Obus
Um obus é um tipo de boca de fogo de artilharia que se caracteriza tradicionalmente por dispor de um tubo relativamente curto e por disparar projéteis explosivos em trajetórias curvas.
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A palavra portuguesa obus tem origem na palavra checa houfnice. Por sua vez, "houfnice" resulta da palavra "houf" (multidão), acrescida do sufixo "nice", sugerindo uma arma usada contra as massas de inimigos. Nas Guerras Hussitas do século XV, os Checos usaram um tipo de bocas de fogo de tubo curto, às quais chamaram "houfnice", para disparar a curtas distâncias contra as massas de infantaria ou contra a cavalaria pesada. A palavra checa deu origem à palavra alemã "haubitze", da qual deriva a palavra castelhana "obús"", a escandinava "hubits", a finlandesa "hupitsi", a francesa "obus", a inglesa "howitzer", a italiana "obice", a neerlandesa "houwitser", a polaca "haubica", a russa "gaubitsa" e a portuguesa "obus". Por analogia, a palavra "obus" também foi usada, por alguns exércitos, para designar os projéteis ocos e explosivos disparados pelos obus. No Exército Francês, o termo "obus" passou a designar apenas o projétil, surgindo o termo "obusier" (obuseiro) para designar a arma que o dispara. A designação "obuseiro" foi também adotada pelas forças armadas de alguns outros países que sofreram influência da doutrina militar francesa. Atualmente, o Exército Brasileiro usa tanto o termo "obus" como "obuseiro" para designar este tipo de arma, enquanto o Exército Português apenas usa o termo "obus". Nenhum destes dois exércitos usa o termo "obus" para designar o projétil disparado pelos obuses/obuseiros.
Primórdios
Os obuses clássicos foram desenvolvidos no final do século XVII. Destinavam-se originalmente a ser empregues em operações de sítio, onde eram particularmente úteis na colocação de granadas de ferro fundido cheias com pólvora ou com materiais incendiários no interior das fortificações. Em contraste com os morteiros da época, que eram disparados de ângulo fixo e por isso inteiramente dependentes do ajustamento das cargas propulsoras para a variação do alcance, os obuses podiam ser disparados numa ampla variedade de ângulos. Assim, apesar da balística do tiro com obus ser muito mais complicada que a do tiro com morteiro, o obus era uma arma inerentemente mais flexível, que podia disparar os seus projéteis numa ampla variedade de trajetórias.
Século XX
No início do século XX, a introdução de obuses de sítio substancialmente maiores que os obuses pesados de sítio da época levou à criação da categoria dos obuses superpesados. Entre as armas que se inseriam nesta categoria estava o famoso "Dicke Bertha" alemão e o obus BL de 15 polegadas (381 mm) britânico. Estes enormes obuses eram transportados por meios mecânicos e já não rebocados por cavalos. Normalmente eram transportados em cargas separadas e montados na sua posição de tiro. Os obuses de campanha introduzidos no final do século XIX podiam efetuar o disparo de granadas com altas trajetórias com um acentuado ângulo de descida, resultando na possibilidade de bater alvos protegidos por obstáculos. Também podiam disparar granadas com cerca do dobro do tamanho das disparadas por peças do mesmo tamanho. Assim, enquanto uma peça campanha de 75 mm que pesasse 1 tonelada se limitava a disparar granadas com pesos inferiores a 8 kg, um obus de 105 mm com o mesmo peso poderia disparar granadas de 15 kg. O alcance dos obuses era, contudo, inferior ao das peças equivalentes.
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Os obuseiros podem ser autorrebocados ou autopropulsados. No primeiro caso, são tracionados por caminhões e, no segundo, são blindados e deslocam-se sozinhos sobre rodas ou lagartas. Nessa última hipótese, assemelham-se visualmente aos carros de combate, embora, tecnicamente, sejam encarados como peças de artilharia e não como veículos propriamente ditos. Os calibres de obuseiros mais comuns no Ocidente são 105 e 155 mm, mas há outros nos países da Europa Oriental, Rússia e China. A munição dos obuseiros é a granada de artilharia conhecida como obus, que são, essencialmente, recipientes metálicos cilíndricos com ponta ogival contendo explosivos, agentes químicos, agentes biológicos ou artefatos nucleares, que detonam no impacto ou a alturas previamente programadas. Desde a década de 1990, os obuseiros têm lançado granadas com precisão suficiente para atingir alvos específicos, já não mais necessariamente "batendo áreas".


