Genesis
Genesis foi uma banda de rock inglesa formada na Charterhouse School, em Godalming, Surrey, em 1967. A formação mais duradoura e de maior sucesso comercial da banda era composta pelo tecladista Tony Banks, o baixista/guitarrista Mike Rutherford e o baterista/vocalista Phil Collins. Na década de 1970, período em que a banda também contou com o vocalista Peter Gabriel e o guitarrista Steve Hackett, o Genesis esteve entre os pioneiros do rock progressivo. Banks e Rutherford foram os únicos membros constantes ao longo da história da banda.
Quando Seconds Out foi lançado, Banks, Rutherford e Collins já haviam gravado ...And Then There Were Three..., o primeiro álbum do Genesis gravado como um trio, em setembro de 1977 no Relight Studios com Hentschel como produtor. A mixagem foi feita no Trident Studios em Londres. Para apresentar um número maior de ideias musicais, o álbum é uma coleção de músicas mais curtas. A maioria das onze músicas foi escrita individualmente; Banks contribuiu com quatro, Rutherford com três e Collins com uma, enquanto as três restantes foram escritas coletivamente. O novo material sinalizou uma mudança no som da banda, com músicas mais voltadas para o pop, incluindo a faixa escrita pelo grupo "Follow You Follow Me". Collins lembrou que essa foi a única música do álbum escrita do zero durante os ensaios. Rutherford se sentiu confortável em assumir a guitarra solo, além de suas funções habituais de guitarra rítmica e baixo, embora a banda tivesse considerado fazer testes com guitarristas substitutos ou usar um guitarrista de estúdio no álbum. Collins mais tarde considerou o álbum como "um álbum muito vocal e sólido" que carecia de faixas mais rítmicas como "Los Endos" ou canções de Wind & Wuthering, pois ter ideias na bateria enquanto vivia em seu apartamento em Ealing com sua família era difícil.
1967–1969: Formação, primeiras demonstrações e From Genesis to Revelation
Os membros fundadores do Genesis, Peter Gabriel, Tony Banks, Anthony "Ant" Phillips, Mike Rutherford e o baterista Chris Stewart, se conheceram na Charterhouse School, uma escola pública em Godalming, Surrey. Banks e Gabriel chegaram à escola em setembro de 1963, Rutherford em setembro de 1964 e Phillips em abril de 1965. Os cinco eram membros de uma das duas bandas da escola; Phillips e Rutherford estavam na Anon com o vocalista Richard Macphail, o baixista Rivers Jobe e o baterista Rob Tyrrell, enquanto Gabriel, Banks e Stewart formavam a Garden Wall. Em janeiro de 1967, após a separação dos dois grupos, Phillips e Rutherford continuaram a compor juntos e gravaram uma fita demo no estúdio caseiro de um amigo, convidando Banks, Gabriel e Stewart para gravar com eles. O grupo gravou seis músicas: "Don't Want You Back", "Try a Little Sadness", "She's Beautiful", "That's Me", "Listen on Five" e "Patricia", uma instrumental. Quando quiseram gravá-las profissionalmente, procuraram Jonathan King, ex-aluno de Charterhouse, que parecia uma escolha natural como editor e produtor após o sucesso de seu single "Everyone's Gone to the Moon", que alcançou o top 5 no Reino Unido em 1965. Um amigo do grupo entregou a fita a King, que ficou imediatamente entusiasmado. Sob a direção de King, o grupo, com idades entre 15 e 17 anos, assinou um contrato de gravação de um ano com a Decca Records.
1969–1970: Primeiros concertos, assinatura com a Charisma, Trespass e a saída de Phillips
No final de 1969, o Genesis refugiou-se numa casa de campo pertencente aos pais de Macphail, em Wotton, Surrey, para compor, ensaiar e desenvolver a sua performance ao vivo. Levaram o seu trabalho a sério, tocando juntos até onze horas por dia. O seu primeiro concerto ao vivo como Genesis aconteceu em setembro de 1969, no aniversário de um adolescente. Foi o início de uma série de concertos ao vivo em pequenos locais por todo o Reino Unido, que incluiu uma atuação na rádio transmitida no programa Night Ride da BBC, a 22 de fevereiro de 1970, e uma participação no Atomic Sunrise Festival, realizado no Roundhouse em Chalk Farm, um mês depois. Durante este período, a banda reuniu-se com várias editoras discográficas relativamente a propostas de contrato. As negociações iniciais com Chris Blackwell da Island e Chris Wright da Chrysalis não foram bem-sucedidas. Em março de 1970, durante a residência de seis semanas da banda nas noites de terça-feira no Ronnie Scott's Jazz Club, no Soho, membros do Rare Bird, banda que o Genesis já havia acompanhado ao vivo, recomendaram a banda ao produtor e olheiro John Anthony, da Charisma Records. Anthony assistiu a um dos shows e gostou tanto que convenceu seu chefe, o dono da gravadora Tony Stratton Smith, a assistir à próxima apresentação. Smith relembrou: "O potencial deles era imediatamente aparente... o material era bom e a performance também... Era uma aposta arriscada, porque eles precisavam de tempo para encontrar sua força... mas eu estava preparado para assumir esse compromisso". Ele concordou com um contrato de gravação e gerenciamento em duas semanas, pagando ao Genesis uma quantia inicial de £10 por semana (equivalente a £200 em 2023).
1970–1972: Chegada de Collins e Hackett e Nursery Cryme
A busca por um novo guitarrista e baterista começou com anúncios colocados em exemplares da Melody Maker. O convite foi visto pelo baterista Phil Collins, ex-integrante do Flaming Youth, que já conhecia Stratton Smith. Ele recordou: "Meu único conhecimento do Genesis era através dos anúncios de seus shows. Parecia que eles estavam constantemente trabalhando... Pensei: 'Pelo menos eu vou estar trabalhando se conseguir o emprego'." Roger Taylor, posteriormente do Queen, recusou um convite para uma audição. Collins foi à audição na casa dos pais de Gabriel em Chobham, Surrey, com seu colega de banda do Flaming Youth, o guitarrista Ronnie Caryl. Como chegaram cedo, Collins deu um mergulho na piscina e ouviu o que os outros bateristas estavam tocando. "Eles colocaram Trespass e minha impressão inicial foi de uma música muito suave e redonda, não agressiva, com harmonias vocais, e saí de lá pensando em Crosby, Stills e Nash". Gabriel e Rutherford notaram a maneira confiante com que Collins se aproximava e se sentava à bateria e souberam que ele seria o substituto certo. Banks disse: "Foi uma combinação de coisas. Ele conseguia dar um toque de swing... ele também sabia contar boas piadas e nos fazer rir... E ele sabia cantar, o que era uma vantagem porque Mike e eu não éramos muito bons em vocais de apoio". Em agosto de 1970, Collins tornou-se o novo baterista do Genesis. A audição de Caryl não teve sucesso; Rutherford achou que ele não era o músico que o grupo procurava.
1972–1974: Foxtrot e Selling England by the Pound
Após ensaios em uma escola de dança em Shepherd's Bush, o Genesis gravou Foxtrot no Island Studios em agosto e setembro de 1972. Hackett, exausto da turnê Nursery Cryme e sentindo que não estava contribuindo o suficiente com o grupo, ofereceu-se para sair, mas foi tranquilizado pela banda, que disse gostar de sua guitarra solo e querer que ele ficasse. Durante as primeiras sessões, desentendimentos entre Charisma e Anthony contribuíram para o fim de sua associação com o Genesis. Depois de testar dois engenheiros substitutos, a banda optou por John Burns e um novo produtor, Dave Hitchcock. O álbum apresenta a faixa de 23 minutos "Supper's Ready", uma suíte de vários segmentos musicais. A faixa inclui uma peça acústica de abertura, uma canção escrita por Gabriel chamada "Willow Farm" e uma peça derivada de uma jam de Banks, Rutherford e Collins chamada "Apocalypse in 9/8". Outras canções foram a de temática de ficção científica "Watcher of the Skies" e a de temática imobiliária "Get 'Em Out by Friday". Foxtrot foi lançado em 6 de outubro de 1972 e alcançou o 12º lugar no Reino Unido. Teve um desempenho ainda melhor na Itália, onde chegou ao 1º lugar. Foxtrot foi bem recebido pela crítica. Chris Welch, da Melody Maker, considerou Foxtrot "um marco na carreira do grupo", "um ponto importante no desenvolvimento da música de grupos britânicos" e que o Genesis havia atingido "um pico criativo". Stephen Thomas Erlewine pensou que Foxtrot marcou a primeira vez que “o Genesis atacou como uma banda de rock, tocando com um poder visceral”.
1974–1975: The Lamb Lies Down on Broadway e a saída de Gabriel
Em junho de 1974, o Genesis começou a trabalhar em seu álbum conceitual duplo, The Lamb Lies Down on Broadway. Isso marcou um ponto em que o relacionamento de Gabriel com o resto do grupo se tornou cada vez mais tenso, o que contribuiu para sua saída. O álbum foi escrito em Headley Grange, East Hampshire, onde, quando chegaram, o prédio havia sido deixado em péssimo estado pela banda anterior, com infestações de ratos e excrementos no chão. Gabriel se opôs à ideia de Rutherford de um álbum baseado em O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, achando a ideia "muito piegas". Ele propôs à banda uma história menos fantasiosa e mais complexa envolvendo Rael, um jovem porto-riquenho que vive na cidade de Nova Iorque e embarca em uma jornada espiritual para estabelecer sua liberdade e identidade, encontrando vários personagens bizarros pelo caminho. Gabriel escreveu a história com influências de West Side Story, uma espécie de versão punk de O Peregrino, do autor Carl Jung e do filme El Topo, de Alejandro Jodorowsky. A maioria das letras do álbum foi escrita por Gabriel, deixando grande parte da música para o resto do grupo. Sua ausência em um número considerável de sessões de composição devido a dificuldades com o primeiro parto de sua esposa foi algo que Rutherford e Banks "não apoiaram de forma alguma". Gabriel também deixou o grupo quando o diretor William Friedkin lhe pediu para escrever um roteiro, mas retornou depois que o projeto foi arquivado. Em agosto de 1974, a produção mudou-se para Glaspant Manor em Carmarthenshire, País de Gales com Burns como co-produtor, operando o equipamento móvel da Island Studios. Mais trabalho e mixagem ocorreram na Island, onde Brian Eno contribuiu com sintetizadores e efeitos que a capa do álbum credita como "Enossificação". Quando Gabriel perguntou a Eno como a banda poderia lhe pagar, Eno disse que precisava de um baterista para sua faixa "Mother Whale Eyeless". Collins disse: "Fui mandado para o andar de cima como pagamento". Gabriel ficou satisfeito com o trabalho de Eno, mas Banks estava menos entusiasmado.
1975–1977: Collins torna-se vocalista, A Trick of the Tail, Wind & Wuthering e a saída de Hackett
Após a turnê Lamb, Hackett gravou seu primeiro álbum solo, Voyage of the Acolyte, pois não tinha certeza se o Genesis sobreviveria após a saída de Gabriel. Ele se reuniu com os membros restantes do grupo em Londres, em julho de 1975. Durante esse período, Collins começou a tocar bateria com a banda instrumental de jazz rock Brand X, da qual seria um membro semi-regular sempre que o Genesis estivesse em hiato pelos próximos cinco anos. A ideia de Collins de que o Genesis continuasse como um grupo instrumental foi rapidamente rejeitada pelos outros, pois achavam que se tornaria entediante. Os ensaios para A Trick of the Tail aconteceram em Acton, onde o material foi escrito rapidamente e com pouco esforço; a maior parte de "Dance on a Volcano" e "Squonk" foi composta nos primeiros três dias. A gravação começou em outubro de 1975 no Trident Studios, com Hentschel como produtor. Como não encontraram um substituto para o vocalista, a banda decidiu gravar o álbum sem vocais e fazer audições com cantores ao longo do processo. Publicaram um anúncio anônimo na Melody Maker procurando por "um cantor para um grupo no estilo Genesis", que recebeu cerca de 400 respostas. Collins então ensinou as músicas aos candidatos selecionados; Mick Strickland vocalista e flautista do Witches Brew, foi convidado para cantar no estúdio, mas as faixas de acompanhamento estavam em um tom fora de sua extensão vocal natural e a banda decidiu não trabalhar com ele. Sem conseguir encontrar um vocalista adequado, Collins foi ao estúdio e tentou cantar "Squonk". Sua performance foi bem recebida pela banda, que decidiu que ele deveria ser o novo vocalista principal. Collins então cantou nas faixas restantes.


