Pesquisa · Mapa mental

Maria da Escócia

Maria, também conhecida como Maria Stuart ou Maria I, foi rainha da Escócia de 1542 a 1567 e rainha consorte da França de 1559 a 1560, sendo filha do rei Jaime V da Escócia e de Maria de Guise, Maria herdou o trono escocês com apenas seis dias de vida após a morte de seu pai. Ela foi coroada em 9 de setembro de 1543, sendo a última monarca da casa Stuart a governar independentemente a Escócia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
01

Infância e início de reinado

Maria nasceu no dia 7 ou 8 de dezembro de 1542[nota 1] no Palácio de Linlithgow, Escócia, filha do rei Jaime V e sua segunda esposa Maria de Guise. Afirma-se que ela nasceu prematura e foi a única descendente legítima de Jaime a sobreviver. Era neta de Margarida Tudor, irmã mais velha do rei Henrique VIII de Inglaterra, sendo assim sobrinha neta do rei inglês. Ela ascendeu ao trono seis dias após seu nascimento quando seu pai morreu, talvez por conta de uma crise nervosa depois da Batalha de Solway Moss, ou por ter bebido água contaminada durante a campanha. Uma lenda popular registrada pela primeira vez por João Knox diz que Jaime, ao ouvir em seu leito de morte que sua esposa havia dado à luz uma menina, tristemente exclamou que "Começou com uma moça, acabará com uma moça!"[nota 2] A Casa de Stuart havia ganho o trono da Escócia pelo casamento de Margarida de Bruce, filha do rei Roberto I, com Gualtério Stuart, 6.º Grão-senescal da Escócia. A coroa chegou em sua família através de uma mulher e seria tirada por uma mulher. Essa afirmação lendária virou realidade dois séculos depois – apesar de não com Maria, mas sim com sua descendente, a rainha Ana da Grã-Bretanha.

Tratado de Greenwich

Henrique VIII aproveitou a oportunidade da regência escocesa para propor o casamento entre Maria e seu filho Eduardo, tendo a esperança de uma união da Escócia com a Inglaterra. Quando a rainha tinha apenas seis meses de idade, foi assinado em 1 de julho de 1543 o Tratado de Greenwich, que dizia que Maria se casaria com Eduardo aos dez anos de idade e se mudaria para a Inglaterra, onde Henrique poderia supervisionar seu crescimento. O tratado ditava que os dois países permaneceriam legalmente separados, e que caso o casal não tivesse filhos a união temporária seria dissolvida. Porém, Beaton voltou ao poder e começou a defender uma política pró-católica e pró-francesa, enfurecendo Henrique que queria quebrar a aliança escocesa com a França. O cardeal queria levar Maria para longe da costa até a segurança do Castelo de Stirling. Hamilton resistiu à mudança, porém cedeu quando os apoiadores armados de Beaton se reuniram em Linlithgow. Mateus Stuart, 4.º Conde de Lennox escoltou Maria e Maria de Guise com três mil homens até Stirling em 27 de julho de 1543. A rainha foi coroada em 9 de setembro de 1543 na capela do castelo com "tal solenidade como eles usam neste país, que não é muito custosa", de acordo com Sadler e Henrique Ray.

Vida na França

Maria, então com cinco anos, foi enviada para a França e passou os próximos treze anos na corte francesa. A frota enviada por Henrique II era comandada por Nicolas Durand de Villegaignon e partiu de Dumbarton com a rainha em 7 de agosto de 1548, chegando em Roscoff ou Saint-Pol-de-Léon na Bretanha cerca de uma semana depois. Foi acompanhada pela sua própria corte que incluía dois meio-irmãos ilegítimos e "quatro Marias", quatro meninas de mesma idade todas chamadas Maria, filhas de algumas das famílias mais nobres da Escócia: Beaton, Seton, Fleming e Livingston. Sua governanta foi Janet Stuart, Lady Fleming e mãe de Maria Fleming, além de filha ilegítima de Jaime IV.

Pretensão ao trono inglês

Eduardo VI havia morrido em julho de 1553 e fora sucedido por sua meia irmã Maria I, que morreu em novembro de 1558 e por sua vez foi sucedida por sua única meia-irmã ainda viva Isabel I. Sob o Terceiro Ato de Sucessão aprovado em 1543 pelo parlamento inglês, Isabel foi reconhecida como herdeira de seu meio-irmão e meia-irmã, enquanto o testamento de Henrique VIII excluiu a Casa de Stuart da linha de sucessão da Inglaterra. Mesmo assim, Eduardo e Isabel eram vistos por muito católicos como ilegítimos, e que assim Maria da Escócia era a verdadeira rainha inglesa como descendente de Margarida Tudor. Henrique II proclamou que seu filho e sua nora eram os rei e rainha da Inglaterra, fazendo com que o brasão real inglês fosse empalado com o francês de Francisco e o escocês de Maria. Sua reivindicação ao trono da Inglaterra foi um ponto de discórdia permanente entre ela e Isabel.

02

Retorno à Escócia

Francisco II morreu em 5 de dezembro de 1560 de uma otite média que gerou um abscesso no seu cérebro. Maria ficou devastada. Sua sogra Catarina de Médici tornou-se a regente do novo rei Carlos IX, então com dez anos de idade, irmão mais novo de Francisco. Maria voltou para a Escócia nove meses após a morte de Francisco, chegando em Leith no dia 19 de agosto de 1561. Ela tinha pouca experiência direta com a complexa situação política de seu país natal já que tinha vivido desde os cinco anos de idade na França. Era vista com suspeita por muitos de seus súditos e por Isabel I por ser católica. O reino estava dividido entre facções católicas e protestantes, com seu meio-irmão ilegítimo Jaime Stuart, 1.º Conde de Moray, sendo um dos líderes protestantes. O reformista protestante João Knox pregou contra Maria, condenando-a por ir a missa, dançar e se vestir de maneira muito elaborada. A rainha o convocou para sua presença para argumentar com ele, sem sucesso, mais tarde acusando Knox de traição, porém ele depois foi inocentado e libertado.

03

Casamento com Lorde Darnley

Maria conheceu brevemente Henrique Stuart, Lorde Darnley, em fevereiro de 1561 enquanto ainda estava de luto por Francisco. Os pais de Henrique eram Mateus Stuart, 4.º Conde de Lennox, e Margarida Douglas, que eram aristocratas escoceses e também donos de terras ingleses que enviaram o filho para a França para dar condolências a rainha e também na esperança de uma futura união entre os dois. Tanto Maria quanto Henrique eram netos de Margarida Tudor e descendentes patrilineares dos Altos Comissários da Escócia. Ele partilhava uma linhagem recente com o clã Hamilton como descendente de Maria Stuart, filha do rei Jaime II. Os dois se encontraram novamente em 17 de fevereiro de 1565 no Castelo de Wemyss, com Maria se apaixonando pelo "rapaz comprido" (como Isabel o chamava – ele tinha mais de 1,80 m de altura). Eles se casaram em 29 de julho de 1565 no Palácio de Holyrood, mesmo com ambos sendo católicos e sem a dispensa papal necessária por serem primos diretos.[nota 6]

Assassinato de Henrique

Jaime, filho de Maria e Henrique, nasceu em 19 de junho de 1566 no Castelo de Edimburgo, porém o assassinato de Rizzio levou inevitavelmente ao colapso do casamento. Enquanto estava hospedada em Jedburgo nas Fronteiras Escocesas em outubro do mesmo ano, Maria cavalgou por pelo menos quatro horas para visitar Jaime Hepburn no Castelo Hermitage, onde ele estava doente por causa de ferimentos adquiridos durante um ataque de foras da lei. A viagem depois foi usada por seus inimigos como evidência que os dois eram amantes, apesar de nenhuma suspeita ter aparecido na época e a rainha esteve acompanhada por guardas e conselheiros. Ela sofreu uma séria doença imediatamente ao voltar para Jedburgo, frequentemente vomitando, perdendo a visão, perdendo a fala, tendo convulsões e passando por períodos de falta de consciência. Acreditou-se que Maria estava morrendo. Sua recuperação a partir de 25 de outubro foi creditada para seus médicos franceses. Não se sabe a causa da doença; os diagnósticos incluem exaustão física e estresse mental, hemorragia ou uma úlcera gástrica, e até mesmo porfiria.

04

Abdicação e prisão na Escócia

Maria visitou seu filho em Stirling pela última vez em 21 e 23 de abril de 1567. Ela foi sequestrada por Hepburn e seus homens no dia 24 enquanto voltava para Edimburgo, de boa vontade ou não, e levada ao Castelo de Dunbar onde ele talvez a tenha estuprado.[nota 8] Maria e Hepburn voltaram para a capital em 15 de maio e se casaram em uma cerimônia protestante no palácio ou abadia de Holyrood. Hepburn havia se divorciado doze dias antes de sua esposa Joana Gordon, irmã de Jorge Gordon. A rainha inicialmente acreditou que muitos nobres apoiavam o casamento, porém as coisas logo pioraram entre Hepburn e os outros pariatos, com a união mostrando-se muito impopular. Os católicos consideravam o casamento como ilegal, já que não reconheciam o divórcio de Hepburn e a validade da cerimônia protestante. Tanto os protestantes quanto os católicos ficaram chocados que Maria tenha se casado com o homem acusado de assassinar seu antigo marido. O casamento foi turbulento e ela ficou desanimada. 26 pariatos escoceses, conhecidos como lordes confederados, reuniram um exército e se viraram contra Maria e Hepburn. Os dois enfrentaram os lordes em 15 de junho na Batalha do Morro de Carberry, porém as forças realistas praticamente desapareceram através de deserções e negociações. Hepburn recebeu passagem segura para ir embora do campo de batalha e os lordes levaram Maria para Edimburgo, onde as multidões a acusavam de ser uma adúltera e assassina. Ela foi aprisionada na noite seguinte dentro do Castelo de Loch Leven, em uma ilha no meio do Loch Leven. Ela abortou gêmeos entre os dias 20 e 23 de julho. Maria foi forçada a abdicar do trono em 24 de julho em favor de seu filho Jaime, então com apenas um ano de idade. Jaime Stuart foi nomeado regente e Hepburn foi forçado ao exílio. Ele foi aprisionado na Dinamarca, ficou insano e morreu em 1578.

05

Fuga e prisão na Inglaterra

Maria fugiu do Castelo de Loch Leven em 2 de maio de 1568 com a ajuda de Jorge Douglas, irmão do dono do castelo sir Guilherme Douglas. Ela conseguiu reunir um exército de seis mil homens e se encontrou com as forças em menor número de Jaime Stuart em 13 de maio na Batalha de Langside. A rainha foi derrotada e fugiu para o sul; ela passou a noite na Abadia de Dundrennan e cruzou o Estuário de Solway para a Inglaterra no dia 16 dentro de um barco pesqueiro. Maria desembarcou em Workington no norte da Inglaterra e passou a noite no Workington Hall. Oficiais locais a levaram sob custódia preventiva em 18 de maio para o Castelo de Carlisle. Maria aparentemente esperava que Isabel a ajudasse a reconquistar o trono. A rainha inglesa estava cautelosa e ordenou que uma investigação fosse realizada sobre a conduta dos lordes confederados e se Maria era culpada do assassinato de Henrique. As autoridades inglesas levaram a rainha escocesa para o Castelo de Bolton em julho de 1568 porque era mais longe da fronteira escocesa, porém não tão perto de Londres. Uma comissão de inquérito seu reuniu em Iorque e depois em Westminster entre outubro de 1568 e janeiro de 1569. Seus apoiadores na Escócia travaram uma guerra civil contra Stuart e seus sucessores.

Cartas do cofre

Como rainha soberana, Maria se recusou a reconhecer o poder de qualquer corte para julgá-la e não compareceu pessoalmente aos inquéritos em Iorque (porém mandou representantes); de qualquer forma Isabel não permitiu que ela comparecesse.[nota 9] Stuart apresentou como provas contra Maria as chamadas cartas do cofre: oito cartas não assinadas supostamente da rainha para Hepburn, dois contratos de casamento, um soneto de amor ou sonetos que afirmou-se terem sido encontrados em um pequeno cofre de prata de 30 cm decorado com o monograma de Francisco II. Maria negou tê-las escrito, dizendo que sua caligrafia não era difícil de ser imitada, insistindo que todos os documentos eram falsos. Eles foram vistos como cruciais sobre a questão da culpa da rainha no assassinato de Henrique. Tomás Howard, 4.º Duque de Norfolk e presidente da comissão de inquérito, descreveu as cartas como horríveis, enviando cópias para Isabel dizendo que caso fossem genuínas provariam a culpa de Maria.

Conspirações

Maria foi transferida para o Castelo de Tutbury em 26 de janeiro de 1569 e foi colocada aos cuidados de Jorge Talbot, 6.º Conde de Shrewsbury, e sua esposa Bess de Hardwick. Isabel considerava como sérias ameaças as aspirações de Maria para o trono inglês e assim a confinou às propriedades de Talbot, incluindo Tutbury, o Castelo de Sheffield, a Mansão Wingfield e a Casa Chatsworth, todas localizadas no interior da Inglaterra, no meio do caminho entre Londres e a Escócia e distante do mar. A rainha escocesa recebeu permissão para ter seus próprios criados, que nunca passaram de dezesseis, e precisava de trinta carroças para transportar seus pertences de residência para residência. Seus aposentos eram decorados com ricas tapeçarias e tapetes, além de seu próprio baldaquino que tinha bordado a frase En ma fin est mon commencement ("No meu final está meu começo").[nota 10] Suas roupas de cama eram trocadas diariamente e seus próprios cozinheiros preparavam refeições que eram servidas em pratos de prata. Ela ocasionalmente recebia permissão para sair sob rígida supervisão, passando sete verões na estância termal de Buxton, com bordado sendo seu passatempo preferido. Sua saúde piorou, talvez por porfiria ou pela falta de exercícios, passando a sofrer de reumatismo em seus membros na década de 1580, ficando manca.

06

Morte

Julgamento

Maria foi implicada na Conspiração de Babington e foi presa em 11 de agosto de 1586, sendo levada até Tixall. Walsingham deliberadamente conseguiu que as cartas da rainha escocesa fossem tiradas de Chartley em uma tentativa bem sucedida de incriminá-la. Maria foi levada a acreditar que suas cartas estavam seguras quando na realidade haviam sido decifradas e lidas pelo secretário. A partir dessas cartas ficou claro que ela havia sancionado uma tentativa de assassinato contra Isabel. Maria foi levada para o Castelo de Fotheringhay, chegando em 25 de setembro, e foi colocada sob julgamento em outubro diante um júri formado por 36 nobres pela acusação de traição de acordo com Decreto pela Segurança da Rainha; dentre os jurados estavam Cecil, Talbot e Walsingham. Maria negou todas as acusações, pedindo para os jurados "Olhem em suas consciências e lembrem-se que o cenário do mundo inteiro é maior que o reino da Inglaterra". Ela salientou o fato de não ter recebido a oportunidade de ver as evidências, que seus documentos haviam sido tomados, que lhe foi negado o direito de aconselhamento legal e que não podia ser condenada por traição porque era uma rainha estrangeira e assim não uma súdita inglesa.

Execução

Maria soube em 7 de fevereiro de 1587 que seria executada na manhã do dia seguinte. Ela passou suas últimas horas de vida rezando, distribuindo seus pertences dentre sua criadagem, escrevendo um testamento e uma carta para ser enviada ao rei da França. Um cadafalso preto foi erguido no grande salão de Fotheringhay. Ele tinha dois ou três degraus de altura e continha um bloco de execução, uma almofada para ela se ajoelhar e três banquinhos, um para ela e os outros dois para Talbot e Henrique Grey, 6.º Conde de Kent, as testemunhas de sua execução. Os carrascos (um chamado Touro e seu assistente) se ajoelharam diante dela e pediram por perdão. Maria respondeu, "Eu os perdoo com todo meu coração, pois agora, espero, vocês darão final a todos os meus problemas". Os carrascos e suas criadas Joana Kennedy e Isabel Curle ajudaram a rainha e tirar suas vestimentas externas, revelando uma anágua de veludo e um par de luvas de vermelho-marrom, as cores litúrgicas católicas do martírio, com um corpete de cetim preto e enfeites também pretos. Ao tirar as vestes ela sorriu e disse que "nunca tive tais noviços antes... nem nunca despi de minhas roupas diante tal companhia". Maria foi vendada por Kennedy com um véu branco bordado em ouro, se ajoelhou na almofada na frente do bloco, posicionou sua cabeça e esticou seus braços. Suas últimas palavras foram "In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum" ("Em tuas mãos, ó Senhor, entrego meu espírito").

07

Legado

Isabel ficou indignada quando soube da execução e afirmou que Davison havia desobedecido suas instruções ao se separar do mandato de execução e que o conselho privado agiu sem sua autoridade. A vacilação da rainha inglesa e suas instruções deliberadamente vagas lhe deram negação plausível para tentar evitar ser diretamente envolvida na morte de Maria. Davison foi aprisionado na Torre de Londres e condenado por conivência. Ele foi solto dezenove meses depois quando Cecil e Walsingham intercederam a seu favor. Maria havia pedido para ser enterrada na França, porém Isabel recusou a ideia. Seu corpo foi embalsamado e deixado em um caixão de chumbo até seu enterro na Catedral de Peterborough, em um serviço protestante, no final de julho. Seus intestinos haviam sido removidos durante o embalsamamento e foram secretamente enterrados no Castelo de Fotheringhay. Seu corpo foi exumado em 1612 e reenterrado na Abadia de Westminster a mando de seu filho Jaime VI & I, em uma tumba oposta a de Isabel. A tumba foi aberta em 1867, enquanto historiadores tentavam encontrar o local de enterro de Jaime; ele acabou sendo encontrado perto de Henrique VII, porém muito de seus descendentes, incluindo Isabel Stuart, Rainha da Boêmia, o príncipe Ruperto do Reno e os filhos da rainha Ana da Grã-Bretanha, foram enterrados no mesmo túmulo de Maria.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando