Fagner
Raimundo Fagner Cândido Lopes é um multifacetado artista brasileiro, reconhecido como cantor, compositor, instrumentista, ator e produtor. De origem libanesa, Fagner é um dos nomes proeminentes do Pessoal do Ceará, movimento que marcou a música nordestina e brasileira.
Pontos-chave
- Fagner, um dos integrantes do Pessoal do Ceará, tem raízes libanesas e uma infância ligada a Orós, Ceará.
- Sua carreira decolou nos anos 70 com sucessos como 'Mucuripe' e 'Canteiros', apesar de um início desafiador.
- Os anos 80 consolidaram sua carreira internacional com álbuns lançados na Europa e América Latina, e parcerias importantes.
- Nos anos 90, Fagner explorou novos gêneros, adaptando sucessos internacionais e revisitando clássicos da Bossa Nova e do forró.
- Os anos 2000 foram marcados por novas parcerias e o lançamento de álbuns que reforçaram sua influência na música brasileira.
Nascido em Fortaleza, mas registrado e criado em Orós, Ceará, Fagner mantém forte ligação com a cidade de sua infância. Ele é o caçula de cinco filhos de José Fares Haddad Lupus, imigrante libanês de Ain Ebel, e Francisca Cândido Lopes.
A carreira de Fagner é uma rica tapeçaria de sucessos, parcerias e experimentações musicais que o consolidaram como um dos grandes nomes da MPB.
Primeiros Passos e o Pessoal do Ceará
Raimundo Fagner Cândido Lopes, nascido em 13 de outubro de 1949 e batizado em 27 de dezembro, mostrou talento musical desde cedo, vencendo um concurso infantil aos seis anos. Na adolescência, formou grupos e começou a compor, culminando na vitória do IV Festival de Música Popular do Ceará em 1968 com 'Nada Sou'. Em 1969, ganhou popularidade na TV Ceará e se juntou a outros talentos cearenses como Belchior e Ednardo, formando o Pessoal do Ceará, que lançou seu primeiro disco em 1972.
Ascensão nos Anos 1970
Em 1971, Fagner gravou um compacto simples que não obteve grande sucesso. No entanto, sua ida ao Rio de Janeiro no mesmo ano marcou um divisor de águas: Elis Regina gravou 'Mucuripe', tornando-a seu primeiro grande sucesso como compositor e cantor (em um compacto do O Pasquim). Seu primeiro LP, 'Manera Fru Fru, Manera' (1973), pela Philips, trouxe 'Canteiros', um de seus maiores êxitos, com participações de Bruce Henri, Naná Vasconcelos e Nara Leão. Apesar das baixas vendas iniciais, o disco foi relançado em 1976. Em 1973, Fagner também compôs a trilha sonora do filme 'Joana, a Francesa', o que o levou à França para estudar violão flamenco e canto.
Consolidação e Expansão nos Anos 1980
Os anos 80 começaram com o LP 'Eternas Ondas', que contou com a participação de grandes nomes como Zé Ramalho e Dominguinhos, e uma versão de 'Oh My Love' de John Lennon. A gravadora Continental lançou a compilação 'Juntos - Fagner e Belchior', enquanto a Polydor relançou 'Manera Fru Fru Manera'. Em 1981, Fagner lançou 'Traduzir-se', um marco que o levou a lançar um álbum em espanhol e a expandir sua carreira para a Europa e América Latina. 'Sorriso Novo' (1982) musicou poemas de Fernando Pessoa e Florbela Espanca. Em 1983, 'Palavra de Amor' teve participações do Roupa Nova e Chico Buarque. Os discos 'A Mesma Pessoa' e 'Semente' foram os últimos pela CBS. Em 1985, Fagner participou do 12º Festival Mundial da Juventude em Moscou.
Diversidade e Novas Vertentes nos Anos 1990
A década de 90 começou com 'Pedras Que Cantam' (1991), que incluiu 'Borbulhas de Amor', uma versão adaptada do sucesso de Juan Luis Guerra. Após um hiato de dois anos, Fagner lançou 'Demais' (1993), um tributo à Bossa Nova com releituras de Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Dorival Caymmi. Em 1994, 'Caboclo Sonhador' explorou clássicos do forró, com versões de canções de Dominguinhos e Luiz Gonzaga, sendo um disco sem composições próprias.
Parcerias e Reconhecimento nos Anos 2000
Em 2001, Fagner lançou o álbum homônimo 'Fagner', com parcerias notáveis com Zeca Baleiro, Fausto Nilo, Abel Silva e Cazuza. A colaboração com Zeca Baleiro se aprofundou em 2003, resultando em um álbum de estúdio, um DVD ao vivo e uma série de shows pelo Brasil. Em 2004, pela Indie Records, lançou 'Donos do Brasil'. Seus últimos discos foram 'Fortaleza' (2007) e 'Uma Canção no Rádio' (2009), este último com nova parceria com Zeca Baleiro. Em 2011, Fagner foi reconhecido como um dos 30 cearenses mais influentes pela revista Fale!.


