Museu Nacional de Arte Antiga
O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) é o principal museu de arte dos séculos XII a XIX em Portugal. Ele abriga a mais importante coleção pública de arte antiga do país, com cerca de 40.000 peças. As coleções incluem pintura, escultura, desenho e artes decorativas europeias, além de arte asiática e africana, que refletem as relações entre a Europa e o Oriente, iniciadas com as viagens de descobrimento portuguesas a partir do século XV.
Pontos-chave
- O MNAA possui a mais relevante coleção pública de arte antiga de Portugal, abrangendo os séculos XII a XIX.
- As coleções incluem arte europeia, asiática e africana, refletindo as rotas dos descobrimentos.
- O museu tem a maior coleção de pintura portuguesa, além de importantes obras de escolas europeias.
- Peças de ourivesaria, como a Custódia de Belém, e cerâmicas portuguesas e chinesas são destaques.
- A coleção de artes aplicadas inclui mobiliário, têxteis, tapeçarias e joias.
As origens do museu remontam a 1834, com a desamortização das corporações religiosas. Inicialmente, o Estado recolheu pinturas e objetos de ourivesaria dessas instituições extintas. Esculturas, objetos de artes decorativas, mobiliário e têxteis não foram inicialmente priorizados. As obras recolhidas foram confiadas à Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa e à sua congénere no Porto, fundadas em 1836. Estas academias tinham a missão de criar e gerir museus para o estudo de estudantes de belas artes e para o público.
Direção e Publicações
Entre 1939 e 1969, o MNAA publicou o Boletim dos Museus Nacionais de Arte Antiga, em cinco volumes. Esta publicação, de caráter predominantemente técnico e estatístico, também tinha um propósito educativo, registando as atividades do museu.
O MNAA detém a maior coleção de pintura portuguesa e de outras escolas europeias, com forte presença de obras religiosas, originárias de conventos e mosteiros suprimidos em 1834 e após a separação Igreja-Estado em 1911. Possui também esculturas, ourivesaria (incluindo a Custódia de Belém e a Custódia da Bemposta), cerâmica e outras artes aplicadas, oferecendo uma visão completa da arte portuguesa e europeia da Idade Média ao século XIX. O acervo inclui ainda peças orientais e africanas, muitas encomendadas pelo Ocidente e destinadas a mercados externos, ilustrando as ligações estabelecidas por Portugal com o Brasil, África, Índia, China e Japão, temas centrais dos descobrimentos.
Arte Europeia
Pinturas europeias dos séculos XIV ao XIX (exceto as portuguesas) estão expostas cronologicamente no primeiro andar. As obras provêm de conventos, coleções reais, aquisições e doações. As salas iniciais retratam a transição do gótico para o Renascimento. Destacam-se pintores alemães e flamengos do século XVI, como Albrecht Dürer, Lucas Cranach, o Velho, Hans Memling e Hieronymus Bosch. A arte italiana é representada por Piero della Francesca, Rafael, Jacopo da Pontormo, entre outros. Pintores portugueses como Josefa de Óbidos e Gregório Lopes também estiveram expostos entre 1994 e 2009.
Pintura e Escultura Portuguesas
A coleção exibe pinturas portuguesas influenciadas pela minúcia flamenga do século XVI, período de fortes laços comerciais com a Flandres. Mestres flamengos como Frei Carlos e Francisco Henriques instalaram-se em Portugal. O políptico de São Vicente de Fora, atribuído a Nuno Gonçalves (c. 1467-1470), é a obra mais importante do século XV, representando a Adoração de São Vicente e servindo como um valioso documento histórico e social da época áurea dos descobrimentos.
Cerâmica Portuguesa e Chinesa
A coleção de cerâmica permite acompanhar a evolução da porcelana chinesa e da faiança portuguesa, evidenciando a influência mútua. A partir do século XVI, a cerâmica portuguesa mostra influência Ming, enquanto peças chinesas incorporam motivos portugueses, como brasões. No século XVIII, desenvolveu-se um estilo europeu mais personalizado na cerâmica portuguesa, com desenhos rústicos. A coleção inclui ainda peças da Itália, Países Baixos e Espanha.
Arte Oriental e Africana
Objetos de marfim e móveis com motivos europeus ilustram as trocas culturais entre Portugal e suas colônias. No século XVI, a busca pelo exótico impulsionou a procura por itens como trompas de marfim africano esculpido. Os biombos Nanban retratam negociações portuguesas no Japão, cujos habitantes chamavam os portugueses de Nanban-jin ('bárbaros do Sul').
Ouro, Prata e Joalharia
O museu abriga tesouros eclesiásticos, como a cruz de ouro de D. Sancho I e a Custódia de Santa Maria de Belém, além do relicário da Madre de Deus (século XVI). Destaca-se um serviço de mesa em prata do século XVIII, encomendado por D. José I à oficina parisiense de François-Thomas Germain, após o terramoto de 1755. Inclui terrinas, molheiras, saleiros e pratos cobertos ricamente decorados. A coleção de joias provém de ofertas de nobres e burgueses ricos que ingressavam em ordens religiosas.
Artes Aplicadas
A coleção de artes aplicadas inclui tapetes, móveis, têxteis, paramentos litúrgicos e mitras de bispos. Destacam-se exemplares de mobiliário barroco e neoclássico dos reinados de D. João V, D. José I e D. Maria I. A secção de têxteis exibe cobertas de cama do século XVII, tapeçarias (muitas flamengas, como o 'Batismo de Cristo' do século XVI) e tapetes bordados, incluindo os de Arraiolos.


