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A Conquista do Pão

A Conquista do Pão é um livro escrito pelo anarcocomunista Piotr Kropotkin. Originalmente, era uma série de artigos escritos nos anos 1880, em francês, para os jornais anarquistas Le Révolté e seu sucessor parisiense, La Révolte. Foi publicado pela primeira vez como livro no ano de 1892, em Paris, com prefácio de Élisée Reclus. Entre 1892 e 1894, foi em parte publicado na forma de folhetins no jornal londrino Freedom, do qual Kropotkin era cofundador. Em 1898, já havia tradução para o norueguês, e em japonês, por Kotoku Shusui em 1909. Desde então foi reimpresso diversas vezes em vários idiomas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
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Capítulos

Após as casas tornarem-se patrimônio comum dos cidadãos e cada homem tiver seu fornecimento diário de alimentação, mais um passo teria que ser dado. Para Kropotkin, é a questão da roupa. E novamente, a única solução possível para ele seria tomar posse, em nome das pessoas, de todas as lojas e armazéns de roupas. A "communalization" (tornar comunitário) de vestuário seria o direito de cada um de tomar o que precisa das lojas comuns, sendo uma consequência necessária da "communalization" de casas e alimentos . Se a sociedade, a cidade ou o território garantissem o necessário da vida para seus habitantes, estariam compelidos a tomar posse do que é absolutamente necessário para a produção: terra, maquinário, fábricas, meios de transporte, etc. O capital nas mãos de indivíduos privados deveria ser expropriado para retornar à comunidade. Não seria suficiente, para Kropotkin, distribuir os lucros alcançados pelas trocas feitas por partes iguais, se ao mesmo tempo milhares de outros trabalhadores estiverem sendo explorados. Teria-se um caso de produzir a maior quantidade possível de bens necessários ao bem-estar de todos, com o menor desperdício possível de energia humana.

Capitulo I: Nossos Ricos

Para Kropotkin, desde a Idade da Pedra Lascada, a raça humana tem viajado por um longo caminho e acumulado várias riquezas. O resultado seria que agora as crianças dos homens civilizados encontram-se, desde o seu nascimento, prontas para usar um imenso capital acumulado por seus ascendentes. E este capital possibilitaria que o homem adquirisse, meramente por seu próprio trabalho combinado com o trabalho de outros, riquezas que ultrapassam os sonhos dos contos de fada das 1001 noites. Na verdade, a humanidade seria bem mais rica do que se tem consciência: no que já possui; nas possibilidades de produção advindas do seu respaldo maquinário; e no que se poderia ganhar com o solo, a manufatura, a ciência, o conhecimento técnico, onde se poderia adquirir uma existência de riqueza e facilidade para cada um dos seus membros. No entanto, tantos pobres existem e a labuta dolorosa para as massas persiste. Isto ocorreria porque toda a produção necessária fora apreendida por poucos no curso do que o autor chama de “longa história do roubo”, forçando migrações e guerras de ignorância e opressão.

Capítulo II: Bem-estar para todos

Bem-estar para todos não seria um sonho, o autor explica que é possível, realizável, graças a todos os nossos ancestrais que aumentaram os poderes de produção. No entanto, ao invés de o capital ir gradualmente se concentrando nas mãos de poucos, de modo que só seria necessário que a comunidade desapropriasse alguns milionários para obter sua legítima herança, ocorre que o enxame de parasitas é cada vez maior. Haveria uma limitação indireta que consistiria em gastar esforços humanos em objetos absolutamente inúteis, ou destinados apenas a satisfazer a vaidade monótona dos ricos. Deveria-se levar em conta todo o trabalho que vai para o lixo, mantendo-se estábulos, canis, favorecendo os caprichos da sociedade e os gostos depravados dos ricos, forçando o consumidor a comprar o que não precisa. O que é desperdiçado dessa maneira seria suficiente para dobrar a produção de coisas úteis, ou então para completar as fábricas e usinas com máquinas que em breve inundariam as lojas com tudo o que agora está faltando à nação. Sob o sistema atual, não haveria melhores resultados, apenas a diversão dos ricos e a exploração do público.

Capítulo III: Anarco-comunismo

Toda a sociedade, ao abolir a propriedade privada, seria forçada a organizar-se nas linhas do anarco-comunismo. A anarquia levaria ao comunismo, e o comunismo à anarquia, ambas as expressões seriam, para Kropotkin, semelhantes à tendência predominante nas sociedades modernas: a busca da igualdade. O autor diz que as novas organizações, com base no mesmo princípio de "a cada um segundo a sua necessidade", surgem sob mil formas diferentes, pois sem um certo fermento do comunismo as sociedades atuais não poderiam existir. Apesar da virada para o egoísmo, dado a mente dos homens pelo sistema comercial, a tendência para o comunismo estria constantemente aparecendo, e isso influenciaria as atividades da sociedade de várias maneiras (quando se pensa em bens públicos, por exemplo).

Capítulo IV: Expropriação

O autor pretende uma organização das coisas de tal forma que todo ser humano tenha assegurada a oportunidade de, em primeira instância, aprender alguma ocupação útil, e segundo, de tornar-se hábil na mesma; ao lado disto, que ele seja livre para trabalhar em seu comércio sem pedir licença de qualquer mestre ou proprietário, sem precisar entregar ao senhorio ou capitalista a maior parte do que ele produz. Desta forma, ninguém teria de vender sua força de trabalho por um salário que só representasse uma fração do que produz. Kropotkin sustenta que o dono de terras possui suas riquezas à custa da pobreza dos camponeses, e a riqueza do capitalista vem do mesmo recurso. Este seria o segredo da riqueza: fazer com que os esfomeados trabalhem e ganhem apenas um quinto do que produzem, utilizando-se desse lucro para produzir mais lucro, através da especulação com a ajuda da lei e do Estado.

Capítulo V: Comida

Kropotkin explana que se a revolução for de cunho social, esta será distinta de todos os levantes já formados, não só em relação aos seus objetivos, mas também aos seus métodos. Para se chegar a um novo objetivo, novos meios seriam necessários. Sempre teria sido uma ideia da classe média enfeitar a revolução com o que ele chama de "bons princípios" e "boas mentiras", mas a ideia do povo seria prover alimento para todos, por isso o autor clama:"Pão! A revolução precisa de pão!". E enquanto a classe média formularia sua própria retórica, a verdadeira meta deveria residir no fato de todos terem o suficiente para sobreviver. Tendo isto em mente, Kropotkin acredita que a revolução deve triunfar.

Capítulo VI: Moradias

A casa não é construída por seu dono. Kropotkin pondera que ela é erguida, decorada e mobiliada por inúmeros trabalhadores no depósito de madeira, nos campos de tijolo, e na oficina, trabalhando para salvar a vida através de um salário baixo. Além disso, o autor afirma que o dinheiro gasto pelo proprietário não é o produto de sua própria labuta, e sim, o acúmulo de lucros a partir do pagamento aos trabalhadores de dois terços ou apenas metade do que lhes era devido. Assim é com todas as riquezas segundo Kropotkin. Portanto, ele considera injustiça flagrante uma pessoa apropriar-se de e vender um patrimônio comum construído em conjunto. Portanto, o trabalhador deveria ver claramente que, ao recusar-se a pagar o aluguel de um proprietário, ele não estaria simplesmente aproveitando a desorganização da autoridade, pois a abolição da renda seria um princípio reconhecido e sancionado por um consentimento popular; ser alojado sem pagar aluguel seria um direito proclamado em voz alta pelas pessoas.

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