Abbey Road
Abbey Road é o décimo primeiro álbum de estúdio da banda britânica de rock The Beatles, lançado em 26 de setembro de 1969 pela Apple Records. É o último álbum que o grupo gravou, embora Let It Be (1970) tenha sido o último álbum concluído antes da separação da banda em abril de 1970. Foi gravado principalmente em abril, julho e agosto de 1969, e liderou as paradas de discos nos Estados Unidos e no Reino Unido. Um single de duplo lado A do álbum, "Something" / "Come Together", foi lançado em outubro, que também liderou as paradas nos EUA.
Após as sessões de gravação do álbum proposto Get Back, Paul McCartney sugeriu ao produtor musical George Martin que o grupo se reunisse e fizesse um álbum "do jeito que costumávamos fazer", livre do conflito que havia começado durante as sessões para The Beatles (também conhecido como "Álbum Branco"). Martin concordou, mas com a condição estrita de que todo o grupo — particularmente John Lennon — permitisse que ele produzisse o disco da mesma maneira que os álbuns anteriores e que a disciplina fosse respeitada. Ninguém tinha certeza de que o trabalho seria o último do grupo, embora George Harrison mais tarde tenha lembrado que "parecia que estávamos chegando ao fim da linha".
Histórico de gravação
As primeiras sessões de gravação para Abbey Road começaram em 22 de fevereiro de 1969, apenas três semanas após as sessões de Get Back, no Trident Studios. Lá, o grupo gravou uma trilha de apoio para "I Want You (She's So Heavy)", com o músico Billy Preston acompanhando-os no órgão Hammond. Nenhuma outra gravação do grupo ocorreu até abril por causa dos compromissos de Ringo Starr no filme Um Beatle no Paraíso. Depois de uma pequena quantidade de trabalho naquele mês e uma sessão para "You Never Give Me Your Money" em 6 de maio, o grupo fez uma pausa de oito semanas antes de recomeçar em 2 de julho. A gravação continuou durante julho e agosto, e a última trilha de apoio, para "Because", foi gravada em 1º de agosto. Os overdubs continuaram durante o mês, com a sequência final do álbum sendo reunida em 20 de agosto – a última vez que todos os quatro Beatles estavam presentes em um estúdio juntos.
Aspectos técnicos
Abbey Road foi gravado em máquinas de fita de rolo de oito pistas em vez das tradicionais máquinas de quatro pistas utilizadas nos álbuns anteriores dos Beatles, e foi o primeiro álbum do grupo a não ser lançado de forma autêntica no formato monofônico em nenhum lugar do mundo. O disco fez uso proeminente da guitarra tocada através de um alto-falante Leslie e do sintetizador Moog. O Moog não é usado apenas como efeito de fundo, mas às vezes desempenha um papel central, como em "Because", onde é utilizado para a seção intermediária da faixa. Também é destaque em "Maxwell's Silver Hammer" e "Here Comes the Sun". O sintetizador foi introduzido à banda por Harrison, que adquiriu um em novembro de 1968 e o usou para criar seu álbum, Electronic Sound. Starr fez uso mais proeminente dos tom-toms em Abbey Road, dizendo mais tarde que o álbum era "uma loucura de tom-tom... Eu enlouqueci com os toms".
Lado um
"Come Together" foi uma extensão de "Let's Get It Together", uma canção que John Lennon escreveu originalmente para a campanha governamental de Timothy Leary na Califórnia contra Ronald Reagan. Uma versão inicial da letra de "Come Together" foi escrita no segundo bed-in de Lennon e Ono em Montreal. O autor de Can't Buy Me Love: The Beatles, Britain and America, Jonathan Gould, sugeriu que a canção tem apenas um único "protagonista parecido com um pária" e que John estava "pintando outro autorretrato sarcástico". MacDonald sugeriu que "Juju eyeballs" ("olhos de Juju") foi alegado como uma referência ao Dr. John e "Spinal cracker" ("Quebrador de espinhas") a Ono. A faixa foi posteriormente objeto de um processo movido contra Lennon por Morris Levy em razão da linha de abertura da faixa – "Here come old flat-top" – que foi reconhecidamente retirada de um verso em "You Can't Catch Me", de Chuck Berry. Um acordo foi alcançado em 1973 no qual Lennon prometeu gravar três canções do catálogo de publicação de Levy para seu próximo álbum.
Lado dois
"Here Comes the Sun" foi escrita por Harrison no jardim da casa do guitarrista Eric Clapton, em Surrey, durante uma pausa das estressantes reuniões de negócios da banda. A gravação básica da faixa foi feita em 7 de julho de 1969. George fez o vocal principal e tocou violão, Paul fez os vocais de apoio e tocou baixo, e Ringo tocou bateria. John ainda estava se recuperando de seu acidente de carro e não se apresentou na faixa. George Martin forneceu um arranjo orquestral em colaboração com Harrison, que preparou um overdub de Moog em 19 de agosto, imediatamente antes da mixagem final. Embora não tenha sido lançada como single, a canção atraiu atenção e elogios da crítica, e foi incluída na coletânea de grandes êxitos da banda, 1967–1970. Martin Chilton, do jornal Daily Telegraph, disse que era "quase impossível não cantar junto". Desde que os downloads digitais se tornaram elegíveis para as tabelas musicais, a faixa alcançou a 56ª posição em 2010, depois que o catálogo dos Beatles foi lançado no iTunes.
Material não lançado
Três dias após a sessão de "I Want You (She's So Heavy)", George gravou demos de "All Things Must Pass" (que se tornou a faixa-título de seu álbum triplo de 1970), "Something" e "Old Brown Shoe". Esta última foi regravada pelos Beatles em abril de 1969 e lançada como lado B de "The Ballad of John and Yoko" no mês seguinte. Todas essas três demos de Harrison foram posteriormente apresentadas em Anthology 3. Durante as sessões para o medley, Paul gravou "Come and Get It", tocando todos os instrumentos. Foi assumido que era uma gravação demo para outro artista, mas McCartney disse mais tarde que originalmente pretendia adicioná-la em Abbey Road. Em vez disso, foi regravada por Badfinger, enquanto a gravação original de Paul apareceu em Anthology 3.
O diretor criativo da Apple Records, Kosh, projetou a capa do álbum. É a única capa original de álbum dos Beatles no Reino Unido a não apresentar nem o nome do artista nem o título do álbum na capa frontal, o que foi ideia de Kosh, apesar da EMI Music, detentora da Apple, dizer que o disco não venderia sem essas informações. Mais tarde, ele explicou que "não precisávamos escrever o nome da banda na capa (...) Eles eram a banda mais famosa do mundo". A fotografia da capa frontal, que apresenta o grupo caminhando em uma faixa de pedestres, com base em ideias que Paul esboçou,[nota 5] foi tirada em 8 de agosto de 1969 do lado de fora do EMI Studios em Abbey Road. Às 11h35 daquela manhã, o fotógrafo Iain Macmillan teve apenas dez minutos para tirar a foto enquanto estava em uma escada e um policial segurava o trânsito atrás da câmera. Macmillan tirou seis fotografias, que McCartney examinou com uma lupa antes de decidir qual seria usada na capa do álbum. Em 2010, o Reino Unido reconheceu a faixa como patrimônio histórico cultural.
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Em meados de 1969, John Lennon formou um novo grupo, a Plastic Ono Band, em parte porque os Beatles rejeitaram sua canção "Cold Turkey". Enquanto George Harrison trabalhou com artistas como Leon Russell, Doris Troy, Preston e Delaney & Bonnie até o final do ano, Paul McCartney deu um hiato do grupo depois que sua filha Mary nasceu em 28 de agosto. Em 20 de setembro, seis dias antes do lançamento de Abbey Road, Lennon disse a McCartney, Starr e ao empresário Allen Klein (Harrison não estava presente) que ele "queria o divórcio" do grupo. A Apple Records lançou "Something" com "Come Together" nos Estados Unidos em 6 de outubro de 1969. O lançamento do single no Reino Unido ocorreu em 31 de outubro, enquanto John lançou "Cold Turkey" da Plastic Ono Band no mesmo mês. Os Beatles fizeram pouca promoção de Abbey Road diretamente, e nenhum anúncio público foi feito sobre a separação da banda até que Paul anunciasse que estava deixando o grupo em abril de 1970. Nessa época, o projeto Get Back (agora renomeado Let It Be) havia sido reexaminado, com overdubs e sessões de mixagem continuando em 1970. Portanto, Let It Be se tornou o último álbum a ser finalizado e lançado pelos Beatles, embora sua gravação tenha começado antes de Abbey Road.
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Avaliações contemporâneas
Abbey Road recebeu inicialmente críticas mistas dos críticos musicais, que criticaram os sons artificiais da produção e consideraram sua música inautêntica. O crítico William Mann, do periódico The Times, disse que o álbum "será chamado de enigmático por pessoas que querem que um disco soe exatamente como uma apresentação ao vivo", embora ele o considerasse "cheio de invenção musical" e acrescentou: "Por mais agradáveis que sejam 'Come Together' e 'Something' de Harrison – são prazeres menores no contexto de todo o disco... O lado dois é maravilhoso..." Ed Ward, da revista Rolling Stone, chamou o álbum de "complicado em vez de complexo" e sentiu que o sintetizador Moog "desencarna e artificializa" o som da banda, acrescentando que eles "criam um som que não poderia existir fora do estúdio". Embora tenha considerado o medley do lado dois como sua "música mais impressionante" desde Rubber Soul. Nik Cohn do New York Times disse que, "individualmente", as canções do álbum não são "nada especiais". O redator Albert Goldman, da revista Life, escreveu que Abbey Road "não é um dos grandes álbuns dos Beatles" e, apesar de algumas frases "adoráveis" e transições "emocionantes", a suíte do lado dois "parece simbólica da última fase dos Beatles, que pode ser descrita como a 'produção 24 horas' de efeitos musicais descartáveis". O crítico da revista High Fidelity, John Gabree, escreveu sobre o álbum: "O que dizer? Se você gosta dos Beatles, você vai gostar do disco. Se você tem suas dúvidas, isso não fará nada para acalmá-las. Claro, como alguém acabou de dizer, eles têm 'algo'".
Avaliações retrospectivas
Muitos críticos contemporâneos citaram Abbey Road como o melhor álbum dos Beatles. Em uma análise retrospectiva, a redatora da PopMatters, Nicole Pensiero, o chamou de "uma peça musical incrivelmente coesa, inovadora e atemporal". Mark Kemp da revista Paste viu o álbum como "um dos melhores trabalhos dos Beatles, mesmo que prenunciasse o rock de arena com isqueiros que artistas tecnicamente habilidosos, mas criticamente difamados, de Journey a Meat Loaf, iriam trabalhar arduamente ao longo dos anos setenta e oitenta". Neil McCormick do Daily Telegraph apelidou-o de "última carta de amor dos Beatles para o mundo" e elogiou seu "som grande e moderno", chamando-o de "exuberante, rico, suave, épico, emocional e totalmente lindo".
Travessia de Abbey Road e teoria da morte de Paul McCartney
A imagem da capa frontal dos Beatles no cruzamento da Abbey Road se tornou uma das mais famosas e imitadas na história da música. O cruzamento é um destino popular para os fãs dos Beatles, e uma webcam opera lá desde 2011. Em dezembro de 2010, o cruzamento recebeu status de grau II por sua "importância cultural e histórica"; os próprios estúdios de Abbey Road receberam status semelhante no início do ano. Logo após o lançamento do álbum, a capa tornou-se parte da teoria da conspiração da morte de Paul McCartney, que estava se espalhando pelos campi universitários nos Estados Unidos. De acordo com os seguidores do boato, a capa retratava os Beatles saindo de um cemitério em um cortejo fúnebre. O cortejo era liderado por John, vestido de branco como uma figura religiosa; Ringo estava vestido de preto como o agente funerário; Paul, fora de sintonia com os outros, era um cadáver descalço; e George, vestido de jeans, era o coveiro. O canhoto McCartney está segurando um cigarro na mão direita, indicando que ele é um impostor, e parte da placa do Fusca estacionado na rua é 281F (erroneamente lido como 28IF), significando que McCartney teria 28 anos se ("28, if") estivesse vivo – apesar do fato de que ele tinha apenas 27 anos na época da foto e do lançamento subsequente do disco. A escalada do boato tornou-se o assunto de intensa análise nas rádios tradicionais e contribuiu para o sucesso comercial do Abbey Road nos EUA. Lennon foi entrevistado em Londres pela rádio WMCA de Nova Iorque, e ele ridicularizou o boato, mas admitiu que era uma publicidade inestimável para o álbum.
Regravações e influência
As canções de Abbey Road foram regravadas muitas vezes e o álbum em si foi regravado na íntegra. Um mês após o lançamento do Abbey Road, George Benson gravou uma versão cover do álbum chamada The Other Side of Abbey Road. Mais tarde, em 1969, Booker T. & the M.G.'s gravaram McLemore Avenue (o local em Memphis da Stax Records), que regravou as canções do Abbey Road e tinha uma foto de capa semelhante. Embora igualasse álbuns como Sgt. Pepper em termos de popularidade, Abbey Road falhou em repetir as conquistas anteriores dos Beatles em galvanizar seus rivais para imitá-los. Na descrição do autor Peter Doggett, "Muito artificial para o underground do rock copiar, muito complexo para a brigada do bubblegum pop copiar, o álbum não influenciou ninguém – exceto (Paul McCartney), que passou anos tentando emular seu escopo em sua carreira solo". Escrevendo para a revista Classic Rock em 2014, o vocalista Jon Anderson da banda de rock progressivo Yes disse que seu grupo foi constantemente influenciado pelos Beatles de Revolver em diante, mas foi o sentimento de que o segundo lado era "uma ideia completa" que o inspirou a criar peças musicais longas.[nota 6]
Vendas e relançamentos
Em junho de 1970, Allen Klein relatou que Abbey Road foi o álbum mais vendido dos Beatles nos Estados Unidos, com vendas de cerca de cinco milhões. Em 1992, Abbey Road havia vendido nove milhões de cópias. O álbum se tornou o nono mais baixado na iTunes Store uma semana após seu lançamento em 16 de novembro de 2010. Uma reportagem da CNN afirmou que foi o álbum em vinil mais vendido de 2011. É o primeiro álbum da década de 1960 a vender mais de cinco milhões de álbuns desde 1991, quando a Nielsen SoundScan começou a monitorar as vendas. Nos EUA, o álbum vendeu 7.177.797 cópias até o final da década de 1970. Desde 2011[update], o álbum vendeu mais de 31 milhões de cópias em todo o mundo e é um dos álbuns mais vendidos da banda. Em outubro de 2019, Abbey Road voltou às paradas do Reino Unido, alcançando novamente o primeiro lugar.
Imagem: Defence Images · BY-NC · Openverse
Todas as faixas escritas por Lennon–McCartney, exceto as indicadas
Imagem: jivedanson · BY-NC-SA · Openverse
De acordo com Mark Lewisohn, Ian MacDonald, Barry Miles, Kevin Howlett e Geoff Emerick.


