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Dinastia merovíngia

Os merovíngios foram uma dinastia franca que governou os francos numa região correspondente à antiga Gália, onde estão localizadas atualmente a França, a Bélgica, uma parte da Alemanha e da Suíça. Governaram da metade do século V à metade do IX. Seus governantes se envolveram com frequência em guerras civis entre os ramos da família. No último século de domínio merovíngio, a dinastia foi progressivamente empurrada para uma função meramente cerimonial. O domínio merovíngio foi encerrado por um golpe de Estado em 751 quando Pepino o Breve formalmente depôs Quilderico III, dando início à Dinastia Carolíngia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Origens

A partir das migrações germânicas do século V, os francos estabeleceram seu território no Império Romano, fundando um reino que alcançou a maior longevidade. A dinastia merovíngia é a primeira do Reino Franco, e o fundador desta dinastia é Meroveu, líder dos francos sálios, que tem uma origem semi-lendária, já que se tem poucos registros de sua existência. Foi pai de Quilderico I (457-481) que não teve muito destaque. Os Merovíngios ainda afirmavam ser descendentes dos troianos. O filho de Quilderico, Clóvis I, é quem inicia a expansão dos francos; ele começou a governar no território da Nêustria, e conseguiu unir sob seu controle a maior parte da Gália ao norte do Loire por volta de 486, quando ele derrotou Siágrio, o governante romano daquela região. Ele também venceu a Batalha de Tolbiac contra os alamanos em 496. Com tantas batalhas ganhas, Clóvis tornou-se, de fato, o rei dos francos (seu pai só governava um reino, o da Bélgica Segunda). Decisivamente derrotou o Reino Visigodo de Tolosa, que era um de seus principais rivais, na Batalha de Vouillé em 507; além de também ter derrotado os Alamanos e os Renanos, e fazer aliança com os Burgúndios para só depois derrotá-los. O imperador bizantino Anastácio reconheceu Clóvis como rei neste mesmo ano, isto não valia muita coisa para os romanos, mas já garantia uma legitimidade do seu governo em todo o território franco, gerando uma unidade. Após a morte de Clóvis, seu reino foi dividido entre seus quatro filhos, ficando divididos na Turíngia (530); Borgonha (534); Provenha (536); Bavária e Suária (555). A tradição da divisão do reino entre os herdeiros continuaria no século seguinte, e essa instabilidade de sucessão entre os herdeiros, marcou caracteristicamente o reino franco.

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História

Os francos eram um povo pagão, entretanto Clóvis se converte ao cristianismo niceno, graças ao bispo Remígio. Com isso, o reino franco foi se cristianizando aos poucos. Quando Clóvis morreu em 511, o reino merovíngio incluía todos os francos e toda a Gália exceto a Borgonha. O reino, mesmo quando dividido sob diferentes reis, manteve a unidade e conquistou a Borgonha em 534. Após a queda dos ostrogodos, os francos também conquistaram Provença. A partir daí, suas fronteiras com a Itália (governada pelos lombardos desde 568) e com a Septimânia visigoda permaneceram bastante estáveis. Internamente, o reino foi dividido entre os filhos de Clóvis. O único filho que sobreviveu foi Clotário I, que governou um grande reino, mas sua sucessão gerou grandes guerras civis. A morte de um rei criava conflitos entre os irmãos sobreviventes e os herdeiros do falecido, com consequências variadas. Depois, os conflitos foram intensificados pelas contendas que tiveram como figura central Brunilda da Austrásia. No entanto, as guerras constantes muitas vezes não se constituíam em devastação geral e tomavam uma característica quase ritual, com 'regras' e normas estabelecidas.

Território

Após a morte de Dagoberto o território franco não seria mais unificado; sempre haveria diferentes reis na Nêustria, Austrásia, Borgonha, Aquitânia. O historiador Jean Favier afirma que "em 263 anos, só durante 72 anos os merovíngios conheceram um reino dos francos que tinham à frente um único rei." A Nêustria foi o primeiro território conquistado pelos Merovíngios, Clóvis a dominou no ano de 486. Com Dagoberto ela torna-se, de fato, um reino; e após sua morte ganham destaques os grandes senhores e ganha destaque pelo seu embate com a Austrásia. Com a morte de Carlos Martel, ela deixa de existir enquanto entidade política. A Aquitânia virou um ducado do reino franco, mas o seu duque era praticamente independente, reforçando a ideia das administrações locais.

Decadência

A sequência de reis que não governava só fazia crescer cada vez mais, e os prefeitos do Palácio assumiam grande força política. Com a morte de Quilperico II, Teodorico IV assume o reino mas fica em um posto totalmente ocioso, dando espaço para total controle do prefeito do Palácio. Após o longo governo de Pepino de Herstal, seu filho Carlos Martel assumiu o poder, lutando contra a nobreza e contra sua própria madrasta. Sua reputação de crueldade tornou questionável sua posição de prefeito. Durante os últimos anos de sua vida ele até mesmo governou sem um rei, apesar de não ter assumido a dignidade real. Seus filhos Carlomano e Pepino novamente nomearam um rei merovíngio (Quilderico III) para sanar rebeliões na periferia do reino. Carlomano logo saiu do poder e Pepino ficou à frente da administração de todo o reino.

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Governo e lei

O rei merovíngio era o senhor dos espólios de guerra, responsável pela redistribuição das riquezas conquistadas entre seus seguidores, apesar de estes poderes não serem absolutos. "Quando ele morria, suas propriedades eram divididas igualmente entre seus herdeiros como se fosse propriedade privada: o reino era uma forma de patrimônio." Alguns acadêmicos atribuem isso à falta de senso merovíngia de res publica, mas outros historiadores criticam este ponto de vista como uma simplificação demasiada. O rei indicava magnatas para serem condes, incumbindo-os da defesa, administração e do julgamento de disputas. Isto acontecia contra o pano de fundo de uma Europa recentemente isolada, sem os sistemas romanos de impostos e burocracia, que os francos foram empregando em sua administração à medida que penetravam nas regiões completamente romanizadas do oeste e sul da Gália. Os condes tinham que fornecer exércitos, alistando suas milites e doando-lhes terras no seu retorno. Estes exércitos estavam submetidos ao chamado do rei por apoio militar. Havia assembleias nacionais anuais dos nobres do reino e seus exércitos onde decidia-se as principais políticas de guerra. O exército também aclamava os novos reis, erguendo-os sobre seus escudos em continuação a uma antiga prática que fazia do rei o líder do bando guerreiro. Além disso, esperava-se que o rei se mantivesse com os produtos de seus próprios domínios (royal demesne), o que era chamado de fisc. Este sistema evoluiu gradualmente para o feudalismo, e as expectativas da auto-suficiência real duraram até a Guerra dos Cem Anos. O comércio declinou com a queda do Império Romano e as propriedades agrícolas eram em sua maioria auto-suficientes. O comércio internacional que persistiu era dominado por mercadores do Oriente Médio.

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Religião e cultura

A cultura merovíngia era tão completamente embebida de religião que Ytzhak Hen julgou que poder-se-ia apresentar a cultura popular merovíngia como essencialmente um sinônimo de sua religião, o que ele mostra através de textos escritos. A cultura merovíngia certamente testemunhou uma extensa proliferação de santos. A cultura era refletida inclusive no governo, com a presença dos prefeitos dos palácios dispersados pelo reino que partilhavam o poder com rainhas ou mães de reis muito jovens, pelo motivo de que naturalmente a mulher era excluída nas partilhas que ocorriam quando um rei merovíngio morria, deixando as terras apenas para seus filhos, não deixando assim de pertencer à família. Tais reivindicações eram invocadas através da Lei Sálica como uma justificativa mal concebida de manter o poder na mão dos homens. Se ocasionalmente as esposas e as viúvas assumissem o controle, é porque elas o mantêm e nesse caso a tradição era a de que “o poder pertence àquele que é capaz de exercê-lo.”

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Historiografia e fontes

Existe um número limitado de fontes contemporâneas para a história dos francos merovíngios, mas esta que sobreviveram cobrem todo o período da sucessão de Clóvis à deposição de Quilderico. Em primeiro lugar entre os cronistas da época está o canonizado bispo de Tours, Gregório de Tours. Seu Decem Libri Historiarum é uma fonte primária dos reinados dos filhos de Clotário II e de seus descendentes até a morte de Gregório. A fonte importante seguinte, bem menos organizada que o trabalho de Gregório, é a Crônica de Fredegário, iniciada por Fredegário, mas continuada por autores desconhecidos. Ela cobre o período de 584 a 641, apesar de seus continuadores, sob patrocínio carolíngio, estenderem-na até 768, após o fim da era merovíngia. Ela é a única fonte narrativa primária da maior parte de seu período. A única outra fonte contemporânea importante é o Liber historiae Francorum, uma adaptação anônima do trabalho de Gregório aparentemente ignorante da crônica de Fredegar: seu(s) autor (es) termina com uma referência ao sexto ano de Teodorico IV, que seria 727. Ele foi amplamente lido; apesar de ele ser indubitavelmente uma parte do trabalho pipinida, e seus preconceitos levarem-no a iludir (por exemplo, concernente às duas décadas entre as controvérsias envolvendo os prefeitos do palácio Grimoaldo, o Velho e Ebroíno: 652-673).

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Numismática

A cunhagem bizantina estava em uso na Frância antes que Teodeberto I começasse a cunhar seu próprio dinheiro no começo de se reinado. Ele foi o primeiro a lançar uma cunhagem distintamente merovíngia. O soldo e o triente foram cunhados na Frância entre 534 e 679. O denário apareceu depois, em nome de Quilderico II e de vários membros da nobreza não reais por volta de 673-675. Um denário carolíngio substituiu o merovíngio e o pfennig frisão na Gália de 755 até o século XI. As moedas merovíngias estão em exibição no Monnaie de Paris, em Paris.

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Idioma

Yitzhak Hen afirmou que parece certo que a população galo-romana era muito maior do que a população franca na Gália merovíngia, especialmente nas regiões ao sul do rio Sena, com a maioria dos assentamentos francos localizados ao longo do Baixo e Médio Reno. Quanto mais ao sul, na Gália, você viajava, mais fraca a influência franca se tornava. Hen dificilmente encontrou evidências de assentamentos francos ao sul do Rio Loire. A ausência de fontes de literatura franca sugere que a Língua frâncica foi esquecida rapidamente após o estágio inicial da dinastia. Hen acredita que o Latim vulgar permaneceu a língua falada na Gália para a Nêustria, Borgonha e a Aquitânia, ao longo do período merovíngio e se manteve bem mesmo dentro do período carolíngio. No entanto, Urban T. Holmes estimou que uma língua germânica era falada como segunda língua por funcionários públicos na Austrasia ocidental e na Neustéria até meados de 850, e que desapareceu completamente como uma língua falada dessas regiões apenas durante o século X.

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