Língua materna
Língua materna é a primeira língua que uma criança aprende e que geralmente corresponde ao grupo étnico-linguístico com que o indivíduo se identifica culturalmente. Ou é a primeira lingua de comunicação. Por exemplo, uma criança descendente de portugueses mais facilmente irá adotar a língua que os seus pais utilizam devido às suas origens. Em certos casos, quando a criança é educada por pais que falem línguas diferentes, é possível adquirir o domínio de duas línguas simultaneamente, cada uma delas podendo ser considerada língua materna, configura-se então uma situação de bilinguismo.
Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY-NC-ND · Openverse
Saussure não define o conceito de falante nativo, mas de comunidade de fala/língua. Propõe três categorias: langage (o que acontece linguisticamente em uma comunidade de fala), langue (o sistema linguístico utilizado) e parole (a fala realmente utilizada pelas pessoas). Afirma que membros de uma mesma comunidade linguística, embora falem de forma diferente, entendem-se mutualmente e que, portanto, devem compartilhar uma série de regras que lhes permite o entendimento. O linguista Bloomfield, autor de Linguagem não utiliza o termo falante nativo mas usa “a língua nativa”. Chomsky afirma que “cada pessoa é um falante nativo de estados de uma língua particular que ‘cresce’ em seu cérebro/sua mente ”. Ele compõe uma das ambiguidades que existe na ideia de falante nativo e usa-a para se referir a uma pessoa e a um ideal. Para Paikeday existe um determinante genético de aquisição de fala e “ser humano é ser um falante nativo”. Ele aponta a discriminação no emprego do termo fala nativa, que se usa contra falantes que não possuem as características ideais e afirma que este termo não deve ser usado para excluir certos tipos de pessoas do ensino da língua, edição de dicionários, documentos e outras funções semelhantes. Acredita que a melhor solução é separar o ideal e os significados operativos do falante nativo. Para ele, os verdadeiros árbitros de gramaticalidade não são apenas os falantes nativos, mas também usuários com proficiência na língua.
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No falante nativo, a língua está muito ligada à comunidade de fala, ao senso de identidade e à cultura. Com relação à competência, ele tem noção de automaticidade, isto é, de um desempenho sem pensar em todas as áreas de seu conhecimento pois ele é familiar com todos os recursos estruturais do código linguístico e é capaz de fazer julgamentos de percepção, além disso, aprende sua primeira língua de acordo com um sistema cognitivo específico de línguas. Por isso, ele tem mais conhecimento e consciência de sua própria gramática, de sua própria fala e do outro. De acordo com diversos linguistas, existe uma gramática cujo nível de abstração está acima da fala individual, assim, neste sentido ser um falante nativo significa estar linguisticamente próximo a outros falantes. Deste modo, a língua comum de qualquer comunidade, seja de uma família, cidade, tribo, povoado, região, ilha, país pode ser objeto de descrição gramatical.


