Gazeta do Povo
A Gazeta do Povo é um jornal semanal com sede em Curitiba, no estado do Paraná. O periódico deixou de circular diariamente no formato impresso em 2017, mantendo suas notícias diárias no formato digital. É considerado o maior e mais antigo jornal no estado, sendo publicado pela Editora Gazeta do Povo S.A., pertencente ao Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM).
Foi fundado pelo paraibano Benjamin Lins e o alagoano Oscar Joseph de Plácido e Silva, em 03 de fevereiro de 1919, quando o jornal estreou nas ruas da cidade de Curitiba, bem como em outras cidades da região. Em 1962, o jornal foi comprado pelos sócios Francisco Cunha Pereira Filho e Edmundo Lemanski, transformando o periódico numa das principais empresas do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM). Em 01 de dezembro de 2015, houve a primeira transformação na forma do periódico. Anteriormente era impresso no formato Standard. Naquela data passou a ser impresso no formato Berliner, com no máximo 48 páginas, reduzindo assim a quantidade de conteúdo e de cadernos. Os suplementos passaram a ser veiculados em outras publicações, na forma de revistas. Aos finais de semana, o jornal passou a ser impresso numa edição única, com 88 páginas. Em 01 de junho de 2017, ocorreu nova transformação editorial e física do jornal, quando passou a ser impresso e vendido no formato revista com a circulação semanal, ou seja, no dia 31 de maio deste ano, foi a última edição no formato jornal e de circulação diária.
"Monitor da Doutrinação"
Em 2017, o portal criou o "Monitor da Doutrinação", que incentivava leitores a enviarem vídeos em que professores supostamente apareceriam "doutrinando" alunos com "ideias de esquerda". O monitor durou quatro dias, sendo retirado do ar devido a fortes protestos de diversos profissionais. Em análise sobre a criação do portal e o rumo em que o jornal tomou, o Departamento de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), ao também observar a tentativa de censura com o lançamento do "Monitor da Doutrinação", publicou: "Ao implantar um monitor dessa natureza, demonstra a que ponto o jornal chegou para expor suas posições políticas e editoriais retrógradas, remissivas à vigilância e à perseguição política que se incrustam em várias práticas institucionais do estado e do país. Além da gravidade política dessa iniciativa, a prática revela que há muito esse jornal abdicou do jornalismo. A Gazeta do Povo, que já teve reportagens e repórteres entre os melhores do país, hoje é um arremedo de jornal. Impresso semanalmente, com veiculação digital, aposta majoritariamente na política de "caça cliques", com textos sensacionalistas, hospedagens de muitos blogues conservadores e editoriais reacionários. Demitiu grande parte de seus jornalistas para novas contratações, sob a forma precarizada. Fechou parque gráfico e redação, já reduzida nos últimos meses. A empresa está na contramão de todas as iniciativas de jornalismo que hoje alcançam sucesso no mundo. Isso acontece porque a Gazeta do Povo acabou com seu principal produto: o jornalismo crítico, de qualidade e com credibilidade."
Inclusão errônea em CPMI
Em junho de 2020, foi incluído pela CPMI das Fake News como veículo de notícias falsas, mas logo a seguir, foi removido da lista dos 47 supostos propagadores de notícias falsas que a comissão parlamentar elaborou, quando reconhecido um equívoco por parte de consultores parlamentares.
Postagem do Twitter removida por ordem da justiça
Durante a eleição presidencial no Brasil em 2022, acatando a pedido do Partido dos Trabalhadores (PT), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigiu que uma postagem no Twitter do jornal fosse removida, sob a justificativa de conter "informação evidentemente inverídica e prejudicial à honra e à imagem de candidato ao cargo de presidente da República nas eleições 2022". A postagem tratava de suposto apoio do candidato Luiz Inácio Lula da Silva ao ditador nicaraguense Daniel Ortega. A decisão foi criticada pela Associação Nacional de Jornais e outras entidades.
Acusações de promoção de desinformação
Segundo o Coletivo Bereia, a Gazeta do Povo teria veiculado diversos conteúdos desinformativos. De todas as 418 checagens realizadas pelo coletivo, no período de 2019 a 2023, 33 do total (mais de 7%) se deram contra o jornal.
Imagem: CristianWikip · BY-SA · Openverse
Esso
Em 2004 ganhou o Esso Regional Sul, concedido na Mauri König e Franco Iacomini, pela reportagem "Devorados pela Miséria". Na noite de 17 de novembro de 2010, os jornalistas Katia Brembatti, Karlos Kohlbach, James Alberti e Gabriel Tabatcheik, da equipe de redação da G.P. receberam o Prêmio Esso de Jornalismo 2010 pelo trabalho "Diários Secretos", prêmio esse, inédito no jornalismo paranaense.
Prêmio Vladimir Herzog
A matéria intitulada "Império das Cinzas", produzida pelos jornalistas Mauri König, Diego Antonelli e Albari Rosa, e publicada em março de 2014, foi finalista da edição de 2015 do prêmio "Global Shining Light Award". O prêmio é organizado pela Global Investigative Journalism Network (GIJN), uma associação de 118 organizações não governamentais (ONGs), de 54 países. Em 2016, ganhou o prêmio de Liberdade de Imprensa da Associação Nacional de Jornais (ANJ).


