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Indeterminismo

O indeterminismo refere-se a uma concepção filosófica segundo a qual alguns acontecimentos não têm causas ou que têm causas não-lineares: limitam-se a acontecer e nada há no estado prévio do mundo que os explique. Corresponde assim, em stricto sensu à uma quebra da causalidade. Segundo algumas interpretações da mecânica quântica, entre elas a mais aceita, a interpretação de Copenhagen, vários dos acontecimentos quânticos teriam esta propriedade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
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Notas históricas

Imagem: Ancelmo Luiz Graceli · BY-SA · Openverse

Leucipo, um filósofo de Mileto, no século V a.C. já tinha a teoria de que os átomos moviam-se de forma aleatória, ao acaso. Esta tese está localizado em um fragmento da coleção de Hermann Diels, publicado pela primeira vez em "Doxographi Graeci" no 1879 (289) e mais tarde (com Walter Kranz) em "Die Fragmente der Vorsokratiker" do 1903 (67 A 24. Ele lê, no original grego e traduzido para o português: A indeterminação dos átomos também foi retomado mais tarde (século IV a.C.) por Epicuro. Ele teorizou que o movimento dos átomos acontecer a cair acaso, de um desvio em relação à vertical, ou seja, em um ângulo de movimento que ele chamou de "parenklisis”. A palavra foi traduzida por Lucrécio em seu De Rerum Natura com a palavra latina clinâmen.

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Indeterminismo em fisica

Imagem: Ancelmo Luiz Graceli · BY-SA · Openverse

O indeterminismo em física é associado à estruturas e processos (sequências de fenômenos) que não são determinados por causas lineares, mas não-lineares, que negam todo recurso a mecanismos antecedentes. Uma estrutura com aleatoriedade objetiva, indeterminista, é impossível de descrever completamente, portanto, sobre ela não podemos construir modelos físicos determinados. Um processo com tal aleatoriedade objetiva tem comportamento impossível de ser previsto e controlado, e se o repetirmos experimentalmente a partir de seus estados iniciais e causas idênticas produzirá efeitos diferentes que são determinados de um modo totalmente ao azar (aqui, podemos usá-lo como um sinônimo de acaso). Hoje, sabemos que a Natureza não é, ao menos antropicamente, totalmente determinada. Nos fenômenos microscópicos do mundo subatômico, a situação é particular e específica, e aí imperam estados de comportamento que aos olhos do senso comum clássico seriam classificados como bizarros e que regem-se pelo acaso. São fenómenos aleatórios objetivos, como o pulo de um eléctron de um nível energético a outro, sem passar por estados definidos intermediários e sem existir nenhuma causa determinando o instante do regresso ao menor nível de energia. A essência do debate faz-se em torno da natureza por trás dos estados coerentes emaranhados.

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Indeterminismo da complexidade

Imagem: Ancelmo Luiz Graceli · BY-SA · Openverse

Dois cientistas que receberam o Prêmio Nobel, o químico Ilya Prigogine e o físico Murray Gell-Mann, têm estudado o indeterminismo da matéria molecular complexa. O futuro, como nas estruturas dissipativas, não está determinado! E a razão, no fundo, desse "indeterminismo", é que esses sistemas nos quais os fenômenos aparecem não se explicam com base nas partículas individuais, mas nos conjuntos. A flecha do Tempo tem uma grande importância. Poderíamos dizer que as moléculas biológicas são moléculas que incorporaram o Tempo. Em situações de equilíbrio tudo é simples, estável e não há variação de entropia. Ocorre que processos irreversíveis, aos quais se aplica o segundo princípio da termodinâmica (a entropia do universo cresce na direção de um máximo) constituem a imensa maioria no universo. Longe do equilíbrio pode aparecer o instável e o complexo, mas surge também a possibilidade de formação de estruturas complexas e delicadas. As estruturas biológicas, a auto-organização, a vida só é possível longe do equilíbrio. Isso mostra que o "caos" assume um papel construtivo e é nesse sentido que Prigogine fala em generalização desse conceito (de caos).

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