Língua iorubá
O iorubá, idioma falado por cerca de 50 milhões de pessoas na África Ocidental, principalmente na Nigéria, Benim, Togo e Serra Leoa, possui uma rica história e uma influência cultural significativa. Presente também em ritos religiosos afro-brasileiros e afro-cubanos, o iorubá é um idioma tonal com uma estrutura gramatical particular e diversas variedades dialetais.
Pontos-chave
- O iorubá é um idioma tonal da família nígero-congolesa, falado por aproximadamente 50 milhões de pessoas.
- A língua tem sua maior concentração na Nigéria e se estende por Benim, Togo e Serra Leoa.
- O iorubá possui forte presença em práticas religiosas afro-brasileiras e afro-cubanas.
- O iorubá literário, ou padrão, originou-se no século XIX com a tradução da Bíblia e a publicação de gramáticas.
- A influência iorubá é notável no Brasil, especialmente na culinária, religião e manifestações culturais.
Imagem: Agência Senado from Brasilia, Brazil · BY · Openverse
O iorubá pertence à subfamília benue-congo, da família nígero-congolesa. É uma língua tonal, onde a variação na frequência sonora das vogais distingue significados. A ordem básica das palavras é Sujeito-Verbo-Objeto (SVO). A língua se divide em mais de quinze variedades, agrupadas em cinco áreas dialetais principais: Noroeste, Nordeste, Central, Sudeste e Sudoeste.
Embora sua origem esteja ligada à população iorubá da Nigéria, existem diversas teorias sobre suas raízes. Hipóteses antigas, refutadas posteriormente, sugeriam origens no Oriente Médio, uma ideia promovida por colonos britânicos para unificar grupos étnicos. Há indícios de influência árabe, evidenciada por semelhanças lexicais, possivelmente devido ao contato com o islamismo. Interações com o cristianismo também impactaram a língua. Uma teoria aponta para um dialeto antigo, o canuri, que teria emprestado palavras do árabe e se transformado em hauçá, influenciando o iorubá por volta do século IX.
O iorubá é uma língua proeminente na Nigéria, especialmente no sudoeste, e falada em Benim, Togo e Serra Leoa. Estima-se que 44,4 milhões de pessoas o falem mundialmente. Sua presença se estende às Américas, notavelmente no Brasil, através de religiões afro-brasileiras como o Candomblé, e em Cuba, com a língua lucumi, um idioma ioruboide falado por praticantes da Santería.
O iorubá literário, também conhecido como iorubá padrão ou comum, é uma variedade distinta usada na escrita, no ensino formal e na mídia. Sua origem remonta à década de 1850, com a publicação de uma gramática e a tradução da Bíblia por Samuel A. Crowther. Baseado nos dialetos Ọyọ e Ibadan, incorpora elementos de outras variedades e características próprias, como um sistema simplificado de harmonia vocálica e calques do inglês. O iorubá padrão tem sido fundamental na consolidação de uma identidade iorubá comum.
Na Nigéria, o inglês é a língua oficial, mas o iorubá é amplamente falado. Falantes de iorubá frequentemente mesclam expressões em inglês em suas conversas. O aprendizado do iorubá online geralmente se dá em combinações com inglês ou francês. No Brasil, projetos de português-iorubá, como dicionários, focam na experiência cultural e religiosa afro-brasileira, com reconhecimento de instituições como a Fundação Cultural Palmares.
Trazidos ao Brasil a partir do século XVI, os iorubás introduziram novas possibilidades linguísticas. A língua ganhou destaque na Bahia, adotada pela Nação Queto, da qual muitos escravizados vieram. A influência iorubá é vasta no Brasil, presente nos ritos religiosos do Candomblé e Umbanda (com termos como orixá, Olorum, e nomes de divindades como Odudua, Xangô, Oxum), em manifestações culturais (grupos como Olodum, Ilê Aiyê) e na culinária (Acarajé, Vatapá, Abará). A sobrevivência da cultura iorubá é visível no vocabulário do português brasileiro, na culinária e nos usos litúrgicos.
Vogais e Tons
O iorubá possui sete vogais: A, E, Ẹ, I, O, Ọ, U. Vogais seguidas de N tornam-se nasais. A pronúncia das vogais é indicada por acentos: agudo (tom alto), grave (tom baixo) e ausência de acento (tom médio). O til (~) indica repetição da vogal, e o sublinhado sob uma vogal indica som aberto. O sublinhado sob 'S' indica o som de 'ch'.
Consoantes
As plosivas surdas /t/ e /k/ são levemente aspiradas. Em algumas variantes, /t/ e /d/ são dentais. A consoante 'r' é geralmente pronunciada como /ɾ/, ou como /ɹ/ em algumas variedades, como em Lagos.
Originalmente escrita com a escrita ajami (uma forma caligráfica árabe) no século XVII, a ortografia iorubá moderna surgiu com missionários da Church Missionary Society. Samuel A. Crowther utilizou o alfabeto latino, inicialmente sem marcações de tom, apenas com um ponto sob vogais para indicar variantes abertas (/Ẹ/ e /ọ/). Em 1875, uma conferência definiu um padrão ortográfico que se tornou a base para a literatura religiosa e educacional por décadas.
Alfabeto Oduduwá
Em 2011, um sacerdote beniense relatou ter recebido em visão um alfabeto inspirado no deus Oduduwa. Este sistema, conhecido como 'alfabeto Oduduwa', obteve aprovação e apoio de líderes religiosos na região de Yorubaland, na Nigéria.
O iorubá é uma língua isolante com ordem básica Sujeito-Verbo-Objeto (SVO). Tempo e aspecto são marcados por partículas pré-verbais, como 'ń' para o presente contínuo e 'ti' para o passado.
Classificações Verbais
Os verbos iorubás se dividem em três classes: Substantivos (expressam existência, como mbẹ, wà, yà), Primitivos (monossilábicos, como lọ 'ir', mu 'beber', jẹ 'comer', ou com '-n' final, como kàn 'tocar', gbin 'plantar') e Compostos.
Pronomes Pessoais
O iorubá utiliza morfemas livres para os pronomes pessoais. Diferente de outras línguas, os pronomes e nomes não variam em gênero; distinções de gênero ocorrem apenas em termos de sexo biológico.
Conjugação Verbal
Existem cinco modos verbais: nominativo, indicativo, imperativo, subjuntivo, potencial e infinitivo. Os tempos são divididos em presente, passado e futuro. A língua não possui voz passiva, apenas ativa. A conjugação é marcada por partículas pré-verbais ou pela ausência delas. Presente/Passado são formados sem partículas, com o tempo inferido pelo contexto ou por advérbios. O futuro é indicado pela partícula 'yio' antes do verbo.
Números
A língua iorubá distingue entre os números usados na contagem tradicional e aqueles empregados com maior frequência atualmente.
Cores
Nota: A palavra 'aró' pode ser usada para 'azul', mas refere-se mais precisamente a um pigmento do que à cor em si.


