Democratas (Brasil)
Democratas (DEM) foi um partido político brasileiro de centro-direita que se fundiu com o Partido Social Liberal (PSL) para formar o União Brasil (UNIÃO), conforme decidido em convenção por ambos em 6 de outubro de 2021, e sendo aprovado em 8 de fevereiro de 2022 pelo TSE. Sua filosofia política era voltada para a defesa da democracia, do liberalismo conservador e da justiça social. Foi fundado em 1985 como Partido da Frente Liberal (PFL), de ala à direita, fruto de dissidência do Partido Democrático Social (PDS) por causa das articulações que ao fim elegeram Tancredo Neves à presidência da República após vinte e um anos do Golpe Militar de 1964.
O DEM afirmava ser defensor da ética, da democracia, do exercício dos direitos humanos, da economia de mercado e do liberalismo econômico. Era apresentado como um partido de centro-direita, sendo filiado à União Internacional Democrata. Eram adeptos do capitalismo laissez-faire. Em avaliação geral, os democratas eram socialmente de centro-direita e economicamente de direita. De acordo com o cientista político Jairo Nicolau, a refundação do PFL como DEM teve como objetivo coroar um processo geral de modernização do partido. "O DEM gostaria de ser um partido de direita moderno, com um novo programa e dirigido às camadas médias urbanas; uma espécie de Partido Conservador do Reino Unido", diz. De acordo com ele, isso explicou a saída de membros históricos da direção do partido e a ascensão de jovens dirigentes como Rodrigo Maia, Kátia Abreu e Gilberto Kassab. Aliado histórico do PSDB, o Democratas foi peça vital para a aprovação do Plano Real, das reformas constitucionais durante o governo FHC bem como da emenda constitucional que garantiu a possibilidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso se recandidatar. Marco Maciel, ex-senador pelo PFL de Pernambuco, foi o vice-presidente nos dois mandados de FHC. Em 2002, o partido rompe com o governo na sequência de uma operação da polícia federal envolvendo Roseana Sarney, a então candidata à presidência pelo PFL. Porém, nas eleições de 2006, alia-se novamente ao PSDB, sendo o senador pefelista pernambucano José Jorge o candidato a vice-presidente na chapa com Geraldo Alckmin. Tal aliança se repete em 2010 com o deputado federal democrata fluminense Índio da Costa para vice na chapa de José Serra.
Como reação à fragilidade política em que o DEM se encontrava após a saída do PSD, o partido passou a reforçar seu perfil conservador e de centro-direita. Além disso, a reminiscência do partido à oposição durante tantos anos permitiu ao DEM incorporar a narrativa anticorrupção. Essa tem sido a postura do partido desde 2012 - quando ACM Neto (DEM-BA) passa a liderar a sigla. A oposição - e particularmente o DEM, o PSDB e o PPS - abraçou a causa anti-corrupção das Jornadas de Junho e dos protestos envolvendo a realização da Copa do Mundo de 2014. Esses partidos integraram a Eleição Presidencial de 2014 na coligação Muda Brasil liderada pelo candidato Aécio Neves (PSDB-MG). Não obstante, a majoritária foi extremamente polarizada e, mais uma vez, o Democratas foi afastado do Governo com a reeleição de Dilma Rousseff. Além disso, a bancada do DEM seguiu diminuindo. Em 2015 foram expostas intensas negociações de fusão com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), entre os presidentes das executivas nacionais - José Agripino Maia e Cristiane Brasil (PTB-RJ). A fusão interessava especialmente para o reverter o declínio do partido refundado em 2007 e para Roberto Jefferson, "inimigo declarado do Partido dos Trabalhadores" condenado no Escândalo do Mensalão. Entretanto, o processo esbarrava nos prazos de filiação partidária das regras eleitorais à medida em que se aproximavam as eleições municipais no Brasil em 2016, como também nas oposições internas com ameaças de desfiliação, destacadamente por parte do demista Ronaldo Caiado (DEM-GO) e dos petebistas Jovair Arantes (PTB-GO) e Armando Monteiro (PTB-PE), e na dificuldade de compatibilização entre a posição governista do PTB e oposicionista do DEM. Assim, embora a cúpula do Democratas tenha apoiado a fusão imediata em 7 de abril (21 votos a quatro), no dia seguinte a cúpula do PTB rejeitou a fusão imediata por 25 votos contrários, optando manter consulta às bases até setembro. No fim de maio, os dirigentes de ambos os partidos anunciaram a desistência da unificação, porém houve tentativas de reabertura de diálogos, mas foram paralisadas em vista das eleições municipais.
Fundação
Temeroso quanto às chances de vitória do PDS em 15 de novembro de 1982, o presidente João Figueiredo instituiu o voto vinculado, a sublegenda e proibiu as coligações partidárias a fim de impedir que dissidências na agremiação governista favorecessem os partidos de oposição nas disputas para os governos estaduais, Congresso Nacional e para as prefeituras. Mesmo sob a aparente unidade situacionista o meio político especulava quanto a criação de um novo partido "de centro ou liberal" visando ampliar o número de aliados do Palácio do Planalto cumprindo um papel que caberia ao extinto PP. Malogrado esse intento, o governo buscou a adesão do PTB no primeiro semestre de 1983, mas o acordo não chegou a viger.
Eleição de 1989 e governos Collor e Itamar
Em 21 de maio de 1989 o PFL, mesmo sem deixar o Governo Sarney, realizou uma prévia a fim de escolher seu candidato a presidente da República numa disputa entre Aureliano Chaves, Marco Maciel e Sandra Cavalcanti cujo resultado apontou a vitória de Aureliano Chaves. Homologado em convenção nacional, teve o paulista Cláudio Lembo na vaga de vice-presidente, chapa que não mobilizou as bases partidárias (sobretudo as nordestinas). Tais bases logo se decidiram por apoiar Fernando Collor (ex-governador de Alagoas) já em primeiro turno. Em meio a essa adesão maciça um lance malogrado poderia ter mudado os rumos do pleito: numa articulação atribuída aos senadores Hugo Napoleão, Edison Lobão e Marcondes Gadelha, Aureliano concordou em desistir da disputa em favor de Silvio Santos que buscou o minúsculo Partido Municipalista Brasileiro e registrou sua candidatura em lugar de Armando Corrêa, mas o vazamento da "operação renúncia" (fato creditado a Antônio Carlos Magalhães) fez refluir a manobra. No fim a candidatura de Santos foi impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral por irregularidades no registro do PMB e Aureliano Chaves disputou a eleição ficando em nono lugar com apenas 600.730 votos. No segundo turno o PFL apoiou Collor em oposição a Luiz Inácio Lula da Silva.
Começo governista
À medida que se aproximavam as eleições presidenciais de 1994 os políticos passaram a discutir as alianças vindouras, em particular buscando alternativas para contrapor o favoritismo de Luiz Inácio Lula da Silva até então líder nas pesquisas de opinião. Somente após o lançamento do Real é que os apoiadores do governo Itamar Franco se aglutinaram em torno da candidatura de Fernando Henrique Cardoso, outrora ministro da Fazenda e responsável pelo novo plano econômico. Conforme a inflação recuava (foi de quase 2.800% em 1993 e caiu pela metade no ano seguinte) a candidatura da coligação "União, Trabalho e Progresso" ultrapassou os índices do candidato petista e logo o PSDB ofereceu ao PFL a vice-presidência cabendo ao senador Guilherme Palmeira a referida indicação, todavia denúncias de corrupção acabaram por ensejar sua renúncia e em seu lugar foi escolhido Marco Maciel.
Período como oposição
O embate entre o senador baiano e seu colega paraense tem início a partir de uma discussão onde o representante do PMDB respondeu às críticas de Antônio Carlos Magalhães ao reprovar o valor de R$ 151,00 para o salário mínimo conforme defendia o governo. Jáder Barbalho questiona então como ACM pode defender um ponto de vista enquanto seu afilhado político Waldeck Ornelas, Ministro da Previdência Social, seguia o discurso oficial. Acusado de incoerente, Magalhães passa a investir contra Barbalho acusando-o de corrupção e o tom das ofensas sobe. Em 14 de fevereiro de 2001 Jáder é eleito Presidente do Senado Federal à revelia de seu adversário que cinco dias depois revela a procuradores da República saber como os senadores votaram na sessão que cassou Luís Estevão e a partir de então surge uma torrente de fatos que levam Antônio Carlos Magalhães à renúncia em 30 de maio. Tratada pelo seu partido como uma "posição isolada", a queda do político baiano não impediu que o PFL (baiano) conservasse as pastas da Previdência Social, com o próprio Waldeck Ornelas, e das Minas e Energia, dirigida por Rodolfo Tourinho.[carece de fontes?]
Convenção de 2007 e anos seguintes
Para recuperar seu espaço político e se estabelecer como alternativa viável no espectro eleitoral, os líderes pefelistas decidiram pela renomeação do partido para Democratas em convenção datada de 28 de março de 2007, cabendo a direção da legenda ao deputado federal Rodrigo Maia como forma de sinalizar a ascensão de uma nova miríade de líderes partidários ao centro das decisões. Alguns pesquisadores, no entanto, descrevem esta mudança de nome como a extinção do PFL e a criação de outro partido. A chamada "fundação", "refundação" ou mudança de nome do DEM ocorreu em 28 de março de 2007, tendo ocorrido para que a legenda pudesse recuperar sua imagem após péssimos resultados nas eleições de 2006, em que perdeu dezenove cadeiras na Câmara dos Deputados e uma cadeira no Senado, além de conquistar apenas o governo do Distrito Federal. O primeiro nome escolhido foi "Partido Democrata" (PD). Entretanto, decidiram modificar sua sigla para DEM e seu nome para "Democratas". A eleição do deputado fluminense Rodrigo Maia (PFL-RJ) como presidente do partido indica uma mudança de núcleo do nordeste para o Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo a própria ata do Congresso do PFL, houve uma renomeação do partido em 2007. O Tribunal Superior Eleitoral considera ambos os partidos como um só. Diversos julgados da justiça eleitoral, em ações de perda de mandato de parlamentares por infidelidade partidária levaram a julgados onde a Justiça Eleitoral expressou que para todos os fins, tratava-se do mesmo partido. Também há pesquisadores e veículos de mídia que consideram o PFL e o DEM como sendo o mesmo partido.
Cisão de 2011 e declínio
Nas Eleições Municipais de 2004 em São Paulo, o ora PFL indicou o então deputado federal Gilberto Kassab (PFL-SP) para o posto de vice-prefeito na chapa liderada por José Serra (PSDB-SP). Inicialmente, Kassab foi valoroso ao partido, pois diante da renúncia de Serra para concorrer ao governo do estado em 2006, o PFL passa a controlar a Prefeitura de São Paulo. Na Eleição Municipal de 2008, o Democratas lança Kassab como candidato à Prefeitura em uma aliança com o PMDB. O PSDB ficou divido em relação a Kassab, elementos próximos a José Serra favoreciam o demista, enquanto outros políticos importantes entendiam que os tucanos deveriam lançar um candidato próprio. Não obstante, Kassab conseguiu se eleger com o apoio do seu agrupamento e ultrapassou Geraldo Alckmin (PSDB-SP), disputando o segundo turno com Marta Suplicy (PT-SP).
Juventude Democratas
A Juventude Democratas (JDEM) é um órgão doutrinário de ação partidária de âmbito nacional, de caráter político, cultural e social, integrante da estrutura organizacional do Democratas, com prazo de duração indeterminado. Como finalidade, a JDEM procura difundir a doutrina política adotada pelo partido Democratas, além de incentivar a participação política de jovens visando à ampliação dos quadros do partido e a formação de novas lideranças, apoiando ou promovendo eventos, estudos e pesquisas nas áreas política, econômica e social, destinados à divulgação, debate e discussão de temas ligados à juventude, à sua formação profissional e ao seu desenvolvimento.


