Peter Paul Rubens
Peter Paul Rubens foi um pintor brabantino do estilo barroco, proponente de um estilo extravagante que enfatizava movimento, cor e sensualidade. É conhecido por suas obras contrarreformistas, retratos e pinturas históricas de assuntos mitológicos e alegóricos.
Primeiros anos
Rubens nasceu em Siegen, na Vestfália, filho de Jan Rubens e Maria Pypelincks. Seu pai, um calvinista, e sua mãe fugiram de Antuérpia para Colônia em 1568, por causa do crescente tumulto religioso e das perseguições aos protestantes durante o reinado do Duque de Alba nos Países Baixos Espanhóis. Jan Rubens se tornou um conselheiro jurídico (e amante) de Ana da Saxónia, a segunda esposa de Guilherme I, príncipe de Orange, e se assentou na corte dela em Siegen em 1570. Após Jan Rubens ter sido preso por causa do relacionamento, Peter Paul Rubens nasceu, no ano de 1577. A família retornou para Colônia no ano seguinte e, em 1589, dois anos após a morte de Jan, ele e sua mãe se mudaram novamente para Antuérpia, onde ele foi criado como um católico. A religião apareceria de forma proeminente na maior parte de sua obra e Rubens iria se tornar uma das principais vozes da pintura na Contrarreforma católica.
Itália (1600–1608)
Em 1600, Rubens viajou para a Itália. Ele parou primeiro em Veneza, onde ele viu as pinturas de Ticiano, Veronese e Tintoretto, antes de assentar em Mântua, na corte do duque Vincenzo I Gonzaga. As cores e as composições de Veronese e Tintoretto tiveram um efeito imediato sobre as pinturas de Rubens e seu estilo posterior, mais maduro, foi profundamente influenciado por Ticiano. Com o apoio financeiro do duque, Rubens viajou a Roma passando por Florença em 1601. Lá, ele estudou grego clássico e a arte romana, copiando obras dos mestres italianos. A escultura helenística Laocoonte e seus filhos teve uma influência especial sobre ele, assim como a arte de Michelângelo, Rafael e Leonardo da Vinci. Ele também foi influenciado pela recente - e fortemente naturalística - obra de Caravaggio. Ele posteriormente fez uma cópia de uma obra dele, O Enterro de Cristo, e recomendou ao seu patrocinador, o duque de Mântua, que comprasse a Morte da Virgem (que hoje está no Louvre). Além disso, ele foi instrumental nas aquisições da Nossa Senhora do Rosário (Kunsthistorisches Museum, Viena) para a igreja dominicana em Antuérpia. Durante sua primeira estadia em Roma, Rubens completou uma encomenda para uma peça de altar, Santa Helena com a Vera Cruz para a igreja de Santa Croce in Gerusalemme.
Antuérpia (1609–1621)
Ao saber que sua mãe estava doente em 1608, Rubens planejou viajar da Itália para Antuérpia. Porém, ela morreu antes que ele pudesse vê-la. Sua volta coincidiu com um período de renovada prosperidade na cidade com a assinatura do Tratado de Antuérpia em abril de 1609, que iniciou a Trégua dos Doze Anos. Em setembro de 1609, Rubens foi escolhido como o pintor da corte por Alberto VII de Áustria, e da Infanta Isabella Clara Eugenia, soberanos dos Países Baixos Espanhóis. Ele recebeu uma permissão especial para basear seu estúdio em Antuérpia ao invés de Bruxelas, onde estava sediada a corte, e também para trabalhar para outros clientes. Ele se manteve próximo da arquiduquesa Isabella até a sua morte em 1633 e foi utilizado não somente como pintor, mas também como embaixador e diplomata. Rubens cimentou ainda mais seus laços com a cidade quando, em 3 de outubro de 1609, ele se casou com Isabella Brant, a filha de um dos mais proeminentes humanistas da cidade, Jan Brant.
Ciclo e as diplomacias (1621–1631)
Em 1621, a rainha-mãe da França, Maria de Médici, encomendou a Rubens dois grandes ciclos alegóricos celebrando a sua vida e a de seu recém-finado marido, Henrique IV para o Palácio do Luxemburgo, em Paris. O desde então chamado Ciclo de Maria de Médici (atualmente no Louvre) foi instalado em 1625 e, embora ele tenha começado o trabalho no segundo ciclo, jamais teve tempo de terminá-lo. Maria foi exilada da França em 1630 por seu filho, Luís XIII, e morreu em 1642, na mesma casa em Colônia onde Rubens vivera quando criança. Com o final da Trégua dos Doze Anos, em 1621, os regentes Habsburgos espanhóis confiaram a Rubens numerosas missões diplomáticas. Em 1624, o embaixador francês escreveu de Bruxelas: "Rubens está aqui para pintar o retrato do príncipe da Polônia, por ordens da infanta" (o príncipe Władysław IV Vasa foi a Bruxelas como convidado pessoal da Infanta Isabella em 2 de setembro de 1624).
Últimos anos
A última década de Rubens se passou em Antuérpia ou nas redondezas. Obras grandes para compradores estrangeiros ainda o ocupavam, como as pinturas para o teto da Salão de Banquetes do Palácio de Whitehall, de Inigo Jones, mas ele também explorou algumas possibilidades artísticas mais pessoais. Em 1630, quatro anos após a morte de sua primeira esposa, o artista, então com 53 anos de idade, se casou com a donzela Hélène Fourment, de dezesseis. Ela inspirou nele figuras voluptuosas em muitas pinturas da década de 1630, incluindo "A Festa de Vênus" (Kunsthistorisches Museum, Viena), "As Três Graças" (Prado, Madrid) e "O Julgamento de Páris" (Prado, Madrid - à direita). Nesta última pintura, que foi feita para a corte espanhola, a jovem esposa do artista foi reconhecida como sendo a figura de Vênus. Num retrato íntimo dela, "Hélène Fourment embrulhada em peles", também conhecido como Het Pelsken, a esposa de Rubens chega a ser representada com base nas esculturas clássicas da Vênus Pudica, como na Vênus de Médici.
Rubens foi um artista muito prolífico. Suas obras sob encomenda foram majoritariamente sobre assuntos religiosos, pinturas "históricas", que incluem assuntos mitológicos, e cenas de caçadas. Ele pintou muitos retratos, especialmente de amigos e autorretratos, e, no final de sua vida, ele pintou diversas paisagens. Ele também projetou diversas tapeçarias e gravuras, além de sua própria casa. Seus desenhos são muito vigorosos, mas não tão detalhados; ele também se utilizou de estudos em óleo para se preparar para suas obras. Ele foi um dos últimos artistas a fazer uso consistente de painéis de madeira como meio de apoio, mesmo para obras grandes, e se utilizou também de lona, especialmente quando a obra precisaria ser enviada para lugares distantes. Para suas peças de altar, ele por vezes pintou em ardósia para reduzir problemas com reflexos.


