Claude Lévi-Strauss
Claude Lévi-Strauss foi um proeminente antropólogo, professor, filósofo e sociólogo francês, nascido na Bélgica. Considerado o fundador da antropologia estruturalista em meados da década de 1950, ele é reconhecido como um dos grandes intelectuais do século XX. Foi professor honorário e ocupou a cátedra de antropologia social no Collège de France de 1959 a 1982, além de ser o primeiro membro da Academia Francesa a alcançar os 100 anos de idade.
Pontos-chave
- Claude Lévi-Strauss foi um antropólogo, filósofo e sociólogo francês, nascido na Bélgica.
- Ele é amplamente reconhecido como o fundador da antropologia estruturalista.
- Ocupou a cátedra de antropologia social no Collège de France de 1959 a 1982.
- Foi membro da Academia Francesa e o primeiro a atingir 100 anos de idade.
- Sua obra teve um impacto profundo na vida intelectual francesa e nas ciências sociais do século XX.
Mesmo após a aposentadoria, Lévi-Strauss continuou a publicar obras sobre artes, música, poesia e memórias. Faleceu em 30 de outubro de 2009, pouco antes de completar 101 anos, e sua morte foi anunciada quatro dias depois. Líderes e intelectuais, como o presidente francês Nicolas Sarkozy e o ministro Bernard Kouchner, o aclamaram como um dos maiores etnólogos e um pensador que rompeu com visões etnocêntricas, influenciando profundamente o pensamento pós-guerra e o Estruturalismo nas Ciências Sociais.
Primeiros Anos e Origens
Claude Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas, Bélgica, de uma família judia de origem alsaciana. Seu pai, Raymond Lévi-Strauss, era um pintor retratista, e sua mãe era Emma. Ele passou as primeiras semanas de vida em Bruxelas devido a um contrato de trabalho de seu pai. Durante a Primeira Guerra Mundial, viveu com seu avô materno, que era rabino da sinagoga de Versalhes. Seu bisavô, Isaac Strauss, foi regente de orquestra na corte francesa, servindo Luís Filipe e Napoleão III.
Formação e Engajamento Político
Após a escola primária em Versalhes, Lévi-Strauss mudou-se para Paris para o ensino secundário, estudando nos prestigiados Lycée Janson-de-Sailly e Lycée Condorcet. No final de seus estudos, ele se envolveu com a esquerda política, filiando-se a um partido socialista belga e familiarizando-se com a literatura política, incluindo as obras de Marx. Tornou-se militante da S.F.I.O., coordenando o grupo de estudos socialistas e, posteriormente, atuando como Secretário Geral dos Estudantes Socialistas.
Início da Carreira Acadêmica
Lévi-Strauss estudou direito na Faculdade de Direito de Paris, obtendo sua licença antes de ingressar na Sorbonne, onde se graduou em filosofia em 1931. Concluiu seu doutorado em 1948 com a tese 'Les Structures élémentaires de la parenté'. Após dois anos lecionando filosofia em liceus, foi convidado por Célestin Bouglé, diretor da Escola Normal Superior de Paris, para integrar a missão universitária francesa no Brasil como professor de sociologia na Universidade de São Paulo. Esse convite, recebido por telefone em um domingo de outono de 1934, foi decisivo para o despertar de sua vocação etnográfica.
Experiência no Brasil
Entre 1935 e 1939, Lévi-Strauss lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, ao lado de outros membros da missão francesa, como sua esposa Dinah Lévi-Strauss, Fernand Braudel, Jean Maugüé e Pierre Monbeig. Durante sua estadia, ele e Dinah realizaram excursões pelas regiões centrais do Brasil, incluindo Goiás, Mato Grosso e Paraná. Essas viagens foram registradas em seu livro 'Tristes Trópicos' (1955), onde ele narra como sua vocação antropológica se consolidou. Em um de seus primeiros contatos com indígenas no Rio Tibagi (Paraná), ele expressou decepção ao supor, sem conhecimento etnográfico aprofundado, que os 'índios do Tibagi (caingangues) não eram nem verdadeiros índios, nem selvagens'.
Retorno à França e Consagração
Após três anos no Brasil, Lévi-Strauss retornou à França, já reconhecido no meio etnológico. Perseguido por ser judeu e com o visto para o Brasil negado, passou os anos da Segunda Guerra Mundial em Nova York. Em 1949, publicou 'Les Structures élémentaires de la parenté', obra que o consagrou instantaneamente como um dos mais importantes estudos sobre família, parafraseando o título de Émile Durkheim. No final da década de 1940 e início da seguinte, continuou a publicar com grande sucesso profissional. De volta à França, envolveu-se com a administração do CNRS e do Musée de l'Homme, e ocupou uma cadeira na École Pratique des Hautes Études, que renomeou para 'Religião Comparada de Povos Não-Letrados'.
Cátedra no Collège de France
Em 1959, Claude Lévi-Strauss foi nomeado para a prestigiosa cadeira de antropologia social do Collège de France. Nesse período, publicou 'Antropologia estrutural', uma coletânea de ensaios que serviu tanto como exemplo quanto como manifesto programático do estruturalismo. Ele também foi fundamental na organização de instituições e no fomento de debates entre as visões existencialista e estruturalista, inspirando autores como Clastres e Bourdieu. Em reconhecimento à sua vasta contribuição, recebeu o título de doutor honoris causa de diversas universidades ao redor do mundo.


