Fertilização in vitro
A fertilização in vitro (FIV) é uma técnica de reprodução medicamente assistida que consiste na união do espermatozoide com o ovócito em ambiente laboratorial. Pode ser realizada pela deposição de um número significativo de espermatozóides, 50 a 100 mil, ao redor dos ovócitos ; ou pela inserção de um único espermatozoide no interior do ovócito (ICSI) - procurando obter embriões de boa qualidade que poderão ser congelados ou transferidos para a cavidade uterina.
A fertilização in vitro (FIV) é um dos tratamentos que compõem o grupo de tecnologias de reprodução assistida. Ela consiste em fecundar o óvulo fora do corpo, para somente depois que o embrião começar a se formar inseri-lo no útero, a fim de implantar-se e acontecer a gravidez. Trata-se do tratamento mais completo em reprodução assistida, e que oferece boas chances de sucesso, sendo em média de 45%. Porém, esse número varia de acordo com a idade da mulher. É um método bastante difundido porque possui um bom custo-efetividade para quem deseja constituir família ou ter mais um filho, e não consegue por vias naturais. Isso em comparação com outros métodos de reprodução assistida.
Indicação da Fertilização in Vitro
Para os tratamentos de reprodução assistida, antes de fazer a indicação de um deles o casal é instruído a tentar outras alternativas para conseguir a gravidez por vias naturais. O acompanhamento de um ou mais profissionais pode ajudar nessa tentativa. A FIV é indicada em casos de infertilidade feminina, masculina ou sem causa aparente, além de ser uma alternativa viável para casais homoafetivos e mães solo, conforme as normas do Conselho Federal de Medicina. São realizados exames tanto na mulher como no homem, também indicados medicamentos, mudanças de hábitos e até mesmo cirurgias quando preciso. E ainda é recomendado tentar o coito programado e também a inseminação artificial.
Procedimento
O tratamento de fertilização in vitro não é demorado. Todo o processo dura em média 20 dias, mas é preciso monitoramento frequente, com diversas visitas à clínica para que cada etapa ocorra no tempo ideal. Para desenvolver o embrião podem ser utilizados os óvulos da mulher ou de uma doadora, assim como espermatozoide do seu parceiro ou de um doador. Isso é definido para cada caso se não houver a possibilidade de que sejam utilizadas as células do casal. As etapas da FIV se dividem em estimulação ovarina, captação dos óvulos e espermatozoides, fecundação dos óvulos e transferência de embriões.
Estimulação ovariana
A primeira etapa da fertilização in vitro consiste em estimular o organismo da mulher a liberar um grande número de óvulos. Para isso ela recebe o hormônio FSH, a fim de estimular o crescimento dos folículos ovarianos. Esse mesmo hormônio é utilizado para a inseminação artificial, porém, na FIV sua dose é mais alta para que se possa obter um maior número de óvulos. E depois disso, a mulher precisa ser acompanhada quase todos os dias pelo médico. Isso porque é fundamental que se observe o crescimento folicular para que, assim que ele atinja o tamanho adequado, possa ser administrado mais um hormônio, agora o hCG. Ele estimula a maturação das células e induz a ovulação, ou seja, a liberação dos óvulos. Os protocolos clínicos atuais estimam que a estimulação ovariana dure entre 10 e 14 dias, dependendo da resposta individual de cada paciente. O uso de hormônios durante essa deve ser monitorado por ultrassonografias seriadas para determinar o momento ideal da coleta dos óvulos.
A FIV é considerada um procedimento seguro, mas pode causar efeitos leves, como desconforto abdominal e inchaço devido à estimulação hormonal. A síndrome da hiperestimulação ovariana ocorre em cerca de 2% dos casos e é, na maioria das vezes, autolimitada. As taxas médias de sucesso variam entre 45% e 60% por ciclo, dependendo da idade da paciente, da qualidade embrionária e da resposta ao tratamento.
De acordo com relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é um dos países com maior número de ciclos de reprodução assistida realizados na América Latina. O país é protagonista nesse campo, com 43.956 ciclos registrados em 2019. Outro levantamento indica que o Brasil concentra 41,9% das pessoas nascidas por técnicas de reprodução assistida em toda a América Latina.
A ausência de espermatozoides na relação entre mulheres torna a fertilização in vitro com sêmen de doador anônimo a principal via de acesso à parentalidade para casais femininos. Nesse modelo, os óvulos de uma ou de ambas as parceiras podem ser utilizados, sendo fecundados em laboratório com sêmen proveniente de banco credenciado, conforme exigido pela Resolução CFM nº 2.320/2022. Uma prática crescente no Brasil é a chamada FIV recíproca (ou gestação compartilhada): os óvulos de uma das parceiras são fecundados e o embrião resultante é transferido ao útero da outra, permitindo que ambas participem biologicamente da gestação e estabelecendo um vínculo mais simétrico com a maternidade. Para casais masculinos, a concepção exige necessariamente a combinação de doação anônima de óvulos com útero de substituição. Conforme as normas do CFM, a gestante substituta deve ser parente até o quarto grau de consanguinidade de um dos parceiros, sem qualquer remuneração envolvida. Em situações excepcionais, mediante processo fundamentado junto ao Conselho Regional de Medicina, é possível o uso de útero de não parente. O material genético masculino pode ser de um dos parceiros do casal.
A fertilização in vitro quando usada em bovinos tende a acelerar o melhoramento genético em propriedades leiteiras em cerca de 10 anos de seleção, permitindo rápidos saltos na produção e na qualidade do leite. Ao realizar a compra de um embrião provido de FIV (fertilização in vitro) o proprietário terá a certeza de que ele estará adquirindo um animal de alta qualidade genética, que irá repor o investimento já na primeira lactação dessa bezerra. Na FIV, oócitos (células sexuais femininas) aspirados dos folículos ovarianos de uma vaca são fecundados, em laboratório, por espermatozoides contidos no sêmen de um touro. Os embriões originados desse processo são transferidos a uma fêmea receptora. Por essa técnica, uma fêmea pode produzir, em média, 10 embriões, considerando-se a taxa de 50% de sucesso na fecundação. Permitindo que uma doadora de genética comprovada possa deixar mais descendentes por ano.
A informação seguinte baseia-se em 1 000 000 de pessoas. A Espanha, a República Checa, a Grécia, o Norte de Chipre, Portugal, a Letónia, a Dinamarca, a Polónia, o México e os Barbados são conhecidos como os melhores países para a realização de tratamentos de fertilização in vitro.


