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Irlanda

Irlanda e em inglês: Ireland [ˈaɪərlənd], localmente: [ˈaːɹlənd] ou [ˈaɪɹlənd]), por vezes chamada República da Irlanda ou então Eire, é um estado soberano da Europa que ocupa cerca de cinco sextos da ilha homônima. É uma república constitucional governada como uma democracia parlamentar, com um presidente eleito para servir como chefe de Estado. Considerada um país desenvolvido, a Irlanda tem o terceiro maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo, além de ótimas classificações em índices que medem o grau de democracia e liberdades como a de imprensa, econômica e política. Além da União Europeia (UE), a Irlanda também é membro do Conselho da Europa, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Sua capital é Dublin e a população do país é estimada em 5,3 milhões de habitantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Etimologia

O artigo 4.º da Constituição irlandesa, que foi adotada em 1937, declara que "o nome do estado é Éire, ou, no idioma inglês, Ireland". Para todos os fins oficiais, inclusive nos tratados internacionais e em outros documentos legais, onde a linguagem dos documentos é o inglês, o governo irlandês usa o nome Ireland. O mesmo é utilizado em relação ao nome Éire nos documentos escritos em gaélico. As Instituições da União Europeia seguem a mesma prática. Desde que a língua irlandesa se tornou uma das línguas oficiais da UE, em 1 de janeiro de 2007, o nome das chapas que identificam os membros representantes do Estado irlandês durante as reuniões da UE, têm escrito Éire — Ireland, tal como é feito nos passaportes irlandeses. Desde 1949, o Acto da República da Irlanda, tem o nome de República da Irlanda como designação oficial para o Estado. A lei destinava-se principalmente a declarar que a Irlanda era uma república em vez de uma monarquia constitucional. Previa-se a designação oficial passar a ser o seu nome oficial, mas isso não aconteceu. Em 1989, o Supremo Tribunal de Justiça irlandês rejeitou um mandado de extradição do uso de República da Irlanda. Nas palavras do Presidente do Tribunal, Sir Nicholas Walsh, "se os tribunais de outros países que procuram a ajuda deste país não estão dispostos a dar esse Estado constitucional, em corrigir o seu nome reconhecido internacionalmente, devem, em seguida, na minha opinião, os mandados serem devolvidos a esses países, até eles serem corrigidos".

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História

Pré-história e Idade Antiga

O primeiro assentamento conhecido na Irlanda surgiu por volta de 8000 a.C., quando os caçadores-coletores chegaram da Europa continental, provavelmente através de uma ponte terrestre. Os primeiros celtas chegaram por volta de 1600 a.C., data de fundação da Irlanda Céltica. Politicamente, os celtas dividiram a Irlanda em quatro províncias: Leinster, Munster, Ulster e Connacht. Antes de sua chegada, as unidades básicas da sociedade irlandesa eram os Tuatha, ou pequenos reinos, cada um dos quais era bastante pequeno, aproximadamente 150 tuathas para uma população de menos de 500 000 pessoas. Todo o território era governado por um monarca chamado Grande Rei da Irlanda.

Idade Média e Moderna

Em torno de 800, mais de um século de invasões viquingues trouxeram o caos sobre à cultura monástica e às várias dinastias regionais da ilha, no entanto ambas as instituições provaram-se fortes o suficiente para sobreviver e assimilar os invasores. A vinda de mercenários cambro-normandos sob o controle de Richard de Clare, apelidado de Strongbow, em 1169 marcou o início de mais de 700 anos de domínio inglês, e, mais tarde, britânico da Irlanda. Em 1177, o príncipe João Sem Terra foi feito Senhorio da Irlanda por seu pai Henrique II da Inglaterra, no Conselho de Oxford. A Coroa não tentou afirmar o controle total da ilha até o repúdio de Henrique VIII à autoridade papal sobre Igreja da Inglaterra e a subsequente Reforma Inglesa, que não vingou na Irlanda. Dúvidas sobre a lealdade dos vassalos irlandeses deram o impulso inicial para uma série de campanhas militares na Irlanda entre 1534 e 1691. Este período também foi marcado por uma política de plantação da Coroa que levou à chegada de milhares de colonos protestantes ingleses e escoceses e o consequente deslocamento do plantio dos então proprietários católicos. Como a derrota militar e política da Irlanda Gaélica tornou-se mais pronunciada no início do século XVII, o papel da religião como um novo elemento de divisão na Irlanda tornou-se mais evidente. A partir deste período, o conflito sectário se tornou um tema recorrente na história da Irlanda.

Século XIX

O parlamento irlandês foi dissolvido em 1801, na esteira da republicana Rebelião Irlandesa de 1798, e a Irlanda tornou-se parte integrante do novo Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda através do Ato de União. Embora prometida a revogação do Ato de Prova, aos católicos não foram garantidos plenos direitos até a Emancipação Católica ser atingida em todo o novo Reino Unido em 1829. A grande fome de 1845–1849 na Irlanda foi um período de fome, doenças e emigração em massa entre 1845 e uma data variável entre 1849 e 1852, em que a população da Irlanda se reduziu entre 20 e 25 por cento. A fome provocou a morte a cerca de um milhão de pessoas e forçou mais de um milhão a emigrar da ilha principalmente para os Estados Unidos e o Canadá.

Século XX

A Irlanda é o sucessor do Estado Livre Irlandês. Este domínio foi constituído quando toda a ilha da Irlanda se separou do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda em 6 de dezembro de 1922. No entanto, no dia seguinte, o Parlamento da Irlanda do Norte exerceu o seu direito ao abrigo do Tratado Anglo-Irlandês, e optou por voltar a pertencer ao Reino Unido. Esta acção, conhecida como a Partição da Irlanda, seguiu-se a quatro tentativas para introduzir o governo autónomo de toda a ilha da Irlanda (em 1886, 1893, 1914 e 1920). O Estado Livre Irlandês foi abolido quando a Irlanda foi formalmente criada em 29 de dezembro de 1937, o dia em que a sua Constituição entrou em vigor.

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Geografia

A ilha da Irlanda tem uma extensão de mais 84 421 km², dos quais cinco sextos pertencem à República, constituindo o restante a Irlanda do Norte. É banhada a oeste pelo oceano Atlântico, a nordeste pelo canal do Norte, a leste pelo mar da Irlanda e a sudeste e sul pelo canal de São Jorge e pelo mar Céltico. A costa ocidental da Irlanda consiste principalmente de arribas, colinas e montanhas baixas (o ponto mais elevado é o Carrauntoohil, com 1 041 m). O interior do país é predominantemente composto por terras agrícolas relativamente planas, atravessadas por rios como o Shannon e ponteado por vários lagos grandes, os loughs. O centro do país faz parte da bacia hidrográfica do rio Shannon, e contém grandes áreas de paul, usados para a produção de turfa. O clima temperado da ilha é modificado pela corrente do Atlântico Norte e é relativamente suave. Os verões raramente são muito quentes, faz frio no inverno, algumas vezes chega a nevar. A precipitação é muito comum, com até 275 dias de chuva por ano em algumas partes do país. As cidades principais são a capital, Dublin, na costa oriental, Cork no sul, Galway e Limerick na costa ocidental e Waterford na costa sueste.

Geomorfologia

A Irlanda se constitui de uma planície no centro da ilha, limitada por uma moldura irregular e pouco montanhosa, com exceção da parte oriental, na região de Dublin, logo na chegada ao mar. A distância leste-oeste da planície é de 200 km e de 150 km de norte a sul, com 100 m de altitude média. As rochas encontradas no subsolo da Irlanda são de origem calcária, com exemplos comuns de rios que correm debaixo da terra e lagos que secam com facilidade. Os maciços montanhosos abrigam muitos e diversos terrenos, a saber: granitos, xistos e quartzitos nos alterosos Montes Wicklow, que alcançam uma altitude média 1 000 m na província histórica de Leinster; arenitos, nas aplainadas cadeias de Munster; calcários, nas regiões altas localizadas no Condado de Clare, no litoral oeste; quartzitos, nos picos localizados a noroeste; basaltos, localizados a nordeste e xistos localizados nos Montes Sperrin.

Hidrografia

O rio Shannon, na Irlanda, é o mais extenso das ilhas Britânicas. O Shannon, importante via de navegação, nasce no noroeste da Irlanda e percorre 360 km para o sudoeste, até alcançar o oceano Atlântico. O rio Liffey também é navegável. Nasce nas montanhas Wicklow, corre para o noroeste por 121 km, e deságua no mar da Irlanda, em Dublin. Sua foz forma a baía de Dublin. Outros rios irlandeses importantes são o Barrow, Nore e Suir, no sudoeste, o Boyne, no nordeste, e o Moy, no noroeste. A maioria dos lagos da Irlanda fica no oeste. Os lagos são chamados loughs (pronúncia lacs) em gaélico. O rio Shannon forma vários lagos, como o lough Derg e o lough Ree, ambos no centro-oeste da Irlanda. Os lagos de Killarney, no sudoeste, são famosos pela beleza. São eles os lagos Lower (Inferior), Muckross e Upper (Superior).

Clima

A Irlanda tem um clima úmido e ameno. As temperaturas médias são de 4 °C no inverno e 16 °C no verão, aproximadamente. O clima sofre grandemente a influência da corrente do Golfo, uma corrente oceânica quente que sobe do equador e passa pelas ilhas Britânicas. No inverno, ventos do oeste, soprando por cima das águas, ajudam a manter amena a temperatura. Os ventos oceânicos também carregam muita chuva para a Irlanda. As chuvas mais intensas caem nas regiões montanhosas perto do litoral ocidental. A média pluviométrica (de chuva) nessa região é de cerca de 1 500 mm por ano, havendo alguns pontos que alcançam 2510 mm por ano. As planícies recebem cerca de 760 mm de chuva por ano. As inundações constituem problema em algumas partes do país, nas estações chuvosas.

Fauna e flora

Quase toda a vida animal e a vegetação da ilha provêm de migrações posteriores às glaciações, originárias do norte da Europa. A vegetação natural predominante é de árvores de folhas perenes, como carvalhos e faias. São abundantes os bosques de coníferas, introduzidas pelo homem. Não é grande a variedade de espécies animais; só aves e dois tipos de pequenos roedores, como coelhos e esquilos, além de um tipo de lagarto, são nativos. Não há cobras, o que, segundo antiga lenda, se deve à intervenção milagrosa de são Patrício, padroeiro da ilha. Uma característica típica da vegetação da Irlanda são as turfeiras, pelas quais quase 20% da ilha é revestida. A maioria da planície carateriza-se pelos abundantes trevos e por toda a parte crescem musgos e hera. Os bosques naturais estão quase ameaçados de extinção, transformando-se em pastagens e campinas. Os únicos animais vivos na natureza são aves e roedores de menor porte, apesar de que a Irlanda fosse habitada, nos demais tempos, por ursos, lobos e por uma espécie de alce conhecida pela grandeza de seus chifres. Na água dos rios são principalmente abundantes trutas e salmões, além de demais peixes. Não há cobras na ilha, a única espécie de réptil é de um lagarto.

Meio ambiente

O país tornou-se o primeiro do mundo a introduzir um imposto ecológico para sacolas plásticas em 2002 e a proibição de fumar público em 2004. A reciclagem na Irlanda realiza-se extensivamente e o país tem a segunda maior taxa de reciclagem de embalagens na União Europeia. Foi também o primeiro país da Europa a proibir lâmpadas incandescentes em 2008.

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Demografia

A população da ilha da Irlanda é de aproximadamente 7,1 milhões (2023). Na República Irlandesa, no sul, sua população chegou a 5,3 milhões (2024). Em 2011, a Irlanda tinha uma das maiores taxas de natalidade da União Europeia (16 nascimentos por 1 000 habitantes).

Línguas

As línguas oficiais são o irlandês, a língua celta nativa, e o inglês, que constitucionalmente é descrito como uma língua oficial secundária. Aprender irlandês é obrigatório no ensino do país, mas o inglês é amplamente prevalente. A sinalética é geralmente bilíngue, que também existe na mídia nacional irlandesa. As pessoas pertencentes à comunidades de língua predominantemente irlandesa (o Gaeltacht) existem principalmente na costa ocidental da ilha.

Composição étnica

A Irlanda tem sido habitada há pelo menos 9 000 anos, embora pouco se saiba sobre as pessoas da era do Paleolítico e do Neolítico que habitaram a ilha. Os registos históricos e genealógicos revelam a existência de diversos povos (Cruithne, Atácotos, Conmaicne, Eóganachta, Érainn, Soghain, e outros). Durante os últimos 1 000 anos, foram influenciados pelos viquingues, que fundaram vários portos, incluindo o de Dublin, e também pelos Normandos. No entanto, a maioria (80%) da população é descendente de que os primeiros habitantes da ilha tenham a habitando a partir do final da Idade do Gelo. Muitos, na Irlanda do Norte, são descendentes dos colonos de Inglaterra, especialmente dos da Escócia.

Imigração

Após séculos de apenas emigração líquida para quase todos os continentes do mundo, com excepção da "plantação" de protestantes em resultado da conquista da Irlanda por Oliver Cromwell, o bom desempenho económico dos últimos quinze anos tem vindo a inverter esta situação, transformando-a numa imigração líquida. Segundo o último censo de 2006, aproximadamente 10% da população era de origem estrangeira. Mais de 112 000 são britânicos, que é a maior nacionalidade estrangeira na Irlanda, representando mais de 25% de todos os estrangeiros. Existem ainda 63 000 da Polónia, 25 000 da Lituânia, 13 000 da Letónia e 10 000 da Alemanha. Além disso, cerca de 52 000 habitantes são provenientes do resto dos países da União Europeia, e mais de 24 000 dos restantes países da Europa. Cerca de 35 000 são provenientes de outros países, nomeadamente de África. Destes, 16 000 são naturais da Nigéria. Cerca de 11 000 vêm da China e 38 000 do resto dos países da Ásia. Mais de 12 000 são dos Estados Unidos e 9 000 de outros países da América.

Religião

Na República da Irlanda, 78,3% da população é Católica, religião introduzida por São Patrício, mas tem havido um enorme declínio na participação em serviços religiosos. Entre 1996 e 2001, a presença regular na missa, já em declínio anteriormente, havia diminuído de 60% para 48% (em 1973 excedeu os 90%), existindo apenas dois seminários em todo o país. A imagem da Igreja também foi danificada na década de 1990 por causa de uma série de escândalos sexuais e encobrimentos dentro da própria hierarquia. Nos últimos anos, a imagem da Irlanda como um país devotamente católico tem sido modificada, porquanto a influência da Igreja é cada vez menor. Em 1995, na sequência de um embargo de cerca de 60 anos, os eleitores irlandeses escolheram voltar a legalizar o divórcio na República, em votação apertada, com 50,28% de votos favoráveis. Por sua vez, em referendo de 2015, os irlandeses votaram pela legalização do casamento gay, com 62,1% de votos favoráveis. Foi a primeira vez no mundo que o casamento gay foi legalizado por voto popular. Em referendo de 2018, o aborto foi legalizado no país, com 66,4% da população votando favoravelmente. A Irlanda ainda é um dos países mais religiosos da Europa Ocidental, atrás de apenas Itália e de Portugal.

Direitos LGBT e igualdade de gênero

A pena de morte é constitucionalmente proibida no país, enquanto a discriminação com base em características como idade, sexo, orientação sexual, estado civil ou familiar, religião ou raça é ilegal. A legislação que proibia atos homossexuais foi revogada em 1993. Em 2010, foi reconhecida a união civil entre casais do mesmo sexo. Em maio de 2015, a Irlanda se tornou o primeiro país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo através do voto popular. A Irlanda ocupa o quinto lugar no mundo em termos de igualdade de gênero. Em 2011, o país foi classificado como o mais caridoso da Europa e o segundo do mundo. A contracepção foi controlada na Irlanda até 1979, no entanto, o declínio da influência da Igreja Católica tornou a sociedade cada vez mais secularizada. Em 1983, mudanças constitucionais asseguraram "o direito à vida do nascituro", sujeito a qualificações em matéria de "igualdade de direito à vida" da mãe. A proibição de divórcio na Constituição de 1937 foi revogada em 1995.

Cidades mais populosas

Depois de Dublin (com 1 661 185 habitantes na área metropolitana), as maiores cidades da Irlanda são Cork (380 000 habitantes na área metropolitana), Limerick (93 321 habitantes na área metropolitana), Galway (71 983 habitantes na cidade) e Waterford (45 775 habitantes na cidade).

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Política

Governo

A Irlanda é uma democracia parlamentar. O poder legislativo é exercido pelo Parlamento (Oireachtas), constituído pelo Presidente e duas câmaras: o Dáil Éireann (Câmara dos Deputados) e o Seanad Éireann (Senado). Os 166 membros do Dáil são eleitos por sufrágio universal, por um período máximo de cinco anos, segundo o sistema de representação proporcional. O Senado compõe-se de 60 membros, dos quais 11 são nomeados pelo Primeiro-Ministro (Taoiseach), 43 são eleitos pelos membros do Dáil, do anterior Seanad e das autoridades locais a partir de listas de candidatos que pertencem a cinco sectores essenciais da sociedade: educação, agricultura, trabalhadores, indústria e comércio e administração. As universidades elegem seis membros do Senado.

Relações internacionais

As relações externas são substancialmente influenciadas pela adesão à União Europeia, embora as relações bilaterais com o Reino Unido e os Estados Unidos também sejam importantes. Exerceu a Presidência do Conselho da União Europeia em seis ocasiões, mais recentemente de janeiro a junho de 2013. A Irlanda tende à independência na política externa; assim, o país não é membro da OTAN e tem uma política de neutralidade militar de longa data. Essa política ajudou as Forças de Defesa da Irlanda a serem bem-sucedidas em suas contribuições para as missões de manutenção da paz com as Nações Unidas desde 1960, durante a Crise do Congo e, posteriormente, em Chipre, Líbano e Bósnia e Herzegovina.

Forças armadas

A Irlanda é um país neutro e possui regras de "tripla trava" que governam a participação das tropas irlandesas em zonas de conflito, pelas quais a aprovação deve ser dada pela ONU, pelo Dáil e pelo governo. Consequentemente, seu papel militar é limitado à autodefesa nacional e à participação nas operações de paz das Nações Unidas. As Forças de Defesa são compostas pelo Exército, Serviço Naval, Corpo Aéreo e Força de Defesa da Reserva. As forças são pequenas, mas bem equipadas, com quase 10 000 militares em tempo integral e mais de 2 000 em reserva. O destacamento diário das Forças de Defesa cobre a ajuda às operações de energia civil, proteção e patrulha das águas territoriais irlandesas e da ZEE pelo Serviço Naval Irlandês e missões de manutenção da paz das Nações Unidas, UE e PfP. Em 1996, mais de 40 000 militares irlandeses haviam servido em missões internacionais de manutenção da paz da ONU.

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Subdivisões

A República da Irlanda tinha tradicionalmente vinte e seis municípios, e estes ainda são utilizados em contextos culturais e desportivos. Eles também são utilizados para fins postais. Os círculos eleitorais do Dáil são obrigados por lei a seguir os limites dos concelhos, tanto quanto possível. Daí, os municípios com maior população têm vários círculos eleitorais (por exemplo, Limerick Leste/Oeste) e alguns círculos eleitorais compostos por mais de um concelho (por exemplo, Sligo-Leitrim Norte), mas de uma maneira geral, as fronteiras não são reais. No entanto, já existiu um processo de reestruturação, como a abolição de Condado de Dublin, distribuindo-o entre os três novos concelhos municipais na década de 1990 e de Condado de Tipperary, tendo sido, administrativamente, dois condados distintos desde a década de 1890. Actualmente, existe um total de vinte e nove concelhos administrativos e cinco cidades. As cinco cidades — Dublin, Cork, Limerick, Galway e Waterford (Kilkenny é uma cidade, mas não possui um conselho municipal) — são administradas separadamente do restante dos seus respectivos municípios. Existe ainda cinco vilas — Clonmel, Drogheda, Kilkenny, Sligo e Wexford — que têm um nível de autonomia dentro do concelho. Os municípios estão agrupados em regiões para fins estatísticos. Eis a lista de condados da República da Irlanda:

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Economia

Desde os anos 1980, a economia irlandesa deixou de ser predominantemente agrícola e transformou-se em uma economia moderna focada em indústrias de alta tecnologia e serviços. O país adotou o euro em 2002, juntamente com onze outros Estados-membros da UE. O país é fortemente dependente de investimento estrangeiro direto e tem atraído várias empresas multinacionais, devido a uma força de trabalho altamente qualificada e uma taxa de impostos baixa. Algumas empresas, como a Intel, investiram na Irlanda durante o final dos anos 1980, mais tarde seguida pela Microsoft e pelo Google. A Irlanda é classificada como sétima economia mais livre no mundo, segundo o Índice de Liberdade Econômica. Em termos de PIB per capita, a Irlanda é um dos países mais ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da União Europeia (UE). No entanto, o país está abaixo da média da OCDE em termos de PNB per capita. O PIB é significativamente maior que o PNB devido à grande quantidade de empresas multinacionais com sede na Irlanda.

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Infraestrutura

Saúde

O Ministro da Saúde tem a responsabilidade de definir a política geral do serviço de saúde. Toda pessoa física residente na Irlanda tem o direito de receber cuidados de saúde através do sistema público de saúde, que é gerido pelo Serviço Executivo de Saúde e financiado por impostos gerais. Uma pessoa pode ser obrigada a pagar uma taxa subsidiada pela assistência médica recebida, o que depende de fatores como renda, idade, tipo de doença ou incapacidade. Todos os serviços de maternidade são fornecidos gratuitamente para crianças com idade de até 6 meses. Cuidados de emergência são fornecidos gratuitamente para qualquer pessoa admitida através dos serviços de urgência. No entanto, aos visitantes dos departamentos de Acidente e Emergência, em situações não emergenciais que não são referidas pelo médico da família, pode incorrer uma taxa de € 100. Em algumas circunstâncias essa taxa não é paga ou pode ser dispensada.

Educação

A Irlanda tem três níveis de ensino: primário, secundário e superior. Os sistemas de ensino estão, em grande parte, sob a orientação do governo através do Ministro da Educação e Habilidades. Escolas primárias e secundárias reconhecidas devem aderir ao currículo estabelecido pelos órgãos competentes. O ensino é obrigatório entre as idades de 6 e 15 anos e todas as crianças até a idade de 18 anos devem completar os três primeiros anos do ensino secundário, incluindo uma sessão do exame de Certificado Júnior. Há aproximadamente 3 300 escolas primárias na Irlanda. A grande maioria (92%) estão sob o patrocínio da Igreja Católica. As escolas mantidas por organizações religiosas, mas que recebem dinheiro público e reconhecimento, não podem discriminar alunos com base na religião ou a ausência dela. Existe um sistema sancionado de preferência, onde os alunos de uma determinada religião podem ser aceitos diante daqueles que não compartilham os princípios da escola, num caso em que a cota de uma escola já foi atingida. No ensino superior, cerca de 37% da população da Irlanda tem uma graduação, índice que está entre os maiores percentuais no mundo.

Transportes

Os três principais aeroportos internacionais da República da Irlanda são Dublin, Shannon e Cork, que servem muitas rotas europeias e intercontinentais com voos regulares e fretados. A rota Londres-Dublin é a rota aérea internacional mais movimentada da Europa, sendo que 4,5 milhões de pessoas voaram entre as duas cidades em 2006. A Aer Lingus é a companhia aérea de bandeira irlandesa, embora a Ryanair seja a maior companhia aérea do país. A Ryanair é a maior companhia aérea de baixo custo da Europa, a segunda maior em termos de número de passageiros e a maior do mundo em termos de número de passageiros internacionais. Os serviços de transporte ferroviário são fornecidos pela Iarnród Éireann, que opera todos os serviços ferroviários suburbanos intermunicipais internos e de mercadorias no país. Dublin é o centro da rede com duas estações principais, as estações Heuston e Connolly, que liga a cidades às principais cidades do país. Auto-estradas, estradas nacionais primárias e secundárias são geridas pela Autoridade Nacional de Estradas, enquanto estradas regionais e locais são geridas pelas autoridades locais em cada uma das suas respectivas áreas. A rede rodoviária é focada principalmente na capital, Dublin, mas auto-estradas estão atualmente a serem ampliadas a outras cidades, como parte do programa de investimento Transporte 21, que pretende expandir significativamente e melhorar a rede de transportes da Irlanda no período entre 2006 e 2015. Por fim, na Irlanda também há serviço de transporte marítimo via balsas oferecido pela Irish Ferries, que conecta o país ao Reino Unido e à França.

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Cultura

Na cultura irlandesa, destacam-se os escritores Jonathan Swift, Oscar Wilde e James Joyce, para além dos quatro Nobel da Literatura: George Bernard Shaw, W. B. Yeats, Samuel Beckett e Seamus Heaney. Apenas um irlandês ganhou o Nobel da Física, por Ernest Walton, em 1951. Para além desses, também deram contributo William Thompson, importante naturalista, e William Rowan Hamilton, foi um renomado físico e matemático do século XIX. Uma das mais lotadas áreas de Dublin é o chamado Temple Bar (a antiga área onde é possível encontrar pessoas de todo o mundo) ou em locais diversos como a moderna Thunder Road Cafe. Na dança destaca-se o Riverdance. O primeiro médico com título nobiliárquico, Sir Hans Sloane, foi um médico irlandês cujo hobby era a botânica e cuja colecção é o núcleo do Museu Britânico. O dia nacional é a 17 de março para homenagear o padroeiro da Irlanda: São Patrício, que promoveu o Cristianismo na ilha. Diz-se que expulsou as cobras de todas as partes do território. A harpa, que aparece na crista da província de Leinster e o trevo de três folhas, também são identificados como símbolos da Irlanda. O trevo de três folhas é um símbolo do país, porque é dito que São Patrício o utilizou para explicar a Santíssima Trindade. A cor verde também é a cor mais associada à Irlanda, e está presente na bandeira nacional representando os cristãos da Irlanda.

Literatura

A Irlanda é famosa pelo Book of Kells, também conhecido como o Grande Evangelho de São Columba, que é um manuscrito ilustrado com motivos decorativos, feito por monges célticos até ao ano de 800. A principal peça do cristianismo irlandês e da arte-saxónica irlandesa, é, apesar de estar inacabada, um dos mais sumptuosos manuscritos iluminados que sobreviveram desde a Idade Média. Devido à sua grande beleza e excelente acabamento técnico, este manuscrito é considerado por muitos especialistas como um dos mais importantes vestígios da arte religiosa medieval. Escrito em latim, o Livro de Kells contém quatro Evangelhos do Novo Testamento. A poesia irlandesa representa a mais antiga poesia vernácula na Europa. Os primeiros exemplos datam do século VI, e são geralmente pequenas obras de poesia lírica, que abordam questões de carácter religioso ou naturalista. Eram muitas vezes compostas por escribas, à margem dos manuscritos iluminados que eles próprios copiaram.

Cinema e música

Existem várias figuras internacionais naturais da Irlanda e que têm triunfado no mundo cinematográfico: Maureen O'Hara, Barry Fitzgerald, George Brent, Arthur Shields, Maureen O'Sullivan, Richard Harris, Peter O'Toole, Pierce Brosnan, Gabriel Byrne, Brendan Gleeson, Colm Meaney, Colin Farrell, Jamie Dornan, Brenda Fricker, Jonathan Rhys Meyers, Stuart Townsend, Cillian Murphy, Liam Neeson, Evanna Lynch e Andrew Scott. Outros nomes, como Neil Jordan e Jim Sheridan, também se notabilizaram no mundo do cinema como directores de produção. Vários filmes foram filmados na Irlanda, tais como Braveheart, Excalibur, P.S. I Love You, El Rey Arturo: La verdadera historia que inspiró la leyenda, Saving Private Ryan e Ballykissangel. Também filmes relembram a história do país, como Michael Collins baseado na vida do revolucionário irlandês.

Gastronomia

Exemplos de alguns pratos típicos da cozinha irlandesa são o guisado irlandês, e também o toucinho com couve (cozidos juntos). O Boxty é um prato tradicional, que consiste num pastel feito de batata. Em Dublin é muito popular o coddle, que é feito com linguiça de porco cozida. A Irlanda é famosa pelo seu pequeno-almoço irlandês, que é servido principalmente com carne de porco e pode incluir batata frita. Uma das bebidas mais associadas á Irlanda é o Guinness, que é frequentemente servido em pub's, mas também é popular a Smithwicks. Esta é uma tradição irlandesa, de se tomar sidra, para além do Whiskey de malte e do café irlandês. Desde 1974, a Irlanda produz um dos mais famosos licores, o Bailey's Irish Cream, que consiste numa mistura de natas com uísque irlandês, que alcoólicas atingem os 17% de volume.

Desporto

O futebol é um dos desportos mais praticados e com o maior número de adeptos em toda a Irlanda e tem o seu próprio campeonato nacional, o Irish Football League. A Seleção Irlandesa de Futebol classificou-se em três ocasiões no Campeonato Mundial, obtendo o seu melhor resultado em 1990 onde foi eliminado nos quartos-de-final. Também há muitos adeptos de críquete, destacando a presença da equipa nacional na Copa do Mundo de Críquete de 2007 onde passou a primeira fase, eliminando o Paquistão. Outros desportos de alto perfil no país são o futebol gaélico, o hurling ou Camogie, que são parte integrante da Gaelic Athletic Association. O rugby também é um dos desportos favoritos em que a sua equipa nacional tem conseguido se destacar em prestigiados torneios como o Torneio das Seis Nações. Também notável foi Dave Finlay, famoso lutador da WWE, o antigo campeão mundial de snooker, Ken Doherty, o primeiro campeão dos pesos pesados do boxe, John L. Sullivan, também o campeão do mundo do boxe, Barry McGuigan e Steve Collins ou o primeiro irlandês a vencer a Tour de França, Stephen Roche. Além disso, é de salientar a ex-equipa da Fórmula 1, Jordan Grand Prix, que ganhou várias competições mundiais e a realização do Rally da Irlanda em 2007, que fazia parte do World Rally Championship, com uma afluência de público de aproximadamente 200 000 espectadores.

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Fontes consultadas

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