primeiro Período Intermediário consistiu num período de turbulência, cujo início marcou o final do Império Antigo, e após o qual se fundou o designado Império Médio. O Império colapsou rapidamente após a morte de Pepi II, que reinara entre 64 e 94 anos, provavelmente, neste último caso, mais que qualquer outro monarca na História. A sua idade avançada nos seus últimos anos de reinado e vida levou a uma grande ineficiência administrativa que acabou por ser a causa principal do desabamento da união do Alto e Baixo Egito, que se separariam pela primeira vez neste período de caos: surgiram vários líderes regionais e surgiu uma grande epidemia de fome. Os reis das dinastias VII e VIII tentaram manter o seu poderio em Mênfis, mas deviam-no muito a poderosos magnates. Após 20 ou 45 anos foram depostos por uma nova linhagem de faraós, sediada em Heracleópolis Magna, que formaram as dinastias IX e X. Pouco tempo após, uma outra linhagem rival ascendia em Tebas, revoltada com os suseranos nortenhos, unindo o Alto Egito, a dinastia XI. Por volta de 2055 a.C., Mentuotepe II, desta última dinastia, derrotou a rival e reuniu as duas Terras, dando início ao Império Médio.
As Dinastias VII e VIII: sede em Mênfis
Governando por 20 ou 45 anos, estes monarcas detinham um poder muito limitado, dada a divisão dos Reinos e a evolução administrativa para um sistema feudal. Referente à dinastia VII, Manetão refere a existência de setenta reis em setenta dias, o que pretende aludir à instabilidade política. Conhece-se pouco sobre os reis desta dinastia. O mesmo para a dinastia VIII. Muitos tomam o nome Neferircaré, possivelmente em referência ao rei Pepi II.
As Dinastias IX e X: sede em Heracleópolis Magna
Sediadas nesta cidade, a dinastia X foi a herdeira da sede da dinastia IX, uma vez que após a queda da IX, um grupo local tomou o poder e fundou a X. Com 18 reis somados entre as duas, segundo o Papiro de Turim (ao qual faltam, destes 18, 12 nomes), governaram num período que se estendeu de 2160 a.C. a 2040 a.C., tendo a mudança de dinastia ocorrido por volta de 2130 a.C.. Desconhece-se qual o último rei da dinastia X, mas conhece-se o primeiro da dinastia X.
Dinastia XI: sede em Tebas
Tendo Antefe, o Velho, por fundador, a família constituiu-se na Dinastia XI a partir de 2130 a.C., e eventualmente acabaria por reunir todo o Egito sob Mentuotepe II. Desta forma, a dinastia divide-se entre o fim do Primeiro Período Intermediário e o começo do Império Médio.
Com a queda da Dinastia XII, iniciou-se um novo período de turbulência que levou a mais uma divisão do Egito. A Dinastia XIII, que sucedera após a queda da XII, era muito mais fraca e não soube defender bem o Egito dos numerosos ataques estrangeiros. Devido a isto, de uma família nobre residente em Xois (no Delta do Leste) emergiu a Dinastia XIV, que governou a área em simultâneo com a XIII no resto do país. Os hicsos apareceram pela primeira vez no reinado de Sebecotepe IV, e por volta de 1720 a.C. tomaram a cidade de Ávaris para si, tomando grande parte das terras da Dinastia XIV. Deste território agora hicso emergiu a Dinastia XV. Em 1650 a.C. estes invasores conquistavam Mênfis e punham fim à XIII dinastia. A confusão política que então se instalou deu azo à subida de uma Dinastia XVI, que declarou a sua independência possuindo algumas terras e instalando a capital em Tebas. Também esta dinastia foi derrubada pelos estrangeiros. Os Hicsos foram derrubados pela recém-proclamada Dinastia XVII, e só Taá II e seus descendentes foram capazes de os afastar até à Ásia. Surgiria assim um novo período de paz e prosperidade sob a Dinastia XVIII.
Dinastia XIII: sede em Mênfis
Esta dinastia é talvez uma das mais debatidas pelos egiptólogos, já que vários deles apresentam soluções diferentes para a ordem de reinado dos faraós.[falta página][falta página] A posição dominante tomada nesta lista é a de Kim Ryholt, embora não se descartem outras hipóteses.
Dinastias XIV e XV: invasores com sede em Ávaris
A dinastia XIV nasceu por volta de 1805 ou 1710 a.C., como oponente da Dinastia XIII, e teve por capital Ávaris, a leste do Delta. Incluiu vários faraós de origem semita. Tal como a sua concorrente, a dinastia XIV é também muito debatida pelos egiptólogos[falta página][falta página] A posição dominante tomada nesta lista é a de Kim Ryholt, embora não se descartem outras hipóteses. Segundo este egiptólogo, a dinastia ascendeu ao poder ainda no reinado da rainha Esquemíofris. Por seu lado, a dinastia XV, de origem hicsa, ascendeu na consequência da sua invasão no Egito e da turbulência política que na época assolava o Império. Estes reis hicsos governaram entre aproximadamente 1650 - 1550 a.C.. Os reis desta dinastia terão ascendido após conquistarem a capital da Dinastia XIV, Ávaris. Mais tarde derrubariam a Dinastia XIII e também a Dinastia XVI. A ordem dos reis apresentada pode não corresponder à real ordem de sucessão, difícil de estabelecer.
Dinastia de Abidos
O Segundo Período Intermediário pode-se incluir uma nova dinastia que terá governado a partir de Abidos, entre c.1650 e c.1600 a.C. Pelo menos quatro monarcas podem ser encaixados nesta dinastia, dado o desconhecimento da sua posição cronológica.
As Dinastias XVI e XVII: nativos com sede em Tebas
A dinastia XVI, com origem tebana, ascendeu na consequência do colapso da Dinastia XIII, cuja sede em Mênfis acabaria anexada aos hicsos da Dinastia XV por volta de 1650 a.C.. A Dinastia XVI acabaria também por sucumbir ao então apogeu hicso, por volta de 1580 a.C. Já a dinastia XVII parece ter reconquistado aos hicsos a capital da dinastia XVI, já que volta a sediar-se em Tebas. Fundada por volta de 1580 a.C., aquando da extinção da dinastia XVI, foi a que de facto expulsou os invasores hicsos, por volta de 1540 a.C.
Dinastia XVIII
seis filhosNebetuMenuiMertiMeneteNebesemi
Dinastia XIX
Iseteneferte Idepois de 1255 a.C.cinco filhosMaatorneferuré (dos hititas)fevereiro de 1245 a.C.Meritamomc.1245 a.C.sem filhosBintanate Ic.1245 a.C.um filhoNebetauiHenutemiré
Após novo colapso do Império Egípcio, por volta de 1080 a.C., emergiu em Tânis a nativa dinastia XXI, que fez frente aos sumos sacerdotes de Amom, que, na consequência de uma revolta, haviam ascendido ao poder, fundando uma dinastia sacerdotal em Tebas. Embora não se considerando faraós, foram encontrados os seus nomes em cartuchos e eram enterrados em túmulos reais. Pareciam estar ligados aos faraós da dinastia sua opositora, já que existem alguns faraós da Dinastia XXI que se poderão identificar como sacerdotes ou filhos destes. Esta prerrogativa do clero durou até 943 a.C, coincidindo sensivelmente com a extinção da Dinastia XXI. Por essa altura o Egito foi invadido pelos líbios, que fundaram duas dinastias: a XXII e a XXIII, que foram marcadas pelo conflito e repletas de usurpações de poder. Surgiu mais tarde, uma dinastia nativa, a XXIV, no Delta Oeste. Por volta dessa altura, no entanto, o Egito sofre novo impacto: a chegada dos núbios, que haviam fundado um reino a sul, com capital em Napata (656–590 a.C.) (e depois em Meroé (590 a.C. – séc. IV d.C.).). Os ocupantes instalaram-e também em Tebas e fundaram a Dinastia XXV, mas acabariam expulsos pelos saítas da Dinastia XXVI, em 653 a.C.
Dinastia XXII: sede em Bubástis
Esta dinastia é de origem líbia, tendo governado o Egipto em paralelo com a XXIII, XXIV e XXV dinastias.
Dinastia XXIII: sede entre Heracleópolis Magna, Hermópolis Magna e Tebas
Também de origem líbia, assentaram-se em Heracleópolis Magna, podendo ter, em algum momento trasladado a sua capital para Hermópolis Magna e/ou Tebas.
Dinastia XXV: sede em Tebas e Napata
Dinastia de reis de Napata de origem cuxita.
Apesar da expulsão de Líbios e Núbios, que marcaram o final do Terceiro Período Intermediário, o Egito nunca mais se livrou de investidas estrangeiras: por duas vezes ainda se viu ocupado pelo Império Aqueménida antes de se integrar no mundo greco-romano.
Dinastia XXVII (Aqueménida)
O Egito foi conquistado pelo Império Persa em 525 a.C., constituindo uma satrapia que integrou o Império até 404 a.C.. Os Xás Aqueménidas do período de dominação foram reconhecidos como faraós, formando-se assim a Dinastia XXVII. A dominação foi pontuada por várias revoltas egípcias.
Dinastia XXXI (Aqueménida)
Esta dinastia é constituída por reis persas que governaram o Egipto no segundo período de dominação persa.


