Kublai Khan
Kublai Khan ou Cublai Cã foi o quinto grão-cã do Império Mongol, de 1260 a 1294, além de ser o primeiro imperador e fundador da dinastia Yuan na China, que dominou grande parte da Ásia Oriental. Como segundo filho de Tolui e Sorcaquetani, e neto de Gengis Khan, reclamou para si o título de grão-cã do Império Mongol em 1260, após a morte de seu irmão mais velho, Mangu Khan, no ano anterior, embora seu irmão mais novo, Arigue Buga, também tivesse recebido este título na capital mongol de Caracórum. Eventualmente saiu vitorioso da disputa contra Arigue Buga, em 1264, e a guerra de sucessão que se seguiu essencialmente marcou o início da fragmentação do império. O poder real de Kublai ficou limitado à China e à Mongólia após a vitória sobre Arigue Buga, embora sua influência ainda tenha permanecido grande no Ilcanato e, em menor escala, na Horda Dourada, as regiões ocidentais do Império Mongol. Seu reino se estendeu do Oceano Pacífico até os Urais, e da Sibéria até o Afeganistão - mais da metade do atual continente asiático.
Kublai, nascido em 23 de setembro de 1215, foi o segundo filho de Tolui e Sorcaquetani; seguindo conselho de seu avô, Gengis Khan, sua mãe, Sorcaquetani, escolheu como ama de seu filho, uma mulher tangute budista que posteriormente foi muito homenageada por Kublai. Ao retornar para sua terra natal, após a conquista do Império Corásmio, Gengis Khan executou a cerimônia da primeira caça com seus netos Mangu e Kublai, em 1224, próximo ao rio Ili. Kublai tinha então nove anos de idade, e, juntamente com seu irmão mais velho, tinha matado um coelho e um antílope. Seu avô passou gordura dos animais mortos sobre o dedo médio de Kublai, segundo a tradição mongol. Em 1236, após a Guerra Mongol-Jim, Oguedai concedeu a província de Hebei (juntamente com seus 80 mil domicílios) à família de Tolui, que morrera em 1232. Kublai recebeu um território próprio, com 10 mil residências. Por sua falta de experiência, concedeu às autoridades locais liberdade total; a corrupção entre seus funcionários e uma política agressiva de impostos provocou a fuga de grandes números de camponeses chineses, o que levou a uma queda na arrecadação fiscal. Kublai rapidamente retornou a Hebei e ordenou diversas reformas. Sorcaquetani despachou novos funcionários para auxiliá-la, e as leis fiscais foram revistas. Graças a estes esforços, as pessoas começaram a retornar para seus lares.
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Em 1251, seu irmão mais velho, Mangu Khan, tornou-se cã do Império Mongol, e Kublai, juntamente com o corásmio Mamude Ialavache, foi enviado à China. Lá, recebeu o cargo de vice-rei do norte do país, e transferiu seu ordo (palácio) para a região central da Mongólia Interior. Durante seus anos no cargo, Kublai administrou habilmente seu território, impulsionando a agricultura de Honã e aumentando os gastos em serviços sociais, após receber Xian. Estas atitudes lhe trouxeram grande aprovação dos senhores de guerra chineses, e foram essenciais na formação da dinastia Yuan. Em 1252, Kublai criticou Mamude Ialavache, que nunca havia sido visto favoravelmente pelos seus companheiros chineses, pela execução de alguns suspeitos que ele tinha detido; Zhao Bi também o atacou por sua suposta atitude de presunção com o imperador. Contando ainda com a resistência dos altos funcionários chineses, treinados no confucionismo, a Ialavache, Mangu acabou por demiti-lo.
O ministro da dinastia Song, Jia Sidao, abordou Kublai com uma proposta secreta, oferecendo o pagamento de um tributo anual de 200 mil taels de prata e 200 mil peças de seda, em troca dos mongóis definirem o rio Azul como a fronteira entre as duas nações. Kublai a princípio recusou a proposta, porém acabou chegando a um acordo de paz com Jia Sidao, recuando rumo ao norte, até as planícies da Mongólia, após receber uma mensagem de sua esposa que lhe dizia que seu irmão mais novo, Arigue Buga, estava juntando suas tropas. Logo recebeu a notícia de que Buga havia realizado um curultai (assembleia de líderes) na capital imperial mongol de Caracórum, onde foi nomeado grão-cã pelos antigos ministros de Mangu. A maioria dos descendentes de Gengis Khan apoiava Arigue Buga para o cargo; seus dois irmãos, no entanto, Kublai e Hulegu, se opunham. Os funcionários chineses de Kublai o encorajaram a assumir o trono, e virtualmente todos os principais príncipes do norte da China e da Manchúria anunciaram o seu apoio a ele. Ao retornar para seus territórios, Kublai convocou seu próprio curultai. Somente um pequeno número de pessoas do Borjiguim, a família real de Gengis Khan, apoiava as ambições de Kublai ao trono; ainda assim, o pequeno número de indivíduos que compareceu à reunião, incluindo representantes de todas as linhagens dos Borjiguim (exceto a de Jochi), proclamou-o grão-cã em 15 de abril de 1260.
grão-cã do Império Mongol
As mortes em condições suspeitas de três príncipes de Jochi a serviço de Hulegu, o saque de Bagdá, e a distribuição desigual dos butins de guerra desgastaram as relações do Ilcanato com a Horda Dourada. Em 1262, após Hulegu aniquilar totalmente as tropas de Jochi e declarar seu apoio a Kublai no conflito com Arigue Buga deu início à guerra declarada contra a Horda Dourada. O grão-cã Kublai reforçou Hulegu com 30 mil jovens mongóis, visando estabilizar as crises políticas que assolavam as regiões ocidentais do Império Mongol. Assim que Hulegu morreu, em 8 de fevereiro de 1264, Berque iniciou uma marcha rumo a Tiflis, para conquistar o Ilcanato, porém morreu no caminho. Poucos meses depois destas mortes, Algu Khan, do Canato de Chagatai, também morreu. Na nova versão oficial da história da família, Kublai Khan recusou-se a escrever o nome de Berque como cã da Horda Dourada, devido a seu apoio a Arigue Buga e às guerras contra Hulegu; a família de Jochi, no entanto, foi reconhecida integralmente como legítimos membros da família.
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Kublai obteve seu poder sobre a China primeiramente graças às suas conquistas à frente do exército mongol. Seus hábitos e sua apreciação pela cultura chinesa inicialmente facilitaram o controle sobre o povo conquistado, embora os Songs (que denominavam-se como os "verdadeiros chineses") considerassem o seu domínio um desastre para sua civilização. Em 1260, com sua posição consolidada no norte, ordenou a construção de sua nova capital, Dadu, sobre as ruínas da antiga cidade de Zhengdu (destruída por Genghis), nos arredores da atual Pequim. A conquista do sul, porém, foi mais demorada, pois os cavaleiros mongóis encontravam dificuldades em operar nas plantações de arroz contra um inimigo mais numeroso e tecnologicamente mais avançado. Com apoio de novas hordas das estepes e breves alianças com reinos ao sul da China (persuadidos pela fama terrível dos mongóis), os Songs foram finalmente derrotados, e a China inteira viu seu primeiro governante estrangeiro desde sua unificação no século III a.C..
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A pressão interna na China, provocada pelo descontentamento dos chineses conquistados, forçou Kublai a procurar em novas conquistas um artifício para desviar sua atenção dos problemas econômicos e expandir sua esfera de influência. Para tanto, empreendeu contínuas campanhas ao sul contra os reinos menores de Champa, Khmer, Java, Birmânia, entre outros. Entretanto, a força da cavalaria mongol, ágil em campo aberto, era quase inútil nas florestas densas das regiões tropicais, causando derrotas embaraçosas contra exércitos mal equipados e menos numerosos. Kublai olhava para o Japão como uma possível fonte de riquezas, e os japoneses como um povo atrasado, fácil de ser conquistado. Em 1274, Kublai lançou ao mar uma numerosa esquadra de navios chineses e arqueiros mongóis, mas a missão foi um fracasso devido a um tufão que se abateu sobre o Mar do Japão, que os japoneses chamariam de Kamikaze, "Vento Divino", pois os livrara de uma invasão que poderia ter posto seu país sob controle mongol. O tufão também proporcionou ao Japão tempo para a construção de suas defesas. Em 1281, Kublai lançou mais um ataque, e desta vez a marinha japonesa encarregou-se de derrotar os invasores, escravizando e matando milhares de mongóis.
Apesar das desventuras, Kublai ficaria conhecido por feitos notáveis, como a reabertura e reforma das rotas comerciais em direção à China e das vias de comunicação internas (um eficiente sistema de correios, no modelo do antigo Império Aquemênida, com estalagens posicionadas a um dia de cavalgada umas das outras, e milhares de cavalos descansados à disposição dos mensageiros), além da própria reunificação do Império, dividido entre os Jins e os Songs havia mais de três séculos. A tomada do poder por Kublai em 1260 empurrou o Império Mongol para uma nova direção. Apesar da controvérsia em torno de sua adesão, que acelerou a desunião dos mongóis, a disposição de Kublai de formalizar a identificação do reino governado pelos mongóis como China trouxe o Império Mongol à atenção internacional. As conquistas de Kublai e seus antecessores foram as grandes responsáveis por recriar uma China unificada e militarmente poderosa. O domínio Yuan do Tibete, Manchúria e Mongólia a partir de uma capital na atual Pequim estabeleceu um precedente para a expansão da dinastia Qing na Ásia Interior.
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Kublai Khan foi um personagem da obra As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, assim como Marco Polo. Igualmente com Marco Polo, foi um personagem com grande participação nos sete episódios do quarto arco Marco Polo da primeira temporada da série de ficção científica Doctor Who. A história foi transmitida originalmente em sete semanas, entre 22 de fevereiro e 4 de abril de 1964 na BBC TV. Apesar de existirem gravações de áudio e ainda fotografias da história, nenhum arquivo deste arco é conhecido por ter sobrevivido. Também é mencionado na animação japonesa Os Cavaleiros do Zodíaco de Masami Kurumada que fez sucesso nos anos 90 e na série "Marco Polo" da Netflix lançada em 2014. Também é um dos protagonistas do seriado de televisão Marco Polo. Kublai também foi citado na música "Xanadu" do grupo canadense Rush. "To stand within the pleasure dome decreed by Kublai Khan". É retratado como pano de fundo da trama do jogo Uncharted 2: Among Thieves, da Naughty Dog.


