Skate
Skate, também denominado no Brasil por esqueitismo ou simplesmente Skate, é uma expressão cultural que manifesta-se de diferentes formas e um esporte que possui diferentes vertentes, as quais em suma se caracterizam por em deslizar sobre o solo equilibrando-se em algum tipo de skateboard ou simplesmente skate no Brasil.
Não se sabe ao certo do quê surgiu o skate, mas muitos falam que vieram do surf; outros de patins quebrados, que com suas partes se montavam um skate em um pedaço de madeira.
Década de 1960
No início da década de 1960, os surfistas da Califórnia mais ou menos na cidade de Los Angeles queriam fazer das pranchas um divertimento também nas ruas, em uma época de marés baixas e secas na região. Inicialmente, a nova "maneira de surfar" foi chamada de sidewalk surfing. Em 1965, surgiram os primeiros campeonatos, mas o skate só ficou mais reconhecido uma década depois.
Década de 1970
Em 1973, o norte-americano Frank Nasworthy inventou as rodinhas de uretano, que revolucionaram o esporte. Um skate passou a pesar por volta de 1,5 kg. Por volta do ano 1975, um grupo de garotos revolucionou ainda mais o skate, realizando manobras do surf sobre ele. Esses garotos eram os lendários Z-Boys da também lendária equipe Zephyr. Essa equipe era de Venice, Califórnia, lugar o qual chamavam de Dogtown. Em 1979, Alan Gelfand inventou o Flatground Ollie, manobra com a qual os skatistas ultrapassam obstáculos elevados e é base de qualquer manobra. A partir disso, o skate nunca mais foi o mesmo. Essa manobra possibilitou uma abordagem inacreditavelmente infinita por parte dos skatistas. Não se pratica street style sem o domínio do Flatground Ollie, mais conhecido atualmente como Ollie. Tom "Wally" Inouye também foi uma figura importante na história do skate na década de 1970. É mais conhecido pela assinatura de manobras como wall rides e backside airs. Inouye começou o IPS (Serviço de Piscina do Inouye) nos anos 1970 e foi um dos primeiros bowlriders, que andavam em psicinas vazias.
Década de 1980
Na década de 1980, um dos revolucionários do esporte, principalmente na modalidade street, foi Rodney Mullen. Mullen desenvolveu várias manobras, como o kickflip, heelflip, hardflip, casper, darkslide, rockslide, 50-50, body varial, nollie flip underflip, primo, reemo, varial flip, inward heelflip, 360 flip, FS flip, BS flip, varial heelflip, FS heelflip, BS heelflip, etc. Grande parte das manobras atualmente praticadas é derivada dessas manobras. Rodney foi, por diversas vezes, vice campeão, chegando a ser considerado o melhor e mais influente skatista do bairro na sua modalidade. Outro revolucionário, na modalidade street, foi Tony Hawk. Hawk inovou a maneira como os skatistas devem abordar o half-pipe, sempre procurando ultrapassar os limites de criatividade e dificuldade de execução das manobras. No final dos anos 1982, mais exatamente em 1983, Lincoln Ueda, assistido pelo seu pai (que filmava suas voltas para que pudessem aprimorá-las), competiu em Münster, na Alemanha, e faturou o 15° lugar. Despontava o Brasil no cenário mundial. Ueda também teve excelentes participações na pista da Domínio Skate Park Atibaia.
Década de 1990
Nos anos 1990, o carioca Bob Burnquist elaborou a última grande revolução no skate: o switchstance vertical. Essa é a técnica de andar na base oposta à que se tem maior facilidade. Já era difundida na modalidade street, mas Bob foi o primeiro a popularizá-la na modalidade vertical. A partir daí, o skate passou a não ter mais "lado", ou seja, não existe mais o lado da frente nem o lado de trás. As manobras realizadas com pé direito na frente do skate agora também são realizadas com o pé esquerdo na frente. Essa técnica quadruplicou o número de variações possíveis nas manobras. Para um skatista que deseja competir, é imprescindível o domínio de tal técnica. Bob foi o primeiro skatista brasileiro a vencer uma etapa do campeonato mundial de skate vertical, em Vancouver, no Canadá, no ano de 1995. Ninguém esperava, ele apareceu lá e mostrou como se deveria andar de skate vertical dali em diante.
Década de 2000
É fundada em São Paulo a Associação Brasileira de Skate Feminino, por skatistas femininas, seu primeiro circuito ocorreu em 2005. Hoje, a associação é filiada à CBSk. Em 2001, Og de Souza, um esqueitista que em sua infância sofreu de poliomielite, foi citado nas revistas Tribo Skate, CemporcentoSKATE, entre outras. Em 2001, ganhou o campeonato profissional no Best Trick, termo que, traduzido do inglês, significa "melhor manobra". Em 2008 e 2009, a Mega Rampa chegou ao Brasil, tendo sido montada no Sambódromo do Anhembi pelo esqueitista dos anos 1980 George Rotatori. Na sua segunda edição, em 2009, Bob Burnquist sagrou-se bicampeão.
Street
No skate de rua (street), os praticantes utilizam a arquitetura da cidade, por exemplo bancos, escadas, corrimãos e a calçada (elementos do mobiliário urbano) como obstáculos para executar suas manobras e se expressar. É com folga a modalidade mais difundida e popular do skate. O street é também a modalidade preferida de diversas tribos ou grupos de skatistas. Está é uma das modalidades inclusas nos Jogos Olímpicos . Modalidade do Skate praticada em pistas similares aos bowls e banks, porém geralmente maiores e apresentando diferentes niveis de profundidade, bem como, por vezes contendo corrimãos e outros obstaculos comuns ao Street. Foi uma das modalidades incluídas nos Jogos Olímpicos .
FreeStyle
Modalidade onde o skatista apresenta vários movimentos em sequência, geralmente no chão. O freestyle é considerado uma das primeiras modalidades do skate, na qual os esqueitistas fazem manobras de chão, em sequências com kickflip, 360 flip, inward heelflip, hardflip, sem obstáculos. onde o melhor skatista de freestyle foi Rodney Mullen.
Vert ou Vertical
A modalidade vertical é praticada em uma pista com curvas (transições), com 3,40 m ou mais de altura, três metros de raio e quarenta centímetros de verticalização, geralmente possuem extensões. A pista, que apresenta a forma de U, é chamada de half-pipe e pode ser feita de madeira ou concreto. O conceituado skatista Tony Hawk ficou famoso por suas grandes habilidades nos half-pipes. Tornou-se o que é graças à sua mãe, que comprava batatas fritas para ele sobreviver nos treinos da sua escolinha de skate, onde começou a praticar o esporte aos 3 anos de idade. Aos 6 anos, já tinha o patrocínio da Volcom, Vans, Element,entre outras. Nessa idade, já fazia flips e grinds pela cidade, onde se machucava muito. Um desses machucados, consequente de um flip "mal chutado", afastou-o do esporte durante um ano, pois ele quebrou sua perna direita e ralou todo o joelho esquerdo, o que demorou muito para curar.
Downhill Speed
Modalidade caracterizada pela descida de uma ladeira em alta velocidade, onde vence quem finalizar o trajeto primeiro ou, no contexto do lazer, busca-se atingir a maior velocidade possível . Como muitos devem saber, um dos inventores do downhill-slide foi Clifford Coleman, um californiano de Berkeley que hoje tem 54 anos e continua praticando e muito o downhill-slide. Ele e seus amigos de sessão começaram a criar a arte de deslizar (Slide) por volta de 1965, mas somente em 1975 é que se encontraram num evento e puderam compartilhar suas experiências vividas nestes 10 anos e exibiram os primeiros slides em pé (Stand-up) de que se tem notícia. Com o passar dos anos, Cliff começou a desenvolver outro tipo de Slide, o Slide de mão, agachado, o qual poderia ser executado em velocidades maiores proporcionando uma maior segurança no Downhill, visto que este slide poderia ser utilizado como uma espécie de freio na descida de ladeiras maiores e/ou mais íngremes. Desenvolvendo a habilidade dos skatistas de descer ladeiras cada vez maiores e mais rápidas (naquela época).
Minirrampas ou Miniramps
As miniramps são populares em todo o mundo, pois, devido à pouca altura que elas possuem, as manobras são executadas com uma maior facilidade. Nesta modalidade, há uma mistura de street com vertical. Na realidade, as miniramps são um mini half pipe, onde as paredes não chegam ao vertical. Elas variam de 1 a 2 metros e 10 cm de altura. São excelentes para se aprender manobras, principalmente as que utilizam bordas, onde os trucks ou as rodas permanecem em contato com o coping (detalhe de acabamento feito por um cano, inspirado nos bowls). Essas pistas são facilmente construídas. O risco de se machucar em uma manobra é bem pequeno e é uma prática necessária para a evolução de qualquer skatista.
Um skate pode ser composto por diferentes peças e apresentar diferentes características que lhe dão nomes diferentes, como: skate, longboard, skate oldschool, surf skate ou simulador de surf, cruiser, tubarão etc. Há de se destacar que apesar de ser comum atribuir diferentes usos a cada tipo de skate por conta das especificidades de cada modalidade, nada impede que, por exemplo, uma pessoa pratique street ou vertical com longboard, tipo de skate geralmente associado as modalidades de ladeira e assim por diante.
O esporte oferece ao praticante vários benefícios ao corpo, mente e sociabilidade, como fortalecimento de lacos afetivos, do sistema respiratório e também o aeróbico. Segundo Alvaro Luiz Penteado Santos (2012), o skate exige músculos de todo o corpo, o trabalho das pernas é intenso, principalmente joelhos e panturrilhas, tonificando os músculos por meio da realização de saltos, agachamentos, giros e chutes. O skate também trabalha o abdômen, glúteos e coxas, além dos braços que são bastantes utilizados, em decorrência dos impulsos para se locomover e o reflexo de apoiar as mãos no chão para evitar quedas. Para Thiago Zanoni Neves “Pino” (2014), a prática do skate favorece o exercício aeróbico devido à impulsão e remadas pelas ruas ou em direção a algum obstáculo. Estimula a flexibilidade, coordenação e a concentração por meio da realização de manobras. Na revista Boa Forma, edição 333/Julho 2014, antes do esporte, o skate é uma diversão, que o praticante não percebe que está fazendo um exercício físico. Além disso, ele ensina a superar os medos e combate a depressão. Para os iniciantes no esporte, a queima é de 500 calorias em uma hora de atividade. Na evolução de manobras, velocidade e curvas esse gasto calórico aumenta consideravelmente.
No Brasil
O skate é hoje o sétimo esporte mais praticado no Brasil. A primeira pista de skate da América Latina foi inaugurada em 4 de dezembro de 1976 no município de Nova Iguaçu. A pista, localizada na Praça Ricardo Xavier da Silveira, também foi palco da primeira competição de skate em pista do Brasil, em junho de 1977. Em agosto de 1986, o prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, deu as primeiras ordens para coibir a prática do skate no Ibirapuera, orientando a Polícia Militar a apreender os skates dos praticantes. O Circuito Brasileiro de Skate Profissional foi inaugurado em 1989 na categoria street style. O vencedor foi o paulistano Rui Muleque. Foi realizado pela União Brasileira de Skate (UBS). A disputa conta hoje com provas passando por estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Brasília, realizadas pela Confederação Brasileira de Skate (CBSk).
Nos Estados Unidos
Relatou-se publicamente que o Corpo de Marines dos Estados Unidos testou skate nos anos 1990 em combate urbano. Mais perto do possível: "Pra manobras dentro de construções/prédios para detectar fios (detectores de movimento e detonadores de minas) e fogo de atiradores". Em 2012, Tom Schaar, skatista norte-americano que com doze anos de idade tornou-se o primeiro skatista realizar a manobra 1080 graus (três voltas completas no ar).
Nos filmes The Lords of Dogtown, Z-Boys e Vida sobre rodas, é possível conhecer um pouco da história do skate. Os filmes contam a história dos Z-Boys, um grupo de skatistas dos anos 1970 que revolucionaram o esporte. Vale lembrar que o filme acima citado é popularmente mais conhecido porém, não é o único que relata a história do "Z-Boys". O filme foi inspirado em um documentário intitulado Dogtown & Z-Boys, que conta a história relatada pelos personagens participantes, em pessoa. Filme esse dirigido por Stacy Peralta, uma dos Z-Boys. Um livro que conta a história do skate no Brasil é o livro A Onda Dura. O Livro percorre desde os primórdios do esporte até os anos 2000, contendo diversas imagens. Além do livro A Onda Dura, existem dois documentários importantes para a história do skateboarding brasileiro: Dirty Money - que conta a história de como surgiu a iniciativa de se editar o primeiro vídeo de skate no país - e Vida Sobre Rodas - que conta a histórias do skate brasileiro, da segunda metade da década de 1980 até os dias de hoje, sob o ponto de vista de quatro importantes skatistas brasileiros: Bob Burnquist, Sandro Dias "Mineirinho", Felipe Lima e Alan Patrick. Em 2008, Beatriz Thuanny ganhou o campeonato profissional de skate em Curitiba e foi eleita umas das melhores skatistas femininas dessa cidade.


