Língua castelhana
Língua espanhola ou castelhana é uma idioma românico da família das línguas indo-europeias que evoluiu do latim vulgar falado na Península Ibérica da Europa. Atualmente, é uma língua global com cerca de 500 milhões de falantes nativos, principalmente nas Américas e na Espanha, e cerca de 600 milhões quando se incluem falantes de segunda língua. É a língua oficial de 20 países, bem como uma das seis línguas oficiais das Nações Unidas. É a segunda língua nativa mais falada, depois do mandarim; a quarta língua mais falada, depois do inglês, do mandarim e do hindustani (hindi-urdu); e a língua românica mais falada do mundo. O país com a maior população de falantes nativos é o México.
O termo castellano está relacionado a Castela (Castilla ou arcaicamente Castiella), o reino onde a língua era originalmente falada. O nome Castela, por sua vez, é geralmente considerado derivado de castillo - castelo. Na Idade Média, a língua falada em Castela era genericamente chamada de romance e, mais tarde, também de lengua vulgar. Mais tarde no período, ganhou especificação geográfica como romance castellano (romanz castellano, romanz de Castiella), lenguaje de Castiella e, em última análise, simplesmente como castellano (substantivo). Diferentes etimologias foram sugeridas para o termo español (espanhol). Segundo a Real Academia Espanhola (RAE), español deriva da palavra occitana espaignol, que, por sua vez, deriva do latim vulgar *hispaniolus ("da Hispânia"). Hispânia era o nome romano para toda a Península Ibérica.
A língua espanhola é o idioma da Espanha, e da maioria dos países da América (exceto Brasil, Belize, Haiti, Guianas, EUA, Canadá e várias ilhas caribenhas), reconhecido nas Filipinas, na Ásia, e da Guiné Equatorial, na África. Conta com cerca de duzentos e cinquenta milhões de falantes. Também é chamada de «castelhano», nome da comunidade linguística (Castela) que lhe deu origem nos tempos medievais. Na Espanha, também são falados o catalão, o asturiano, o aragonês e o galego (idiomas de tronco românico), e o basco, uma língua cujas origens ainda são estudadas. Na formação do espanhol, podem-se distinguir três períodos: o medieval ou espanhol antigo (dos séculos X ao XV), o espanhol moderno (entre os séculos XVI e XVII), e o contemporâneo, que vai da fundação da Real Academia Espanhola até a nossos dias. Apesar de ser um idioma falado em regiões tão distantes, a ortografia e as normas gramaticais asseguram a integridade da língua, daí a colaboração entre diversas Academias da Língua de Espanha e dos países americanos, no intuito de preservar esta unidade. Espanha elaborou o primeiro método unitário de ensino do idioma que é difundido por todo o mundo através do Instituto Cervantes.
Latim vulgar
Como disse Menéndez Pidal: «a base do idioma é o latim popular, propagado na Espanha a partir do final do século III a.C. até se impor às línguas ibéricas». Entre os séculos III e VI, a língua que evoluía em Espanha assimilou germanismos através do latim falado por povos bárbaros romanizados que invadiram a Península. Com o domínio muçulmano de oito séculos, a influência do árabe — idioma dos conquistadores berberes — foi decisiva na configuração das línguas ibéricas, entre as quais se incluem o espanhol e o português.
Glosas medievais
O nome da língua procede da terra dos castelos, Castela. A esta época, pertencem as Glosas Silenses e as Emilianenses, do século X, anotações em romance dos textos latinos no Monastério de Yuso (San Millán de la Cogolla), centro medieval de cultura, mas a mais antiga referência ao idioma vem do Cartulário de Valpuesta, nos primeiros anos do século IX. O primeiro passo para converter o castelhano em língua oficial do reino de Castela e Leão foi dado por Afonso X. Foi ele que mandou compor em romance, e não em latim, as grandes obras históricas, astronômicas e legais. O castelhano era a língua de documentos notários e da Bíblia, traduzida sob as ordens de Afonso X. Graças ao Caminho de Santiago, entraram na língua escassos galicismos, que foram propagados por ação dos trovadores da poesia cortesã e provençal.
Árabe
Sob o domínio árabe, as comunidades hispânicas que conviviam com as comunidades judaica e árabe falavam moçárabe. Esta é a língua na qual foram escritos os primeiros poemas, as Jarchas, que conservam uma forma estrófica de clara origem semítica, a moasajas. Em quase oito séculos de interação (711–1492), os povos falantes de Árabe deixaram, no espanhol, um abundante vocabulário de cerca de quatro mil termos. Com o tempo, alguns foram caindo em desuso, mas há muitas palavras de uso comum como tambor, adobe, alfombra, zanahoria, almohada e muitas outras, e a expressão ojalá, como no português «oxalá», que significa «queira Deus» (lit.: «queira Alá»). Cabe assinalar que penetrou, na gramática espanhola, a preposição árabe hatta (حتى), que se converteu na preposição espanhola hasta e na preposição portuguesa até.
Primeira gramática moderna europeia
A publicação da primeira autodenominada "gramática castelhana", escrita por Elio Antonio de Nebrija em 1492, ano do descobrimento da América pelos europeus, estabelece o marco inicial da segunda etapa de conformação e consolidação do idioma. O espanhol adquire grande quantidade de neologismos, pois o momento coincidiu com a expansão da Coroa de Castela que, pela força política, conseguiu consolidar seu dialeto como língua dominante. O espanhol é a língua dos documentos legais, da política externa e a que chega à América pela mão da grande empreitada realizada pela Coroa de Castela. Nesta mesma época, os judeus sefarditas foram expulsos de Castela e Aragão em 1492 e de Portugal em 1496, levando consigo a fala que daria lugar ao ladino, uma língua que, ouvida, parece espanhol.
Espanhol é a língua oficial de dezenove países da América, além da Espanha e Guiné Equatorial, e tem um certo grau de status oficial nas Filipinas, e no Saara Ocidental (país com reconhecimento internacional limitado), mas seus falantes são distribuídos nos cinco continentes. Na América, há cerca de 90% do número total de falantes de espanhol no mundo, cerca de 400 milhões de pessoas. Além de 19 países na Hispano-americanos, o espanhol é falado por uma parte significativa da população dos Estados Unidos, principalmente imigrantes recentes. Tanto na América Latina quanto nos Estados Unidos há um aumento significativo no número de falantes. Presidentes anteriores dos Estados Unidos conhecem bem a língua como Barack Obama que estudou e tem boa pronúncia na leitura. No ano 2000, a previsão era de que, somente nos Estados Unidos, o número de falantes de espanhol chegasse a 35 milhões e, naquele ano, o espanhol ultrapassou o inglês como a língua com mais falantes nativos no mundo ocidental. Em 2001, os falantes de espanhol eram aproximadamente 400 milhões de pessoas.
América Latina e Caribe
A maioria das pessoas que falam espanhol está na América Latina, representando cerca de 375 milhões de pessoas. O México é o país com o maior número de falantes (quase um quarto do número total de falantes de espanhol no mundo), embora não seja a única língua oficial do estado, já que desde 2003 o México também reconheceu as línguas indígenas como línguas nacionais. Com uma ou outra denominação, é uma das línguas oficiais da Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru,[nota 2] República Dominicana e Venezuela. Não há reconhecimento oficial da língua em outros países americanos, onde é falada e majoritária, como é o caso da Argentina, Chile, México e Uruguai. Em Porto Rico, a Constituição de 1952 estabelece o espanhol juntamente com o inglês como línguas oficiais. Em setembro de 2015, o Projeto de Lei do Senado 1177 foi introduzido para estabelecer o uso do espanhol em primeiro lugar nos ramos executivo, legislativo e judiciário da Comunidade de Porto Rico. No Brasil, o espanhol sempre foi importante por causa da proximidade geográfica e crescente comércio com seus vizinhos hispano-americanos, sendo um membro do Mercosul, bem como a imigração histórica de espanhóis e hispano-americanos. Em 2005, o Congresso Nacional do Brasil aprovou o decreto, assinado pelo presidente, conhecido como a lei espanhola, que oferece essa língua como primeira língua estrangeira de ensino nas escolas e escolas secundárias do país. O espanhol é uma língua significativamente fácil para os brasileiros aprenderem, porque o português é uma língua muito semelhante ao espanhol. Na área de fronteira entre o Brasil e o Uruguai (principalmente no Uruguai) fala-se uma língua mista chamada portuñol. A Constituição do Estado do Rio de Janeiro e uma deliberação do Governo do Estado de São Paulo incluem oficialmente o espanhol nas escolas secundárias. A Universidade Federal da Integração Latino-Americana, uma universidade pública do sul do Brasil que coordena e fornece professores de espanhol para as escolas estaduais do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, co-oficializou o espanhol. O fato de estar cercado por sete países de língua espanhola (Argentina Bolívia, Colômbia, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela) despertou grande interesse entre os brasileiros em aprendê-lo. Dentro de uma década, 50 milhões de brasileiros poderão falar com perfeição e, em vinte anos, ultrapassarão cem milhões.
Estados Unidos e Canadá
Os Estados Unidos são o segundo maior país em número de falantes de espanhol no mundo depois do México, com um avanço progressivo da bilinguismo, especialmente nos estados de fronteira com o México como é o caso da Califórnia, Novo México e do Texas, onde não há programas bilíngues oficiais para residentes da América Latina. Por exemplo, na Califórnia, muitas atividades governamentais, documentos e serviços estão disponíveis em espanhol. A seção 1632 do Código Civil da Califórnia reconhece o idioma espanhol como a língua da considerável da crescente comunidade hispânica, daí a lei Dymally-Alatorre, institui o bilinguismo inglês-espanhol, sem a necessária exclusão de outras línguas. No estado do Novo México, o espanhol é usado até mesmo na administração do estado, embora esse estado não tenha uma língua oficial estabelecida em sua constituição. O espanhol neomexicano falado por hispanófonos (imigrantes não recentes) nativos remonta aos tempos da colonização espanhola no século XVI e conserva muitas arcaísmos. A Comissão de Direitos Civis dos Estados Unidos reconhece que em 1912 "os neomexicanos conseguiram proteger sua herança, inserindo disposições em sua constituição que fazem do espanhol uma língua oficial como o inglês". No Texas, o governo, através da seção 2054.116 do Código do Governo, determina que as agências estaduais forneçam as informações em seus sites em idioma espanhol. Outros estados da União também reconhecem a importância do espanhol em seu território. Na Flórida, por exemplo, seu uso é generalizado por causa da presença de uma grande comunidade de origem cubana, principalmente na área metropolitana de Miami. O espanhol tem uma longa história nos Estados Unidos; Muitos estados e formas geográficas têm o seu nome nessa língua, mas o uso da língua espanhola aumentou principalmente devido à imigração do resto da América. Uma amostra da expansão da língua no país é a numerosa presença de mídia em espanhol. O espanhol também se concentra especialmente em cidades cosmopolitas como Nova York, Los Angeles, El Paso, Miami, Houston, Dallas, San Antonio, San Diego, São Francisco, Portland e Seattle. O espanhol, além disso, é a língua mais ensinada no país, depois do inglês.
Europa
O espanhol é a língua oficial da Espanha. É também falado em Gibraltar e em Andorra (onde é a língua materna maioritária devido à imigração, mas não é a língua oficial como o catalão) É também utilizado em pequenas comunidades noutros países europeus, principalmente na Alemanha, Bélgica, França, Itália, Portugal, Reino Unido e Suíça (onde é a língua materna de 7% da população, representando a língua minoritária mais falada neste país por trás de três dos quatro idiomas oficiais). O espanhol é uma das línguas oficiais da União Europeia (UE). Quase 23 milhões de europeus com mais de 15 anos falam espanhol fora da Espanha na UE (com quem aprendeu como língua estrangeira, capaz de ter uma conversa). No total, há cerca de 70 milhões de falantes de espanhol na Europa.[nota 3]
Ásia
Nas Filipinas, uma ex-colônia espanhola, o espanhol foi oficial de 1571 a 1987, embora desde 1973 tenha perdido muito peso representativo no nível oficial. A proclamação presidencial/155 de 15 de março de 1973 ainda em vigor declara o espanhol como a língua oficial das Filipinas para todos aqueles documentos da era colonial não traduzidos para a língua nacional. Após a guerra hispano-americana, as Filipinas se tornaram uma colônia dos Estados Unidos desde 1899. Desde então, devido à intervenção dos EUA, as autoridades seguiram uma política de desapego do país e imposição do inglês. Depois da Guerra Filipino-Americana a burguesia urbana de língua espanhola foi dizimada e, após a Segunda Guerra Mundial, em 1945, os restos da burguesia espanhola foram virtualmente aniquilados após o bombardeio de Intramuros, em Manila. Estima-se que, em 1907, aproximadamente 70% da população filipina tinha a capacidade de falar espanhol, embora apenas 10% como língua materna. Em 1950, tornou-se 6%. Atualmente é inferior a 0,5%. As línguas crioulas baseadas no espanhol também sobrevivem, como o Chavacano de Zamboanga. Em 2009, a acadêmica e presidente filipina Gloria Macapagal-Arroyo recebeu o prêmio de Prêmio Internacional Don Quijote 2009 que reconhece a iniciativa educacional da República das Filipinas para introduzir a norma espanhola no currículo nacional, com o espanhol e, no ano 2012-2013, a língua estrangeira mais estudada após Inglês, ensinado em 65 centros públicos.
África
O principal enclave de língua espanhola na África é as Ilhas Canárias (com mais de dois milhões de falantes). Também é falado nas Cidades Autônomas de Ceuta e Melilla (167 859 falantes). Fora destas regiões espanholas, a língua é falada em alguns outros lugares do continente africano. O espanhol é uma das línguas oficiais da Guiné Equatorial. A grande maioria dos guinéu-equatorianos falam espanhol, embora sempre como segunda língua, sendo várias línguas Bantu as línguas maternas mais difundidas. No Sahara Ocidental, o ministro saharaui para a América Latina, Hash Ahmed, declarou em nome da República Árabe Sarauí Democrática que o seu país é “simultaneamente uma nação africana e árabe que tem o privilégio de ser a única oradora espanhola devido à herança cultural do país de colonização espanhola. A língua espanhola é a língua de ensino obrigatória porque fica ao lado do árabe, a língua oficial". Lá ela é considerado a segunda língua administrativa e de comunicação da RASD. Em Tinduf, Argélia, existem cerca de 200 000 refugiados sarauís, que sabem ler e escrever a língua espanhola e milhares deles receberam educação universitária oferecida por Cuba, México, Venezuela e Espanha.
Oceania
Entre os países e territórios da Oceania, o espanhol é uma língua oficial na Ilha de Páscoa, na Polinésia, porque faz parte do Chile; A língua nativa é o rapanui. Nas Ilhas Marianas (Guam e nas Marianas do Norte) o chamorro é uma língua oficial e nativa das ilhas, que é uma língua austronésia que contém vocabulário de origem espanhola. Algumas ilhas das Marianas do Norte (Saipan, Tinian, Rota) e dos Estados Federados da Micronésia (Yap, Pohnpei) tinham falantes nativos de espanhol, já que eram colônias espanholas até 1898-1899. No entanto, tanto em Guam como nas Marianas do Norte, boa parte de seus habitantes tem sobrenomes de origem espanhola.
Dialetos
Existem vários dialetos relativamente ao espanhol. Na Espanha, se pode dividi-la ao meio, isto é, existe um feixe de isoglossas que divide o Espanhol Peninsular em dois grupos, os dialecto centro-nortenhos e os dialectos meridionais. Os dialectos centro-nortenhos têm características mais conservadoras e os dialectos meridionais, nos quais podemos incluir um grande sub-dialecto, o andaluz, têm características mais inovadoras. Convém realçar que os dialectos centro-nortenhos peninsulares são a única variedade do Espanhol que conserva a distinção entre /s/ (grafado como <s>) e /θ/ (grafado como <c>), isto é, «ceseo». Enquanto que todas as outras variedades são ou «seseantes» ou «ceceantes». «Seseo», isto é a perda da distinção fonética entre /s/ e /θ/ a favor de /s/. «Ceceo» é a perda da distinção fonética a favor da fricativa inter-dental /θ/, sendo este estigmatizado e marginalizado pelo resto da comunidade espanhola e até mesmo pelos próprios falantes «ceceantes». Este fenómeno de «ceceo» encontra-se apenas em zonas rurais do sul da Andaluzia, sendo nos meios urbanos evitado pelos próprios «ceceantes». O «seseo» é um fenómeno do norte da Andaluzia, que é encontrado em todos os países da América Latina. Nesta região do «seseo» encontra-se Sevilha, cidade da qual saíram as pessoas destinadas à repovoação e colonização do continente americano, levando assim o «seseo» com eles para a América, onde prevalece até hoje.
Fonologia
Tem semelhanças com o português. Contudo, existem diferenças, sendo as principais: ("letra espanhola/castelhana" = "letra portuguesa") ⟨ll⟩ = ⟨lh⟩, ⟨ñ⟩ = ⟨nh⟩, ⟨ch⟩ = ⟨tch⟩, ⟨b⟩ e ⟨v⟩ = ⟨b⟩, ⟨x⟩ = /ks/ (nem sempre, como em México, que soa como méjico). Não há, no espanhol moderno, o som da letra X como em xadrez (até o século XVII, a letra ⟨x⟩ representava o som de /ʃ/, como em Quixote, mas, depois do reajuste das consoantes silábicas, o som /ʃ/ (grafado ⟨x⟩), se transformou em /x/ (grafado ⟨j⟩). As letras ⟨k⟩ (/k/), ⟨w⟩ (/b/ em palavras de origem alemã e /(ɡ)w/ em de origem inglesa) e ⟨y⟩ (/i/) fazem parte do alfabeto espanhol. Além disso, o i grego pode ser consoante ou vogal, quando consoante tem um som mais forte /ʝ/ ou /d͡ʒ/. O "J" é um caso à parte: tem um som inexistente em português (o som que chega mais perto é o do R forte brasileiro e dalgumas zonas de Portugal — como em carro). O som correspondente ao ⟨j⟩ português é representado por ⟨ll⟩ no espanhol pratino, e inexistente noutros dialectos. Fora isso não há acentos graves, til (Ñ não conta) ou circunflexo. Assim como no português ge = je e gi = ji, e também há o gue e gui, a letra Q segue o mesmo esquema (que = ke, qui = ki) e também há trema. Em espanhol o costume é terminar palavra com N e não com M. O Ç apesar de ter nascido do espanhol foi abolido no século XVIII, tal como o SS. Já RR existe no espanhol e usa-se da mesma forma que no português. Vale ressaltar que a pronúncia é de 'dois erres', isto é, /r/,/r/, e não de /ř/ como em carro /kařo/. O Z e o C, este último antes de E ou I, em Espanha pronunciam-se de forma similar ao ⟨th⟩ /θ/ inglês em think ou something ou a θ (theta) grega.
Gramática dos verbos
Os verbos se dividem em três conjugações, que podem ser identificadas segundo as duas últimas letras do infinitivo: -ar, -er ou -ir. Os verbos conjugam-se em quatro modos verbais: indicativo, subjuntivo, imperativo e potencial. Ainda, existem três formas impessoais: infinitivo, gerúndio e particípio, que entram na composição dos verbos compostos e perífrases verbais. Os tempos verbais podem ser simples ou compostos. Para cada tempo simples há um que é composto, que se forma antepondo o tempo simples correspondente do verbo "haber" ao particípio do verbo que se está a conjugar. No modo indicativo, há presente, pretérito imperfeito, pretérito perfeito simples ou pretérito indefinido, futuro e condicional como tempos simples; enquanto pretérito perfeito composto, pretérito mais-que-perfeito, pretérito anterior, futuro composto e condicional composto são os tempos compostos. O pretérito anterior é pouco usado. Há situações em que se emprega o futuro para expressar dúvida, substituindo-se, assim, o tempo Presente: "serán las tres": "serão umas três [horas]". O português também apresenta esta caraterística, como mostrado na seguinte frase: "O que estará ele a fazer?", que significa "O que está ele a fazer?".
Vocabulário
Devido às prolongadas conquistas às quais Espanha foi submetida ou que submeteu a outras nações, a língua espanhola foi invadida por uma enorme quantidade de vozes "adquiridas" de línguas de diversos grupos. É possível encontrar, no espanhol, palavras celtas, iberas, ostrogodas, visigodas, latinas, gregas, árabes, francesas, italianas, germânicas, caribes, astecas, quéchuas, guaranis e outras. A influência relativa de cada um destas "aquisições" varia de acordo com o país falante. Os países da América, principalmente nas suas regiões rurais, conservam um grande número de arcaísmos: no extremo sul (Argentina e Uruguai), é frequente, no trato coloquial, o uso do "vos" em lugar do "tú" tradicional nos restantes países hispanófonos. A forma "vos" provém do trato formal da segunda pessoa do singular de antigamente, e sobrevive em Espanha na forma do trato informal para a segunda pessoa do plural (vosotros). Também sobrevive na Comarca de Fonsagrada para a segunda pessoa do singular. O trato formal actual é "Usted" para a segunda pessoa do singular e "Ustedes" para a segunda pessoa do plural (também utilizados em Espanha).
Sistema de escrita
O espanhol se escreve mediante o alfabeto latino. Tem uma letra adicional, ñ, embora, no passado, ch e ll fossem consideradas letras e não dígrafos. As vogais podem levar um acento agudo para marcar a sílaba tónica quando esta não segue o padrão habitual, ou para distinguir palavras que, de outra forma teriam a mesma grafia (ver acento diferencial). O u pode levar trema (ü) para indicar que este se pronuncia nos grupos "güe", "güi". Na poesia, as primeiras vogais de um ditongo (que podem ser i ou u) podem levar trema para romper-o e ajustar convenientemente a métrica dum verso determinado (por exemplo, ruido tem duas sílabas, mas ruïdo tem três).


