Rio Grande do Sul
Rio Grande do Sul é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Encontra-se situado na região Sul do país. Tem como limites: ao norte, com Santa Catarina. Ao sul, com os departamentos uruguaios de Artigas, Rivera, Cerro Largo, Treinta y Tres e Rocha. A leste, com o Oceano Atlântico. A oeste, com as províncias argentinas de Misiones e Corrientes. Conta com mais de quatrocentas municipalidades e sua superfície total é de 281 730,223 km², correspondendo a 3,3% da área do país, sendo pouco mais extenso que a República do Equador. Porto Alegre é sua capital, e Piratini se torna sua capital simbolicamente nos dias 20 de setembro de todos os anos. Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Canoas e Santa Maria são as maiores cidades. O relevo é formado por uma grande baixada, ocupada ao norte por um planalto. Os mais importantes rios são Uruguai, Pelotas, Jacuí, Antas, Taquari, Ibicuí, Ijuí e Camacuã. Tem um clima subtropical. Sua economia está alicerçada na agricultura, criação de gado e indústria.
Nome do estado
Conforme Antenor Nascentes, autor do Dicionário etimológico da língua portuguesa, é a tradicional designação da foz do Rio Grande, o escoadouro da lagoa dos Patos, e estado brasileiro. Capitania colonial em 1760, província imperial em 1822 e unidade federativa em 1889. A denominação se origina do canal que conecta a laguna dos Patos com o oceano Atlântico (Henrique Martins, autor de Corografia do Brasil, 17). Em 1737, o denominado continente de São Pedro (que possuía o núcleo de povoamento de Rio Grande) se transformou em uma Comandância Militar subalterna do Rio de Janeiro. E proclamou sua autonomia pelo decreto de 19 de setembro de 1807.
Gentílico
Os habitantes naturais do Rio Grande do Sul são denominados gaúchos, rio-grandenses-do-sul ou sul-rio-grandenses. O gentílico no masculino do singular é gaúcho e no feminino, gaúcha. É uma palavra oriunda do castelhano gaucho,[nota 1] um adjetivo que, aplicado às pessoas pode significar “nobre, valente e generosa” ou “camponês experimentado em pecuária tradicional”, ou ainda “velhaco, astuto, dissimulado ou ardiloso experiente”, mas também podendo ter o sentido de “vagabundo, contrabandista, desregrado e desprivilegiado”.
Povos nativos e colonização europeia
Os primeiros humanos (paleoíndios) chegaram ao que é hoje o território gaúcho há 12 mil anos, conforme indicam os vestígios arqueológicos encontrados em várias partes do estado, sobretudo na Campanha Gaúcha. Na época da chegada dos primeiros europeus ao Brasil, o que é hoje o Rio Grande do Sul era habitado pelos indígenas minuanos, charruas e xoclengues. Os indígenas sul-rio-grandenses eram excelentes produtores de cerâmica e, na caça, utilizavam as boleadeiras, até os dias atuais uma das ferramentas do peão gaúcho. Pelo Tratado de Tordesilhas (1494), o atual território do Rio Grande do Sul era pertencente à Espanha. Por séculos, essa região fez parte do Império Espanhol, inicialmente ao Governo da Nova Andaluzia e, posteriormente, à Governação do Rio da Prata. A partir de 1627, os espanhóis começaram a penetrar na margem esquerda do Rio Uruguai, em terras gaúchas, por meio dos jesuítas, vindos do Paraguai, que fundaram missões jesuíticas para catequizar os indígenas. Inicialmente, as missões surgiram no oeste rio-grandense e foram surgindo outras nas nascentes dos rios Ibicuí e Jacuí (como São Tomé, São Miguel e São Cosme e Damião) e na bacia do Jacuí (como Jesus Maria José, Santa Teresa e Santa Ana), chegando, inclusive, próxima à atual Porto Alegre. Logo em seguida, vieram os bandeirantes vindos de São Paulo, como Raposo Tavares, que invadiam as missões jesuíticas do atual Rio Grande do Sul para capturar indígenas para escravizar. Como resultado dos ataques às missões, o seu gado se dispersou pelos campos rio-grandenses. Mesmo com a derrota dos paulistas na Batalha de M’Bororé (1641), isso não foi suficiente para a fixação das missões, pois já havia um grande êxodo indígena desde o ataque de Raposo Tavares em 1637, se dirigindo para a região que hoje é chamada de Mesopotâmia Argentina.
Período imperial
Em 1821, por meio de ordens da Corte de Lisboa, a Capitania de São Pedro do Rio Grande foi elevada à categoria de província, com o nome de São Pedro do Rio Grande do Sul. Foi nomeado presidente da província o brigadeiro João Carlos de Saldanha Daun, mas os eleitores paroquiais não seguiram as ordens de subordinação a Lisboa. O vice-presidente da província, o marechal-de-campo João de Deus Mena Barreto, desconfiando da lealdade de Saldanha a Lisboa, criou as condições para o bloqueio do presidente, que se retirou para o Rio de Janeiro em dezembro de 1822, com o Rio Grande do Sul já parte da nação brasileira. Em 1824, desembarcaram, em Porto Alegre, os primeiros imigrantes alemães no Rio Grande do Sul, os quais viriam a se fixar e povoar o vale do Rio dos Sinos, onde se formariam cidades como São Leopoldo, dedicando-se à agricultura de subsistência. Durante a Guerra da Cisplatina, que resultou na independência dessa província em 1828 como o Uruguai, o Rio Grande do Sul sofreu grande perda de homens e recursos.
Período republicano
O republicanismo sul-rio-grandense ganhou força nos últimos anos do Império, quando foi criado o Partido Republicano Rio-Grandense, liderado por Júlio de Castilhos. Em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, o Rio Grande do Sul se tornou um estado dentro de um Brasil republicano e federativo, tendo como primeiro governador José Antônio Correia da Câmara. Nos três primeiros anos de República, a situação política gaúcha era instável, com 15 governadores nesse período. Em 1891, foi promulgada a primeira constituição estadual, de caráter autocrático. Em 1893, assumiu a presidência do estado Júlio de Castilhos, que conseguiu esmagar a oposição após a guerra civil conhecida como Revolução Federalista (1893 a 1895). Foi sucedido por Antônio Augusto Borges de Medeiros, que governou o estado até 1928, com breve hiato de 5 anos.
Os solos florestais e campestres são bastante diferentes. Os primeiros são apropriados a plantios na agricultura, ao passo que os campestres servem à pecuária. A geomorfologia gaúcha é constituída em boa parte por áreas baixas e aplainadas, ou suavemente onduladas. Compreende seis unidades geomorfológicas diferentes. São elas: A baixada litorânea, o planalto basáltico, a encosta do planalto (ou Serra), a depressão central, as serras de sudeste e a planície da Campanha. A baixada litorânea segue todo o litoral do estado. É formado por um cinturão de terrenos arenosos, de comprimento variável. Ao norte do estado, eleva-se o planalto basáltico. Em sua parte oriental, forma uma escarpa abrupta, com elevações além de 1 200 metros. Constitui a região mais alta do estado. A oeste diminui levemente, atingindo 670 metros na zona de Passo Fundo e somente 250 metros em Santa Rosa. A encosta do Planalto abrange dois trechos diferentes. São eles: a leste, uma cuesta escarpada que compõe a serra Geral. A oeste, uma geomorfologia montanhosa, atravessada por uma enorme quantidade de rios, dentre eles o Jacuí, Caí, Taquari e Ibicuí. Vai diminuindo de altitude à proporção que se aproxima do vale do rio Uruguai.
Hidrografia
A rede hidrográfica abrange rios subordinados à bacia do rio Uruguai e flúmens que descem em direção ao oceano Atlântico. Os rios Jacuí, Taquari, Caí, Gravataí, Guaíba e dos Sinos, dentre outros, são razoavelmente navegáveis. Todo o oeste do estado e um curto cinturão de terrenos no decorrer da divisa com Santa Catarina integram a bacia do rio Uruguai. Abrange, além do rio Uruguai e seu afluente, o Pelotas, os tributários da margem sul: o Passo Fundo, o Ijuí, o Piratini, o Ibicuí e o Quaraí. A bacia hidrográfica do Atlântico Sul compreende toda a metade leste do estado. Esta é irrigada por rios cujas águas, antes de alcançar o mar, vão chegar a uma das lagoas da costa. Dessa forma, a lagoa Mirim recebe as águas do rio Jaguarão, a dos Patos, as dos rios Turuçu, Camaquã e Jacuí. A lagoa dos Patos recebe as águas deste último através do estuário do Guaíba. A lagoa dos Patos se liga com a lagoa Mirim por meio do canal de São Gonçalo, e com o mar através da barra do rio Grande. Além das duas enormes lagoas, existem também diversas outras, pequenas, na baixada litorânea, dentre elas a Itapeva, dos Quadros, do Peixe e Mangueira.
Clima
O território gaúcho abrange dois tipos climáticos. O clima subtropical, com chuvas bem divididas ao longo do ano e verões cálidos (Cfa na classificação de Köppen), aparece em boa parte do estado. Marca temperaturas médias de 18 °C anuais e uma pluviosidade de 1 500 mm. O clima Cfb, subtropical, apresenta chuvas anuais bem divididas e verões suaves. Aparece nas partes mais altas do território do Rio Grande do Sul. Ou seja, na parte mais elevada do planalto basáltico e planalto dissecado de sudeste. Bate temperatura média de 16 °C anuais e pluviosidade de 1 100 mm por ano. Dos ventos que assopram no estado, ambos possuem nomes regionais: o pampeiro, vento morno, que vem dos pampas platinos; e o minuano, frio, de origem andina.
Vegetação
Dois gêneros de vegetação aparecem no Rio Grande do Sul: campos e florestas. Os campos dominam mais de 66% da área do estado. Em geral, revestem as regiões de relevo médio, aplainadas ou levemente onduladas, quer dizer, a depressão central e boa parte do planalto basáltico. As florestas revestem 29% das terras do estado. Ocorrem na encosta e nas partes mais altas do planalto basáltico, no planalto dissecado de sudeste. Aparecem, ainda, no formato de matas ciliares e capões, espalhados pelos campos que envolvem o restante do estado. Nas regiões mais elevadas, com altitude superior a 400 m, ocupa a denominada floresta de araucária, que mistura as latifoliadas com coníferas.
A população do Rio Grande do Sul no censo demográfico de 2022 era de 10 882 956 habitantes, sendo a 6.ª unidade da federação mais populosa do país, centralizando cerca de 5,36% da população brasileira e apresentando uma densidade demográfica de 39,36 moradores por quilômetro quadrado (a 13.ª maior do Brasil). Ao mesmo tempo, 51,7% eram mulheres e 48,3% homens, tendo uma razão de sexo de 93,4. Em dez anos, o estado apresentou uma taxa de crescimento populacional de 0,15%. No censo demográfico de 2010, a população era de 10 693 929 habitantes. Conforme este mesmo censo demográfico, 85,10% dos habitantes moravam na zona urbana e os 14,90% remanescentes na rural. O Índice de Desenvolvimento Humano do estado do Rio Grande do Sul é considerado alto conforme o PNUD. Segundo o último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgado em 2013, com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,746. Encontra-se na sexta colocação ao nível nacional e na terceira ao regional, depois do Paraná. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é de 0,840 (4.º), o do de renda é 0,769 (5.º) e o de educação é de 0,642 (8.º). Em 2003, o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,48 e a incidência da pobreza de 25,94%. A taxa de fecundidade do Rio Grande do Sul é de 1,76 filhos por mulher, uma das mais baixas do Brasil.
Hierarquia urbana e regiões metropolitanas
Dos 496 municípios gaúchos, apenas um tinha população acima dos quinhentos mil. Outros 17 tinham entre 100 001 e 500 000. 18 com mais de 100 000, 24 de 50 001 a 100 000. 58 de 20 001 a 50 000, 65 de 10 001 a 20 000. 104 de 5 001 a 10 000. 193 de 2 001 a 5 000 e 34 até 2 000. Porto Alegre, sozinha, abrigava 13,2% do total de habitantes. Além disso, possuía a quarta maior densidade demográfica, três vezes menor que Esteio, em relação aos demais municípios (2 690,50 hab./km²), enquanto Pedras Altas, no sul, detinha a mais baixa (1,50 hab./km²). Todo o território gaúcho se acha na área influenciada pela capital gaúcha. A ação da cidade de Porto Alegre atinge também uma pequena faixa ao sul do estado de Santa Catarina. No interior do Rio Grande do Sul, a influência da capital gaúcha é efetivada por intermédio de centros intermediários. Entre estas cidades grandes estão Caxias do Sul, Passo Fundo, Pelotas-Rio Grande. Erechim, Santa Cruz do Sul, Cruz Alta. Ijuí, Santa Maria, Bagé, Sant'Ana do Livramento. Alegrete e Uruguaiana.
Idiomas
O português é o idioma oficial do Rio Grande do Sul. Além disso, parte da população ainda conversa em demais idiomas, como o caingangue ou o mbyá-guarani, de povos indígenas. E ainda o portunhol riverense em regiões fronteiriças. Expressiva porção da população gaúcha, geralmente os descendentes de imigrantes alemães e italianos, dentre outros, também conversam nos seguintes idiomas. São eles: Riograndenser Hunsrückisch (uma língua regional sul-brasileira falado desde há quase dois séculos por boa parte dos teuto-brasileiros no Rio Grande do Sul). Plattdietch ou plattdüütsch (união dos dialetos do baixo-alemão ao qual está subordinado o dialeto Pomerano falado em diversas regiões do sul do Brasil). Talian (versão sul-brasileira do vêneto). Castelhano (falado nas áreas limítrofes entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai, Paraguai, Bolívia, etc.). E em menor quantidade, também há muitos outros núcleos de línguas e dialetos no Rio Grande do Sul, como polonês, lituano, árabe e iídiche.
Religiões
Segundo o censo 2022, a população do Rio Grande do Sul acima de 10 anos declarou assim sua religião: católicos apostólicos romanos (60,63%), evangélicos (21,35%), irreligiosos (8,82%), umbandistas e candomblecistas (3,19%), espíritas (2,86%), tradições indígenas (0,03%), não sabe ou sem declaração (0,08%) e outras religiões (3,04%). Do ponto de vista religioso, o Rio Grande do Sul é diverso. Dos dez municípios com maiores percentuais de católicos no Brasil, nove estão no estado, incluindo o mais católico do país, Montauri (98,3%). Dos dez municípios mais evangélicos do país percentualmente, seis são gaúchos, incluindo o com maior percentual, Arroio do Padre (88,7%). O estado possui o maior percentual de praticantes de umbanda e candomblé entre as unidades da federação e nove das dez municipalidades com mais praticantes dessas religiões são gaúchas.
Composição étnica, migração, povos indígenas e racismo
Segundo pesquisa de autodeclaração do censo de 2022, 78,42% dos habitantes do estado se reconheceram como brancos, 14,67% pardos, 6,52% pretos, 0,07 amarelos e 0,31% indígenas. Em 2010, 99,77% eram brasileiros (99,68% natos e 0,09% naturalizados) e 0,23% estrangeiros. Dentre os brasileiros, 98,32% naturais do Sul (96,18% do próprio estado) e 1,1% em demais regiões. 0,59% são do Sudeste, 0,29% do Nordeste, 0,15% do Centro-Oeste e 0,07% do Norte. Entre os estados de origem dos imigrantes, Santa Catarina possuía o maior percentual de residentes (1,46%). Esta é acompanhada por Paraná (0,68%), São Paulo (0,31), Rio de Janeiro (0,17), Minas Gerais (0,09) e Ceará (0,07).
O estado do Rio Grande do Sul, da mesma forma que uma república, é administrado por três poderes, totalmente sediados na capital, Porto Alegre. São eles: o executivo, liderado pelo governador do Rio Grande do Sul e constituído pela administração direta (secretarias estaduais e órgãos vinculados) e administração indireta (autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, etc.). O legislativo (Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul). E, por fim, o judiciário (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e outros tribunais, e juízes). São símbolos do Rio Grande do Sul a bandeira, o brasão e o hino. O poder executivo gaúcho é desempenhado pelo governador do Rio Grande do Sul. Este é escolhido pela população gaúcha para um mandato de quatro anos, com direito à reeleição para mais um período de governo, visando administrar o Rio Grande do Sul. O chefe do poder executivo gaúcho é sucedido, em seus impedimentos, pelo vice-governador do Rio Grande do Sul, e assessorado pelos secretários estaduais. A matriz do poder executivo do estado, o Palácio Piratini, começou a ser construída pelo arquiteto francês Maurice Gras em 1896 e teve sua construção reiniciada em 1909, para suceder o antigo Palácio de Barro. Foi, depois do Forte Apache, ocupado pelo governo estadual em 17 de maio de 1921 e inaugurado na década de 1970. Sofreu profundas alterações em sua estrutura.
Bandeira
A bandeira do Rio Grande do Sul originou-se durante a Guerra dos Farrapos, em 1835, sem o brasão de armas, com autoria controversa entre Bernardo Pires, José Mariano de Matos e Tito Livio Zambeccari, cuja versão ganhou força após a descoberta de um quadro com um Lanceiro Negro e a bandeira revolucionária. Zambeccari teria criado em Buenos Aires entre 1833 e 1835, com ordem diferente de cores, sendo o vermelho ao meio em 1836, na proclamação da República Rio-Grandense. Os símbolos da bandeira estadual foram adotados oficialmente logo nos primeiros anos da Primeira República Brasileira, e traz a inscrição "República Rio-Grandense", o lema "Liberdade, Igualdade e Humanidade", e a data "20 de setembro 1835".
O Rio Grande do Sul surgiu como unidade política em 1807, com quatro vilas. A vila mais antiga é a do Rio Grande, fundado em 1737, e a última desse período foi Rio Pardo, criada em 1809. Com a Independência do Brasil, a província de São Pedro do Rio Grande do Sul foi organizada em 1823 e naquele ano seu território já se dividia em cinco cidades e vilas. Do Império até a República passou de cinco para 497 municípios. Constitui o terceiro estado com o maior número e o primeiro da região Sul.
Entre as maiores se destacam: Lojas Renner, Companhia Zaffari, AES Sul. Rio Grande Energia, Bianchini, Companhia Estadual de Energia Elétrica. Corsan, Calçados Beira-Rio, Panvel. Celulose Riograndense, SLC Agrícola, Getnet. Unidasul, Marcopolo, RPR, Randon. Hospital Nossa Senhora da Conceição, Oleoplan, Vonpar Refrescos. Hospital de Clínicas de Porto Alegre, ThyssenKrupp, Cotrisal. Lojas Colombo, Vibra, Alibem. Josapar e Tramontina. O Rio Grande do Sul é a 5.ª unidade federativa mais rica do Brasil, possuindo 5,9% da economia do país. O estado também é um grande exportador. Em 2019, foi a quarta maior unidade federativa brasileira em exportação, participando com 8,3%.
Setor primário
O setor terciário constitui o mais relevante e maior da economia gaúcha ao nível nacional. Em 2013, os serviços respondiam só por 12,0% do valor adicionado bruto em relação à economia do Brasil. O Rio Grande do Sul fornece quase 90% da uva e vinho do Brasil e 70% do arroz do país. Produz boa parte do tabaco, o qual é quase totalmente exportado. É o 3.º plantador de soja com 16% do que é produzido em território nacional; 3.º maior produtor de milho; e 3.º plantador de tangerina. É um dos maiores plantadores de trigo, aveia e erva-mate, junto do Paraná. Um dos maiores plantadores de maçã, junto de Santa Catarina; constitui o 4.º maior fornecedor de mandioca; o 5.º mais importante na produção de laranja. Além disso, é um produtor de quantidades expressivas de pêssego, figo, caqui e morango, dentre outros.
Setor secundário
O setor terciário constitui o segundo mais relevante da economia gaúcha ao nível nacional. Em 2013, os serviços respondiam só por 6,1% do valor adicionado bruto em relação à economia do Brasil. Contrata 777.301 trabalhadores. Os mais importantes setores fabris constituem: construção (17%), alimentos (14,6%), Serviços Industriais de Utilidade Pública, como Energia Elétrica e Água (10,5%), Máquinas e Equipamentos (6,8%) e Químicos (6,7%). Estes 5 setores centralizam 55,6% da indústria do estado. Outros setores principais constituem-se os de veículos automotores (5,7%), derivados de petróleo e biocombustíveis (5,5%), Couros e calçados (4,8%), Produtos de metal (4,5%) e Celulose e papel (4,0%).
Setor terciário
O setor terciário constitui o menos relevante e menor da economia gaúcha ao nível nacional. Em 2013, os serviços respondiam só por 5,9% do valor adicionado bruto em relação à economia do Brasil. A economia do Rio Grande do Sul tem uma alta capacidade produtiva, e a grande população espalhada pelo estado influencia significativamente as atividades comerciais, que apresentam números bastante elevados. O estado mantém um amplo intercâmbio comercial com outras unidades federativas do país e também com nações estrangeiras, como China (22%), Estados Unidos (9,7%), Argentina (4,9%), Vietnã (3,6%) e Bélgica (3,6%), o que resulta em saldos positivos para o estado. No âmbito do comércio exterior, em 2023, o Rio Grande do Sul realizou exportações de produtos no valor de 22 307,9 milhões de dólares e importou bens na quantia de 13 762,2 milhões de dólares. No comércio de cabotagem, as exportações atingiram 1,82 bilhão de dólares, ao passo que as importações totalizaram 852 milhões de dólares.
Energia
Em 2021, o Rio Grande do Sul possuía cerca de 7,2 GW de potência elétrica instalada, um número relativamente baixo em comparação com o total do país, que era de cerca de 170 GW na época. Desse total, 80,6% provinham de fontes renováveis – 49% correspondiam a usinas hidrelétricas, 19,5% à energia eólica e 8,2% à energia solar fotovoltaica. O estado possui alto potencial para instalação de energia eólica devido à velocidade média do vento, uma das mais altas do país. Atualmente, existem diversos projetos para novos parques eólicos em andamento, além de investimentos limitados nas linhas de transmissão de energia do estado. A maioria dos projetos de energia eólica offshore no Brasil, em 2021, estava localizada no Rio Grande do Sul, com instalação prevista para 2030.
Saúde
As situações de atendimento médico-hospitalar do estado são tidas como satisfatórias. As iniciativas públicas se somaram às privadas que regularmente contribuíram para a dispersão uniforme dos bens assistenciais pelo interior. Em 2009, o estado possuía uma rede hospitalar formada por 5 705 instituições. Estas compreendem 31 055 leitos, atendidos por 59 598 médicos, 8 671 enfermeiros e 14 377 auxiliares de enfermagem. As instituições federais de saúde pública colaboraram por intermédio das seguintes atividades. São elas: "Departamento de Endemias Rurais" (educação sanitária, campanha de vacinação, campanha contra a ancilostomose, doença de chagas, febre-amarela, filariose e tracoma). Serviço Nacional de Doenças Mentais. Serviço Nacional de Lepra e Serviço Nacional de Saúde.
Educação
Em 2018, foram registradas matrículas de 1 298 736 discentes. Estes estavam nas 5 926 instituições educacionais de ensino fundamental do Estado do Rio Grande do Sul. Destas, 5 166 eram do município, 4 135 do estado, 4 da União e 1 019 da iniciativa privada. No que diz respeito ao corpo docente, era também formado por 73 770 professores. Destes, 44 018 ensinavam nas instituições de ensino do município, 31 433 nas do Estado, 143 nas da União e 12 960 nas da iniciativa privada. O ensino médio, em 2018, era lecionado em 1 503 estabelecimentos com 338 065 discentes registrados por matrícula, atendidos por 27 771 docentes. Em 2019, a taxa de alfabetização estadual era de 97,4%, a 4.ª mais alta do Brasil, comparável à de Singapura. A taxa de escolarização gaúcha na faixa etária de 6 a 14 anos é de 99,4. Em 2008, 14, 8% da população gaúcha é de analfabetos funcionais. Seu IDH-educação é o 8.º mais alto do Brasil (0,642).
Transportes
O conjunto ferroviário passa ao redor do eixo central constituído pela linha. Esta sai de Porto Alegre, se desloca em direção ao oeste por intermédio da depressão central. Vai atingir o limite com a Argentina, em Uruguaiana. Desse ramo longitudinal se deslocam vários ramos. De grande relevância para o estado, constituem as ferrovias que o conectam com o restante do país. Uma delas sai de Santa Maria, no tronco longitudinal, anda para o norte e corta os estados de Santa Catarina e Paraná. Mais para leste, passa outra estrada de ferro na direção norte-sul, cortando Montenegro, Bento Gonçalves e Vacaria, atravessando depois o leste de Santa Catarina e Paraná.
Serviços e comunicações
Dentre as mais importantes usinas elétricas do estado destacam-se as hidrelétricas de Passo Fundo (220.000kW), no rio Uruguai; de Jacuí (150.000kW) e Passo Real (125.000kW), no rio Jacuí; e as termelétricas, Presidente Médici (126.000kW), no município de Bajé, Charqueadas (72.000kW), na municipalidade do mesmo nome, e Osvaldo Aranha (66.000kW), na comuna de Alegrete. O abastecimento de energia elétrica está sob a responsabilidade da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). Em 2016, O Rio Grande do Sul consumiu 29 428 GWh e possuía cerca de 4,5 milhões de consumidores. Em 317 dos 497 municípios gaúchos, o fornecimento de água está a cargo da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Os serviços de abastecimento e venda de gás canalizado estão a encargo da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás).
Segurança pública e criminalidade
No Exército Brasileiro, o Rio Grande do Sul faz parte, junto aos estados do Paraná e Santa Catarina, do Comando Militar do Sul, tendo sede no estado a 3.ª Divisão de Exército, com sede em Santa Maria, e a 6.ª Divisão de Exército, com sede em Porto Alegre e merecendo destaque as seguintes unidades: 8.ª Brigada de Infantaria Motorizada (Pelotas), 6.ª Brigada de Infantaria Blindada (Santa Maria), 1.ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (Santiago), 2.ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (Uruguaiana), 3.ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (Bagé). Na Marinha do Brasil, o estado está incorporado no 5.º Distrito Naval, sediado em Rio Grande Deve ser destacado o Grupamento de Fuzileiros Navais de Rio Grande, o Grupamento de Patrulha Naval do Sul. A Estação Naval do Rio Grande e a Capitania dos Portos do Rio Grande. Na Força Aérea Brasileira, o Rio Grande do Sul pertence ao V Comando Aéreo Regional, cujo quartel-general tem sede em Canoas. Merecem destaque as seguintes unidades: bases aéreas de Canoas e Santa Maria.
A cultura gaúcha teve origem em estilos diversos. No entanto, com uma imensa predominância portuguesa, foi por meio da miscigenação racial lusitana, indígena, castelhana, germânica e italiana. Que a cultura gaúcha teve sua atenção dirigida para o meio rural em consequência da enorme predominância da criação de gado, merecendo destaque a pecuária bovina. A fabricação de peças artesanais é de utilização própria e decorativa. Merecem destaque as variedades de modelos feitas com cuias de chimarrão, de porongo enfeitadas com rosas e a folha de roseira, madeira, porcelana ou chifre. Facas artesanais. Fivelas de guaiaca prateada. Vários trabalhos feitos de chifres como abajur, cinzeiro, canecas, dentre outros. Enormes chapéus de palha. Trabalhos de tecelagem como ponchos e cobertores, dentre outras peças. Sobressaem na pintura obras como: pinturas de quadros figurativos, abstratos, enormes variedades de peças de argila, desenhos, gravuras, variantes de pinturas de porcelanas e esculturas. Dentre os mais importantes pintores, merecem destaque Ado Malagoli e Carlos Scliar.
Entidades culturais, museus e bibliotecas
Dentre as mais importantes instituições de ensino gaúchas, merece destaque a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, ambas na capital. A Universidade de Passo Fundo (privada); a Universidade Federal de Pelotas. A Universidade Federal de Santa Maria, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (privada) em São Leopoldo. E a Universidade de Caxias do Sul (privada). Dentre as associações culturais, sobressaem o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, que publica uma revista a partir de 1860. A Academia Rio-Grandense de Letras e a Associação de Imprensa, em Porto Alegre. Opera na capital, vinculado à Secretaria da Cultura do estado, o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.
Museus e acervo arquitetônico
Os principais museus do estado constituem o Júlio de Castilhos, o Museu de Armas General Osório, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o Museu de Arte Sacra, o Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, na capital, o Museu do Centro de Tradições Gaúchas Rincão da Lealdade, de produtos, trajes e objetos regionais (Caxias do Sul), o Museu Antropológico de Ijuí, o Museu Histórico de Pelotas, o Museu Oceanográfico de Rio Grande, o Museu Histórico Vítor Bersani (Santa Maria), o Museu Barão do Santo Ângelo (Rio Pardo), o Museu Farroupilha (Triunfo), estabelecido no antigo Palácio do Governo Farroupilha e o Museu Colonial Visconde de São Leopoldo. O estado abriga abundante acervo arquitetônico. Conta com numerosos monumentos catalogados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Entre eles merecem destaque a igreja de São Sebastião, em Bagé, erguida em 1863 e onde descansam os restos mortais de Gaspar Silveira Martins. O forte incompleto de D. Pedro II (Caçapava do Sul). O palácio do governo farroupilha (hoje Museu Farroupilha), o quartel-general farroupilha e a residência de Giuseppe Garibaldi, em Piratini. A igreja de São Pedro, em Rio Grande. Os vestígios do povo guarani e da igreja de São Miguel (Santo Ângelo); a igreja de Nossa Senhora da Conceição (Viamão).
Folclore, música, dança, arquitetura, culinária e indumentária
A região gaúcha possui estilo próprio, distinguindo-se das demais regiões do Brasil. Os ritmos musicais são complementados por meio de instrumento típico dessa região. Sobressaem músicas e danças como Chimarrita (procedência açoriana), pezinho (procedência portuguesa), chula (procedência portuguesa). Xote (procedência europeia), Anu e Tatu (originárias dos fandangos). Vanerão, também conhecido como limpa-banco (origem alemã com influência cubana), dentre outros. O estado é berço de grupos musicais como a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, de música erudita, criada em 1950. Além disso há bandas e artistas de música nativista como Os Monarcas. Garotos de Ouro. Porca Véia. Baitaca. Elton Saldanha, um dos maiores intérpretes e conhecedores do Hino Rio-Grandense, canção patriótica criada por um prisioneiro de guerra, entre outros.
Eventos
Entre as festividades religiosas do estado, merecem destaque, na capital, a procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, em 2 de fevereiro, também denominada de “Melancias”. A festa do Divino, comemorada na igreja do Espírito Santo. E as procissões de Corpus Christi e de Nossa Senhora Madre de Deus (orago de Porto Alegre). Também na capital, são realizadas exposições anuais de animais e produtos derivados (agosto). A Semana Farroupilha (14 a 20 de setembro) e a exposição estadual de orquídeas (de 1º a 8 de dezembro). Em Santana do Livramento e São Borja são promovidas exposições agropecuárias (outubro). Em Caxias do Sul, a conhecida Festa da Uva (fevereiro). E em Gramado, a Festa das Hortênsias (bienal) e a Feira Nacional de Artesanato (anual). Em todas as cidades da campanha gaúcha são realizados rodeios (reuniões de gado para contagem, cura ou venda).
Literatura
Mário Quintana, Augusto Meyer, Tyrteu Rocha Vianna, Guilhermino César, Teodomiro Tostes, Pedro Vergara, Ernani Fornari, foram alguns dos líderes do movimento modernista, acompanhados por críticos como Moysés Vellinho e João Pinto da Silva, fundador da historiografia da literatura local com seu clássico A história literária do Rio Grande do Sul (1924). Raul Bopp é frequentemente citado entre os líderes modernistas, mas de fato sua obra foi produzida fora do estado e sua temática também não se relaciona com a realidade gaúcha. Nesta época a Livraria do Globo deixava a área didática e publicava literatura de alta qualidade nacional e estrangeira, revelava talentos locais, e tornava-se um importante centro cultural em torno do qual gravitavam muitos escritores, tradutores e ilustradores de relevo. Em 1956 aparecia o segundo grande marco da historiografia literária, História da literatura do Rio Grande do Sul (1737–1902), de Guilhermino César.
Esportes
O Rio Grande do Sul possui atualmente oito times de futebol pertencentes às divisões do Campeonato Brasileiro de Futebol: Grêmio, Internacional, Juventude, Caxias, São José, Ypiranga, Brasil, Avenida e Novo Hamburgo. O Sport Club Rio Grande, do município de Rio Grande, é o mais antigo do Brasil. Grêmio e Internacional, os clubes mais populares do estado, estão entre os mais populares e bem-sucedidos do futebol brasileiro e o clássico Grenal é frequentemente citado como o clássico futebolístico com maior rivalidade no país. O Rio Grande do Sul também é referência nacional e mundial na prática do futsal, sendo o Inter/Ulbra de Porto Alegre, a ACBF de Carlos Barbosa, o Atlântico de Erechim, o Ulbra de Canoas e o Enxuta de Caxias do Sul. Carlos Barbosa é reconhecida de forma oficial como a capital nacional do futsal.


