A Saucerful of Secrets
A Saucerful of Secrets é o segundo álbum de estúdio da banda inglesa de rock Pink Floyd. O álbum foi gravado nos Abbey Road Studios da EMI, em várias sessões entre Agosto de 1967 e Abril de 1968, sendo lançado em 29 de Junho de 1968 pela EMI Columbia no Reino Unido, e em 27 de Julho de 1968 no Estados Unidos pela Tower.
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De meados de 1967 até ao fim desse ano, o comportamento errático de Syd Barrett tornou-se mais visível, e num concerto na primeira digressão pelos Estados Unidos, ele lentamente foi desafinando a sua guitarra enquanto tocava. O público, habituado às actuações experimentais da banda, pareceu apreciar a situação, e não se apercebeu do mal estar dos outros membros do grupo. Entrevistado no programa de Pat Boone durante a sua digressão, as respostas de Barrett às perguntas de Boone limitavam-se a "um olhar vazio e ao silêncio", e manteve a sua boca fechada durante a actuação. Durante a primeira presença no programa de Dick Clark, American Bandstand, Barrett repetiu o mesmo comportamento. O músico até teve um comportamento aceitável durante a música Apples and Oranges, mas respondeu de forma desinteressada e sem ânimo às perguntas de Clark.
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Com Syd Barrett
O álbum foi gravado nos estúdios da EMI em Londres. As primeiras músicas gravadas para o álbum foram Set the Controls for the Heart of the Sun de Roger Waters, e uma, não comercializada, de Barrett, Scream Thy Last Scream;[nota 1] ambas registadas em 7 e 8 de Agosto de 1967. As duas faixas foram tratadas para serem lançadas como single a 8 de Setembro, antes de passarem pela aprovação da gravadora do grupo, a EMI. A banda gravou Vegetable Man [nota 2] nos estúdios De Lane Lea entre 9 e 11 de Outobro, e regressou mais tarde no mesmo mês, a 19 de Outubro, para gravar Jugband Blues, com o produtor Norman Smith, e com a presença da banda do Exército de Salvação, a pedido de Barrett. Quando o Exército de Salvação entrou para tocar na música, Barrett disse-lhes para "tocarem o que quisessem", e Smith insistiu em partes já gravadas. Sobrepondo Remember a Day nas sessões, a música, que era um registo das gravações de The Piper at the Gates of Dawn, conta com a participação de Barrettt na slide guitar. A banda fez uma pausa nas gravações referentes ao álbum para gravar a música que se tornaria o seu terceiro single, Apples and Oranges, em 26 e 27 de Outubro. Uns dias mais tarde, os músicos gravaram o lado B do single, Paint Box, antes de partir para uma digressão nos Estados Unidos.
Com David Gilmour
Quando Gilmour entrou para o grupo, os Pink Floyd tocaram algumas vezes com os cinco membros, entre 12 e 20 de Janeiro. Num punhado de concertos, Gilmour tocou e cantou enquanto deambulava Barrett sobre o palco, só se juntando ao resto do grupo ocasionalmente. Entre os cinco concertos que deram neste período, a banda ensaiou algumas músicas escritas por Waters a 15 e 16 de Janeiro. Na sessão de 18 de Janeiro, o grupo, com a presença de Smith, realizou gravações das partes rítmicas; estas gravações formariam a introdução de Let There Be More Light. Barrett não esteve presente nesta sessão. A 24 e 25 de Janeiro, a banda gravou uma música, designada por The Most Boring Song I've Ever Heard Bar 2, em Abbey Road. Esta música mudaria o seu nome para See-Saw. O grupo gravou Let There Be More Light, Corporal Clegg (com Nick Mason na voz) e See-Saw sem Barrett, apesar de o manager Andrew King afirmar que Barrett tocou o solo de slide no final de Let There Be More Light. Os outros membros da banda começaram a cansar-se do comportamento irregular de Barrett e, a 26 de Janeiro de 1968, quando Waters se dirigia de carro para um concerto na Southampton University, apanhando pelo caminho os outros membros do grupo, alguém no carro disse: "Levamos também o Syd?", e alguém respondeu: "Não vale a pena chatearmos-nos." Barrett saiu da banda no final de Janeiro de 1968, e os restantes membros acabaram por finalizar o álbum; Set the Controls for the Heart of the Sun é a única música em que todos os cinco membros estão presentes.
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À semelhança do anterior The Piper at the Gates of Dawn, o álbum contém músicas caracterizadas pelo seu ambiente "espacial" e psicadélico. Contudo, ao contrário de Piper, o qual era dominado pelas composições de Barrett, A Saucerful of Secrets apenas inclui uma deste músico: Jugband Blues. O site AllMusic cita que com A Saucerful of Secrets, "a banda deu início a um estilo obscuro e de ritmos repetitivos que irá marcar os seus álbuns seguintes." Wright canta ou partilha as vozes em quatro das sete músicas do álbum, e contribui com a sua voz na composição instrumental de onze minutos e meio A Saucerful of Secrets, fazendo deste álbum aquele onde a sua voz surge em mais tempo do que a dos outros membros dos Pink Floyd. Com Barrett afastado dos outros elementos do grupo, a responsabilidade de arranjar o material adequado para o álbum ficou para Waters e Wright. A música de abertura, Let There Be More Light, composta por Waters, continua a abordagem espacial estabelecida por Barrett. Let There Be More Light começa com um riff de baixo semelhante ao de Interstellar Overdrive. Tanto Remember a Day como See-Saw seguem uma abordagem infantil que teve início no álbum de estreia da banda. Wright permaneceu muito crítico das suas primeiras contribuições. Set the Controls for the Heart of the Sun foi tocado pela primeira vez com Barrett em 1967. O sucesso da música foi tal que continuou a fazer parte do conjunto de músicas tocadas ao vivo até 1973 onde surgia numa versão mais longa. Mais tarde, Waters tocaria esta música nos seus concertos a solo a partir de 1984 em diante. Waters baseou-se num texto de poesia chines da Dinastia Tang, tal como Barrett tinha feito em Chapter 24. Corporal Clegg, é a primeira música dos Pink Floyd que contém referências às questões da guerra, um tema que continuaria ao longo da carreira de Waters como compositor da banda, culminando no álbum de 1983 The Final Cut. Originalmente, A Saucerful of Secrets foi escrita como uma nova versão de Nick's Boogie. A música é composta por quatro partes em Ummagumma. Presente na lista dos concertos do grupo até ao verão de 1972, uma versão ao vivo da música foi gravada a 27 de Abril de 1969 no Mothers Club em Birmingham para ser incluía nesse álbum. Jugband Blues refere-se à saída de Sid Barrett da banda ("É muito atencioso da sua parte pensar em mim aqui / E estou-lhe muito agradecido por me dizer, de forma clara, que não estou aqui"[nota 5]). Um vídeo promocional foi gravado para esta canção. A gestora da banda queria comercializar a música em single, mas o grupo e o seu produtor, Norman Smith, se recusaram a tal.
Músicas não comercializadas
Tal como Jugband Blues, o álbum também deveria incluir Vegetable Man, outra das composições de Barrett. Era suposto que aquela composição fosse lançada no lado B de um single de Scream Thy Last Scream. Em 20 de Dezembro, o grupo tocou Jugband Blues, Vegetable Man e Scream Thy Last Scream numa sessão de gravação de Top Gear, que foi emitida a 31 desse mês. Duas músicas adicionais de Barrett, In the Beechwoods, e No Title (frequentemente referida como Sunshine em bootlegs),[nota 6] foram gravadas nas primeiras sessões de gravação do álbum. Pelo menos, uma outra música, John Latham, foi gravada durante estas sessões, permanecendo por comercializar.
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Este é o primeiro álbum dos Pink Floyd cuja capa foi desenhada pela Hipgnosis, e foi a segunda vez que o grupo EMI (os The Beatles foram a primeiro) permitiu a contratação de desenhadores externos para a elaboração do álbum. A Saucerful of Secrets foi lançado, em LP, no Reino Unido em 29 de Junho de 1968 pela etiqueta da EMI, Columbia em mono[nota 7] e estéreo[nota 8], chegando ao nono lugar nas tabelas de vendas britânicas. Nos Estados Unidos foi editado pela Tower Records[nota 9] da Capitol, pais onde permanece como o único que não chegou a entrar nas tabelas. Contudo, quando foi re-editado em A Nice Pair[nota 10] com a versão original de The Piper at the Gates of Dawn após o sucesso de The Dark Side of the Moon, o álbum alcançou o lugar 36 na Billboard 200. Let There Be More Light foi lançado como single, com Remember a Day, nos Estados Unidos a 19 de Agosto de 1969. O CD do álbum com as músicas em modo estéreo foi editado em 1988,[nota 11] e em 1992 foi remisturado digitalmente e comercializado na colectânea Shine On. O CD remasterizado para estéreo foi comercializado em 1994 no Reino Unido[nota 12] e nos Estados Unidos.[nota 13] A versão mono do álbum nunca foi lançada em CD. A 6 de Janeiro de 2016, o álbum foi re-editado pela editora Pink Floyd Records.


