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Giordano Bruno

Giordano Bruno (Italiano: [dʒorˈdaːno ˈbruːno]; em latim: Iordanus Brunus Nolanus; nascido Filippo Bruno, foi um teólogo, filósofo, escritor, matemático, poeta, teórico de cosmologia, ocultista hermético e frade dominicano italiano condenado à morte na fogueira pela Inquisição romana com a acusação de heresia ao defender alegações consideradas erros teológicos. É também referido como Bruno de Nola ou Nolano. É considerado por alguns como um mártir da igreja dos tempos de então, tendo contribuído para avanços significativos do conhecimento do seu tempo. Ele é conhecido por suas teorias cosmológicas, que conceitualmente estenderam o então novo modelo copernicano. Ele propôs que as estrelas fossem sóis distantes cercados por seus próprios planetas e levantou a possibilidade de que esses planetas criassem vida neles próprios, uma posição filosófica conhecida como pluralismo cósmico. Ele também insistiu que o universo é infinito e não poderia ter "centro". Ele também é conhecido por ser um dos principais expoentes do Panteísmo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Origem e formação

Filho do militar Giovanni Bruno e Fraulissa Savolino, seu nome de batismo era Filippo Bruno. Adotou o nome de Giordano quando ingressou na Ordem Dominicana, aos 15 anos de idade. No seminário, estudou Aristóteles e Tomás de Aquino, predominantes na doutrina católica da época, doutorando-se em Teologia. Suas ideias particulares, porém, suscitaram suspeitas por parte da hierarquia da Igreja. Em 1576 foi acusado de heresia e levado a Roma para ser julgado. Poucos meses depois, abandonou o hábito e em 1579 deixou a Itália. Iniciou-se, então, o período de peregrinação de sua vida. Em Gênova, ainda em 1579, aparentemente, adotou o calvinismo, o que negaria mais tarde, ao ser julgado em Veneza. Acabou sendo excomungado pelos calvinistas e expulso de Gênova. Viajou sucessivamente para França (Toulouse, Paris), Suíça e Inglaterra. Em Londres, onde permaneceu de 1583 a 1585, esteve sob a proteção do embaixador francês, e frequentou o círculo de amigos do poeta inglês Philip Sidney. Em 1585, Bruno retornou a Paris, indo em seguida para Marburgo, Wittenberg, Praga, Helmstedt e Frankfurt, onde conseguiu publicar vários de seus escritos.

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Prisão, julgamento e execução

Em Roma, o julgamento de Bruno durou oito anos, durante os quais ele foi preso, por último, na Torre de Nola. Alguns documentos importantes sobre o julgamento estão perdidos, mas outros foram preservados e entre eles um resumo do processo, que foi redescoberto em 1999. As numerosas acusações contra Bruno, com base em alguns de seus livros, bem como em relatos de testemunhas, incluíam blasfêmia, conduta imoral e heresia em matéria de teologia dogmática e envolvia algumas das doutrinas básicas da sua filosofia e cosmologia. Luigi Firpo lista estas acusações feitas contra Bruno pelo tribunal local: Giovanni Mocenigo (1558-1623), membro de uma das mais ilustres famílias venezianas, encontrou Bruno em Frankfurt em 1590 e convidou-o para ir a Veneza, a pretexto de lhe ensinar mnemotécnica, a arte de desenvolver a memória, em que Bruno era perito. Segundo Will Durant Bruno estava havia muitos anos na lista dos procurados pela Inquisição, ansiosa por prendê-lo por suas doutrinas subversivas, mas Veneza gozava da fama de proteger tais foragidos, e o filósofo sentiu-se encorajado a cruzar os Alpes e regressar. Como Mocenigo quisesse usar as artes da memória com fins comerciais, segundo alguns, ou esperasse obter de Bruno ensinamentos de ocultismo para aumentar seu poder, prejudicar seus concorrentes e inimigos, segundo outros, Bruno se negou a ensiná-lo. Segundo Durant, Mocenigo, católico piedoso, assustava-se com "as heresias que o loquaz e incauto filósofo lhe expunha", e perguntou a seu confessor se devia denunciar Bruno à Inquisição. O sacerdote recomendou-lhe esperar e reunir provas, no que Mocenigo assentiu; mas quando Bruno anunciou seu desejo de regressar a Frankfurt, o nobre denunciou-o ao Santo Ofício. Mocenigo trancou-o num quarto e chamou os agentes da Inquisição para levarem-no preso, acusado de heresia. Bruno foi transferido para o cárcere do Santo Ofício de San Domenico de Castello, no dia 23 de maio de 1592.

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Ideário

Foi trágico o desfecho do processo contra Giordano Bruno (século XVI), acusado de panteísmo e queimado vivo por defender com exaltação poética a doutrina da infinitude do Universo e por concebê-lo não como um sistema rígido de seres, articulados em uma ordem dada desde a eternidade, mas como um conjunto que se transforma continuamente. Um dos pontos chave de sua cosmologia é a tese do universo infinito e povoado por uma infinidade de estrelas, como o Sol, e por outros planetas, nos quais, assim como na Terra, existiria vida inteligente. Sua perspectiva se define a partir das ideias do cardeal Nicolau da Cusa, de Copérnico e de Giovanni Battista della Porta. Bruno é às vezes citado como o primeiro a propor que o universo é infinito, o que ele fez durante seu tempo na Inglaterra, mas um cientista inglês, Thomas Digges, apresentou essa ideia em um trabalho publicado em 1576, cerca de oito anos antes de Bruno, e também filósofos da antiguidade clássica como Arquitas e Lucrécio. Um universo infinito e a possibilidade de vida alienígena também já haviam sido sugeridos pelo cardeal católico Nicolau de Cusa em "Sobre a Douta Ignorância", publicado em 1440.

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Filosofia

Giordano Bruno foi o grande defensor da ideia de infinito. Bruno era hilozoísta (pensava que tudo tem vida) e panpsiquista (pensava que tudo tem uma natureza psíquica, uma alma).

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Visões retrospectivas de Bruno

Posição tardia do Vaticano

O Vaticano publicou poucas declarações oficiais sobre o julgamento e execução de Bruno. Em 1942, o cardeal Giovanni Mercati, que descobriu vários documentos perdidos relacionados ao julgamento de Bruno, afirmou que a Igreja estava perfeitamente justificada em condená-lo. No 400º aniversário da morte de Bruno, em 2000, o cardeal Angelo Sodano declarou a morte de Bruno como um "episódio triste", mas, apesar de seu pesar, defendeu os promotores de Bruno, afirmando que os inquisidores "tinham o desejo de servir à liberdade e promover o bem comum e fizeram todo o possível para salvar sua vida". No mesmo ano, o papa João Paulo II fez um pedido de desculpas geral pelo "uso da violência que alguns cometeram a serviço da verdade".

Um mártir para a ciência

Alguns autores caracterizaram Bruno como um "mártir da ciência", sugerindo paralelos com o caso Galileu, que começou por volta de 1610. "Não deve ser suposto", escreve A. M. Paterson, de Bruno, e seu "sistema solar heliocêntrico", que ele "alcançou suas conclusões através de alguma revelação mística....Seu trabalho é uma parte essencial dos desenvolvimentos científicos e filosóficos que ele iniciou". Paterson repete Hegel ao escrever que Bruno "introduz uma moderna teoria do conhecimento que compreende todas as coisas naturais do universo a serem conhecidas pela mente humana através da estrutura dialética da mente". Ingegno escreve que Bruno adotou a filosofia de Lucrécio, "destinada a libertar o homem do medo da morte e dos deuses". Os personagens do livro Causa, Princípio e Unidade de Bruno desejam "melhorar a ciência especulativa e o conhecimento das coisas naturais" e alcançar uma filosofia "que produza a perfeição do intelecto humano de maneira mais fácil, eminente e mais próxima da verdade da natureza".

Heresia teológica

Em suas Palestras sobre a História da Filosofia, Hegel escreve que a vida de Bruno representava "uma rejeição ousada de todas as crenças católicas baseadas na mera autoridade". Alfonso Ingegno afirma que a filosofia de Bruno "desafia os desenvolvimentos da Reforma, põe em questão o valor da verdade de todo o cristianismo e afirma que Cristo perpetrou um engano na humanidade... Bruno sugere que agora podemos reconhecer a lei universal que controla o devir perpétuo de todas as coisas em um universo infinito". A. M. Paterson diz que, embora não tenhamos mais uma cópia da condenação papal oficial de Bruno, suas heresias incluíam "a doutrina do universo infinito e dos inúmeros mundos" e suas crenças "sobre o movimento da terra".

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