TV Globo
TV Globo é uma rede de televisão comercial aberta brasileira. Possui 122 emissoras próprias e afiliadas, além da transmissão no exterior pela TV Globo Internacional e de serviço mediante assinatura no país. Seu sinal também é disponibilizado na internet pelo serviço de vídeo sob demanda Globoplay. É assistida por mais de 200 milhões de pessoas diariamente, sejam elas no Brasil ou no exterior.
Antecedentes
Em 5 de janeiro de 1951, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra, a Rádio Globo requereu sua primeira concessão de televisão. O requerimento foi analisado pela Comissão Técnica de Rádio, que emitiu um parecer favorável à concessão, aprovada pelo governo dois meses depois, no dia 13 de março. A essa altura, porém, o país tinha um novo presidente, Getúlio Vargas. Dois anos depois, em janeiro de 1953, contrariando o parecer da Comissão Técnica, Vargas voltou atrás e revogou a concessão. Foi somente em junho de 1957, que o então presidente Juscelino Kubitschek aprovou a concessão de TV para a Rádio Globo e, em 30 de dezembro do mesmo ano, o Conselho Nacional de Telecomunicações publicou um decreto concedendo o canal 4 do Rio de Janeiro à TV Globo Limitada.
Fundação
A TV Globo foi oficialmente fundada no dia 26 de abril de 1965 às 10h45, com a transmissão do programa infantil Uni Duni Tê. Também estavam na programação dos primeiros dias a série infantil Capitão Furacão e o telejornal Tele Globo, embrião do atual Jornal Nacional. Os primeiros oito meses da TV Globo foram um fracasso, o que levou à contratação do paulista Walter Clark, na época com 29 anos, para o cargo de diretor-geral da emissora. Clark foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso da emissora. Em janeiro de 1966, o Rio de Janeiro sofreu uma das suas piores inundações; mais de cem pessoas morreram e aproximadamente vinte mil ficaram desabrigadas. A cobertura da tragédia feita ao vivo pela TV Globo foi um marco na história da emissora, que fez sua primeira campanha comunitária, centralizando a arrecadação de doações em dois de seus estúdios. Nessa altura, a transmissão das imagens ainda era em preto e branco. Ainda naquele ano, a Globo chegou ao estado de São Paulo com a aquisição do canal 5 paulistano, que desde 1952, funcionava como a TV Paulista, e do canal 2 de Bauru, que desde 1960, funcionava como a TV Bauru, ambas de propriedade das Organizações Victor Costa. Em 5 de fevereiro de 1968, foi inaugurada a quarta emissora, em Belo Horizonte, e as retransmissoras de Juiz de Fora e de Conselheiro Lafaiete, além de um link de micro-ondas que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo.
Expansão e liderança de audiência
Nesse período, a Globo enfrentou dificuldades à sua expansão. O regime militar negou ao grupo de Roberto Marinho pedidos para concessões de canais nas cidades de João Pessoa (PB) e Curitiba (PR). A emissora aponta isso como uma evidência de que fazia um jornalismo independente que às vezes se chocava com os interesses do governo e de que não obteve favores do regime. No entanto, uma passagem do livro Dossiê Geisel, uma compilação de papéis do arquivo pessoal do ex-presidente Ernesto Geisel, traz outra versão para a recusa do governo militar em conceder mais dois canais para o Grupo Globo. O regime teria começado a ficar preocupado com a monopolização do setor de telecomunicações pelo grupo de Roberto Marinho e tentou evitar que a empresa crescesse mais ainda. As emissoras próprias da Globo haviam sido compradas de particulares: em São Paulo e em Recife das Organizações Victor Costa e em Belo Horizonte de João Batista do Amaral. Até hoje as demais emissoras que compõem a rede são afiliadas, ou seja, são associadas, mas não são de propriedade do Grupo Globo. A censura não se limitava às notícias, atuava também no entretenimento. Foram inúmeros os casos de censura à dramaturgia da Globo. O mais sério foi o da proibição, a dois dias da estreia, da novela Roque Santeiro, em 1975. O prejuízo foi grande para a emissora: já haviam sido gravados 36 capítulos, com o custo de 500 mil dólares (em valores da época). Mas este não foi o único caso. Em dezembro de 1976, a novela Despedida de Casado também foi censurada na véspera de estrear, quando já estava com cerca de 30 capítulos gravados.
Século XXI
Desde o início dos anos 2000, apesar de sucessos como Mulheres Apaixonadas, Senhora do Destino, Alma Gêmea e Da Cor do Pecado, a Globo registra constantes quedas em sua audiência. O aumento da renda provocou mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros no que diz respeito à televisão. As pessoas saem mais de casa e migram, ainda que de modo ligeiro, para a televisão por assinatura. Além disso, a internet tem atraído parte do público antes cativo das emissoras de televisão aberta. A média de audiência da Globo caiu de 56% em 2004 para 42% em 2013 na Região Metropolitana de São Paulo, principal mercado para os anunciantes. Ainda assim, a participação das emissoras em publicidade cresceu em 2012 e atingiu 65% do total de um montante de 19,5 bilhões de reais. Estima-se que a rede e suas afiliadas ficaram com 80% do valor, devido, em parte, ao sucesso das telenovelas Cheias de Charme e Avenida Brasil. Além disso, a verba publicitária do governo federal investida na emissora subiu de 370 milhões de reais em 2000 para 495 milhões em 2012.
Logotipo
O primeiro logotipo foi criado com a fundação da emissora em 1965. Inicialmente, era uma rosa-dos-ventos, cujas pontas lembram o número quatro, número da emissora no Rio de Janeiro. Foi criado por Aloísio Magalhães, um dos grandes responsáveis pela expansão do design no Brasil. Ele foi substituído em 1966, dando lugar a um círculo com três linhas geográficas, que faziam alusão a um "globo", que foi utilizado até 1976. No mesmo ano, ganhou uma variação pela qual esse logotipo ganhou, ao seu lado, nove anéis, representando as nove emissoras afiliadas da época, formando assim a "Rede Globo". O primeiro conceito do logotipo atual foi apresentado em 1976. É composto de uma esfera azul com um retângulo de cantos arredondados e extremidades desiguais. Dentro desse retângulo, assenta-se uma pequena esfera de tamanho médio. O projeto é de autoria do designer austríaco Hans Donner e foi esboçado num guardanapo de papel. Segundo ele, a esfera representa o mundo e o retângulo uma tela de televisão que exibe o próprio mundo. Duas variações acinzentadas da marca a substituíram: em 1981 e 1983, respectivamente. A partir de 1985, em comemoração aos vinte anos da emissora, seu logotipo era o número vinte metálico tridimensional cujas laterais formavam o logotipo da Globo. Em 1986, o logotipo ganhou a forma tridimensional e multicor utilizada até hoje. A primeira variação consistiu numa esfera metálica oca com uma abertura retangular colorida (com faixas em azul, verde, amarelo e vermelho, representado a TV a cores) e a esfera menor posicionada em seu centro.
Slogan
Como forma de identificação, a TV Globo tem lançado desde o início da década de 1970 diversos slogans, sempre acompanhados do nome da emissora, mencionado antes ou após a frase de identificação propriamente dita, prática que permanece atualmente em institucionais.
Desde janeiro de 2020 a TV Globo juntamente com o Canais Globo (antiga Globosat), Globo.com e DGCorp (Diretoria de Gestão Corporativa) passaram a ser uma empresa única, chamada Globo, subsidiaria do Grupo Globo, o maior conglomerado de mídia da América Latina. Suas empresas associadas são: TV Globo Rio de Janeiro (emissora de televisão no Rio de Janeiro), TV Globo São Paulo (emissora de televisão em São Paulo), TV Globo Minas (emissora de televisão em Belo Horizonte), TV Globo Brasília (emissora de televisão em Brasília), TV Globo Pernambuco (emissora de televisão em Recife) e a TV Globo Internacional (difusão internacional).
Sedes
A TV Globo tem o seu principal complexo de produção no Rio de Janeiro. Inaugurado em 1995, os Estúdios Globo (anteriormente chamado Projac e oficialmente chamado de Central Globo de Produção) é onde as suas telenovelas são produzidas e é um dos maiores centros de produção televisiva do mundo; atualmente, é o maior da América Latina. No final da década de 1990, a Globo mudou parte de sua divisão de jornalismo, que engloba tanto as mesas de notícias, a equipe de produção e os estúdios, para São Paulo, no bairro da Vila Cordeiro. Entretanto, seus principais programas jornalísticos, como o Jornal Nacional e o Fantástico, bem como o seu próprio canal de notícias, a Globo News, continuam a ser transmitidos a partir da sede principal no Rio de Janeiro, onde a sede de notícias da Globo, a Central Globo de Jornalismo, está localizada.
Cobertura nacional
A TV Globo é formada por 122 emissoras (sendo 5 emissoras próprias e 117 emissoras afiliadas), além da transmissão no exterior pela TV Globo Internacional e de serviço mediante assinatura no país. Seu sinal terrestre cobre 98,53% do território nacional, além de ter cobertura em 100% através de antena parabólica. A emissora opera sua programação simultaneamente na televisão analógica e digital, em definição padrão e alta definição. Em 2 de dezembro de 2007, a TV Globo São Paulo deu início às transmissões em alta definição (1080i) na metrópole paulista. Em 2008, o sinal digital foi lançado pela TV Globo Minas no dia 25 de abril para Belo Horizonte, e pela TV Globo Rio de Janeiro no dia 16 de junho para a metrópole homônima. Em 2009, a TV Globo Brasília iniciou as transmissões digitais na capital federal no dia 22 de abril, e a TV Globo Nordeste inaugurou oficialmente o sinal digital no Recife em dia 15 de junho.
Audiência
Desde 2003, a audiência dos principais programas da TV Globo tem caído constantemente na medição do Kantar IBOPE Media na Região Metropolitana de São Paulo: considerando-se dados de 2013, a audiência da novela "das sete" foi de 40 pontos para 23,0; a da novela "das nove" caiu de 67,5 para 34,0; a do Fantástico, de 46,6 para 19,7; a do futebol, de 47,1 para 21,0; e a do Jornal Nacional, de 46,7 para 25,0. Apesar disso, a emissora mantém, desde os anos 1970, a liderança isolada no segmento de televisão aberta no Brasil. A audiência média anual da emissora caiu de 21 pontos em 2003 para 14,4 em 2013 na Grande São Paulo, onde cada ponto representa 65 mil domicílios na região. Em 2014, a emissora perdeu 5% da audiência, caindo para 13,5 pontos na média. Nos anos seguintes, mostrou uma recuperação de público, alcançando na região médias de 13,8 pontos em 2015 e 15 pontos em 2016. Nacionalmente, onde cada ponto representa 217 mil domicílios, a emissora caiu de 22,7 pontos em 2003 para 16,4 em 2013; em 2014, seu pior ano da história na medição nacional, a Globo obteve 12,2 pontos de média. No ano seguinte, mostrou recuperação, com média nacional de 15,1 pontos. Em 2018, registrou 16,8 pontos de média nacional, e marcou 15,7 pontos em 2019. Depois da pandemia de COVID-19, que fez crescer a audiência média diária de todas as emissoras brasileiras, a Globo tem mantido médias nacionais em torno dos 13 pontos, mantendo-se na liderança.
Programação
A Globo possui em sua programação cinco horários destinados a telenovelas. Os três principais são os "das seis", que apresenta tramas com enredos simples e românticos, sendo de época e/ou regional, "das sete", com folhetins cômicos, e "das nove" (anteriormente conhecido como "das oito"), o de maior repercussão da televisão brasileira. Além destes, há as duas faixas vespertinas de reprises: a de edições especiais e a da sessão Vale a Pena Ver de Novo. Ainda no campo da teledramaturgia, a emissora produz minisséries. A medição do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) na Grande São Paulo mostra que as novelas da Globo perderam, entre 2004 e 2008, 26,19% dos telespectadores, embora a teledramaturgia da emissora ainda seja líder em audiência em seus horários de exibição.
A TV Globo possui um histórico de controvérsias em suas relações na sociedade brasileira, por ser o canal de televisão de maior audiência do Brasil, a emissora possui uma capacidade sem paralelo de influenciar a cultura e a opinião pública. Para o cientista político e jornalista Laurindo Leal Filho, o poderio da emissora pode ser observado em um fenômeno ainda pouco estudado: sua onipresença em locais públicos como bares, restaurantes e salas de espera de hospitais. Segundo ele, essa força faz com que a TV Globo seja um elemento capaz de desestabilizar a democracia. A principal controvérsia histórica do Grupo Globo está justamente ligada ao apoio dado à ditadura militar brasileira e a censura nos noticiários da emissora dos movimentos pró-democracia. O regime, segundo os críticos da emissora, teria rendido benefícios ao grupo midiático da família Marinho, em especial para o canal de televisão que, em 1984, fez uma cobertura omissa das Diretas Já. A própria Globo reconheceu em editorial lido no Jornal Nacional, 49 anos depois e pressionada pelas manifestações de junho de 2013, que o apoio o golpe militar de 1964 e ao regime subsequente foi um "erro".


