Gengis Khan
Gengis Khan, também grafado como Gengis Cã, Gêngis Cã ou Gengiscão, foi estadista, governador militar e o primeiro grão-cã, fundador do Império Mongol. No início do século XIII, uniu todas as tribos nómadas das estepes da Ásia Central sob a égide da identidade política mongol. Durante o seu reinado, entre 1206 e 1227, Gengis Cã governou as dinastias Xia Ocidental e Jin no Norte da China; o Canato Caraquitai no Turquestão e Transoxiana; lançou campanhas contra os corasmianos na Corásmia, Coração e Irão, os georgianos no Cáucaso, os principados russos na Estepe dos Quipechaques, os quipechaques e os búlgaros do Volga. Como resultado, Gengis Cã estabeleceu um império que se estendia do Oceano Pacífico ao Mar Cáspio e ao norte do Mar Negro.
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Temudjin nasceu na Mongólia na década de 1160, provavelmente em 1162. Supõe-se que seja descendente de um líder mongol conhecido como Cabul Cã, do clã Bojigin, que por breves anos obteve controle sobre uma Mongólia unificada. Entretanto, na época do nascimento de Temudjin, os mongóis estavam divididos em diversas tribos e clãs, cada uma governada por um cã, ou "Senhor", que se impunha mais pela força do que pela ascendência nobre. Com Temudjin não seria diferente. Quando tinha nove anos, Temudjin foi ao clã dos Merquitas para escolher uma esposa e refazer a paz entre os clãs (há muito tempo, seu pai havia roubado a esposa do Cã dos Merquitas e se casado com ela, ela era a mãe de Temudjin), mas no caminho, parou para pernoitar num clã aliado, os Onggirat, aonde se apaixonou por Borte. Pediu ao pai para praticar a escolha de esposas ali, porém, ao invés de apenas praticar, escolheu oficialmente Borte como sua noiva. No caminho de volta, seu pai, Yesugei, foi envenenado por membros da tribo dos tártaros. Sem que os filhos de Yesugei tivessem idade para assumir o controle da tribo, esta passou a ser comandada por um novo cã, Targutai, ex-soldado de Yesugei, que expulsou a família do clã para evitar futura contestação de sua liderança, forçando-os a sobreviver nas estepes, sem gado ou cavalos.
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Como quase todos os mongóis, Temudjin provavelmente tinha sido treinado como arqueiro montado desde muito jovem. A habilidade na montaria, comandada apenas com os joelhos e a destreza no arco e flecha, aliada a uma vida dura nas estepes tornavam os guerreiros mongóis muito temidos e respeitados. Depois de casar-se com Borte, Temudjin seguiu com ela por um caminho incerto pela Mongólia, até que, um dia, os dois foram encontrados por um grupo de merquitas comandados por Chitedu (ex-marido da mãe de Temudjin), que queria a esposa de Temudjin como vingança pela ofensa que seu pai havia feito antigamente. Temudjin reuniu alguns homens e foi até Jamuca pedir ajuda para resgatar Borte. Ao destruir os merquites, Temudjin encontrou provavelmente Börte Ujin grávida, fazendo sua primeira paternidade ser duvidosa. Após restabelecer seu clã (formado por seus homens que sobreviveram à guerra e pelo remanescente do povo dos merquites), Temudjin seguiu como nômade pela Mongólia, porém alguns homens de Jamuca se uniram a ele, ganhando o rancor de Jamuca, que ordenou a seus homens escravizarem e levar Temudjin até a China.
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Gengis criou táticas de guerra revolucionárias para as batalhas nas estepes e também é considerado um dos percussores da Guerra humanitária junto com Átila segundo Noam Chomsky. Seu exército era disciplinado, temido e impiedoso. A arma tradicional dos mongóis era o arco mongol, espécie de arco recurvo composto por madeira, cola e chifres de animais, que possibilitava que com a redução de força relativa ao arco longo, os arqueiros conseguissem atirar com mais agilidade e mais precisão. O tamanho relativamente menor em relação ao arco longo, também possibilitava maior portabilidade em cima da montaria, com isso tornou obrigatório o treinamento dessa arma. Os cavaleiros eram treinados para atirar a flecha com o cavalo em movimento. Um detalhe era que, para maior precisão, a flecha era disparada no momento em que o cavalo estivesse em pleno galope. Esses cavaleiros, os chamados mangudais, eram uma arma poderosa contra a infantaria inimiga, já que juntavam dois princípios: arco e flecha e cavalaria, ou seja, um mangudai poderia ser rápido e preciso para atingir os inimigos mesmo estando longe. O arco mongol era até mais potente que os arcos longos utilizados pelos ingleses e galeses com grande êxito em batalhas contra os franceses durante a Guerra dos Cem anos.
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Em 1207-1208, os mongóis foram forçados a expandir seu território de pastagem devido a algum problema climático nas estepes e conquistaram o reino tangute de Hsi Hsia. Em seguida, atravessaram a muralha contornando-a e chegaram à China, cujo reino estava dividido entre as dinastias Jin, ao norte e Song, ao sul. As vastas plantações de arroz e a riqueza da cidade atraíram mais a atenção de Genghis do que a possibilidade de se tornar senhor da China. Na conquista do reino Jin, Gengis recrutou um jovem chinês chamado Yeh-lu Ch'u-ts'-ai como seu conselheiro pessoal. A sua influência tornou Genghis mais tolerante e menos agressivo em batalha, estimulando-o a evitar esforços exagerados na guerra e conservar as terras cultivadas ao invés de transformá-las em pastagens. Gengis marchou até Pequim, o mais avançado centro urbano daquela época e, quando viu que a cidade era cercada de muralhas de doze metros de altura, descobriu que suas táticas de guerra em campo aberto, nas estepes, não o ajudariam naquele momento. Desse modo, não teve pressa e acampou seu exército, cercando a cidade e impediu que os suprimentos entrassem em Pequim. Esses suprimentos foram usados para suprir seu exército. Com a ajuda de engenheiros chineses dissidentes, construiu catapultas e outros artefatos bélicos e finalmente invadiu e dominou Pequim.
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A história de Yuan, um texto histórico encomendado durante a dinastia Ming da China, afirmou que, de 18 a 25 de agosto de 1227, durante a última campanha de Gengis Cã contra o Xia Ocidental, ele se sentiu mal com uma febre que o matou oito dias após o início da doença. Pesquisas anteriores sugeriram que ele contraiu febre tifóide, mas outros pesquisadores observaram que não houve menção a outros sintomas típicos da doença, como dor abdominal e vômitos. Os cientistas diagnosticaram Gengis Cã não apenas observando seus sinais clínicos, mas também usando informações sobre as doenças que as tropas mongóis e seus inimigos sofriam na época, bem como conhecimentos modernos sobre os tempos de aparecimento de doenças transmissíveis. Eles descobriram que seus sintomas correspondiam aos da peste bubônica que prevalecia naquela época.
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Antes da morte de Gengis, este estabeleceu seu filho, Ogedai Khan, como seu sucessor. Ogedai encarregou-se de expandir o território mongol ao máximo, da Síria à Indochina, da Pérsia à Sibéria, da Hungria à China. Posteriormente, o grande império foi dividido em 4 partes entre filhos e netos de Genghis, porém nenhum destes novos canatos teriam uma existência longa. Com as bases lançadas por Gengis pela conquista da China, seu neto Cublai Cã em 1271 assegurou o domínio mongol sob o território chinês e lá fundou a dinastia mongólica dos Yuan, anexando a China a seu império. A primeira dinastia que não era de Etnia han a reger o território chinês, Yuan é conhecida por abrir as portas para os primeiros principais contatos europeus com o extremo da Ásia. É no período da Dinastia Yuan em que Marco Polo, viajante italiano, concretiza sua exploração pela Ásia, e também quando demais missionários europeus, como João de Montecorvino, seguem viagem pelo território.
Descendência
Um estudo realizado em 2002 concluiu que 8% dos homens da região anteriormente ocupada pelo Império Mongol, uma área entre o oceano Pacífico e o Mar Cáspio, podem ser descendentes de Gengis, representando, portanto, cerca de 0,5% da população mundial. Um outro estudo de 2007 afirma que 34,8% dos atuais mongóis são descendentes de Gengis.


