Fronda
A Fronda, ou as Frondas, foi uma série de guerras civis ocorridas na França entre 1648 e 1653 — concomitantemente à Guerra Franco-Espanhola (1635-1659), e alguns anos após a Guerra dos Trinta Anos — em que a monarquia se viu diante de uma série conflitos contrários a ela partindo de diversos segmentos da sociedade.
A palavra "Fronda" deriva do francês "fronde", que significa "funda" — apetrecho utilizado para atirar pedras estilhaçando as janelas dos apoiadores do Cardeal Mazarin caracterizando "a reação brutal da nobreza diante da política centralizadora do rei".
Geopolítica dos Bourbon
Dentro do contexto da Guerra Franco-Espanhola, a coroa francesa se viu na necessidade de arrecadar mais recursos. Fez isso por meio de impostos pouco aceitos pela população em geral. Um desses, foi um imposto sobre os produtos que entravam em Paris, local onde se iniciou os levantes, do qual sofria de sérios problemas relacionados à escassez, doenças e mortes anteriores ao início dos conflitos. Os impostos, que inicialmente haviam sido instituídos temporariamente, tornaram-se permanentes a partir de um decreto do governo francês, sendo este o estopim das revoltas civis. O país se encontrava em situação difícil devido aos problemas internos e externos que enfrentava, o que se agravava com a continuidade da guerra contra a Espanha. Esse cenário de instabilidade e crise foi que movimentou e fortaleceu a oposição em formação à monarquia.
A primeira parte do conflito ocorreu contra os parlamentares franceses. Em uma França endividada e sem recursos, Mazarin se viu obrigado a aumentar os impostos, a fim de evitar uma crise ainda maior. Mazarin buscou, através de sua posição no reino, manipular o Parlamento francês para a aceitação das novas taxas, o que não foi muito bem aceito. O conflito entre Mazarin e o Parlamento aumentou a partir do momento que um imposto temporário sobre os bens que entravam em Paris foi decretado como permanente, em 1647. A partir daí o movimento contrário às ações de Mazarin aumentou. Mazarin pressionou o Parlamento a aceitar os novos impostos, em janeiro de 1648, ameaçando a renovação da Paulette, um imposto que redirecionava o dinheiro arrecadado pela coroa para aos escritórios de finanças do Parlamento, o que gerou mais revolta. As revoltas reivindicavam a recusa do pagamento dos impostos nas províncias. O Parlamentou em si não era radical, mas as ações da coroa através de Mazarin provocou o Parlamento, o que obrigou os mesmos a levantar-se em defesa de seus direitos institucionais que Mazarin estaria passando por cima ao tomar decisões passando por cima do Parlamento.
Essa Fronda envolveu nobres de alto prestígio e teve mais confrontos militares do que a anterior. Contudo, também foi derrotada. Este conflito se deu pela luta e disputa do poder e controle por parte da alta nobreza envolvida. Personagens como Gastão, o Duque de Orleães, Luís II, O Principe de Condé, Armando, o Príncipe de Conti, Frederico o Duque de Bulhão e Henri de La Tour tiveram participação importante para o início e construção do conflito. Gastão, o Duque de Orleãs e o Principe de Condé, por exemplo, não escondiam a oposição a Mazarin. Afirmavam suas reivindicações em relação ao direito em participação em determinados assuntos reino. Esses conflitos foram reflexo do processo de transformação que a nobreza sofreu, que passou de independente, detentora de privilégios para uma nobreza de corte, uma hierarquia social que favorecia o rei, o que com o tempo criou resistências por parte dessa nobreza.
Desde o seu início, pode-se notar que da Fronda resultou consequências materiais, sociais e políticas. No ano de 1649, de fevereiro à março, Paris enfrentou uma sequência de saques, cobranças de taxas, destruições irreparáveis, baixa nas colheitas, aumento da taxa de mortalidade da população e uma miséria que assolava a região parisiense. Porém, a intensidade das consequências de guerra se deu de forma ainda mais catastrófica no ano de 1651 e 1652, com as epidemias geradas pela falta de estrutura de guerra e a crise de mantimentos. A colheita de 1651 foi pobre, sucedendo outros anos ruins. As circunstâncias eram, portanto, favoráveis ao aumento na mortalidade e uma queda nos nascimentos em 1652. Esta guerra fez a epidemia eclodir em uma região que já sofria de desnutrição, e encontrou um ambiente favorável para sua extensão, consequências sentidas até os anos de 1660, ano em que a população de Paris atingia redução de cinquenta por cento. No campo político, a Fronda teria causado um impacto profundo na maneira de governar do Rei Luís XIV, pois o rei absolutista teve sua educação aplicada por Mazarin, quando era apenas uma criança. Após a morte de Mazarin em 1661 Luís XIV passou a controlar sozinho o reinado já aos 23 anos de idade. Dissolveu os conselhos e criou ministérios que controlava pessoalmente.As relações passam a ser de cautela, o levando a manter um exército, suprimindo rapidamente revoltas internas e sobretudo priorizando a ordem.
O episódio da Fronda é repleto de debates e visões históricas diversificadas acerca das causas que teriam levado ao motim. Alguns historiadores foram importantes em suas determinadas épocas para abrir portas para os estudos sobre a Fronda em direções opostas e visões diferentes desse momento. Richard Bonney, historiador inglês, no quinto capítulo de sua obra Society and government in France under Richelieu and Mazarin, cita dois autores discordantes no que diz respeito às motivações e o fim da Fronda: Boris Porchnev e Roland Mousnier. O primeiro, um marxista soviético, acredita que o conflito corresponde a uma revolta das massas contra as classes dominantes, sem sucesso pela ausência de uma consciência de classe. O segundo, um francês, crítico da Escola dos Annales e das visões marxistas, afirma que a revolta ressoava não apenas nos súditos menos poderosos, mas também nos nobres e argumenta que a consciência de classe não importaria para a sociedade francesa da Idade Moderna. Para ele, o conflito era marcado por uma oposição à política fiscal, e não à monarquia.


