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Paquistão

Paquistão, oficialmente República Islâmica do Paquistão, é um país soberano do Sul da Ásia. Com uma população superior a 200 milhões de pessoas, é o quinto país mais populoso do mundo e, com uma área de 796 095 quilômetros quadrados, é a 35ª maior nação do planeta em área territorial. O Paquistão tem um litoral com 1 046 km de extensão ao longo do Mar da Arábia e do Golfo de Omã. O país asiático faz fronteira com a Índia a leste, com o Afeganistão a oeste e norte, com o Irã a sudoeste e com a República Popular da China no extremo nordeste. O Paquistão não tem fronteira com o Tajiquistão, pois estão separados pelo estreito Corredor de Wakhan, pertencente ao Afeganistão, no norte. Também compartilha uma fronteira marítima com Omã.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia

Segundo J.P. Machado, o topônimo "Paquistão" foi criado em 1933 por Chaudhary Rahmat Ali para designar as regiões muçulmanas a noroeste da Índia, a partir das iniciais de Pandjab (Panjabe), Afghan (para os povos afegãos da área) e Kashmir (Caxemira), com o sufixo-stan (que representa o Baluchistão e significa "terra" em persa), formando PAKSTAN. Os paquistaneses relacionam o topônimo com o vocábulo pak ("puro", em persa e urdu), que daria ao nome do país o sentido de "Terra dos Puros".

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História

Antiguidade

Algumas das primeiras civilizações humanas antigas na Ásia Meridional originaram-se em áreas que abrangem o atual Paquistão. Os primeiros habitantes conhecidos na região foram os soanianos durante o Paleolítico Inferior, de quem as ferramentas de pedra foram encontradas no Vale do Soan, em Panjabe. A região do Indo, que cobre a maior parte do atual Paquistão, foi o lar de várias culturas antigas sucessivas, como a Mergar do Neolítico e a Civilização do Vale do Indo da Idade do Bronze (2800-1800 a.C.) em Harapa e Moenjodaro. A Civilização Védica (1500–500 a.C.), caracterizada pela cultura indo-ariana, lançou as bases do hinduísmo, que se tornaria bem estabelecido na região. Multã era um importante centro de peregrinação hindu. A Civilização Védica floresceu na antiga cidade de Gandara, atual Taxila em Panjabe. Impérios e reinos antigos sucessivos governaram a região: o persa Império Aquemênida, em torno de 519 a.C.; o império de Alexandre, o Grande, em 326 a.C.; e o Império Máuria fundado por Chandragupta Máuria e estendido por Asoca até 185 a.C. O Reino Indo-Grego fundado por Demétrio I de Báctria (r. 180–165 a.C.) incluía Gandara e Panjabe e alcançou sua maior extensão sob Menandro I (r. 165–150 a.C.), prosperando a cultura greco-budista na região. Taxila teve algumas das primeiras universidades e centros de ensino superior do mundo.

Idade Média

O Império Gasnévida foi uma sociedade persa muçulmana da dinastia dos turcos mamelucos, na sua maior extensão governou grandes partes do Irã, o Afeganistão, a maior parte da Transoxiana e o noroeste do subcontinente indiano de 977 a 1186. A dinastia foi fundada por Sabuqueteguim após suceder seu sogro Alpeteguim ex-general dos sultões samânidas no controle dos territórios centrados ao redor da cidade de Gásni. O filho de Sabuqueteguim, Mamude, expandiu o império na região que vai desde o rio Oxo até o vale do rio Indo e oceano Índico; ao oeste, alcançou as cidades de Rei e Hamadã. Sob o reinado de Maçude I, o império sofreu grandes perdas territoriais. Seus territórios ocidentais foram perdidos para os Seljúcidas na batalha de Dandanacã, o que resultou na restrição do controle sobre as regiões do Afeganistão, Paquistão, Baluchistão e Panjabe.

Independência

O Estado moderno do Paquistão foi criado em 14 de agosto de 1947, na forma de dois territórios majoritariamente muçulmanos nas porções leste e noroeste da Índia Britânica, separados pela Índia, de maioria hindu. Integravam o Paquistão independente as províncias do Baluchistão, Bengala Oriental (futuro Paquistão Oriental e, mais tarde, Bangladesh), Fronteira Noroeste, Panjabe Ocidental e Sinde. A partilha da Índia Britânica resultou em distúrbios na Índia e no Paquistão — milhões de muçulmanos mudaram-se para o Paquistão, e milhões de hindus e siques mudaram-se para a Índia. Surgiram controvérsias entre os dois novos países quanto a diversos Estados principescos, como Jamu e Caxemira, cujo governante aderiu à Índia após uma invasão de guerreiros pastós; como consequência, a Primeira Guerra Indo-Paquistanesa (1948) terminou com a ocupação pela Índia de cerca de dois-terços de Jamu e Caxemira.

Era contemporânea

Entre 1972 e 1977, os civis voltaram a governar o país, sob a chefia de Zulfikar Ali Bhutto, até que este foi deposto e posteriormente sentenciado à pena de morte, quando o General Zia-ul-Haq se tornou o terceiro presidente militar do Paquistão. Zia substituiu as políticas seculares pelo código legal da charia islâmica, o que aumentou a influência religiosa sobre o funcionalismo público e os militares. Com a morte de Zia num acidente aéreo em 1988, Benazir Bhutto, filha de Zulfikar Ali Bhutto, foi eleita para o cargo de primeira-ministra do Paquistão — a primeira e única mulher a ocupar o posto. Ao longo da década seguinte, Benazir alternou-se no poder com Nawaz Sharif, enquanto que a situação política e econômica do país piorava.

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Geografia

A área do Paquistão é de 881 640 km², equivalente à soma das superfícies de França e Reino Unido (ou de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, no Brasil). A região leste do país encontra-se sobre a placa tectônica indiana, enquanto as regiões oeste e norte estão no planalto iraniano e sobre a placa eurasiática. Com 1 046 km de litoral no mar Arábico, o Paquistão possui 6 774 km de fronteiras — 2 430 km com o Afeganistão a noroeste, 523 km com a China a nordeste, 2 912 km com a Índia a leste e 909 km com o Irã a sudoeste. Os acidentes naturais encontrados no país incluem desde praias arenosas, lagunas e manguezais, na costa meridional, até florestas temperadas e os picos gelados do Himalaia, do Caracórum e do Indocuche, ao norte. Estima-se que o país possua 108 picos acima de 7 000 m, cobertos por neve e geleiras. Cinco das montanhas do Paquistão ultrapassam os 8 000 m. O rio Indo corta o país de norte a sul, descendo do planalto tibetano (Caxemira) até desaguar no mar Arábico. A oeste do Indo estão os desertos secos e acidentados do Baluchistão; a leste, o deserto de Thar. O Panjabe e partes do Sinde são formados por planícies férteis com importante atividade agrícola.

Parques nacionais

Existem cerca de 157 áreas protegidas no Paquistão que são reconhecidos pelo IUCN. De acordo com a legislação local, um parque nacional é uma área protegida, criado pelo governo para a proteção e conservação de sua paisagem e vida selvagem em um estado natural. O mais antigo parque nacional é Lal Suhanra em Bahawalpur, criado em 1972. Ele também é a única reserva da biosfera do país. Lal Suhanra é o único parque nacional estabelecido antes da independência da nação em agosto de 1947. O Central Karakoram em Gilgit Baltistan é atualmente o maior parque nacional do país, abrangendo mais de uma área total aproximada de 1 390 100 hectares.

Clima

O clima varia de tropical a temperado, com condições áridas no litoral sul. Há uma estação de monções, com inundações frequentes devido às fortes chuvas, e uma estação seca com pouca ou nenhuma chuva. A precipitação se distribui irregularmente ao longo do território, variando entre menos de 250 mm em algumas áreas a mais de 1 250 mm em outras, em geral trazida pelas monções de sudoeste, principalmente no final do verão. No centro do país, os verões são muitos quentes, com temperaturas que podem atingir 45 °C, seguidos de invernos bem frios, com frequência abaixo de zero grau. O Índice Global de Risco Climático 2020 coloca o Paquistão como o quinto país mais afectado pelas alterações climáticas entre 1999 e 2018, com um aumento das ondas de calor extremo e inundações. O país é directamente afectado pelo derretimento dos glaciares dos Himalaias, causando graves carências de água em partes do país, bem como o desaparecimento gradual das florestas ribeirinhas. Entre 2000 e 2010, o Paquistão perdeu uma média de 43 000 hectares de floresta por ano.

Flora e fauna

A diversidade da paisagem e do clima no Paquistão permite que uma grande variedade de árvores e plantas floresçam. As florestas variam de árvores coníferas alpinas e subalpinas, como abetos, pinheiros e cedros nas montanhas do extremo norte, árvores decíduas na maior parte do país, à palmeiras como coco e tamareiras no sul do Panjabe, nas Montanhas Sulaiman no sul do Baluchistão e em todo o Sind. As colinas ocidentais abrigam zimbro, tamargueira, gramíneas grossas e plantas arbustivas. As florestas de mangue formam grande parte das áreas úmidas costeiras ao longo da costa sul. As florestas de coníferas são encontradas em altitudes que variam de 1 000 a 4 000 metros na maioria das terras altas do norte e noroeste. Nas regiões xéricas do Baluchistão, a tamareira e a efedra são comuns. Na maior parte do Panjabe e Sinde, as planícies do Indo sustentam florestas tropicais e subtropicais de folhas largas secas e úmidas, bem como arbustos tropicais e xéricos. Essas florestas são, principalmente, de amoreira, acácia e eucalipto. Cerca de 2,2% ou 1 687 000 hectares (16 870 km²) do Paquistão foram florestados a partir de 2010.

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Demografia

A população estimada do Paquistão em 2017 foi de mais de 210 milhões, tornando-o sexto país mais populoso do mundo, atrás do Brasil e à frente da Rússia. Em 1951, o Paquistão tinha uma população de 34 milhões de pessoas. A taxa de crescimento da população está agora em 1,6%. A maioria da população do sul do Paquistão vive ao longo do rio Indo. Pelo tamanho de população, Carachi é a maior cidade do Paquistão. Na metade norte, a maioria da população vive em um arco formado pelas cidades de Laore, Faiçalabade, Raualpindi, Islamabade, Gujranwala, Sialkot, Gujrat, Jelum, Sargodha e Sheikhupura. Cerca de 20% da população vive abaixo da linha de pobreza internacional US$ 1,25 por dia. A expectativa de vida ao nascer é de 63 anos para mulheres e 62 anos para os homens em 2006 em comparação com a expectativa de vida saudáveis ao nascer, que foi de 54 anos para os homens e 52 anos para as mulheres em 2003. Despesas com saúde foi de 2% do PIB em 2006. A taxa de mortalidade inferior a 5 foi de 97 por 1 000 nascidos vivos em 2006. Durante 1990-2003, o Paquistão manteve uma liderança histórica como o país mais urbanizado do Sul da Ásia, com os moradores da cidade, perfazendo 36% da sua população. Além disso, 50% dos paquistaneses agora residem nas cidades de 5 000 pessoas ou mais.

Religião

O censo mais recente realizado pelo Pakistan Bureau of Statistics (PBS) (Agência Paquistanesa de Estatísticas), de 1998, indicava que, aproximadamente, 96,28% da população do Paquistão era muçulmana. No entanto, existem pequenos grupos religiosos não muçulmanos: cristãos, hindus, siques, budistas, zoroastristas, bahá'ístas, animistas e outros, totalizando 2% da população. A maioria dos muçulmanos eram sunitas, estimando-se que os xiitas representariam entre 10 e 20% da população. Metade da população do país é adepta da corrente mística do Islã, o sufismo. A demografia religiosa foi fortemente influenciada pelo movimento transfronteiriço de 1947 entre o Paquistão e a Índia. Naquele ano, em decorrência da Partilha das Índias Britânicas, houve uma maciça imigração de muçulmanos da Índia para o Paquistão e de hindus e siques no sentido oposto. O censo indica que 96% da população são muçulmanos (cerca de 77% são sunitas e 20%, xiitas). As minorias religiosas incluem hindus (1,85%), cristãos (1,6%), ademais de alguns poucos representantes siques, parses, amaditas, budistas, judeus e animistas. O Paquistão é o segundo país de maioria muçulmana mais populoso do mundo (atrás da Indonésia) e possui a segunda maior população xiita do planeta (atrás do Irã).

Idiomas

O Paquistão é um país multilíngue com mais de sessenta línguas sendo faladas. O inglês é a língua oficial do Paquistão, e utilizado em missão oficial, do governo e contratos legais, e panjabi tem uma pluralidade de falantes nativos, Urdu é a língua franca e língua nacional do Paquistão. O panjabi é a língua da província de Panjabe. saraiki também é falado na área maior da província de Panjabe. O pastó é a língua da província de Caiber Paquetuncuá. O sindi é a língua da província de Sinde e balúchi é a língua da província de Baluchistão. A língua materna em geral corresponde ao grupo étnico no país. Apesar de ser a língua materna de uma minoria, o urdu é o idioma nacional e a língua franca do Paquistão, enquanto o inglês é a língua oficial, usada na constituição e amplamente empregada nos negócios e nas universidades pela elite urbana culta. O panjabi é falado por mais de 60 milhões de pessoas, mas não goza de reconhecimento oficial no país.

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Governo e política

Pelos primeiros nove anos após a independência, o governo do Paquistão baseou-se no Government of India Act, de 1935 (a última constituição da Índia Britânica). A primeira constituição paquistanesa, promulgada em 1956, foi suspensa em 1958 pelo General Ayub Khan. A constituição de 1973, suspensa em 1977 por Zia-ul-Haq, foi retomada em 1991 e é o documento legal mais importante do país. O Paquistão é uma república parlamentarista federal que tem o Islã como religião oficial. O poder Legislativo é bicameral e divide-se entre o Senado, com 100 cadeiras, e a Assembleia Nacional, com 342 assentos. O presidente, escolhido por um colégio eleitoral, é o chefe de Estado e o comandante-em-chefe das forças armadas. O primeiro-ministro é geralmente o chefe do maior partido representado na Assembleia Nacional. Cada província possui um sistema de governo similar ao federal, com uma assembleia provincial eleita pelo voto direto na qual o líder do maior partido é o chefe de governo. Os governadores provinciais são nomeados pelo presidente.

Relações exteriores

O Paquistão participa ativamente das Nações Unidas e da Organização da Conferência Islâmica. Integra também a Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional e a Organização para Cooperação Econômica. No passado, as relações do Paquistão com os Estados Unidos passaram por períodos de aproximação e de afastamento. Nos anos 1950, o país, membro da CENTO e da SEATO, era visto pelos Estados Unidos como o "aliado mais aliado na Ásia". Durante a invasão soviética do Afeganistão, nos anos 1980, o Paquistão foi um aliado crucial dos Estados Unidos, mas as relações se estreitaram nos anos 1990, com a aplicação de sanções pelos EUA, que suspeitavam as atividades nucleares paquistanesas. A partir dos ataques de 11 de setembro de 2001, as relações bilaterais melhoraram, especialmente depois que o Paquistão deixou de apoiar o regime dos talibãs, em Cabul. Com isto, a ajuda militar estadunidense foi fortemente ampliada.

Forças armadas

As forças armadas paquistanesas têm desempenhado um papel influente na política do país. Ao longo da história, presidentes militares governaram entre 1958-88 e de 1999 em diante. O PPP, de esquerda, chefiado por Zulfikar Ali Bhutto, emergiu como um grande partido político durante os anos 1970. Durante o governo militar de Muhammad Zia-ul-Haq, o Paquistão deixou para trás as políticas de secularismo herdadas do Reino Unido, ao adotar a charia e outras leis baseadas no Islã. Os anos 1990 foram caracterizados por um sistema político de coalizão dominado pelo PPP e pela Liga Muçulmana De caráter completamente voluntário, as Forças Armadas do Paquistão são as sétimas maiores do mundo. As três principais forças são o Exército, a Marinha e a Força Aérea, apoiadas por algumas organizações paramilitares responsáveis pela segurança interna e pela patrulha das fronteiras.

Direitos humanos

Embora o Paquistão tenha sido criado sob princípios democráticos, como liberdade de expressão, de religião e de imprensa, golpes militares no país são comuns e, desde a independência, ele foi governado por ditadores militares que se declaram presidentes. As eleições gerais paquistanesas de 2013 foram as primeiras eleições no país onde houve uma transferência constitucional de poder de um governo civil para outro. As eleições paquistanesas, apesar de serem parcialmente livres, estão repletas de irregularidades, como, entre outras, compra de voto, uso de ameaças e coerção, discriminação entre muçulmanos e não muçulmanos e muitas outras violações. Além disso, o governo local admitiu em várias ocasiões que não tem absolutamente nenhum controle sobre o Exército e as agências de segurança relacionadas. Em 2010, a Foreign Policy classificou o Paquistão como o número 10º Estado falido do mundo, colocando-o na categoria "crítica" ao lado de outros países como Afeganistão, República Democrática do Congo e Somália.

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Subdivisões

O Paquistão é uma federação com quatro províncias, um distrito federal e áreas tribais administradas pelo governo federal. O governo paquistanês exerce jurisdição de facto sobre partes da Caxemiraː[nota 1] a chamada Caxemira Livre e as Áreas do Norte. O Paquistão também reivindica o estado indiano de Jammu e Caxemira. O terceiro nível de divisão administrativa do país é composto por distritos, subdivididos em tehsils e conselhos locais. Cada nível conta com órgãos eleitos. Atualmente há 107 distritos no Paquistão propriamente dito. As áreas tribais compreendem diversas "agências" e seis pequenas regiões de fronteira, enquanto a Caxemira Livre é formada por sete distritos e as Áreas do Norte, por seis.

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Economia

O Paquistão é um país em desenvolvimento com um rápido crescimento econômico (7% anuais por quatro anos consecutivos até 2007.) e um grande mercado emergente. Apesar de ter sido um país pobre em 1947, a taxa de crescimento econômico do Paquistão foi mais alta do que a média mundial durante as quatro décadas seguintes. Embora políticas imprudentes tenham reduzido o ímpeto da economia no final dos anos 1990, reformas econômicas recentes voltaram a acelerar o crescimento do país, em especial na área de manufaturas e de serviços financeiros. A situação cambial melhorou consideravelmente, com o acúmulo de divisas. A dívida externa, estimada em cerca de USD 40 bilhões, foi reduzida nos últimos anos devido à assistência do FMI e ao auxílio financeiro dos Estados Unidos. Estima-se que o PIB paquistanês (PPC) em USD 475,4 bilhões e a renda per capita, em USD 2 942. A taxa de pobreza é estimada entre 23% e 28%. As taxas de crescimento econômico do Paquistão têm sido altas nos últimos cinco anos terminados em 2007, mas as pressões inflacionárias e um baixa poupança nacional, dentre outros fatores, podem dificultar a manutenção desse ritmo.

Turismo

Com as suas diversas culturas, pessoas e paisagens, o Paquistão atraiu cerca de 1 milhão de turistas estrangeiros em 2014, contribuindo com 94,8 bilhões de rupias para a economia do país, o que representou um declínio significativo desde a década de 1970, quando o país recebeu números sem precedentes de turistas estrangeiros devido para a popular trilha Hippie. A trilha atraiu milhares de europeus e estadunidenses nas décadas de 1960 e 1970 que viajaram por terra pela Turquia e Irã até a Índia através do Paquistão. Os principais destinos de escolha para esses turistas foram o Passo Caiber, Pexauar, Carachi, Laore, Suate e Raualpindi. A popularidade declinou após a Revolução Iraniana e da guerra soviético-afegã.

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Infraestrutura

Energia

Até o final de 2016, a energia nuclear era fornecida por quatro usinas de energia nuclear comerciais licenciadas. A Comissão de Energia Atômica do Paquistão (PAEC) é a única responsável por operar essas usinas, enquanto a Autoridade Reguladora Nuclear do Paquistão regula o uso seguro da energia nuclear. A eletricidade gerada pelas usinas nucleares comerciais representa cerca de 5,8% da energia elétrica do país, em comparação com 64,2% dos combustíveis fósseis (petróleo bruto e gás natural), 29,9% da energia hidrelétrica e 0,1% do carvão. O Paquistão é um dos quatro países nucleares (juntamente com a Índia, Israel e Coreia do Norte) que não é parte do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, mas é membro da Agência Internacional de Energia Atômica.

Transportes

O setor de transportes representa cerca de 10,5% do PIB do país. A infraestrutura do sistema rodoviário do Paquistão é melhor que a da Índia, Bangladexe e Indonésia, mas o sistema ferroviário está atrasado, atrás de Índia e China, sendo que a infraestrutura da aviação também precisa de melhorias. Não há quase nenhum sistema de transporte hidroviário no interior e o transporte costeiro só atende às necessidades locais. As estradas formam a espinha dorsal do sistema de transporte paquistanês. Com um comprimento total da estrada de 263 942 quilômetros, representa 92% do passageiro e 96% do tráfego de mercadorias no interior do país. Os serviços de transporte rodoviário estão em grande parte nas mãos do setor privado. A National Highway Authority é responsável pela manutenção de rodovias e autoestradas nacionais. O sistema rodoviário depende principalmente das ligações norte-sul que ligam os portos do sul às populosas províncias de Panjabe e Caiber Paquetuncuá. Embora esta rede represente apenas 4,59% do comprimento total da estrada, carrega 85% do tráfego do país.

Educação

A constituição do Paquistão exige que o Estado ofereça ensino primário e secundário gratuito. Na época do estabelecimento do Paquistão como um Estado, o país tinha apenas uma universidade, a Universidade de Panjabe em Lahore. O governo do Paquistão então estabeleceu universidades públicas em cada uma das quatro províncias, incluindo a Universidade de Sinde (1949), Universidade de Pexauar (1950), Universidade de Carachi (1953) e Universidade do Balochistão (1970). O Paquistão tem uma grande rede de universidades públicas e privadas, que inclui a colaboração entre as universidades visando o fornecimento de oportunidades de pesquisa e educação superior no país, embora haja preocupação com a baixa qualidade do ensino em muitas das escolas mais novas.

Saúde

As despesas com assistência foram de 2,8% do PIB em 2013. A expectativa de vida no nascimento foi de 67 anos para as mulheres e 65 anos para os homens em 2013. O setor privado representa cerca de 80% das visitas ambulatoriais. Aproximadamente 19% da população e 30% das crianças com menos com cinco anos de idade estão desnutridas. A mortalidade dos menores de cinco anos foi de 86 por 1 000 nascidos vivos em 2012. Os serviços de saúde são tidos como inadequados em muitos lugares do país. Hospitais com bom funcionamento geralmente só são encontrados em cidades maiores. Além disso, existem más condições de higiene e falta de água potável em demasiadas regiões rurais, o que promove a propagação de doenças gastrointestinais e epidemias como tuberculose, malária e hepatite. De acordo com a organização não governamental Médicos sem Fronteiras, a cólera também foi endêmica em 2010, com a desnutrição aumentando a suscetibilidade a doenças. Em 2015, 20% da população era considerada desnutrida, principalmente crianças. É correspondentemente alta a mortalidade infantil: cerca um décimo das crianças morrem antes dos cinco anos. Além do Afeganistão, o Paquistão é o único país do mundo onde a poliomielite ainda é endêmica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está envidando esforços para eliminar a doença por meio de programas de vacinação.

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Cultura

O Paquistão possui uma rica e singular cultura que preserva tradições estabelecidas ao longo da história. Muitos hábitos, alimentos, monumentos e santuários são herança dos impérios mogol e afegão. O traje nacional, chamado shalwar qamiz, é proveniente de invasores nômades turco-iranianos da Ásia Central. Nos centros urbanos os trajes ocidentais são populares entre a juventude e os empresários. A sociedade paquistanesa é multilinguística e predominantemente muçulmana, que tem em alta conta os valores familiares tradicionais, embora as famílias urbanas tenham adotado o sistema do núcleo familiar, devido às restrições socioeconômicas impostas pelo sistema tradicional. As últimas décadas assistiram ao surgimento de uma classe média em cidades como Carachi, Laore, Raualpindi, Haiderabade, Faiçalabade e Pexauar, cujos integrantes são considerados liberais, por oposição às regiões a noroeste, na fronteira com o Afeganistão, que permanecem conservadoras e dominadas por costumes tribais centenários. A globalização aumentou a influência da cultura ocidental no país. Cerca de quatro milhões de paquistaneses vivem no exterior, dos quais quase meio milhão residem nos Estados Unidos e cerca de uma milhão, na Arábia Saudita. Aproximadamente um milhão de descendentes de paquistaneses vivem no Reino Unido.

Música e literatura

A música paquistanesa vai de melodias folclóricas provinciais e estilos tradicionais até formas modernas que fundem música ocidental e tradicional. A chegada de refugiados afegãos nas províncias ocidentais reavivou a música pastó e persa e transformou Pexauar num foco para músicos afegãos e num centro de distribuição da música do Afeganistão. A atual literatura paquistanesa é composta em urdu, sindi, panjabi, pastó, balúchi e inglês. No passado, também era expressa em persa. Antes do século XIX, constituía-se de poesia lírica e material religioso, místico e popular. Atualmente, o gênero de contos é particularmente popular. O poeta nacional paquistanês, Muhammad Iqbal, escreveu principalmente em persa, além de urdu, tratando de temas da filosofia islâmica.

Arquitetura

A arquitetura da região correspondente ao atual Paquistão passou por quatro períodos históricos distintos, o pré-islâmico, o islâmico, o colonial e o pós-colonial. A civilização do Vale do Indo, surgida em meados do terceiro milênio a.C., permitiu o desenvolvimento de uma cultura urbana avançada pela primeira vez na área, com grandes instalações estruturais que, em alguns casos, ainda existem. Moenjodaro, Harapa e Kot Diji pertencem à era de assentamentos pré-islâmicos. A chegada do budismo e a influência persa e grega levou ao desenvolvimento do estilo greco-budista a partir do século I. O zênite desta época foi o estilo Gandara. As ruínas do mosteiro budista de Takht-i-Bahi, em Caiber Paquetuncuá, são um exemplo da arquitetura budista.

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Fontes consultadas

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