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Mauritânia

Mauritânia, oficialmente República Islâmica da Mauritânia, é um país soberano no noroeste da África. Faz fronteira com o Oceano Atlântico a oeste, o Saara Ocidental a norte e noroeste, a Argélia a nordeste, o Mali a leste e sudeste e o Senegal a sudoeste. Em termos de área territorial, a Mauritânia é o 11º maior país da África e o 28º maior do mundo; 90% do seu território está no Saara. A maior parte da sua população, cerca de 4,3 milhões, vive no sul temperado do país, com cerca de um terço concentrado na capital e maior cidade, Nuaquexote, na costa atlântica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia

O nome do país vem da antiga região da Mauritânia. Esta região, localizada ao norte das Montanhas Atlas, era o território do povo berbere conhecido pelos romanos como Mauri, onde eles vieram a formar um reino. Mais tarde, o Reino da Mauritânia foi anexado por Roma e dividido nas províncias da Mauritânia Tingitana e Mauritânia Cesariense. O território da Mauritânia moderna, localizado consideravelmente mais ao sul, não corresponde ao da antiga região. O nome "Mauritânia Ocidental" foi proposto por Xavier Coppolani, um oficial da África Ocidental Francesa, quando criou a nova colônia francesa no território da Mauritânia moderna. Este nome, que evoca o do antigo reino berbere, aparece pela primeira vez em 27 de dezembro de 1899 em um documento oficial francês. Antes de adotar seu nome atual, a Mauritânia era conhecida no mundo árabe como "Bilad Chinguetti" (o país de Chingueti), em referência à cidade de Chingueti, um importante centro comercial, religioso e intelectual.

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História

Imagem: carlosoliveirareis · BY-NC-SA · Openverse

Do século V ao VII, a migração de tribos berberes do Norte da África expulsou da região os bafures, habitantes originais da atual Mauritânia, ancestrais dos soninquês. Os bafures eram primordialmente agricultores, e estavam entre os primeiros povos do Saara a abandonar o seu estilo de vida tradicionalmente nômade. Com o gradual processo de desertificação da região, migraram para o sul. Seguiu-se uma migração em massa do povo que habitava a região do Saara Central para a África Ocidental, até que em 1076 monges-guerreiros islâmicos (almorávidas) atacaram e conquistaram o antigo Império do Gana, e assumiram o controle da região. Pelos próximos 500 anos os árabes foram a casta dominante da sociedade local, enfrentando resistência feroz da população local (tanto berberes quanto não berberes), da qual a Guerra de Char Bubá (1644–1674) foi o esforço derradeiro e malsucedido. Esta guerra colocou a população da Mauritânia contra invasores árabes da tribo maquil, vindos do Iêmen, liderados pela tribo dos Banu Haçane. Os descendentes desta tribo tornaram-se haçanes, camada mais alta da sociedade moura. Os berberes mantiveram sua influência por terem a maior parte dos marabutos — indivíduos que preservam e ensinam a tradição islâmica. Muitas das tribos berberes alegam origem iemenita (ou árabe em geral), porém há pouca evidência que comprove o fato, embora existam estudos que façam uma ligação entre os dois povos. O hassaniya, um dialeto árabe influenciado pelo berbere, cujo nome é derivado de Banu Haçane, tornou-se o idioma dominante entre a população nômade da época.

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Geografia

Com 1 030 700 km², a Mauritânia é o 29º país do mundo em extensão, com dimensões comparáveis às do Egito. A Mauritânia é quase inteiramente plana, com a maior parte do seu território formando planícies vastas e áridas, cortadas por tergos e formações semelhantes a penhascos. Uma série de escarpas, voltadas para o sudoeste, divide longitudinalmente estas planícies, no meio do país. As escarpas também separam uma série de planaltos de arenito, dos quais o mais alto é o Platô de Adrar, que chega a uma altitude de 500 metros. Diversos oásis sazonais percorrem os sopés de algumas destas escarpas. Alguns picos isolados, frequentemente ricos em minérios, se elevam sobre os planaltos; os menores deles são chamados de guelbs, e os mais altos de kedias. O Guelb er Richat, também conhecido como Estrutura de Richat, tem forma concêntrica, e é um marco importante da região norte-central. Kediet Ijill, próximo à cidade de Zouîrât, tem uma elevação de 1000 metros, e é o pico mais alto.

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Demografia

Em 2021, a população da Mauritânia chegou a 4,3 milhões de pessoas. A expectativa de vida é de aproximadamente 61,14 anos. Entre os grupos étnicos, cerca de 70% são mouros. Destes, 40% são mouros negros (haratines) e 30% mouros brancos (beydane). O resto da população são 30% negros de cultura não árabe, como os tuculores, fulas, mandês e jalofos. Cerca de 99,9% a população é islâmica, sunita, e 0,1% cristã.

Línguas

O árabe é a língua oficial e nacional da Mauritânia. A variedade falada localmente, conhecida como hassani, contém muitas palavras berberes e difere significativamente do árabe moderno padrão utilizado para comunicação oficial. O pulaar, o soninquê e o uolofe também servem como línguas nacionais. O francês é amplamente utilizado na mídia e entre as classes instruídas.

Cidades mais populosas

Nuaquexote (capital), Nuadibu (capital comercial, e segunda mais populosa).

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Política

Imagem: Vix Mørá · BY-NC · Openverse

A situação política da Mauritânia sempre foi determinada mais por indivíduos e tribos específicas do que por ideologias. A habilidade dos líderes em exercer seu poder político esteve sempre intimamente ligada ao controle dos recursos, à visão comunitária a respeito de sua habilidade e integridade e considerações tribais, étnicas, familiares e pessoais. O conflito entre os chamados "mouros brancos", "mouros negros" (haratine) e grupos étnicos não mouros (haal pulaars, soninquês, uólofes e bambaras), com ênfase no idioma, propriedade de terras e outras questões, continua a ser o principal desafio à unidade nacional. A burocracia governamental é composta de ministérios tradicionais, além de agências especiais e companhias paraestatais. O Ministério do Interior comanda um sistema de governadores e prefeitos regionais, que seguem o modelo do sistema francês de administração local. Sob este sistema, a Mauritânia se divide em 13 regiões (vilaietes), incluindo o distrito da capital, Nuaquexote. O controle está fortemente centralizado no ramo executivo do governo central; no entanto, uma série de eleições nacionais e municipais desde 1992 já produziram alguma descentralização, ainda que limitada em seu escopo.

Direitos Humanos

Os direitos humanos na Mauritânia são em geral vistos como pobres, segundo vários observadores internacionais, como a Freedom House, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e a Amnistia Internacional. A Amnistia Internacional acusou o sistema jurídico mauritano de funcionar com total desrespeito pelos procedimentos legais, julgamento justo ou prisão humana. A Amnistia Internacional também acusou o governo mauritano de um uso institucionalizado e contínuo de tortura durante décadas. Os haratin, mauritanos negros, de origem africana, são discriminados a favor dos bidans, mauritanos claros, de origem berbere, de quem são muitas vezes escravos, apesar de, no papel, a Mauritânia já ter abolido a escravatura por três vezes. O governo continua a deter ativistas antiescravistas e antidiscriminação.

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Subdivisões

Imagem: Vix Mørá · BY-NC · Openverse

A Mauritânia está dividida em 12 regiões e um distrito capital, que por sua vez está subdividido em 44 departamentos. As regiões, o distrito capital (em ordem alfabética), juntamente com suas capitais, são:

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Economia

Imagem: Vix Mørá · BY-NC · Openverse

Uma maioria da população depende da agricultura e da pecuária para a sobrevivência, ainda que a maioria dos nômades e praticantes do cultivo de subsistência tenham sido forçados para as cidades, devido às secas recorrentes ocorridas nas décadas de 1970 e 1980. A Mauritânia tem amplos depósitos de minério de ferro, que totalizam quase 50% do total das exportações do país. Com o aumento dos preços dos metais, companhias mineradoras de ouro e cobre abriram minas no interior do país. As águas territoriais mauritanas estão entre as mais ricas em peixes no mundo, porém a exploração abusiva por parte de pescadores estrangeiros tem ameaçado esta fonte vital de renda. O primeiro porto de águas profundas foi aberto perto de Nuaquexote, capital do país, em 1986. Nos últimos anos, as secas e as crises financeiras ocasionaram o aumento da dívida externa. Em março de 1999, o governo assinou um acordo com uma missão conjunta do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, visando a fazer os ajustes necessários na situação econômica do país e estabelecer metas de crescimento.

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Cultura

Imagem: Vix Mørá · BY-NC · Openverse

A Mauritânia, juntamente com Madagascar, é um dos únicos dois países do mundo que não utilizam o sistema decimal para a sua moeda, cuja unidade básica, o ouguiya, é composto por cinco khoums. Outros aspectos da cultura mauritana podem ser vistos em:

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Fontes consultadas

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