Lombardia Maior
Lombardia Maior era o nome que, na Alta Idade Média, receberam os domínios lombardos na península Itálica setentrional e atual Toscana e incluía a capital do Reino Lombardo, Pávia. Estava dividida entre os Ducados de Friul, Ceneva, Vicenza, Verona, Trento, Bréscia, Bérgamo, San Giulio, Pávia, Turim, Asti e Túscia. Foi dominada em 774 por Carlos Magno (r. 768–814), quando de sua invasão de resgate à Roma, sendo incorporada ao Império Carolíngio.
Sob comando de Alboíno (r. 560/565–572), os lombardos invadiram a península Itália através do Friul em 568, conquistando dos bizantinos grande parte do território peninsular ao sul dos Alpes, sem poderem constituir, pelo menos inicialmente, um domínio homogêneo e contíguo. As terras submetidas reagruparam-se, na terminologia da época, em duas grandes áreas: a Lombardia Maior, dos Alpes à atual Toscana, e a Lombardia Menor, incluindo os territórios dos Ducados de Espoleto e Benevento ao sul das possessões bizantinas que, no final do século VI, se estendiam desde Roma a Ravena através das atuais Úmbria e Marcas. Militarmente minoritários, concentraram-se, repartidos nas tradicionais faras, nas sedes ducais ou nos pontos estratégicos (ao longo das vias de comunicação ou perto dos seus confins). Só com o tempo, e decisivamente sob o reinado de Liuprando (r. 711–744), se desenvolveu um pleno controle do território. Isso causa um problema de imprecisão quanto em relação aos confins da Lombardia Maior, principalmente em suas primeiras fases. No momento da invasão proveniente da Panônia, em 568, os lombardos ocuparam mais ou menos homogeneamente grande parte da Planície Padana – a porção norte-oriental completa (os atuais Vêneto e Friul, salvo Pádua, Oderzo e uma estreita faixa costeira); a porção central ao norte do Pó, com Bréscia, Bérgamo, Mediolano, Pávia e o todo o vale do Ticino (ficaram inicialmente excluídas Cremona e a ilha Comacina); a porção noroeste completa, isto é, o atual Piemonte (porém não a Ligúria) - e a atual Toscana.
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A Lombardia Maior era o centro do reino dos lombardos e a sua história confunde-se com a do próprio reino. Em geral, a sua vivência histórica registra uma progressiva e constante evolução para sempre maiores formas de concentração por parte do poder central, com sede em Pavia. Durante a conquista e as fases imediatamente sucessivas, as exigências militares foram predominantes e garantiram aos distintos duques um amplo poder dentro dos respectivos territórios. O primeiro ducado que Alboíno constituiu foi, em 569, o de Friul (com sede em Cividade). Depois, em rápida sucessão, erigiram-se entre 569 e 572 os com sede nas outras cidades conquistadas: Ceneda, Vicenza, Verona, Trento, Bréscia, Bérgamo, San Giulio, Pavia, Turim, Asti e Luca (Túscia). Os duques inicialmente reinaram como soberanos quase absolutos, durante toda a fase de interregno que ocorre entre a morte de Clefo (574) e a eleição de Autário (584); também depois conservaram ampla autonomia, e o poder central não teve sucesso em controlar as tendências independentistas.


