Noruega
Noruega, oficialmente Reino da Noruega, é um país nórdico, situado na Europa do Norte, onde ocupa a parte ocidental da Península Escandinava. Pertencem ainda ao estado norueguês, os territórios árticos da ilha de Jan Mayen e o arquipélago de Esvalbarda.
Etimologistas acreditam que o nome do país significa "o caminho para o norte" (ou o "caminho do norte"), que em nórdico antigo teria sido nor veg ou *norð vegr. O nome nórdico antigo para Noruega era Noregr, o anglo-saxão Norþ weg e latim medieval Northvegia. O nome oficial do Reino da Noruega em bokmål é Kongeriket Norge, enquanto que em nynorsk é Kongeriket Noreg, ambos apenas um par de letras retiradas do termo original "caminho do norte": Nor(d)-(v)eg. De acordo com outra teoria, o nome do país advém da palavra "nór", que significa "estreito" ou "norte", referindo-se à rota de navegação do arquipélago interno, através da terra ("caminho estreito"). A interpretação como "norte", refletida nas formas inglesa e latina do nome, teria sido devido à etimologia popular posterior. Esta última visão teve origem com o filólogo Niels Halvorsen Trønnes em 1847, sendo também defendido pelo estudante de língua e ativista Klaus Johan Myrvoll e adotado pelo professor de filologia Michael Schulte. A forma "Nore" ainda é usada em nomes de lugares como a vila de Nore e o lago Norefjorden, no antigo condado de Buskerud, e ainda tem o mesmo significado. Entre outros argumentos a favor da teoria, destaca-se que a palavra tem uma vogal longa na poesia escandinava e não é atestada com <ð> em nenhum texto ou inscrição nativa nórdica (as primeiras atestações rúnicas têm as grafias nuruiak e nuriki). Essa teoria ressuscitada recebeu alguma reação de outros estudiosos por vários motivos, em parte pela presença incontroversa do elemento "norðr" no etnônimo "norðrmaðr", e o adjetivo "norrǿnn" ("norte, norueguês"), bem como as primeiras declarações das formas latina e anglo-saxônica.
Pré-história e Era Viquingue
Os primeiros habitantes foram os membros da cultura de Arensburgo (11 a 10 a.C.), que era uma cultura do fim do Paleolítico Superior durante o último período de frio no final da glaciação Weichsel. A cultura é nomeada por conta da vila de Arensburgo, 25 km (15,53 milhas) a nordeste de Hamburgo, no estado alemão de Eslésvico-Holsácia, onde flechas de madeira foram encontradas. A Era Viquingue foi caracterizada pela expansão e emigração de marinheiros viquingues. Segundo a tradição, Haroldo Cabelo Belo unificou os viquingues em 872, após a Batalha do Fiorde de Hafrs em Stavanger, tornando-se o primeiro rei da Noruega unida. (A data de 872 pode ser um tanto arbitrária. Na verdade, a data real pode ser um pouco antes de 900). O reino de Haroldo era formado, principalmente, por um Estado costeiro no sul da Noruega. Haroldo Cabelo Belo governou com mão forte e, de acordo com as sagas, muitos noruegueses deixaram o país para viver na Islândia, nas Ilhas Faroé, na Groenlândia e em partes da Grã-Bretanha e da Irlanda. As cidades irlandesas modernas de Dublim, Limerico e Waterford foram fundadas por colonos noruegueses.
União de Calmar
Após a morte de Haquino V, Rei da Noruega, em 1319, Magno, em apenas três anos, herdou o trono como Magno IV. Ao mesmo tempo, um movimento para fazer de Magno o Rei da Suécia foi bem-sucedido. (neste momento ambos os reis da Suécia e da Dinamarca foram eleitos para o trono por seus respectivos príncipes.) Assim, com a sua eleição ao trono da Suécia, a Suécia e a Noruega tornaram-se unidas sob o governo do rei Magno VII. Em 1349, a peste negra alterou radicalmente Noruega, matando entre 50% e 60% de sua população e deixou-a em um período de declínio econômico e social, que deixou o país muito pobre. Embora o taxa de mortalidade fosse comparável com a do resto da Europa, a recuperação econômica norueguesa levou muito mais tempo por causa da população pequena e dispersa do país. Antes da peste, a população era de apenas cerca de 500 mil pessoas. Após a praga, muitas fazendas ficaram inativas, enquanto a população aumentava lentamente. Os inquilinos das poucas fazendas sobreviventes conseguiram barganhar com seus proprietários muito fortalecidos.
Eras moderna e contemporânea
Enfraquecida, entra sob domínio da Dinamarca e foi subordinada a essa até o fim das Guerras Napoleônicas, quando a conquista sueca sobre os dinamarqueses faz com que a Noruega entre em união pessoal com a Suécia (ver Reinos Unidos da Suécia e Noruega). Apesar do poder ter ficado na mão dos monarcas suecos, a união foi igualitária, e os noruegueses desfrutaram de grande liberdade política e sociocultural, o reino teve duas línguas, o norueguês e o sueco, e duas capitais, Cristiânia (atual Oslo) e Estocolmo. A união teve fim pacificamente 91 anos depois, em 1905. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista leva a cabo a Operação Weserübung, que invade a Noruega e a Dinamarca simultaneamente em 9 de abril de 1940. A Dinamarca se rende, mas a Noruega, que possuía uma das maiores frotas marítimas europeias, bem como sua localização próxima à costa britânica, é apoiada pelos britânicos, que encaram a resistência dos noruegueses aos nazistas como crucial. Para tal, os ingleses e franceses enviam tropas para desocupar os principais portos do país e recuperar a marinha norueguesa do poder alemão.
Possui uma área de 385 199 km², uma parte da qual se distribui por mais de 150 000 ilhas. Na área continental, predomina a paisagem de montanhas, platôs e fiordes. A Noruega possui uma fronteira territorial de 2 542 km, sendo 1 619 km com a Suécia ao leste, 727 km com a Finlândia ao nordeste e 196 km com a Rússia no extremo norte. Ao sul a Noruega se separa da Dinamarca pelo estreito de Escagerraque. A extensão aproximada do país, de norte a sul, é de 1 700 km. O terreno glacial é formado em maior parte por platôs altos e montanhas ásperas, através dos quais aparecem vales férteis; possui pequenas e irregulares planícies, fiordes e tundra ao norte. Embora a distância entre os pontos opostos do país seja de apenas 1770 km, a grande quantidade de ilhas e a costa bastante recortada fazem que o país tenha cerca de 101 000 km de linha costeira — extensão que, esticada, seria suficiente para circular o globo duas vezes e meia.
Biodiversidade
O número total de espécies presentes na Noruega inclui 16 000 espécies de insetos (provavelmente mais 4 000 espécies ainda a serem descritas), 20 000 espécies de algas, 1 800 espécies de líquen, 1 050 espécies de musgos, 2 800 espécies de plantas vasculares, 7 000 espécies de fungos, 450 espécies de pássaros (250 espécies exclusivas do país), 90 espécies de mamíferos, 45 espécies de peixes de água doce, 150 espécies de peixes de água salgada, 1 000 espécies de invertebrados de água doce e 3 500 espécies de invertebrados de água salgada. Cerca de 40 000 dessas espécies foram descritas e estão catalogadas pela comunidade científica. A lista vermelha abrange 4 599 espécies. A Noruega é formada por cinco ecorregiões terrestres: florestas mistas sarmáticas, florestas de coníferas costeiras escandinavas, taiga escandinava e russa, tundra da península de Kola e florestas de bétulas e prados de altitude escandinavos.
A população da Noruega é de cerca de 5,6 milhões. A maioria dos noruegueses são de origem norueguesa, um povo germânico setentrional. Os lapões (sami) tradicionalmente habitam as regiões central e norte da Noruega e da Suécia, bem como no norte da Finlândia e da Rússia, na península de Kola. Outra minoria nacional são o povo Kven, que são descendentes de povos de língua finlandesa, que se mudaram para o norte da Noruega entre os séculos XVIII e o século XX. Tanto os povos lapões e Kven foram submetidos a uma forte política de assimilação pelo governo norueguês do século XIX até aos anos 1970. Por causa deste "processo de norueguização", muitas famílias de ancestralidade lapã ou Kven agora se auto-identificam como étnicos noruegueses. Outros grupos reconhecidos como minorias nacionais da Noruega são os judeus, os skogfinns e os noruegueses e suecos romanis (um ramo do povo Romani). Nos últimos anos, a imigração foi responsável por mais da metade do crescimento da população da Noruega. Em 2024, aproximadamente 931 081 pessoas (16,8% da população) era formada por imigrantes. Destes, 386 559 (41,5% dos imigrantes) eram ocidentais (Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia), enquanto 544 521 (58,5% dos imigrantes) são de nações não brancas (Ásia, África e Américas Central e do Sul). Perto de 221 459 indivíduos (4% da população em geral) são filhos de imigrantes nascidos na Noruega.
Religião
A maioria dos noruegueses são membros da Igreja da Noruega (protestante, de confissão luterana). Todavia, têm uma participação muito baixa nas atividades e ritos religiosos, permanecendo na igreja do estado para usarem os serviços de batismo, crisma, casamento e funeral, ritos que têm forte legitimidade cultural no país. Cerca de 75% dos noruegueses eram membros da Igreja Estatal da Noruega (Igreja Luterana da Noruega) em 1 de janeiro de 2014, uma queda de 1% em relação ao ano anterior e uma queda de quase 5% quando comparado com os cinco anos anteriores. No início de 1990, estimou-se que entre 4,7% e 5,3% dos noruegueses frequentavam a igreja semanalmente. Este valor caiu para apenas 2% em 2008, colocando a Noruega, na parte inferior da classificação da frequência à igreja na Europa. Em 2010, o governo da Noruega informou ainda uma queda adicional na frequência à igreja em 2009.
Língua
A língua oficial da Noruega é o norueguês — uma língua germânica muito próxima do dinamarquês e do sueco. A língua norueguesa tem duas formas — o bokmål e o nynorsk, sendo o bokmål falado pela maioria dos habitantes. A minoria lapônias fala o lapão, e a minoria kven (fino-norueguesa) fala o kven, uma língua aparentada com o finlandês e o meänkieli. Grande parte da população da Noruega é fluente na língua inglesa, 90% dos noruegueses nascidos depois da Segunda Guerra Mundial, declaram falar inglês.
Segundo a Constituição da Noruega, que foi aprovada em 17 de maio de 1814 e inspirada pela Declaração de Independência dos Estados Unidos e pela Revolução Francesa de 1776 e 1789, respectivamente, a Noruega é uma monarquia constitucional unitária com um sistema parlamentar de governo, onde o Rei da Noruega é o chefe de Estado e o primeiro-ministro é o chefe de governo. O poder é repartido entre os poderes legislativo, executivo e judiciário do governo, tal como definido pela Constituição, que serve como documento legal supremo do país. A monarquia oficialmente retém o poder executivo, no entanto, após a introdução de um sistema parlamentar de governo, os deveres do monarca, desde então, tornaram-se estritamente representativos e cerimoniais, como a nomeação formal e a demissão do primeiro-ministro e outros ministros do governo executivo. Assim, o monarca é o comandante-em-chefe das Forças Armadas da Noruega, a autoridade suprema da Igreja da Noruega, e atua como principal representante diplomático no exterior e um símbolo da unidade nacional.
Relações internacionais
Noruega mantém embaixadas em 86 países, enquanto 60 países mantêm uma embaixada na Noruega, todos eles na capital, Oslo. A Noruega é um dos membros fundadores da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), do Conselho da Europa e da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA). O país emitiu pedidos de adesão à União Europeia (UE) e aos seus antecessores em 1962, 1967 e 1992, respectivamente. Enquanto Dinamarca, Suécia e Finlândia obtiveram a adesão ao bloco europeu, o eleitorado norueguês rejeitou os tratados de adesão, em referendos realizados em 1972 e 1994. Após o referendo de 1994, a Noruega manteve sua participação no Espaço Econômico Europeu (EEE), um acordo que concede o acesso do país ao mercado interno da UE, com a condição de que a Noruega implemente os atos legislativos, que são considerados relevantes da UE. Sucessivos governos noruegueses, desde 1994, solicitaram a participação em partes da cooperação da UE que vão além das disposições do acordo EEE. A participação sem direito a voto para a Noruega foi concedida, por exemplo, na Política de Defesa e de Segurança Comum, no Acordo de Schengen e na Agência Europeia de Defesa, bem como em 19 programas diferentes.
Forças armadas
As Forças Armadas da Noruega mantém cerca de 25 mil pessoas, incluindo trabalhadores civis. De acordo com planos de mobilização de 2009, a mobilização completa gera cerca de 83 mil combatentes. A Noruega tem conscrição (incluindo um treinamento de 6 a 12 meses de duração); em 2013, o país tornou-se o primeiro na Europa e na OTAN a recrutar mulheres assim como homens. No entanto, devido à menor necessidade de recrutamentos após a Guerra Fria, que terminou com a dissolução da União Soviética, o número de recrutas é menor atualmente. As forças armadas são subordinadas ao Ministério da Defesa norueguês. O comandante-em-chefe é o rei Haroldo V. Os militares noruegueses estão divididos nos seguintes ramos: Exército, Defesa Marítima e Força Aérea Real.
A Noruega está dividida em 15 condados (fylke) e em 357 comunas (kommune)
Os noruegueses possuem o segundo maior PIB per capita nominal (depois de Luxemburgo) e o terceiro maior PIB (PPC) per capita do mundo. A Noruega também manteve o primeiro lugar entre todos os países do mundo no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) por seis anos consecutivos (2001-2006), e depois recuperou essa posição em 2009. A economia norueguesa é um exemplo de uma economia mista, um país social-democrata com um estado de bem-estar social capitalista próspero, com uma combinação de atividades de mercado livre e de grandes propriedades estatais em determinados setores-chave. O Estado tem grandes posições acionistas nos principais setores industriais, tais como no estratégico setor de petróleo (Statoil), na produção de energia hidrelétrica (Statkraft), na produção de alumínio (Norsk Hydro), no maior banco norueguês (DnB NOR), e em telecomunicações (Telenor). Através dessas grandes empresas, o governo controla aproximadamente 30% dos valores das ações na Bolsa de Valores de Oslo. Quando as empresas não cotadas na bolsa estão incluídas, o Estado tem participação ainda maior na propriedade (principalmente da participação direta em licenças de petróleo). A Noruega é uma nação voltada, principalmente, para a navegação e tem a 6ª maior frota mercante mundial, com 1 412 embarcações mercantes de propriedade norueguesa.
Recursos
Nas duas primeiras décadas após a Segunda Guerra Mundial, o país experimentou um rápido crescimento econômico devido ao transporte marítimo, a marinha mercante norueguesa e pela industrialização doméstica, já a partir da década de 1970 o crescimento foi resultado da descoberta de grandes jazidas de petróleo no mar do Norte e no Mar da Noruega. Hoje o país é classificado como o mais rico do mundo, com a maior reserva de capital per capita do que qualquer outra nação. Em agosto de 2009 o fundo de riqueza soberana da nação anunciou que possuía cerca de 1% de todas as ações de bolsas de valores do mundo, provavelmente referindo-se a ações negociadas publicamente. A Noruega é o sétimo maior exportador de petróleo do mundo e a indústria do petróleo representa cerca de um quarto do PIB do país. Depois da crise econômica de 2008–2009, os banqueiros têm considerado a coroa norueguesa com uma das mais sólidas moedas do mundo.
Educação
O ensino superior na Noruega é oferecido por uma série de sete universidades, cinco faculdades especializadas, 25 faculdades, bem como uma série de faculdades particulares. A educação segue a Declaração de Bolonha envolvendo os graus de licenciatura (3 anos), mestrado (2 anos) e doutorado (3 anos). A aceitação é oferecida após concluírem o ensino secundário com competência geral do estudo. Duas instituições de ensino superior norueguesas estão listadas entre as 200 melhores universidades da Europa, de acordo com a classificação do QS World University Rankings de 2021, sendo estas a Universidade de Oslo e a Universidade de Bergen, ocupando as posições 113ª e 194ª, respectivamente.
Transportes
Devido à baixa densidade populacional, pela forma estreita do seu território e pelo longo litoral, o transporte público na Noruega está menos desenvolvido do que em muitos países europeus, sobretudo fora das cidades. Como tal, a Noruega tem uma tradição antiga de transporte aquático, mas o Ministério dos Transportes e Comunicações tem implementado nos últimos anos os transportes ferroviário, rodoviário e aéreo através de numerosas filiais a fim de desenvolver infraestrutura do país. A rede ferroviária principal da Noruega consiste em 4 114 km de linhas de bitola padrão, dos quais 242 km é via dupla e 64 km de alta velocidade (210 km/h). O transporte ferroviário transportou 56 827 000 passageiros, 2 956 milhões de passageiros por km e 24,783 milhões de toneladas. A rede toda é de propriedade da Administração Ferroviária Nacional Norueguesa, enquanto todos os trens de passageiros domésticos, exceto o trem expresso do aeroporto são operados pela Norges Statsbaner (NSB). Várias empresas operam trens de carga.
Energia
Em 2021, a Noruega tinha, em energia elétrica renovável instalada, 34 813 MW em energia hidroelétrica (8º maior do mundo), 4 650 MW em energia eólica (20º maior do mundo), 225 MW em energia solar, e 74 MW em biomassa.
A cultura da Noruega faz parte da cultura nórdica e escandinava, e está intimamente relacionada com o povo norueguês e com a história da nação norueguesa. A geografia, a história, a natureza e o clima, contribuíram significativamente para formação de sua cultura atual. Entre os noruegueses famosos incluem-se Anni-Frid Lyngstad (ABBA), a banda A-ha, o dramaturgo Henrik Ibsen, os exploradores Roald Amundsen e Fridtjof Nansen, o pintor expressionista Edvard Munch, o compositor do romantismo Edvard Grieg e os romancistas Knut Hamsun e Sigrid Undset, vencedores do Prémio Nobel de Literatura em 1920 e 1928. O black metal, é a maior exportação cultural da Noruega nos últimos 20 anos e é bastante popular nos países nórdicos. É uma variação do speed metal e do thrash metal, criado nos anos 80, por bandas como Venom, Bathory, Hellhammer e Celtic Frost, mas que ganhou notoriedade na Noruega, durante os anos 90. As letras valorizam a cultura pagã norueguesa e desprezam o cristianismo, sendo que, entre 1991 e 1998, membros de bandas e de gangues, como o Inner Circle, cometeram atos extremos como assassinatos e a queima de cerca de 100 igrejas na Noruega. Hoje o black metal está mais voltado para a musicalidade. As principais bandas do gênero na Noruega são: Mayhem, Burzum, Darkthrone, Gorgoroth, Emperor, Immortal, Satyricon e Dimmu Borgir, entre muitas outras de igual importância.
Música
A Noruega tem uma forte tradição de música folclórica que permanece popular até hoje. Entre os músicos folks mais proeminentes estão Andrea Een, violinistas do Hardanger, Olav Jørgen Hegge e Annbjørg Lien, além das vocalistas Agnes Buen Garnås, Kirsten Bråten Berg e Odd Nordstoga. O black metal norueguês, uma forma de rock na Noruega, tem sido uma influência desde o final do século XX. Desde a década de 1990, a participação norueguesa no black metal, uma forma lo-fi, dark e heavy metal, foi desenvolvida por bandas como Emperor, Darkthrone, Gorgoroth, Mayhem, Burzum e Immortal. Mais recentemente, bandas como Enslaved, Kvelertak, Dimmu Borgir e Satyricon evoluíram o gênero até os dias atuais, enquanto ainda conquistam fãs em todo o mundo. Os eventos polêmicos associados ao movimento black metal no início dos anos 1990 incluíram vários incêndios de igrejas e dois casos de assassinato proeminentes.
Cinema
O cinema norueguês recebeu reconhecimento internacional. O documentário Kon-Tiki (1950) ganhou um Óscar. Em 1959, Nine Lives, de Arne Skouen, foi indicado, mas não conseguiu vencer. Outro filme notável é Flåklypa Grand Prix, um longa-metragem de animação dirigido por Ivo Caprino. O filme foi lançado em 1975 e é baseado em personagens do cartunista norueguês Kjell Aukrust. É o filme norueguês mais visto de todos os tempos. Ofelaš (1987), de Nils Gaup, contando com características culturais dos lapões, também foi nomeado para um Óscar. Sønntagsengel, de Berit Nesheim, foi indicado ao Oscar em 1997. Desde a década de 1990, a indústria cinematográfica tem prosperado, produzindo até 20 longas-metragens a cada ano. Sucessos particulares foram Kristin Lavransdatter, baseado em um romance de um vencedor do Prêmio Nobel; The Telegraphist e Gurin with the Foxtail. Knut Erik Jensen estava entre os novos diretores mais bem sucedidos, juntamente com Erik Skjoldbjærg, que é lembrado por Insomnia.
Artes visuais
Por um longo período, a cena artística norueguesa foi dominada por obras de arte originárias da Alemanha e Países Baixos, bem como pela influência de Copenhague. Foi no século XIX que começou uma era verdadeiramente norueguesa, primeiro com a confecção de retratos, depois com a pintura de paisagens naturais. Johan Christian Dahl (1788–1857), originalmente da escola de Dresden, foi um dos primeiros a pintar as paisagens naturais do oeste da Noruega. A independência da Noruega do Reino da Dinamarca encorajou os pintores a desenvolver sua identidade norueguesa, o que se viu especialmente pelos trabalhos de pintura desenvolvidos por artistas como Kitty Kielland, uma pintora que estudou com Hans Gude, e Harriet Backer, outra pioneira entre as artistas femininas, influenciada pelo Impressionismo. Frits Thaulow, um impressionista de Vestre Aker, foi influenciado pela cena artística em Paris, assim como Christian Krohg, um pintor realista, famoso por suas pinturas retratando prostitutas. De particular interesse está Edvard Munch, um pintor simbolista/expressionista que se tornou mundialmente famoso por sua obra O Grito, que se diz representar a ansiedade do homem moderno. Outras obras notáveis de Edvard Munch incluem A Menina Doente (1885), Madonna e Puberdade.
Arquitetura
Com florestas extensas, a Noruega tem há muito a tradição de utilizar a madeira em suas construções. Muitos dos edifícios modernos são erigidos em madeira, refletindo o forte apelo que este material continua a ter para designers e construtores noruegueses. Com a conversão da Noruega ao cristianismo há cerca de 1 000 anos, muitas igrejas cristãs foram construídas. A arquitetura em pedra foi utilizada para as estruturas mais importantes, começando com a construção da Catedral de Nidaros, em Trondheim. No início da Idade Média, igrejas de madeira foram construídas em todo o país. Algumas delas estão erigidas até hoje e representam a contribuição mais incomum da Noruega para a história da arquitetura. Um bom exemplo, a Igreja de madeira de Urnes, no interior de Fiorde de Sogn, está na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. Outro exemplo notável de arquitetura de madeira são os edifícios de Bryggen, em Bergen, também na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade, composto por uma fileira de estruturas de madeira altas e estreitas ao longo do cais.
Esporte
O esqui tem tradições no país. A Noruega se destaca nos Jogos Olímpicos de Inverno, já tendo sediado duas edições do evento, em 1952 e 1994. As competições anuais de Holmenkollen, com esqui de fundo e salto de esqui, e a corrida anual de Birkebeinerrennet, numa extensão de 58 km, são enormemente populares. Nos Jogos Olímpicos de Verão, até 2008 a Noruega conquistou 144 medalhas (54 de ouro), principalmente no iatismo e no tiro. Já nos Jogos de Inverno, até 2010 conquistou 303 medalhas (107 de ouro) — mais do que qualquer outro país — principalmente no esqui cross-country e na patinação de velocidade. A Noruega é um dos três únicos países do mundo (junto com a Áustria e Liechtenstein) que ganhou mais medalhas nos Jogos de Inverno do que nos Jogos de Verão.
Feriados
Os dias com restrições ao comércio, trabalho e eventos desportivos e outros são os da tabela que se segue.


