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Maçonaria

Maçonaria refere-se a organizações fraternais que têm as suas origens nas guildas medievais de canteiros que, a partir do final do século XIII, regulamentavam a qualificação da profissão e a sua interação com autoridades e clientes. Devido a equívocos sobre a tradição da maçonaria de não discutir seus rituais com não membros, a fraternidade tornou-se associada a muitas teorias da conspiração.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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História

Desde meados do século XIX, os historiadores maçônicos buscam as origens do movimento em uma série de documentos semelhantes conhecidos como Manuscritos Maçônicos, que datam desde cerca de 1425 até o início do século XVIII. Aludindo ao pertencimento a uma loja de pedreiros operativos, eles a relacionam a uma história mitologizada, aos deveres de suas notas e à maneira pela qual os juramentos de fidelidade devem ser tomados ao ingressar. É do século XV também a primeira evidência de rito cerimonial. Não há um mecanismo claro pelo qual essas organizações profissionais se tornaram as lojas maçônicas de hoje. Os primeiros rituais e senhas conhecidos, que provém de lojas operacionais da virada do século XVII a XVIII, mostram que houve a continuidade dos rituais desenvolvidos no final do século XVIII por maçons aceitos ou "especulativos", como aqueles membros que não praticavam o ofício físico passaram a ser gradualmente conhecidos. As atas da loja de Edimburgo (Capela de Maria) nº 1, na Escócia, mostram a passagem de uma loja operativa em 1598 para uma loja especulativa moderna. Ela tem a reputação de ser a loja maçônica mais antiga do mundo.

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Sociedade

A maçonaria teve influência decisiva em grandes acontecimentos mundiais, tais como a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Tem sido relevante, desde a Revolução Francesa, a participação da maçonaria em levantes, sedições, revoluções e guerras separatistas em muitos países da Europa e da América. No Brasil, deixou suas marcas, especialmente na independência do Brasil do jugo da metrópole portuguesa e, entre outras, a inconfidência mineira e na denominada "Revolução Farroupilha", no extremo sul do país, tendo legado os símbolos maçônicos na bandeira do Rio Grande do Sul, estado da Federação brasileira. Vários outros Estados da Federação possuem símbolos maçônicos nas suas bandeiras, como Minas Gerais, por exemplo. A divulgação dos direitos do homem e da ideia de um governo republicano inspirou a maçonaria no Brasil, em particular depois da Revolução Francesa, quando os cidadãos derrubam a monarquia absolutista secular. As ideias que fermentaram o movimento (século XVIII) havia levedado o espírito dos colonos americanos, que emigraram para a América em busca de liberdade religiosa e política.

Iluminismo

O Iluminismo é um conceito que sintetiza diversas tradições filosóficas, sociais, políticas, correntes intelectuais e atitudes religiosas. Pode-se falar mesmo em diversos micro-iluminismos, diferenciando especificidades temporais, regionais e de matiz religioso, como nos casos de Iluminismo tardio, Iluminismo escocês e Iluminismo católico. O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor — mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Devido a formação intelectual e a autonomia que cada loja tem para pronunciar-se e decidir em assembleia conforme a deliberação de seus associadas, não podemos falar em influência da Maçonaria Universal sobre determinado aspecto, mas sim de uma ou grupos de lojas. Como aconteceu no Brasil quando havia lojas ou grupos de Lojas a favor da República e outras lojas ou grupos de Lojas a favor de reinos constitucionais durante o Segundo Império. Essas posições, aparentemente divergentes atendem às aspirações da liberdade maçônica porque ambos os mencionados sistemas políticos limitam os poderes de seus governantes máximos, o presidente ou o rei.

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Estrutura e características

A maçonaria exige, de seus membros, o respeito às leis do país em que cada maçom vive e trabalha. Os princípios maçônicos não podem entrar em conflito com os deveres que, como cidadãos, têm os maçons. Na realidade, estes princípios tendem a reforçar o cumprimento de suas responsabilidades públicas e privadas. Induz seus membros a uma profunda e sincera reforma de si mesmos, ao contrário de ideologias que pretendem transformar a sociedade, com uma sincera esperança de que o progresso individual contribuirá, necessariamente, para a posterior melhora e progresso da Humanidade. E é por isso que os maçons jamais participarão de conspirações contra o poder legítimo, escolhido pelos povos. Para um maçom, as suas obrigações como cidadão e pai de uma família devem, necessariamente, prevalecer sobre qualquer outra obrigação e, portanto, não dará nenhuma proteção a quem agir desonestamente ou contra os princípios morais e legais da sociedade.

Obediências

A Maçonaria Simbólica divide-se em Obediências Maçônicas designadas de Grande Loja, Grande Oriente ou Ordem, que são unidades administrativas diferentes, que agrupam diversas Lojas, mas que propagam os mesmos ideais. Além da Maçonaria Simbólica, e conforme o Rito praticado (sistema de práticas e normas que englobam os Rituais adotados nas Lojas Simbólicas e acrescentam ainda graus para estudos filosóficos), existem os Altos Graus, que se subordinam a outras entidades, assim são por exemplo, os Altos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito estão sob a égide tutelar de um Supremo Conselho, geralmente um por país, sendo comum que os Supremos Conselhos mantenham relações de reconhecimento entre si, bem como celebrem tratados com os corpos da Maçonaria Simbólica, mas limitando-se apenas a administrar os seus ditos graus "superiores", que no caso do R.E.A.A. compreende os graus 4º ao 33º, sendo que o conteúdo de muitos destes graus não possuem qualquer ligação direta com a Lenda tradicional que fundamenta a Maçonaria Universal no mundo (ver Landmarks de Albert Mackey).

Regularidade

São os regulamentos consagrados na Constituição de Anderson, considerados o fundamento e pilar da maçonaria moderna, que obrigam à crença em Deus. Consequentemente, com o não cumprimento deste critério, fica, desde logo, designada a atividade maçônica como irregular. Para ser membro da maçonaria, não basta a autoproclamação, por isso é necessário um convite formal e é obrigatório que o indivíduo seja iniciado por outros maçons. Mantém o seu estatuto desde que cumpra com os seus juramentos e obrigações, sejam elas esotéricas ou simbólicas, e esteja integrado numa Loja regular, numa Grande Loja ou num Grande Oriente, devidamente consagrados, segundo as terminologias tradicionais, ditadas pelos Landmarks da Constituição de Anderson.

Mulheres

O tema da relação entre mulheres e Maçonaria é complexo e sem uma explicação fácil. Tradicionalmente, só os homens podem ser maçons no âmbito da Maçonaria Regular. Há evidências, embora o fenômeno fosse raro, que algumas mulheres tomassem o controle de acesso em várias corporações, antes do surgimento da Maçonaria especulativa. Alguns dos estatutos de idade (idade de referência) mostram, por exemplo, o comércio do livro de Paris (1268), os estatutos da Guilda dos Carpinteiros em Norwich (1375), ou os estatutos das Lojas de York (1693). Na França, o cavaleiro de Ramsay, em seu famoso discurso maçônico de 1736, contém a mesma proibição, mas é menos uma questão de princípio do que a defesa da "pureza de nossos costumes":

Ritos

A maçonaria é composta por Graus Simbólicos e Filosóficos, variando o seu nome e o âmbito de Rito para Rito. A maçonaria simbólica compreende o seguintes três graus obrigatórios, previstos nos landmarks da Ordem: Aprendiz; Companheiro e Mestre. O trabalho realizado nos graus ditos "superiores" ou filosóficos é optativo e de caráter complementar. Os ritos, compostos por procedimentos ritualísticos, são métodos utilizados para transmitir os ensinamentos e organizar as cerimônias maçônicas. Cada rito tem suas características particulares, assemelhando-se ou divergindo do outro em aspectos gerais, em detalhes, mas convergindo em pelo menos um ponto comum: a regularidade maçônica, isto é, o reconhecimento internacional amparado pela Constituição de Anderson

Lojas e templos

Na maior parte do mundo, os maçons juntam-se, formando lojas maçônicas (português brasileiro) ou maçónicas (português europeu) de modo a trabalhar nos graus simbólicos da maçonaria. As Lojas não são os edifícios onde se reúnem, mas a própria organização; podem também ser cedidas pelos maçons a ordens patrocinadas pela maçonaria, como a Ordem DeMolay e a Ordem dos Escudeiros da Távola Redonda. As diversas maçonarias nacionais estão divididas por "oficinas" que podem ser constituídas por lojas (com mais de seis "maçons perfeitos") ou triângulos maçônicos (pelo menos até seis maçons) ou ainda, no Rito Escocês Antigo e Aceito, com no mínimo sete maçons, dos quais três mestres maçons.

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Presença mundial

Desde a sua criação, a maçonaria viu o paradoxo de ser universal, enquanto existente em maneiras muito diferentes e em diferentes épocas e países. Estima-se que, ao redor do mundo, haja entre 4 e 6 milhões de pessoas ligadas à maçonaria, contra 7 milhões em 1950. Esta redução de efetivos foi principalmente na maçonaria Anglo-Americana, cujo número quase dobrou nos dez anos seguintes à Segunda Guerra Mundial e, em seguida, diminuiu gradualmente mais de 60% nos cinquenta anos seguintes. Na Europa continental, os números diminuíram significativamente após a Ocupação e não tinha conhecido um aumento semelhante nos anos 1950. Eles são atualmente um pouco mais elevados. Na maioria dos países da América Latina, predomina a maçonaria dogmática. É tão presente na Europa (é a essência da maçonaria europeia) quanto na América Latina. No Canadá, é bastante marginalizada e é quase inexistente nos Estados Unidos, onde as lojas são pouco "liberais" (no estilo europeu), sendo frequentadas, na sua maioria, por residentes e visitantes. Em todo o restante do mundo, no entanto, a tendência é seguir o "mainstream" das Lojas Anglo-Americanas. Em alguns países, porém, os dois movimentos existem lado a lado, ou em um relacionamento amigável de compreensão mútua (especialmente em certas regiões onde a maçonaria de todas as tendências têm sido particularmente perseguida), ou com relações mais tensas.

Brasil

A primeira loja maçônica brasileira surgiu em Pernambuco no ano de 1796: o Areópago de Itambé, instalado por Manuel Arruda Câmara. Arruda Câmara foi um padre carmelita que deixou a batina para estudar medicina na Universidade de Montpellier na França. Após se especializar em Botânica, ele retornou a Pernambuco, fundando a sociedade filosófica que viria a influenciar, anos mais tarde, a Conspiração dos Suassunas e a Revolução Pernambucana. A maçonaria esteve presente em momentos fundamentais da história do Brasil, como a Independência, a Proclamação da República e a Abolição da Escravatura. Enquanto Ordem Maçônica comprometida com os valores éticos do amor à pátria e o bem comum, esteve presente durante o processo de redemocratização do país, e mesmo recentemente tem lutado juntamente com outras organizações da sociedade civil para a construção de uma classe política brasileira honesta e menos demagógica.

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Antimaçonaria

Antimaçonaria foi definida como "oposição à Maçonaria", mas não há movimento antimaçônico homogêneo. A antimaçonaria consiste em críticas amplamente diferentes de diversos grupos (e muitas vezes incompatíveis) que são hostis à maçonaria de alguma forma. Os críticos incluíram grupos religiosos, grupos políticos e teóricos da conspiração, em particular aqueles que defendiam as teorias da conspiração maçônicas, como a teoria da conspiração judaico-maçônica ou a conspiração judaico-maçônico-comunista internacional. Certos antimaçons de destaque, como Nesta Helen Webster (1876–1960), criticaram exclusivamente a "Maçonaria Continental" enquanto consideravam a "Maçonaria Regular" uma associação honrosa. Houve muitos boatos contra a maçonaria que datam do século XVIII. Eles geralmente não têm contexto, podem estar desatualizados por vários motivos, ou podem ser boatos diretos por parte do autor, como no caso da Fraude de Taxil. Esses hoaxes frequentemente se tornaram a base para críticas à maçonaria, geralmente de natureza religiosa ou política, ou são baseados na suspeita de alguma forma de conspiração corrupta. A oposição política que surgiu após o "Caso Morgan", em 1826, deu origem ao termo "antimaçonaria", que ainda hoje é usado nos Estados Unidos, tanto pelos maçons em referência a seus críticos quanto como pelos próprios críticos.

Religião

A maçonaria atraiu críticas de Estados teocráticos e religiões organizadas por suposta competição com a religião, ou suposta heterodoxia dentro da própria fraternidade e tem sido alvo de teorias da conspiração, que afirmam que a maçonaria é um poder oculto e maligno. O estudioso maçônico Albert Pike é frequentemente citado (em alguns casos mal-citado) por anti-maçons protestantes como uma autoridade para a posição da Maçonaria sobre essas questões. No entanto, Pike, embora instruído, não era um porta-voz da Maçonaria e também era controverso entre os maçons em geral. Seus escritos representavam apenas sua opinião pessoal e, além disso, uma opinião fundamentada nas atitudes e entendimentos da Maçonaria do Sul dos EUA no final do século XIX. Notavelmente, seu livro traz no prefácio uma forma de renúncia de sua própria Grande Loja. Nenhuma voz jamais falou por toda a Maçonaria.

Oposição política

Em 1799, a maçonaria britânica quase parou devido a proclamação do Parlamento. Após a Revolução Francesa, a Lei das Sociedades Ilícitas proibiu quaisquer reuniões de grupos que exigissem que seus membros prestassem juramento ou obrigação. Os Grão-Mestres das Lojas Modernas e Antigas chamaram o primeiro-ministro William Pitt (que não era maçom) e explicaram a ele que a maçonaria era um defensora da lei e constituía legalmente a autoridade e estava muito envolvida em trabalhos de caridade. Como resultado, a maçonaria foi especificamente isenta dos termos da Lei, desde que o Secretário de cada loja particular colocasse junto ao "Secretário da Paz" local uma lista dos membros de sua loja uma vez por ano. Isso continuou até 1967, quando a obrigação da disposição foi rescindida pelo Parlamento.

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Fontes consultadas

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