A cada um segundo sua contribuição
"Para cada um de acordo com sua contribuição" é um princípio de distribuição considerado uma das características definidoras do socialismo. Refere-se a um arranjo pelo qual a remuneração individual reflete a contribuição de alguém para o produto social em termos de esforço, trabalho e produtividade. Isso é mantido em contraste com o método de distribuição e compensação no capitalismo, um sistema econômico e político no qual os proprietários recebem "renda imerecida" em virtude da propriedade, independentemente de sua contribuição para o produto social.
No saint-simonianismo, Henri de Saint-Simon e Constantin Pecqueur elaboraram em 1829 e 1842, respectivamente, o slogan: "A cada um segundo sua capacidade. A cada um segundo suas obras". Posteriormente, uma nova versão mudou o foco do slogan e avaliava segundo a necessidade ao invés da contribuição, ao mesmo tempo exigindo-se de cada um segundo sua capacidade; essa última frase, "de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo sua necessidade", teria sido proposta primeiro por Étienne Cabet em 1845, seguido por Louis Blanc em 1849, com ambos visando promover em seus escritos a responsabilidade social, pela qual ocorreria a reforma em que cada um contribuiria ao bem social segundo sua capacidade; Blanc e Cabet justificaram esses aforismos com base no cristianismo com citações do Novo Testamento, como em Romanos 2:6: "[Deus] recompensará cada um segundo as suas obras"; I Coríntios 3:8: "e cada um será recompensado de acordo com o seu próprio trabalho"; além de outras passagens em II Tessalonicenses 3:10, Mateus 25:15, I Coríntios 12:7 e Atos dos Apóstolos 11:20, 2:45 e 4:35. Outra forma com sentido religioso aparecerá também notavelmente no espiritismo em 1857, "a cada um segundo suas obras", mas desta vez com significado distinto e não se limitando à ação humana, vista em extensão como corolário da justiça divina e princípio de concessão cósmica baseado no mérito da contribuição individual e necessidade de finalidade equitativa, educativa e corretiva.
No principialismo ético-jurídico, o mérito, juntamente com a necessidade e o direito, é considerado um dos critérios existentes de justiça e ele abrange o esforço, a compensação e a contribuição. John Rawls considera "a cada um segundo seu esforço" ou "a cada um segundo sua contribuição" como preceitos do senso comum e os aceita como forma de remuneração, mas que em uma sociedade equitativa devem ser suplementados segundo a necessidade prioritariamente. Devido à lei de oferta e procura no mercado, pode haver desvirtuamento do preceito de contribuição em uma economia competitiva e ele não pode ser aplicado isoladamente, mas já pressupõe a existência de condições necessárias e oportunidades de trabalho, em que as instituições devem ser justas e reguladas para que se implante as possibilidades de contribuição de cada qual sob princípios justos.


